A língua geral foi falada no Brasil entre o final do século XVII e o início do século XX. Formou-se a partir da evolução histórica do tupi antigo. É constituída por dois ramos: a língua geral setentrional (também chamada língua geral amazônica) e a língua geral meridional (também chamada língua geral paulista). A língua geral setentrional deu origem no século XIX ao nheengatu, que ainda é falado atualmente no alto Rio Negro, na região fronteiriça entre Brasil, Venezuela e Colômbia. A língua geral é considerada extinta atualmente.NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 537.
Contexto histórico As línguas gerais surgiram no período colonial como resultado da necessidade de comunicação entre colonizadores portugueses, missionários jesuítas e diferentes etnias indígenas. Baseadas principalmente no tupi antigo, elas se consolidaram como meios de integração cultural e social, sendo utilizadas na catequese, no comércio e na administração colonial.Navarro, Eduardo de Almeida. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. São Paulo: Global Editora, 2005.
No Brasil, duas formas principais se destacaram: a Língua Geral Paulista, usada sobretudo na região de São Paulo e no interior, e a Língua Geral Amazônica, conhecida posteriormente como Nheengatu. Ambas tiveram grande difusão, chegando a ser mais faladas do que o próprio português em várias áreas durante os séculos XVII e XVIII.Monteiro, John Manuel. Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
A partir de 1757, com as reformas do marquês de Pombal, o uso das línguas gerais foi proibido oficialmente, em um esforço de imposição do português como língua da administração e da vida pública. Apesar do declínio, o Nheengatu permaneceu vivo na Amazônia, sendo ainda falado em comunidades indígenas e reconhecido como patrimônio cultural imaterial no Brasil.Rodrigues, Aryon Dall’Igna. Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Edições Loyola, 1986.
Nheengatu O Nheengatu se originou a partir da Língua Geral Amazônica, uma variedade baseada no tupi antigo difundida pelos missionários jesuítas durante o período colonial.Navarro, Eduardo de Almeida. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global Editora, 2013. Tornou-se o principal meio de comunicação em vastas áreas da Amazônia, sendo falado por indígenas, colonizadores e mestiços.
Mesmo após a proibição pombalina de 1757, o nheengatu sobreviveu na região, mantendo-se como língua de contato interétnico.Franchetto, Bruna. Línguas indígenas no Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006. Atualmente, é reconhecido como patrimônio cultural imaterial e continua sendo falado em comunidades indígenas no Brasil, Colômbia e Venezuela.
Guarani A língua guarani, pertencente ao tronco tupi, é uma das mais faladas entre os povos indígenas da América do Sul, com presença significativa no Paraguai, no Brasil, na Bolívia e na Argentina.Melià, Bartomeu. El guaraní conquistado y reducido: ensayos de etnohistoria. Asunción: Biblioteca Paraguaya de Antropología, 1992.
No Paraguai, tornou-se língua cooficial ao lado do espanhol, sendo falada por grande parte da população, indígena ou não.Rodrigues, Aryon Dall’Igna. As línguas indígenas do Brasil. São Paulo: Hucitec, 1994. Essa vitalidade linguística faz do guarani um caso singular de resistência cultural frente ao processo histórico de colonização.
Tronco tupi O tronco tupi é uma das principais famílias linguísticas indígenas da América do Sul, abrangendo cerca de 40 línguas faladas historicamente desde a região amazônica até o sudeste do Brasil.Rodrigues, Aryon Dall’Igna. Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Loyola, 1986.
Dentro do tronco, destaca-se a família tupi-guarani, que inclui idiomas como o guarani e o nheengatu, amplamente difundidos durante o período colonial.Dietrich, Wolf. "More on the Tupí-Guaraní family." In: Derbyshire, Desmond C.; Pullum, Geoffrey K. (eds.). Handbook of Amazonian Languages. Berlin: Mouton de Gruyter, 1991.
Essas línguas exerceram papel central nas interações entre indígenas, colonizadores e missionários, além de influenciarem profundamente o português falado no Brasil.Navarro, Eduardo de Almeida. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. São Paulo: Global, 2005.
Legado A língua geral legou muitos topônimos brasileiros atuais, tais como: Aricanduva, Baquirivu-Guaçu, Batovi, Batuquara, Aracu, Paraná, Bicuíba, Biriricas, Amapá, Aracuí etc.NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. 620 p.
Comparação lexical Comparação lexical (Rodrigues 1986):Rodrigues, Aryon Dall'Igna. 1986. Línguas brasileiras: Para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Loyola. (PDF)
Português Tupi antigo (século XVII) Língua Geral Paulista (século XVIII) Língua Geral Amazônica (século XVIII) Língua Geral Amazônica (século XX) criança pitánga mitánga taína taína pai túba ru páia páia mãe sy sú máia mãia roupa aóba aóva óba xirúra chapéu akángaóba xapéw akangaóba xapéwa agulha itámirĩ abí awí panela ia’ẽpepó já’ẽpepó panéra um oiepé ñepeĩ ojepé iepé acabou-se opáb opá opáw upáw eu caio a’ár a’á a’ár xa’ári eu ergo asupír amojupí amopu’áme xamupu’áma eu apago aimowéb amowé amowéw xamuéw nasce oár osẽ osémo usémo você não ouve neresenúbi neresenúi nitíw resenú intí resenú tingir de preto moún úna japó mopixúne mupixúna batizar moiasúk seróka serók muserúka
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Prototupi Dialeto caipira Dialeto paulistano
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