250px|thumb|A equipe do filme O Quatrilho no Hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, horas antes da cerimônia do Oscar 1996. Foto: Germano Schüür.

A seguir, a lista de representantes do Brasil para o Oscar de Melhor Filme Internacional. Já foram inscritos 56 filmes como representantes oficiais do Brasil para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS). Destes, seis já conseguiram estar entre os cinco finalistas nomeados à premiação. Em 2025, o filme Ainda Estou Aqui conquistou a primeira vitória brasileira na categoria e na história do Oscar.

O prêmio é entregue, de forma competitiva, desde 1957 pela Academia durante a cerimônia do Oscar. Todos os países (exceto os Estados Unidos, organizador do evento) são convidados a submeter um longa-metragem para tentar uma vaga entre os cinco indicados a Melhor Filme Internacional.

A partir da 99.ª edição do Oscar (2027), para concorrer na categoria de Melhor Filme Internacional, o filme deverá ser um longa-metragem com mais de 50% dos diálogos em língua não inglesa. O filme pode ser selecionado de duas maneiras: vencendo um prêmio qualificatório em um dos festivais internacionais de cinema especificados pela Academia; ou sendo escolhido como representante do país por uma comissão oficial do Brasil, atribuição atualmente exercida pela Academia Brasileira de Cinema (ABC). Nesta última situação, o filme deverá ter sido lançado comercialmente entre 1º de outubro e 30 de setembro anteriores, permanecendo em cartaz por, no mínimo, sete dias consecutivos e constituir uma produção majoritariamente brasileira. Os prêmios qualificatórios de festivais de cinema são: Urso de Ouro (Festival de Berlim), Melhor Filme (Festival de Busan), Palma de Ouro (Festival de Cannes), Grande Prêmio do Júri (Festival de Sundance), Prêmio Plataforma (Festival de Toronto) e Leão de Ouro (Festival de Veneza).

Os filmes elegíveis são enviados para a apreciação dos membros da Academia inscritos no processo de seleção da primeira fase, onde uma votação determina 15 produções pré-indicadas. Posteriormente, é aberta uma segunda fase, atrelada ao período de votação dos demais indicados para a premiação, onde é definido cinco finalistas. Por fim, uma terceira votação define o filme vencedor.

Histórico A primeira inscrição brasileira ao Oscar de Melhor Filme Internacional (chamado na época de Melhor Filme Estrangeiro) ocorreu em 1961 com A Morte Comanda o Cangaço, direção de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta, que acabou não se classificando entre os cinco finalistas. Um ano antes, no entanto, o filme franco-brasileiro Orfeu Negro, dirigido pelo francês Marcel Camus, rodado no Brasil, com atores brasileiros, totalmente falado em português e com roteiro adaptado a partir da peça Orfeu da Conceição, do brasileiro Vinícius de Moraes, venceu o prêmio como representante da França.

Em 1963, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, tornando-se o primeiro filme inscrito como representante do Brasil a conseguir tal indicação. Apesar de ter entrado na disputa como o grande favorito, devido ao fato de ter conquistado a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962, o filme brasileiro acabou perdendo a estatueta para o drama francês Sempre aos Domingos, de Serge Bourguignon.

Em 1982, o representante brasileiro Pixote, a Lei do Mais Fraco, do cineasta Hector Babenco, foi desclassificado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por ter entrado nos circuitos brasileiros fora dos períodos de elegibilidade definidos pela Academia. Contudo, a história de Babenco com a Academia não acabaria ali. Em 1986, o seu filme O Beijo da Mulher Aranha foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Babenco a Melhor Diretor. Mesmo sendo uma coprodução brasileira com os Estados Unidos, o filme não pôde ser inscrito como representante do Brasil por ser majoritariamente falado em inglês.

Em 1996, após 33 anos, o Brasil voltou a ingressar no rol dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional com o romance O Quatrilho, de Fábio Barreto. O filme brasileiro conseguiu uma indicação entre as 41 produções inscritas, mas no certame final foi superado pelo longa holandês A Excêntrica Família de Antônia, de Marleen Gorris.

Em 1998, o drama O Que É Isso, Companheiro?, dirigido por Bruno Barreto, conseguiu o feito de ser um dos cinco finalistas dentre os 44 inscritos do mundo inteiro. O vencedor, no entanto, foi novamente um filme holandês: o drama Karakter, de Mike van Diem.

No ano seguinte, foi a vez de Central do Brasil, de Walter Salles, ser um dos cinco finalistas de um total de 45 inscritos. Na ocasião, o filme também tinha sido indicado à categoria de Melhor Atriz com Fernanda Montenegro. Contudo, o vencedor foi a comédia dramática italiana A Vida É Bela, dirigida e estrelada por Roberto Benigni.

Em 2008, o Brasil foi pré-selecionado com o drama O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, do diretor Cao Hamburger. Dentre os 63 filmes de todo o mundo que haviam sido inscritos para aquela edição, o longa brasileiro conseguiu avançar para a próxima fase da disputa, onde nove filmes foram pré-selecionados, mas não conseguiu ficar entre os cinco finalistas.

Em 2025, após 26 anos de ausência e com 85 títulos competindo pela indicação, o país voltou a disputar a categoria com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que também foi indicado a Melhor Filme e a Melhor Atriz, para Fernanda Torres. O filme venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional, o primeiro prêmio da Academia conquistado pelo Brasil.

No ano seguinte, o Brasil foi novamente indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que conseguiu ser finalista dentre as 92 produções inscritas e conquistou também indicações para Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura e na nova categoria de Melhor Direção de Elenco. Entretanto, o vencedor estrangeiro foi o drama norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier.

Representantes Desde 2017, o candidato do país é selecionado por uma comissão montada pela Academia Brasileira de Cinema (ABC). Já foi escolhido, entre outros, pela Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) e pela Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura. Na tabela a seguir, o ano refere-se ao de realização da cerimônia. O representante brasileiro é geralmente definido no ano anterior.

AnoTítuloDireçãoÓrgão responsávelResultadoNotas ereferências1961A Morte Comanda o CangaçoCarlos CoimbraWalter Guimarães MottaNenhumNão Indicado1963O Pagador de PromessasAnselmo DuarteMinistério dasRelações Exteriores1965Deus e o Diabo na Terra do SolGlauber RochaNão Indicado1966São Paulo, Sociedade AnônimaLuís Sérgio PersonNão Indicado1968O Caso dos Irmãos NavesInstituto Nacionalde CinemaNão Indicado1969As AmorosasWalter Hugo KhouriNão Indicado1970O Dragão da Maldade contra o Santo GuerreiroGlauber RochaNão Indicado1971Pecado MortalMiguel Faria Jr.?Não Indicado1972Pra Quem Fica, TchauReginaldo FariaNão Indicado1973Como Era Gostoso o Meu FrancêsNelson Pereira dos SantosNão Indicado1974A Faca e o RioGeorge SluizerNão Indicado1975A Noite do EspantalhoSérgio RicardoNão Indicado1976O Amuleto de OgumNelson Pereira dos SantosInstituto Nacionalde CinemaNão Indicado1977Xica da SilvaCacá Diegues?Não Indicado1978Tenda dos MilagresNelson Pereira dos SantosNão Indicado1979A Lira do DelírioWalter Lima Jr.Não Indicado1981Bye Bye BrasilCacá DieguesNão Indicado1982Pixote, a Lei do Mais FracoHéctor Babenco1985Memórias do CárcereNelson Pereira dos SantosNão Indicado1987A Hora da EstrelaSuzana AmaralNão Indicado1988Um Trem para as EstrelasCacá DieguesNão Indicado1989Romance da EmpregadaBruno BarretoFundação doCinema BrasileiroNão Indicado1990Dias Melhores VirãoCacá Diegues?Não Indicado1992A Grande ArteWalter SallesNão Indicado1996O QuatrilhoFábio BarretoMinistérioda Cultura1997Tieta do AgresteCacá DieguesNão Indicado1998O Que É Isso, Companheiro?Bruno Barreto1999Central do BrasilWalter Salles2000OrfeuCacá DieguesNão Indicado2001Eu, Tu, ElesAndrucha WaddingtonNão Indicado2002Abril DespedaçadoWalter SallesNão Indicado2003Cidade de DeusFernando MeirellesAgência Nacionaldo CinemaNão Indicado2004CarandiruHéctor BabencoMinistérioda CulturaNão Indicado2005OlgaJayme MonjardimNão Indicado20062 Filhos de FranciscoBreno SilveiraNão Indicado2007Cinema, Aspirinas e UrubusMarcelo GomesNão Indicado2008O Ano em Que Meus Pais Saíram de FériasCao Hamburger2009Última Parada 174Bruno BarretoNão Indicado2010Salve GeralSérgio RezendeNão Indicado2011Lula, o Filho do BrasilFábio BarretoNão Indicado2012Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É OutroJosé PadilhaNão Indicado2013O PalhaçoSelton MelloNão Indicado2014O Som ao RedorKleber Mendonça FilhoNão Indicado2015Hoje Eu Quero Voltar SozinhoDaniel RibeiroNão Indicado2016Que Horas Ela Volta?Anna MuylaertNão Indicado2017Pequeno SegredoDavid SchurmannNão Indicado2018Bingo: O Rei das ManhãsDaniel RezendeAcademiaBrasileirade CinemaNão Indicado2019O Grande Circo MísticoCacá DieguesNão Indicado2020A Vida InvisívelKarim AïnouzNão Indicado2021Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: ParouBárbara PazNão Indicado2022Deserto ParticularAly MuritibaNão Indicado2023Marte UmGabriel MartinsNão Indicado2024Retratos FantasmasKleber Mendonça FilhoNão Indicado2025Ainda Estou AquiWalter SallesOscar2026O Agente SecretoKleber Mendonça Filho2027Feito PipaAllan Deberton

Pré-seleção Desde 2022, a Academia Brasileira de Cinema divulga os filmes brasileiros pré-selecionados para concorrer à indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Na tabela a seguir, os filmes em destaque foram os selecionados como representante nacional no Oscar.

AnoTítuloDireção2023Marte UmGabriel MartinsA MãeCristiano BurlanA Viagem de PedroLaís BodanzkyCarvãoCarolina MarkowiczPacificado Paxton WintersPalomaMarcelo Gomes2024Retratos FantasmasKleber Mendonça FilhoEstranho CaminhoGuto ParenteNoites AlienígenasSérgio de CarvalhoNosso SonhoEduardo AlbergariaPedágioCarolina MarkowiczUrubusClaudio Borrelli2025Ainda Estou AquiWalter SallesCidade; CampoJuliana RojasLevanteLillah HallaMotel DestinoKarim AïnouzSaudade Fez Morada Aqui Dentro Haroldo BorgesSem CoraçãoNara Normande e Tião2026O Agente SecretoKleber Mendonça FilhoBabyMarcelo CaetanoKasa BrancaLuciano VidigalManasMarianna BrennandO Último AzulGabriel MascaroOeste Outra VezErico Rassi2027Feito PipaAllan Deberton100 DiasCarlos SaldanhaA Fabulosa Máquina do TempoEliza CapaiA Natureza das Coisas InvisíveisRafaela CameloNosso SegredoGrace PassôVicentina Pede DesculpasGabriel Martins

Estatísticas e curiosidades 150px|thumb|Cacá Diegues, diretor de sete representantes brasileiros ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

Os filmes representantes do Brasil são geralmente dos gêneros drama, dramédia, drama romântico e policial. Em 2020, pela primeira vez um documentário foi o escolhido.

Cacá Diegues é responsável por sete obras selecionadas como representantes do Brasil no Oscar, mais que qualquer outro cineasta. Entretanto, nenhum de seus trabalhos conseguiu uma indicação. Em seguida, Nelson Pereira dos Santos e Walter Salles tiveram quatro de seus filmes representando o país; onde apenas Salles conseguiu ser finalista, em 1999, com Central do Brasil e, em 2025, com Ainda Estou Aqui. Enquanto Bruno Barreto e Kleber Mendonça Filho foram selecionados três vezes; com Barreto sendo indicado por O Que É Isso, Companheiro?, em 1998, e Mendonça Filho sendo indicado por O Agente Secreto, em 2026.

Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980) e Carandiru (2003), ambos do argentino naturalizado brasileiro Héctor Babenco; e A Faca e o Rio (1972), do franco-holandês George Sluizer; são os únicos filmes representantes brasileiros realizados por cineastas nascidos no exterior.

Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro foi a única sequência escolhida como representante.