Carmen Miranda: Bananas Is My Business é um docudrama lançado em 1995, dirigido por Helena Solberg. O documentário retrata a vida e carreira de Carmen Miranda, uma figura central do imaginário latino-americano em Hollywood na década de 1940. A narrativa segue sua trajetória desde suas origens no Brasil, passando por seu sucesso como cantora e atriz, até sua carreira nos Estados Unidos, onde estreou na Broadway, em Nova York, e depois atuou em filmes de grande sucesso após assinar contrato com a 20th Century Fox, em Los Angeles. O filme também aborda os últimos anos de sua vida e seu retorno ao Brasil antes de sua morte.

O documentário inclui entrevistas com pessoas próximas a ela, como sua irmã Aurora Miranda, seu primeiro namorado Mário Cunha, o violinista Laurindo Almeida, o compositor de samba Synval Silva, e os atores Cesar Romero e Alice Faye.

Sinopse Carmen Miranda: Bananas is My Business narra a trajetória da artista brasileira que alcançou reconhecimento internacional. Nascida em Portugal e criada no Brasil, Carmen Miranda já era uma figura famosa na América do Sul quando, em 1939, foi descoberta por Lee Shubert, que a levou para os Estados Unidos. Lá, ela ficou conhecida como a "Brazilian Bombshell" e se destacou como a brasileira mais famosa a atuar em Hollywood. Nos Estados Unidos, no entanto, Carmen foi frequentemente retratada de forma caricatural, com sua imagem associada ao uso de uma pilha de bananas e outras frutas na cabeça. O filme busca apresentar uma visão mais profunda da artista, destacando sua identidade e contribuição cultural.

Estrelato no Brasil Carmen Miranda é retratada logo na primeira cena do documentário Carmen Miranda: Bananas is My Business, com uma sequência onírica narrada pela diretora Helena Solberg. A cena mostra Carmen saindo de seu museu no Rio de Janeiro, seguida por imagens do cortejo fúnebre que ilustram a tristeza de seus fãs brasileiros. O filme inclui entrevistas com pessoas próximas à artista, como sua irmã, Aurora Miranda.

A emigração da família Miranda para o Brasil já estava planejada, mas, devido à gravidez da mãe de Carmen, sua viagem foi adiada. Após o nascimento de Carmen, seu pai, José Maria, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceu. Dois meses depois, enviou dinheiro para que sua família se juntasse a ele. Carmen chegou ao Rio de Janeiro com sua mãe e irmã mais velha, Olinda, em 17 de dezembro de 1909, quando tinha dez meses de idade.CASTRO, Ruy, "Carmen, Uma Biografia", São Paulo:Companhia das Letras, 2005, ISBN 85-359-0760-2

Na adolescência, para ajudar no orçamento familiar, Carmen começou a trabalhar como aprendiz de chapeleira na loja Maison La Femme Chic, no centro do Rio. Foi nesse período que ela desenvolveu seu interesse pela música, influenciada pelo samba, que teria um papel importante em sua carreira.

Carmen utilizou o samba como forma de expressão artística e começou a se apresentar em programas de rádio, uma mídia que, na época, era predominantemente masculina e não muito bem vista pela sociedade. Ela manteve relações com importantes compositores da época, como Synval Silva e Laurindo Almeida, até se mudar para os Estados Unidos.

Essa oportunidade surgiu em fevereiro de 1939, quando Lee Shubert, um importante empresário do show business, assistiu a uma de suas apresentações no Cassino da Urca e a contratou para o espetáculo The Streets of Paris, que estrearia na Broadway. Carmen exigiu que o grupo musical Bando da Lua a acompanhasse. Eles partiram do Brasil a bordo do navio SS Uruguay em 4 de maio de 1939 e chegaram a Nova York em 17 de maio. Esse evento foi o ponto de virada na carreira de Carmen Miranda, que se tornaria conhecida como a "Brazilian Bombshell".

Carreira nos Estados Unidos e a luta pela sua identidade À medida que Carmen Miranda se tornava popular nos Estados Unidos, notícias sobre seu sucesso chegavam ao Brasil por meio de agências telegráficas. No entanto, muitos brasileiros permaneciam céticos em relação à sua aceitação em Nova York. Carmen enfrentou o desafio de provar sua identidade como brasileira, enquanto tentava manter o interesse do público norte-americano. Sua apropriação do estilo "baiana" gerou críticas dentro do Brasil, especialmente entre setores da elite, que viam essa representação como uma ameaça à identidade nacional, associada a um estereótipo que não representava a totalidade da cultura brasileira.

Em julho de 1940, Carmen retornou ao Rio de Janeiro e, no dia 15 daquele mês, apresentou-se no Cassino da Urca diante de uma plateia fria e indiferente. Naquele momento, o Brasil vivia o Estado Novo, período em que havia incerteza sobre a aliança com os países do Eixo ou os Aliados, e Carmen foi criticada por estar "americanizada".

Parte da imprensa e da elite brasileira atacavam sua imagem, considerando-a uma "vergonha" e uma "afronta" à herança cultural do país. O documentário de Helena Solberg sugere que a imagem de Carmen também foi utilizada pelo governo dos Estados Unidos como parte da Política de Boa Vizinhança durante a Segunda Guerra Mundial, que visava fortalecer relações com a América Latina, cuja contribuição de recursos naturais era vital para o esforço de guerra. Isso intensificou as críticas a Carmen no Brasil, embora seu estilo exótico e colorido continuasse a cativar o público norte-americano.

Estereotipada como um ícone cômico, sensual e superficial, Carmen Miranda foi afetada pelo fato de que seu sucesso vinha acompanhado da percepção de que ela era vista como uma mercadoria consumível para o público dos EUA. No documentário, Solberg inclui uma entrevista com a atriz porto-riquenha Rita Moreno, que critica os estereótipos de mulheres latino-americanas em Hollywood, descritas como "sempre deixadas de lado pelo homem, vivazes e fogosas, em um exagero de características."

As opiniões sobre Carmen variam: Cesar Romero afirma que "o problema foi que ela nunca mudou, e sua novidade começou a cansar". Por outro lado, Alice Faye e outros apontam que Carmen não tinha controle sobre sua imagem nos filmes. Faye comenta: "Você podia argumentar [com o estúdio], mas, depois, seria suspensa".

A morte e as consequências A parte final do documentário narra os eventos que antecederam a morte de Carmen Miranda. Helena Solberg inclui entrevistas com amigos e empregados próximos à cantora, sugerindo que seu casamento conturbado com o produtor de cinema David Sebastian, juntamente com seu intenso ritmo de trabalho, contribuíram para seu desgaste físico e emocional, culminando em uma profunda depressão. Por recomendação médica, Carmen tirou uma licença do trabalho e voltou ao Brasil em 1954 para um período de descanso.

Após retornar a Los Angeles, Carmen foi convidada a se apresentar no programa de variedades de Jimmy Durante na NBC, em 4 de agosto de 1955. Durante sua apresentação, Carmen caiu brevemente de joelhos e, amparada pelo comediante, colocou a mão no peito, sorrindo e mencionando que estava sem fôlego. Mesmo visivelmente exausta, ela completou o número até o final. Este foi o último registro de Carmen em vida. Na madrugada do dia 5 de agosto de 1955, ela faleceu em sua casa em Beverly Hills, vítima de um ataque cardíaco.

O documentário também mostra a missa realizada na Igreja do Bom Pastor em Los Angeles e o traslado do corpo de Carmen para o Rio de Janeiro, em cumprimento de seus últimos desejos. Ao chegar ao Brasil, o governo declarou luto nacional, e mais de 60 mil pessoas participaram da cerimônia na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O cortejo fúnebre, que seguiu até o Cemitério de São João Batista, foi acompanhado por mais de meio milhão de brasileiros.

Elenco Alice Faye ... Ela mesma Aloísio de Oliveira ... Ele mesmo Aurora Miranda ...Ela mesma Athos Gontijo ... Voz Carmen Miranda ... Ela mesma (arquivo de filmes) Caribé da Rocha ... Ele mesmo Cássio Barsante ... Ele mesmo Cesar Romero ... Ele mesmo Cesar Valentin ... Voz Cynthia Adler ... Hedda Hopper David Weir ... Voz Eric Barreto ... Carmen Miranda (Hollywood) Estela Romero ... Ela mesma Helena Solberg ... Ela mesma (narração) Ivan Jack ... Ele mesmo Jeanne Allan ... Ela mesma Jorge Guinle ... Ele mesmo Laurindo Almeida ... Ele mesmo Letícia Monte ... Carmen Miranda (jovem) Mario Cunha ... Ele mesmo Roger Baker ... Voz Raul Smandek ... Ele mesmo Rita Moreno ... Ela mesma Synval Silva ... Ele mesmo Tania Cypriano ... Voz Ted Allan ... Ele mesmo

Desenvolvimento Produção

David Mayer trabalhou junto a Helena Solberg até o fim da edição do documentário. O diretor de fotografia, o polonês Tomasz Magierski, foi constante nas filmagens, enquanto o resto da equipe mudava dependendo do país em que o documentário ia sendo filmado. O filme foi financiado pela Corporation for Public Broadcasting, pela PBS dos Estados Unidos, pelo Channel 4 do Reino Unido, pela RTP de Portugal e pela RioFilme.

O filme custou cerca de US$ 550 mil. O que encareceu foram os direitos de imagem pagos aos grandes estúdios pelo uso dos filmes de Carmen Miranda. Helena e David realizaram uma pesquisa mundial em busca de imagens inéditas e acabaram encontrando bastante material, incluindo home movies da própria cantora, o que resultou em um custo adicional pelos direitos de uso.

Prêmios Ano Festival Categoria País Resultado1994 Festival de Brasília Melhor Documentário Prêmio Especial do Júri Prêmio da Crítica 1995 Festival de Havana Melhor Documentário Festival Internacional de Cinema de Chicago Melhor Documentário Yamagata International Documentary Film Festival Melhor Documentário 1996 Festival Internacional de Cinema do Uruguai Melhor Documentário Encontro Internacional de Cinema de PortugalRadiante Filmes: Carmen Miranda: Bananas Is My Business. Radiante Filmes. Consultado em 21 de outubro de 2024 Melhor Documentário

Festivais O filme foi convidado para 26 festivais internacionais.

Festival País AnoMelbourne International Film Festival Austrália 1995Locarno International Film Festival Suíça 1995Toronto International Film Festival Canadá 1995Yamagata International Documentary Film Festival Japão 1995BFI London Film Festival Inglaterra 1995International Film Festival Rotterdam Holanda 1996Göteborg International Film Festival Suécia 1996Santa Barbara International Film Festival Estados Unidos 1996Rencontres de Cinema d'amérique Latine França 1996Festival international de films de femmes de Créteil França 1996Hong Kong International Film Festival Hong Kong 1996Mostra Internacional de Films de Dones de Barcelona Espanha 1996Jerusalem Film Festival Israel 1996Galway Film Fleadh Irlanda 1996Wellington Film Festival Nova Zelândia 1996The London Latin American Film Festival Inglaterra 1996Helsinki Film Festival Suíça 1996Films from the South Noruega 1996Festival de Cine Realizado por Mujeres Espanha 1996International Women's Film Festival Dortmund França 1999Flying Broom International Women's Film Festival Turquia 2000 É Tudo Verdade Brasil 2014 Curtas e Docs Brasil 2014

Trilha sonora As músicas apresentadas no filme, em ordem alfabética, são: