Monoteísmo (do grego: μόνος, transl. mónos, "único", e θεός, transl. théos, "deus": único deus) é a crença na existência de apenas um deus.“Monotheism”, Encyclopædia Britannica, 15ª ed. (1986), 8:266. Diferencia-se do henoteísmo por ser este a crença preferencial em um deus reconhecido entre muitos. A divindade, nas religiões monoteístas, é onipotente, onisciente e onipresente. Exemplos de religiões monoteístas incluem o cristianismo, a fé bahá'í, o islamismo, o judaísmo, setores do hinduísmo e o zoroastrismo.

Definição e variedades

Monoteísmo é a crença em um deus singular, em contraste com o politeísmo, a crença em várias divindades. Politeísmo é, no entanto, conciliável com o monoteísmo inclusivo ou outras formas de monismo; a distinção entre monoteísmo e politeísmo não é clara nem objetiva.

O henoteísmo envolve a devoção a um Deus único, ao mesmo tempo em que aceita a existência de outros deuses. Embora semelhantes, ele contrasta drasticamente com o monoteísmo, a adoração a uma divindade única independente dos litígios ontológicos referentes à divindade.

O monoteísmo é frequentemente contrastado com o dualismo teísta (diteísmo). No entanto, nas teologias dualistas, como o Gnosticismo, as duas divindades não são de igual valor, e o papel do demiurgo gnóstico é mais parecido com o de Satanás na teologia cristã do que uma diarquia em condições de igualdade com Deus (que é representado em uma forma panteísta, como a Pleroma).

O monoteísmo pode envolver uma grande variedade de concepções de Deus: O deísmo postula a existência de um único deus, o criador de tudo na natureza. Alguns deístas acreditam em um deus impessoal que não intervém no mundo, enquanto outros deístas acreditam na intervenção através da Providência; O monismo é o tipo de monoteísmo encontrado no Hinduísmo, englobando o panteísmo e o panenteísmo, e ao mesmo tempo, o conceito de um Deus pessoal; O panteísmo sustenta que o Universo em si é Deus. A existência de um ser transcendente estranho à natureza é negado; O panenteísmo é uma forma de monoteísmo monista, que sustenta que Deus é todo da existência, que contém, mas não é idêntico ao, Universo. O único deus é onipotente e onipresente, o universo é parte de Deus, e Deus é tanto imanente quanto transcendente; O monoteísmo substancial, encontrado em algumas religiões indígenas africanas, sustenta que os inúmeros deuses são formas diferentes de uma única substância subjacente.

Origem e desenvolvimento A palavra monoteísmo é derivado do grego μόνος (monos)Monos, Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek-English Lexicon, at Perseus que significa "único" e θεός (theos)Theos, Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek-English Lexicon, at Perseus que significa "divindade".O composto é encontrado atualmente somente no grego moderno. Há uma única ocorrência de no hino bizantino (Canones Junii 20.6.43; A. Acconcia Longo and G. Schirò, Analecta hymnica graeca, vol. 11 e codicibus eruta Italiae inferioris. Rome: Istituto di Studi Bizantini e Neoellenici. Università di Roma, 1978)

Alguns autores como Karen Armstrong acreditam que o conceito de monoteísmo obteve um desenvolvimento gradual das noções de henoteísmo (adorar um deus único, aceitando a existência, ou possível existência, de outras divindades) e monolatria (o reconhecimento da existência de muitos deuses, mas com a adoração consistente de uma única divindade). No entanto, a incidência histórica do monoteísmo é tão rara, que é difícil apoiar qualquer teoria da evolução natural das religiões do politeísmo ao henoteísmo e monoteísmo.

Até onde historicamente se sabe, o primeiro caso de monoteísmo, reconhecido como tal pelos historiadores, foi o culto do faraó Amenhotep IV ou Akhenaton ao deus Aton. "Aton vivo, não há outro exceto ele!", disse o faraó. No quinto ano de seu reinado, a revolução monoteísta de Akhenaton se transformou em repressão religiosa em grande escala, num esforço sem paralelo para impor sua visão monoteísta sobre todo o império. A adoração de qualquer outro deus que não fosse Aton foi declarada ilegal no Egito. Todos os templos, exceto os do Disco Solar, foram fechados e seus sacerdócios dissolvidos. Uma força militar marchou de templo em templo, de cidade em cidade, esmagando os ídolos de outros deuses, quebrando suas imagens nos monumentos públicos, apagando seus nomes de documentos antigos. Isso foi uma espécie de pogrom contra os deuses do Egito. Foi violento, destrutivo, implacável e, no final, malsucedido. Depois da morte de Akhenaton, o monoteísmo foi rotulado de heresia, sacrilégio forçado entre um povo que não o desejava. Seu filho Tutankhaton restaurou a antiga ordem religiosa. A maioria das estátuas de Akhenaton foi destruída ou enterrada no deserto. A primeira tentativa de monoteísmo da história foi enterrada nas areias do Egito e esquecida.Wilkinson, Richard H. (2003). Os Deuses completos e deusas do antigo Egito. Thames & Hudson. pp. 236-240miniaturadaimagem|Akhenaton na forma de uma esfinge adorando a Aton. Cartucho esquerdo com os nomes de Aton e Akhenaton.

Por volta do ano 1100 a.C, o monoteísmo novamente aparece no Irã. No zoroastrismo, Aúra-Masda aparece como uma divindade suprema e transcendental. Zaratustra completou seu sistema monoteísta com uma cosmologia dualista — o Bem contra o Mal — dualismo este que, posteriormente, influenciaria outras religiões, entre elas, o cristianismo.

No Antigo Oriente, cada cidade tinha uma divindade padroeira local, tais como Chamache em Larsa ou Nana em Ur. As primeiras alegações da supremacia global de um deus específico data da Idade do Bronze, com o Grande Hino a Aton de Aquenáton (Sigmund Freud, em Moisés e o Monoteísmo, especula que esteja ligado ao judaísmo).

Correntes do monismo e monoteísmo surgiram na Índia védica mais cedo. O Rig Veda apresenta noções de monismo, em particular no décimo livro, também datado da Idade do Ferro, na Nasadiya sukta.

O monoteísmo filosófico e o conceito associado de bem e mal absolutos emergiram no Zoroastrismo e judaísmo, mais tarde culminando nas doutrinas da cristologia no cristianismo primitivo e mais tarde (por volta do século VII) na tawhid do Islã. Na teologia islâmica, uma pessoa que espontaneamente "descobre" o monoteísmo é chamado de hanif, sendo que o Hanif original foi Abraão.

O antropólogo e padre austríaco Wilhelm Schmidt, em 1910, postulou a teoria do Urmonotheismus, "monoteísmo primitivo" ou "original", onde a humanidade primitiva teria sido originalmente monoteísta. O missionário e escritor Don Richardson o apoiou e, a partir da ideia de Schimidt, desenvolveu uma nova ideia, que afirmava que todas as religiões tribais originais apresentam (ou apresentavam) noções de um Deus único há muito esquecido e substituído por ídolos (politeísmo), que correspondia às afirmações bíblicas de que Deus "permitiu que todas as nações andassem segundo seus próprios caminhos. No entanto, Deus não ficou sem dar testemunho sobre Sua própria pessoa" (Atos 14:17), e, portanto, as divindades supremas de cada povo seriam, na verdade, um único Deus (que é apresentado na Bíblia) e que se reconciliaria com eles por meio de Jesus Cristo. Ele apresentou esta ideia em seu livro Fator Melquisedeque.

Religiões abraâmicas

A principal fonte do monoteísmo no mundo ocidental moderno é a narrativa da Bíblia Hebraica, a escritura de judaísmo. Abraão é o primeiro dos Patriarcas bíblicos e fundador do monoteísmo dos hebreus. As origens do judaísmo relaciona-se com a história dos reinos de Judá e de Israel da Idade do Ferro, 1000–586 a.C. Ambos os reinos tinham Javé como sua divindade (ou seja, o deus da corte real e do reino), ao mesmo tempo em que adoravam muitos outros deuses. No século VIII, a propaganda real dos assírios defendia o domínio universal (o que significa o domínio sobre todos os outros deuses) do deus assírio Ashur. Em reação a isso, certos grupos em Israel enfatizaram o poder único de Javé como um sinal da independência nacional. Quando Israel foi destruída pela Assíria (721 a.C.), refugiados trouxeram a ideologia do Javé único para Judá, onde se tornou a ideologia do Estado durante os reinados de pelo menos dois reis. Nesta fase (final do século VII a.C.), o culto a deus de Judá não era estritamente monoteísta, mas Javé foi reconhecido como supremo sobre todos os outros deuses.

A próxima etapa começou com a queda de Judá para a Babilônia, em 586 a.C., quando um pequeno grupo de sacerdotes e escribas reunidos em torno da corte real exilada desenvolveu a primeira ideia de Javé como único deus do mundo. A tendência em direção ao monoteísmo foi acelerada pela queda da Babilônia para os persas em 538, o que permitiu aos exilados assumir o controle da nova província persa de Judá.

O cristianismo surgiu dentro do judaísmo como uma pequena seita religiosa durante os primeiros séculos da Era Cristã, baseada na crença de que o Messias Prometido de Israel seria Jesus. Divulgado inicialmente pelos discípulos de Jesus, ganhou certa expansão de fiéis desde a Palestina até Roma e, a partir de então passou a ser uma religião com um número bastante de convertidos. Os judeus, em sua grande maioria, não aceitaram Jesus como o Messias Prometido continuando a esperar pela vinda deste personagem da fé judaica.

O Islã surgiu no século VII d.C. como uma reação ao cristianismo e ao judaísmo, com base em ambos, mas com uma versão do monoteísmo baseado no judaísmo. Considera Jesus como messias ("Isa al-Masih" em árabe, "Jesus, o Messias"), mas diferentemente do cristianismo, não o considera como divino, e portanto segue pertencendo à lista de crenças monoteístas.

Visão Bahá'í

Os Bahá'ís acreditam em um único Deus, o criador de todas as coisas, que incluem todas as criaturas e forças do universo. A existência de Deus é conceituada como eterna, não tendo começo ou fim. Embora inacessível e incognoscível, Deus é tido como consciente de Sua criação, com vontade e propósito. Os Bahá'ís acreditam que Deus expressa Sua vontade de várias maneiras, incluindo uma série de mensageiros divinos referidos como Manifestantes de Deus ou algumas vezes como educadores divinos. Essas manifestações que estabelecem religiões no mundo, são uma forma de Deus educar a humanidade.

Os ensinamentos Bahá'ís declaram que Deus compreende tudo, por isso não pode ser compreendido. Na religião Bahá'í Deus é frequentemente referido por títulos, como "Todo-Poderoso" ou "Suprema Sabedoria", e há quantidade considerável de ênfase no monoteísmo.

A Fé Bahá'í conceitua como caráter monoteísta as maiores religiões independentes, determinando um padrão de revelação continuada entre todas elas.

Visão judaica

Para os judeus o monoteísmo é a crença em YHWH (O Nome [á-Shem] sendo conhecido após a entrega da Torá ou PentateucoO Elohim de seus ancestrais...(Shemot/Êxodo 3:11-15)(Veja: Nomes de Deus.); também grafado reverentemente como D'us / D´us / D‑us), que é o detentor do Poder Absoluto e obviamente não há nada que aja fora de Seu desígnio,do grego: μόν£ος, transl. mónos, único, e θεός, transl. théos, deus: único deus é por essa razão que não deve ser confundido com outras cosmovisões: o teísta, a crença em um deus supremo em meio a muitos outros deuses; o deísmo, a crença de que o deus criou o mundo mais não interfere nele; o panteísmo, a crença de que o divino/Deus está em tudo e tudo é Deus/divino; e o ateísmo, a crença que logicamente é a sua antítese, na absoluta inexistência de Deus ou deuses.Rel. De Sem. p. 74; Montefiore, Hibbert Lectures, p. 24. Nos treze fundamentos da fé judaica, segundo Maimônides, os quatro primeiros demonstram os pilares do monoteísmo conforme a fé judaica. O primeiro fundamento declara a existência de Deus, o segundo, que Deus é único e que não existe unicidade como a d'Ele, no terceiro a incorporabilidade de Deus, isentando-O de qualquer propriedade antropomórfica, e no quarto fundamento, a eternidade de Deus. Início do Monoteísmo