Coitadinha Bem Feito: As Canções de Angela Ro Ro é um álbum de estúdio em que vozes masculinas da música brasileira interpretam canções da cantora e compositora brasileira Angela Ro Ro. Idealizado pelo jornalista Marcus Preto e lançado pelo selo Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, o projeto reúne releituras de músicas extraídas majoritariamente dos primeiros anos da carreira da artista, marcado pela exposição direta de afetos, conflitos e experiências pessoais.
Concebido como um tributo, o álbum apresenta interpretações de 17 cantores e compositores, entre eles Lucas Santtana, Lirinha, Thiago Pethit, Leo Cavalcanti, Tatá Aeroplano, Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Gui Amabis, Adriano Cintra, Rodrigo Campos, Hélio Flanders, Otto, Pélico, Juliano Gauche, Rael, Gustavo Galo e Dani Black. As faixas foram reorganizadas a partir de novas abordagens sonoras, desenvolvidas livremente pelos intérpretes, sem interferência direta dos idealizadores do projeto.
De modo geral, a recepção crítica foi positiva, apontando o álbum como um trabalho consistente e coeso, capaz de revisitar a obra de Angela Ro Ro sem descaracterizá-la, ao mesmo tempo em que propõe novas perspectivas estéticas.
Bastidores e detalhes do álbum Os bastidores da criação de Coitadinha Bem Feito estiveram ligados à relação afetiva de Marcus Preto com a obra de Angela Ro Ro, ouvida por ele desde a infância, experiência que o próprio jornalista definiu como a de "uma criança meio esquisita". O projeto tomou forma a partir de sua parceria com Zé Pedro, DJ e responsável pelo selo Joia Moderna, e também admirador da cantora. Apesar do selo ter como marca o uso de intérpretes mulheres em seus tributos, o hábito foi rompido desta vez com a escolha exclusiva de cantores. Segundo Marcus, não houve interferência dele ou de Zé Pedro nos arranjos, que ficaram integralmente a cargo dos músicos convidados, resultando em leituras pessoais e diversas entre si.
O álbum reúne releituras de canções marcantes de Angela Ro Ro, interpretadas exclusivamente por vozes masculinas, com o repertório concentrando-se em músicas extraídas de quatro dos cinco primeiros álbuns de sua carreira, lançados entre 1979 e 1984, período em que se consolidou um cancioneiro marcado pela exposição direta de afetos, conflitos e experiências pessoais. O disco conta com a participação de artistas como Lucas Santtana, Lirinha, Thiago Pethit, Leo Cavalcanti, Tatá Aeroplano, Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Gui Amabis, Adriano Cintra, Rodrigo Campos, Hélio Flanders, Otto, Pélico, Juliano Gauche, Rael, Gustavo Galo e Dani Black. O cantor Criolo não pode participar do projeto por incompatibilidade de agenda.
A capa do álbum traz uma foto do cantor Adriano Cintra, expondo uma de suas tatuagens no braço.
Lançamento e divulgação Em 29 de abril de 2013, o álbum foi disponibilizado gratuitamente para download, no hotsite armado pela gravadora. Posteriormente, o trabalho foi comercializado como download digital, e depois em compact disc (CD). Após ouvir as canções do trabalho, a cantora comentou: "A gente faz música pra depois se divertir. Décadas depois! Um monte de homens engraçados, talentosos, para eu me divertir com coisas de 40 anos atrás. É bom viver!".
Dois shows de lançamento foram feitos no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, nos dias 7 e 8 de maio de 2013, com apenas cinco dos intérpretes do disco. A direção musical ficou por conta de Pupillo, da Nação Zumbi, e a direção foi assinada por Marcus Preto. O show de lançamento, realizado na terça-feira (7), contou com arranjos de Pupillo e com a banda formada por Junior Boca (guitarra), Rian Batista (baixo), Regis Damasceno (guitarra e violão) e André Lima (teclado). Segundo Lucas Nobre, da Folha de S.Paulo, o espetáculo teve início com Lira em "Renúncia" e "Amor, Meu Grande Amor", seguido por Gustavo Galo em "A Mim e a Mais Ninguém" e "Fraca e Abusada", Gui Amabis em "Abre o Coração" e "Fogueira", e Pélico em "Tola Foi Você" e "Não Há Cabeça". Na sequência, Adriano Cintra interpretou "Gota de Sangue" e "Balada da Arrasada", enquanto Otto apresentou "Mares da Espanha" e "Coitadinha Bem Feito". O encerramento ocorreu com um bis coletivo, que incluiu "Só nos Resta Viver", "Me Acalmo Danado", "Tango da Bronquite", "Came e Case", "Perdoai-os, Pai" e "Coitadinha Bem Feito", reunindo todos os participantes no palco.
Recepção crítica
Na crítica publicada em seu site Notas Musicais, Mauro Ferreira considerou que o projeto nasceu sob o signo do risco e da incompreensão, já anunciado no verso "Loucura é loucura, não me compreenda", que adquire, segundo o crítico, um "tom previamente defensivo contra eventuais ataques". Para ele, os intérpretes "entenderam a obra de Ro Ro" e "refizeram por acertados caminhos tortos a trilha solitária de uma artista singular", respeitando um cancioneiro que "conjuga o desespero de um blues, a desilusão de um bolero, a rebeldia de um rock e a irreverência de um samba", no qual "amor gera desamor" e "solidão leva ao desespero".
Em sua crítica para a Rolling Stone Brasil, Mauro Ferreira adicionou que "o tributo desconstrói Angela Ro Ro sem destruir a beleza das letras e melodias ardidas da autora".
Lista de faixas Créditos adaptados do Spotify.
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