Diadema é um município do estado de São Paulo, na Região Sudeste do Brasil. Ocupa uma área de 30,732 km² e sua população estimada pelo IBGE para 2024 era de 404.118 habitantes. É o 16.º município mais populoso do estado e o 63.º do Brasil. Está localizado na Zona Sudeste da Grande São Paulo, na Região Metropolitana de São Paulo, em conformidade com a Lei Complementar Estadual n.º 1.139, de 16 de junho de 2011.
Diadema foi distrito de São Bernardo do Campo até a sua emancipação, no final da década de 1950. Com 75 estabelecimentos de saúde do SUS, sua principal fonte de renda é o setor de prestação de serviços, tendo a indústria e o comércio como importantes atividades econômicas. O município conta ainda com uma importante tradição cultural, que vai desde o turismo até o esporte. Diadema ainda é sede de diversos eventos anuais, além de possuir alguns pontos turísticos, como o Borboletário, o Jardim Botânico, a Fábrica de Cultura, o Museu de Arte Popular e o Parque do Paço.
História No século XVII, os portugueses saem de São Vicente com o objetivo de catequizar os indígenas, reunindo grandes lotes de terra na região que, hoje, corresponde ao Centro de Diadema. Nessa região, antiga Vila da Conceição, hoje Avenida Manuel de Nóbrega, foi construída uma casa feita de taipa conhecida como "Casa Grande", constituída de uma capela dedicada à Imaculada Conceição. Mais tarde, Diadema passou a ser um trajeto por onde passavam tropeiros em direção à mina do Embu, então recém-descoberta. Mais tarde, o tráfego dessa mesma passagem se tornou cada vez mais escasso, em uma rota no sentido Santo Amaro-Mogi das Cruzes, devido ao declínio da mineração.
Após o abandono das terras pelos jesuítas, a posse dessas terras foi legalizada com 650 alqueires pelo Barão do Tietê, entre 1813 e 1815. Após sua morte, essas terras foram divididas entre seus herdeiros, que deram origem a duas glebas: uma na parte leste, denominada "Curral Grande"; e outra na parte oeste, localizada próxima à atual Igreja Matriz, com o nome de "Curral Pequeno". Mais tarde, os bandeirantes criaram, em suas rotas, a parada de Piraporinha, originada pela gleba do Curral Grande. Com o grande aumento populacional da região, um personagem chamado José Pedroso de Oliveira construiu uma capela, Bom Jesus da Pedra Fria, em 1830, que contou com um pequeno número de devotos. Trinta anos depois (1860), uma pequena capela localizada próxima à capela Bom Jesus da Pedra Fria (Senhor Bom Jesus de Pirapora) é arquitetada e construída.
Com o vilarejo, veio também o progresso, ativado em 1900, com a construção de uma serraria a vapor, tendo Antônio Piranga como proprietário, filho de José Pedroso. No início do século XX, a antiga rota dos tropeiros (Estrada da Vila Conceição) começa a passar por um processo de industrialização e urbanização. A serraria a vapor funcionou durante vinte anos (até 1920), abastecendo uma indústria que produzia móveis em São Bernardo do Campo. Em 1926, a atual região correspondente ao bairro de "Eldorado" foi inundada, formando a "Baía do Eldorado". No mesmo terreno onde a serraria havia sido construída, ocorreu a criação de lotes de terra, originando a Vila Conceição, com uma área de 165 alqueires, que foram loteados por volta da década de 1940. As antigas vilas de Eldorado, Conceição e Piraporinha foram os três primeiros núcleos habitacionais. Dispersos, eles eram ligados apenas por caminhos precários. Cada um tinha sua vida própria. Piraporinha era próximo a São Bernardo. O Taboão era ligado pela proximidade a São Bernardo e a São Paulo pela Avenida Água Funda. Hoje, esses três vilarejos são representados por três torres na bandeira municipal.
Em 1925, com a criação da Represa Billings, a região do Eldorado passou a despertar o interesse de moradores da capital que buscavam opções de lazer. Nos anos 1930, os irmãos Camargo, donos das terras, resolveram melhorar a ligação com a Vila Conceição (Centro) por meio da abertura da atual Avenida Alda até o Parque 7 de Setembro.
O trajeto até o Centro foi completado por Alberto Simões Moreira. Nessa estrada, passaram a transitar carros de boi, cavalos, automóveis e a primeira jardineira, que fazia o itinerário Eldorado - Vila Conceição - Praça da Árvore (SP).
Em 1936, os povoados de Vila Conceição e Piraporinha se uniram para formar a cidade de Diadema. O nome era uma referência à coroa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição.
Apesar da proximidade geográfica com a capital estadual, até os anos 1950 a cidade pouco sentiu os efeitos das transformações produzidas pela industrialização em São Paulo. Até então, Diadema não tinha nenhuma importância econômica regional. Foi nas cidades localizadas ao longo da ferrovia Santos-Jundiaí, principal via de circulação de mercadorias na época, que ocorreu a expansão industrial paulista até a década de 1940, especialmente em São Caetano do Sul, Santo André e Mauá.
Por meio da lei estadual n° 233, de 24 de dezembro de 1948, o distrito de Diadema, na época pertencente a São Bernardo do Campo, é criado. Em 18 de fevereiro de 1953, Diadema torna-se município de São Paulo, desmembrando-se de São Bernardo do Campo. Hoje, o município é formado pelo distrito sede, antigo distrito de Diadema.
Após a década de 1950, o sistema de escoamento da produção, feito até então pelos eixos ferroviários, entra em declínio e o governo passa a optar pelos circuitos rodoviários. A Via Anchieta, inaugurada em 1947, representa uma nova fase da industrialização paulista e da implantação do capitalismo no Brasil.
Em São Bernardo, ao longo dessa estrada, instalaram-se grandes indústrias multinacionais; e em Diadema, principalmente pequenas e médias empresas nacionais que produziam, na sua maioria, objetos complementares para as multinacionais.
thumb|esquerda|Estrada da Vila Conceição, por onde passavam os bandeirantes em direção à mina de ouro de Embu
A Vila Conceição liderou o movimento pela emancipação local. Além de contar com as lideranças políticas mais interessadas na questão, o vilarejo encontrava-se bastante isolado de São Bernardo, sentindo particularmente a falta de infraestrutura e serviços básicos. Os moradores de Piraporinha, Taboão e Eldorado eram, na sua maioria, desfavoráveis ao movimento.
Foi a conjugação de vários fatores que determinou a emancipação político-administrativa de Diadema, como a expansão urbana e industrial paulista em direção ao ABC, a articulação de políticos da localidade, como o professor Evandro Caiaffa Esquivel, Américo Maffia entre outros proprietários de chácaras na Vila Conceição, e com lideranças de influência no âmbito estadual, como o jurista Miguel Reale e a intensa participação dos moradores da Vila Conceição na Campanha da Emancipação.
Em 1959, realizaram-se as primeiras eleições para os poderes Executivo e Legislativo do município de Diadema. E, no dia 10 de janeiro de 1960, com a posse do primeiro prefeito, Evandro Caiaffa Esquivel e Américo Maffia como vice-prefeito e vereadores, instalou-se oficialmente o novo município.
Geografia thumb|esquerda|180px|Mapa de Diadema, em vermelho, e seus municípios limítrofes, em azul.
Diadema está localizado na mesorregião Metropolitana de São Paulo e microrregião de São Paulo, no estado de São Paulo, na Região Sudeste do Brasil, estando distante dezessete quilômetros do marco zero da capital estadual. A área territorial do município é , sendo o sétimo menor município paulista em extensão territorial. Integra a Região Metropolitana de São Paulo (sub-região sudeste) e se limita com os municípios de São Paulo a oeste e São Bernardo do Campo nas demais direções.
O relevo do município é pouco plano e muito acidentado, formado por colinas e morros. O ponto mais alto de Diadema está localizado a uma altitude de 865 metros acima do nível do mar, no Jardim Santa Cândida, e o mais baixo está situado na Vila Idialópolis, no bairro de Piraporinha. As altitudes médias variam entre 700 e 800 metros.
A hidrografia é formada por córregos e ribeirões. O maior e principal curso de água do município é o Ribeirão dos Couros, com 7,5 quilômetros de extensão, seguido pelos córregos Mato Dentro (5,1 km), de Capela (4,695 km), do Floriano (4,395 km), Taboão (4 km) e Araújo (1,798 km). Outros córregos também localizados em Diadema são Campanário, Curral Grande e Grota Funda. O município está localizado na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.
A maior parte da cobertura vegetal de Diadema está localizada na Área de Proteção e Recuperação aos Mananciais, na região sul do município, e é formada pela Mata Atlântica, tendo, como exemplos de espécies, o angico, o jacarandá, o jatobá, a palmeira juçara, a paineira, o pau-brasil e o urucum. Diadema possui cinco parques municipais: do Paço (no Centro), Ecológico (bairro Eldorado), da Companhia de Saneamento de Diadema (na região norte do município), Antonio de Lucca Filho (também no norte de Diadema) e dos Jesuítas (Centro), que, juntos, totalizam 119 mil metros quadrados de área verde, e uma média de dez metros quadrados de área verde por habitante, sendo esse número inferior nos bairros, variando entre no bairro Casa Grande e na região central.
Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Diadema por meses (1971-1996) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 4 de janeiro de 1996 Julho 3 de julho de 1976 Fevereiro 1 de fevereiro de 1983 Agosto 25 de agosto de 1993 Março 20 de março de 1991 Setembro 17 de setembro de 1983 Abril 25 de abril de 1991 Outubro 7 de outubro de 1994 Maio 28 de maio de 1976 Novembro 17 de novembro de 1972 Junho 15 de junho de 1987 Dezembro 21 de dezembro de 1988 Fonte: DAEE-SP/EMAE. O clima de Diadema é considerado subtropical mesotérmico, do tipo Cfb na classificação climática de Köppen-Geiger, com temperatura média anual de e índice pluviométrico de , concentrados nos meses de verão, sendo janeiro o mês de maior precipitação (). As precipitações ocorrem principalmente sob a forma de chuva, e algumas vezes de granizo. Em algumas ocasiões também são registrados episódios de forte ventania.
Segundo dados da Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE-SP) e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A (EMAE), referentes ao período entre 1971 e 1996, o maior acumulado de precipitação registrado em Diadema foi de em 1 de fevereiro de 1983. Outros grandes acumulados foram em 4 de janeiro de 1996, em 20 de março de 1991, em 17 de março de 1985, em 20 de fevereiro de 1980, em 27 de outubro de 1994 e em 15 de junho de 1987. Em um mês o maior volume observado foi de em março de 1991.
Demografia
A população de Diadema estimada pelo IBGE para 1.º de julho de 2021, era de naquela data, sendo o 14.º município mais populoso do estado e o 57.º do Brasil, com uma densidade populacional de . Em um levantamento feito em 2011, Diadema tinha a maior densidade populacional do estado de São Paulo e a segunda do país, atrás apenas de São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro. Segundo o censo de 2010, a população de Diadema naquele ano era de habitantes. A taxa de urbanização era de 100%. Da população total, eram homens (48,38%) e mulheres (51,62%), tendo uma razão de sexo de 93,74. Quanto à faixa etária, pessoas tinham menos de 15 anos (23,66%), entre 15 e 64 anos (71,56%) e 65 anos ou mais (4,78%).