thumb|300px|Bandeiras nacionais de países de todos os continentes, arvoradas em conjunto Uma bandeira nacional consiste numa bandeira que representa e simboliza uma nação. Além de representar a independência, a soberania e a unidade da nação, a bandeira nacional pode representar características específicas da mesma, tais como a sua língua ou moeda. É frequentemente usada para demonstrar a posse de um território por parte de um país.
A bandeira nacional de um país é primariamente usada pelo respetivo governo e outras autoridades públicas, mas geralmente é também permitido e comum o uso particular da mesma pelos cidadãos do país.
Uma bandeira nacional é projetada com significados específicos para suas cores e símbolos. As suas cores podem ser usadas pelo povo de uma nação para demonstrar o seu patriotismo. Uma parafernália relacionada, que mostre que os símbolos ou cores da bandeira nacional, pode também ser usada para esses propósitos. O desenho de uma bandeira nacional pode ser alterado após a ocorrência de importantes eventos históricos.
A maior parte das bandeiras nacionais têm formato retangular, embora também existam bandeiras quadrangulares, triangulares ou com outras formas mais complexas.
Pela sua importância como símbolo de uma nação, a queima ou destruição de uma bandeira nacional constitui um ato muito simbólico de protesto contra um país ou as suas políticas. Atos deste tipo constituem crimes em inúmeros países.
História thumb|400px|Nova tabela de emblemas nacionais de Johnson, publicado c. 1868, indicando as bandeiras nacionais existentes em meados do século XIX
Historicamente, as bandeiras tiveram origem em sinais destinados a identificar unidades e chefes militares no campo de batalha. Alguns destes chefes militares eram monarcas e as suas bandeiras passaram a ser gradualmente associadas aos estados dos quais os mesmos eram soberanos. Posteriormente, passaram a identificar genericamente aqueles estados e já não apenas especificamente os seus soberanos.
O uso generalizado de bandeiras como um distintivo específico de nacionalidade apareceu durante a era da navegação à vela, sobretudo a partir do início do século XVII. Este uso resultou da necessidade prática de existir um sinal que identificasse facilmente a nacionalidade de um navio, para efeitos de controle e fiscalização do cumprimento das leis marítimas, acordos aduaneiros e tratados de navegação entre estados. Para além da identificação da sua nacionalidade, a bandeira arvorada por um navio também poderia transmitir outras informações sobre o mesmo, incluindo a indicar se o mesmo era um navio de guerra ou mercante. Ainda hoje, muitos países dispõem de vários modelos de bandeiras nacionais para uso dos seus diversos tipos de navios.
Com o surgimento dos sentimentos nacionalistas nos povos europeus e americanos, a partir do final do século XVIII, apareceu a necessidade de emblemas nacionais que pudessem ser usados também em contextos civis e já não apenas no âmbito estatal, militar e náutico. Tendo uma forte associação às casas reinantes, considerou-se que os existentes brasões estatais não constituiam um emblema adequado para representar o todo nacional. Assim, inicialmente adotaram-se cocardes ou laços nacionais, feitos de fitas com uma ou mais cores simbólicas, que se tornaram no emblema nacional por excelência. Aos laços nacionais, seguiu-se o desenvolvimento de bandeiras nacionais, frequentemente inspiradas naqueles. Notáveis exemplos iniciais são a bandeira dos Estados Unidos - que foi adotada pela primeira vez como bandeira naval em 1777, mas começou a ser exibida como um símbolo genérico dos Estados Unidos após a Revolução Americana - e a bandeira da França, que se tornou um símbolo da Primeira República Francesa na década de 1790.
thumb|left|250px|Bandeira da Dinamarca, frequentemente considerada a mais antiga bandeira nacional em uso contínuo A maioria dos países da Europa adotou uma bandeira nacional no decorrer do século XIX. Estas bandeiras nacionais baseavam-se frequentemente em antigas bandeiras marítimas, militares ou estatais, cujo uso foi alargado também para contextos diferentes dos originais, sendo-lhes atribuído um significado mais abrangente de símbolo nacional. Outras bandeiras nacionais foram totalmente criadas de novo, frequentemente incorporando no seu desenho as cores dos laços nacionais já em uso nos respetivos países. Para além dos países europeus, também a maioria dos países da América Latina adotou bandeiras nacionais durante o início do século XIX, quando da sua independência. No final do século XIX, a tendência foi seguida por países de outros continentes, tais como o Japão e a China.
A questão de qual é a bandeira nacional mais antiga em uso não é de fácil resposta. A resposta depende de como definir a sua introdução como bandeira nacional, seja ela o seu simples uso ou a sua legitimação oficial através de um diploma legislativo. A bandeira da Dinamarca - conhecida por Dannebrog (literalmente "Pano Dinamarquês") - é frequentemente referida como a mais antiga bandeira nacional do mundo. A lenda conta que a mesma foi adotada pelo rei Valdemar II, a 15 de junho de 1219, quando caiu do céu na Batalha de Lyndanisse. A mais antiga ilustração da bandeira data do século XIV. Foi oficialmente adotada em 1625, as suas especificações foram codificadas em 1748, mas só em 1854 foi declarada bandeira nacional.
250px|thumb|right|Bandeira dos Países Baixos, a primeira bandeira nacional moderna do mundo A bandeira da Áustria também é reclamada como sendo a bandeira nacional mais antiga do mundo ainda em uso. Segundo a lenda, a bandeira foi criada em 1191, depois da conquista de Acre, durante a Terceira Cruzada, tornando-se um símbolo da Casa de Habsburgo. A sua mais antiga imagem data de 1230. Em 1786, passou a ser usada como bandeira naval e, em 1918, passou a ser a bandeira nacional da República da Áustria.
Por sua vez, a bandeira dos Países Baixos é considerada a mais antiga bandeira nacional moderna do mundo, sendo a primeira bandeira cujas cores e desenho tinham um significado próprio, já não sendo um mero meio de exposição de brasões ou outros emblemas heráldicos. A sua primeira representação conhecida data de 1575. A partir de final do século XVI, a inicial cor laranja da faixa superior começa a ser gradualmente substituída pela vermelha, mas só em 1937 se estabelece oficialmente que a bandeira é vermelha, branca e azul.
As bandeiras da Inglaterra (século XII), da Suíça (século XV), da Escócia (século XVI) e da Suécia (século XVI), são outros exemplos bandeiras nacionais com origens antigas ainda hoje em uso.
Processo de adoção A bandeira nacional de um país é frequentemente - mas não sempre - mencionada na constituição do mesmo, mas a sua descrição detalhada é normalmente remetida para uma lei ordinária emanada do poder legislativo ou mesmo para um simples ato regulamentar emanado do poder executivo. Por exemplo, a bandeira nacional é brevemente mencionada no artigo 11º da atual Constituição da República Portuguesa, mas a descrição oficial do seu desenho, cores, proporções e outros detalhes encontra-se estabelecida por um decreto de 19 de junho de 1911.Decreto da Assembleia Nacional Constituinte de 19 de Junho de 1911, Presidência da República Portuguesa Já a Constituição da República de Angola não só menciona genericamente a bandeira nacional no seu artigo 18º, mas vai bastante mais além, incluindo a imagem da bandeira, a sua descrição e os seus significados simbólicos no Anexo I.Constituição de Angola Em total contraste, a Constituição da República Federativa do Brasil não menciona sequer a bandeira nacional, cujos detalhes se encontram oficialmente definidos pela Lei n.º 5700, de 1° de setembro de 1971.Lei nº 5700, de 1º de Setembro de 1971 (Dispõe sobre a forma e apresentação dos Símbolos Nacionais do Brasil)
As pequenas alterações de pormenor às bandeiras nacionais são frequentemente aprovadas por uma lei ordinária, mas as alterações substanciais têm frequentemente carácter constitucional. Assim por exemplo, a remoção da estrela vermelha socialista da bandeira da Sérvia resultou de uma decisão tomada após o referendo constitucional de 1992, mas a adição das armas nacionais na referida bandeira resultou já de uma simples recomendação do governo de 2003, adotada legislativamente em 2009 e sujeita ainda a uma alteração de detalhe em 2010. A bandeira dos Estados Unidos tem vindo a sofrer numerosas alterações de pormenor, com base no Ato da Bandeira de 1818, que estabeleceu que seja acrescentada uma nova estrela à bandeira, sempre que seja admitido um novo estado na União.
A alteração de uma bandeira nacional resulta frequentemente da mudança de regime político no país respetivo, sobretudo quando a mesma é feita pela força, normalmente na sequência de uma revolução ou mesmo guerra civil. Nestes casos, na nova bandeira são frequentemente incluídos emblemas militaristas e políticos associados à fação que assumiu o poder, o que origina que a mesma possa ser percecionada mais como um símbolo político do novo regime do que como um símbolo nacional de todo o país. Exemplos de alterações de bandeiras nacionais deste tipo foram as que ocorreram em Portugal em 1830 (Guerra Civil) e em 1910 (Implantação da República), bem como no Brasil em 1889 (Proclamação da República). A mudança de bandeira nacional em Cabo Verde efetuada em 1992 foi parcialmente justificada pela necessidade de adoção de um símbolo politicamente neutro, dado que a anterior bandeira estava fortemente associada ao partido político que governou o país até 1991.
Tipos segundo o seu fim As bandeiras nacionais podem ser usadas para fins civis, estatais ou militares, em ambiente terrestre, marítimo ou mesmo aeronáutico. No passado, praticamente todos os estados usavam bandeiras diferentes ou variações da forma básica da bandeira nacional para os diferentes fins e isso ainda se mantém para alguns países. No entanto, atualmente muitos países dispõem de um único modelo de bandeira nacional para ser usado em todos os fins."Flag Information Code", Fédération internationale des associations vexillologiques (FIAV)
No âmbito da vexilologia, segundo o ambiente ao qual se destina o seu uso, as bandeiras nacionais são divididas em dois grandes grupos: Bandeiras (tradução literal do termo vexilológico em inglês flags) : destinam-se a ser arvoradas em terra; Pavilhões (em inglês ensigns) : destinam-se a ser arvoradas no mar.
Segundo o seu fim, são classificadas em seis tipos básicos que são, respetivamente, a bandeira civil (símbolo FIAV: 23px), a bandeira estatal (23px) a bandeira de guerra (23px), o pavilhão civil (23px), o pavilhão estatal (23px) e o pavilhão de guerra (23px).
Em terra thumb|right|350px|Içar cerimonial da bandeira de Timor-Leste durante a comemoração do aniversário da independência nacional As bandeiras nacionais para uso em terra são classificadas vexilologicamente em três tipos básicos, segundo o seu propósito. O primeiro tipo é a "bandeira civil" (tradução literal do termo vexilológico em inglês civil flag), que consiste na bandeira nacional destinada a ser livremente desfraldada por todos os cidadãos e instituições privadas de um país, sem as restrições que existem para os restantes tipos de bandeiras. Devido ao seu amplo e livre uso, a bandeira civil de um país é normalmente a mais conhecida e identificada pelo público como a "bandeira nacional" do mesmo. No âmbito de organizações e eventos internacionais (como provas desportivas, conferências, exposições e outros) são normalmente as bandeira civis as usadas para representar cada um dos países.
O segundo tipo é a "bandeira estatal" (do inglês state flag), reservada para ser arvorada pelos órgãos e departamentos oficiais do estado, sendo o seu uso vedado aos cidadãos e instituições privadas. Alguns países têm uma ou mais variantes desta bandeira para uso privativo de algumas instituições governamentais específicas.