Após o fim da Guerra Civil Líbia, que derrubou Muamar Gadafi, ocorreu na Líbia um conflito armado com envolvimento de várias milícias e as novas forças de segurança do Estado. As milícias incluem guerrilheiros, grupos pró-Gadafi, islamitas e milícias que lutaram contra Gadafi, mas se recusaram a depor as armas quando a guerra terminou em outubro de 2011. De acordo com alguns líderes civis, estas últimas milícias passaram apenas a atrasar a entrega de suas armas para afirmar ativamente um papel político continuando como "guardiões da revolução". Algumas das maiores e mais bem equipadas milícias estão associadas com grupos islâmicos agora formando partidos políticos. Antes do fim oficial das hostilidades entre partidários de Gadafi e as forças da oposição, houve relatos de confrontos esporádicos entre milícias rivais, e ondas de assassinatos por justiceiros

Em setembro de 2012, islamitas atacaram o prédio do consulado dos Estados Unidos em Bengasi, matando o embaixador estadunidense e outros três. Isso levou um clamor popular contra as milícias semi-legais que ainda estavam operando e resultou na invasão de diversas bases de milícias islâmicas por manifestantes e a repressão em larga escala do governo, em seguida, às milícias não-governamentais sancionadas, com o Exército Líbio invadindo a sede de várias milícias então ilegais e ordenando-lhes a dissolução.

Entretanto a situação da Líbia segue caótica, com o país parando inteiramente de produzir petróleo e o governo perdendo o controle de grande parte do país para grupos étnicos, políticos e religiosos que disputam poder no território líbio. Essas milícias exploram o vácuo de poder fora de Trípoli e pressionam por uma maior autonomia regional, com grupos na região da Cirenaica e da Fazânia exigindo independência.

O governo de Ali Zidan foi incapaz de lidar com o problema das milícias que lutaram contra Gadafi durante a guerra civil. Cada uma delas possui sua própria ideologia e cada grupo armado utiliza seu poder para conseguir impor suas demandas; estão no controle da segurança de cidades, no controle das fronteiras, na gestão dos centros de detenção e na proteção de instalações estratégicas do país.Libia, bajo la ley de las milicias armadas ABC 20/10/2013 Por vezes, o governo ainda teve que pagar às milícias para que desbloqueassem cidades e enclaves petrolíferos,Libyan prime minister freed from captivity e inclusive houve rumores da criação de uma força de elite para proteger o primeiro-ministro.Libia quiere integrar a las milicias en el Ejército o que dejen las armas - Euronews 12/06/13 Todas estas medidas falharam e em 10 de outubro de 2013, o primeiro-ministro Ali Zidan seria sequestrado por uma milícia semi-oficial, a Sala de Operações dos Revolucionários Líbios, ligada ao Ministério de Interior, para obter dele uma “demissão voluntária” e tentarem tomar o poder no país. Algo que não aconteceu porque Zidan foi liberado horas depois após uma milícia pró-governo invadir o local onde ele estava sendo mantido.

O problema da violência armada e do fracasso político, juntou-se a uma nova onda de manifestações, muitas delas de caráter liberal, que reivindicam resultados imediatos e o fim do Congresso Nacional, para dar lugar a um novo governo que fosse capaz de pôr um fim as milícias.Modest and peaceful turnout at protests over GNC extension Libya Herald -8 de fevereiro de 2014 Neste contexto, uma segunda tentativa de golpe de Estado ocorreu, desta vez organizada pelos militares e supostamente coordenada por Califa Haftar, com o objetivo de criar este novo executivo e "devolver o país ao caminho da revolução".General Hafter announces coup; politicians react with scorn, order his arrest- Libya Herald -14/02/2014

Já em 18 de maio de 2014, o edifício do parlamento foi invadido por tropas leais ao general Califa Haftar, supostamente incluindo a Brigada de Zintane, em um episódio que o governo líbio descreveu como uma tentativa de golpe.

Antecedentes

Em 2011, milhares de pessoas se rebelaram na Líbia contra o governo autoritário de Muamar Gadafi. No entanto, os protestos pacíficos foram reprimidos, o que conduziu a uma guerra civil. Várias pessoas, incluindo civis e desertores do exército, formaram as denominadas kateebas (brigadas) para "libertar" o país.

Após longos meses de guerra, finalmente, em 20 de outubro de 2011, Muamar Gadafi foi capturado e morto em sua cidade natal em Sirte.

O Conselho Nacional de Transição assumiu o controle da Líbia e estabeleceu um governo provisório, a fim de preparar o país para eleições democráticas. Estas milícias iniciaram um patrulhamento voluntário nas principais cidades líbias, além de atuar frequentemente como juízes fazendo justiça com as próprias mãos. No entanto, a dispersão das centenas de milícias rebeldes armadas em todo o país provocaram problemas internos e uma grande falta de autoridade. Assim, os diferentes processos para desarmá-las e reintegrá-las em um exército unificado e dependentes de um ministério foram realizados de forma infrutífera.

Em março de 2012, as autoridades numeraram em 50.000 civis armados, embora pudessem ser mais do que o dobro.

Plano de dissolução das milícias (2011) O governo interino da Líbia assegurou em 2011 que havia começado a administrar as milícias irregulares rebeldes mediante sua dissolução ou incorporação à polícia regular e às forças militares.

Em 23 de outubro em cerimônia realizada na cidade de Bengazi, que começou com uma leitura do Alcorão, o novo regime declarou a libertação da Líbia, ocasião na qual foi prometida a realização de eleições junho de 2012 e Mustafa Abdel Jalil pediu tolerância e reconciliação e declarou que a Sharia seria a "fonte básica" da legislação no país e que as leis que contradizem os ensinamentos do Islã seriam anuladas.O que incluiria a adoção de um sistema bancário islâmico no qual não haveria cobrança de juros, além disso seria revogada uma lei da época de Gadafi que exigia autorização da primeira esposa para ter direito ter mais de uma esposa(Libya Declares Liberation From 42-Year Gadhafi Rule, em inglês, acesso em 02 de novembro de 2012)Hinting at an End to a Curb on Polygamy, Interim Libyan Leader Stirs Anger, em inglês, acesso em 09 de dezembro de 2012Libya ponders Sharia law, em inglês, acesso em 21 de dezembro de 2012 Foram prometidos recursos destinados às vítimas e às famílias dos mártires do levante. Omar Hariri, chefe das Forças Armadas, prometeu que o exército líbio iria defender a nação.Libya's new leaders declare liberation, acesso em 06 de outubro de 2012UPDATE 4-Libya declares nation liberated after Gaddafi death, em inglês, acesso em 02 de novembro de 2012

Em 24 de outubro, o novo regime prendeu 70 médicos e enfermeiros em Zawiyah, alegando que essas pessoas tinham ligações com o governo deposto.Rebels arrest medical staff in Zawiya, em inglês, acesso em 21 de dezembro de 2012

Em 26 de outubro foi publicado um relato jornalístico que informa sobre a existência de trocas de tiros esporádicas entre tropas do novo regime e partidários do Regime Deposto na cidade de Bani Ualide.Gaddafi loyalists fight on as Libya tries to unite, em inglês acesso em 22 de dezembro de 2012

Em 28 de outubro são publicados relatos jornalísticos sobre os conflitos gerados quando pessoas que perderam imóveis na época do regime deposto em decorrência de disposições contidas no Livro Verde tentavam retomar seus imóveis;Libyans want back property confiscated by Gadhafi, em inglês, acesso em 12 de dezembro de 2012 e a perseguição sofrida por imigrantes de cor negra;A harder life for Libya’s African migrants post-Qaddafi , em inglês, acesso em 12 de dezembro de 2012

Em 31 de outubro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu ao novo governo líbio para evitar que armas anti-aéreas portáteis caíssem nas mãos de terroristas. Abdurrahim El-Keib é escolhido pela maioria26 votos em um universo de 51 votantes do Conselho Nacional de Transição (CNT) como primeiro ministro, em substituição à Mahmoud Jibril.Libya’s NTC Elects Ex-Alabama Professor El-Keib as Interim Prime Minister, em inglês, acesso em 02 de novembro de 2012UPDATE 2-Abdul Raheem al-Keeb elected Libya's interim PM, em inglês, acesso em 02 de novembro de 2012

No início de novembro, o conselho militar de cada cidade elegeu os seus representantes para que fossem a Bengazi para estabelecer uma nova hierarquia militar e eleger seus líderes. Assim, um grande número de brigadas se juntaria definitivamente ao novo exército líbio. Da mesma forma, foram proibidos de portar armas em lugares públicos.

As Forças de Proteção da Revolução foram criadas no início de 2012 pelo Ministério do Interior para organizar a segurança e reduzir o caos gerado pelas muitas milícias armadas. O governo provisório também começou a organizar a incorporação dos milicianos para as futuras forças de segurança. Cerca de 1.500 voluntários são preparados na Jordânia para se juntar a nova polícia. Enquanto isso, as patrulhas conjuntas receberam cursos intensivos de direitos humanos.

Principais acontecimentos 2012

Janeiro-Fevereiro de 2012 No dia 3 de janeiro, quatro combatentes foram mortos em um tiroteio em Trípoli uma vez que dezenas de combatentes de Misurata estavam tentando libertar um grupo de prisioneiros detidos em um complexo de segurança pelas milícias de Trípoli. Uma outra reportagem afirma que houve dois tiroteios distintos e colocou o número de mortos em sete. Em resposta ao incidente, presidente do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdul Jalil advertiu que a Líbia arriscava resvalar para uma guerra civil, se as milícias rivais não fossem mantidas sob controle.

Em 20 de janeiro, o ex-embaixador da Líbia para a França morreu menos de um dia depois de ser preso por um grupo de milicianos de Trípoli. A Human Rights Watch afirmou em 3 de fevereiro, que as marcas no corpo de Omar Brebesh sugeriam que ele morreu como resultado de tortura enquanto esteve na prisão.

Em 26 de janeiro, a organização não governamental de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (que estava presente em Misurata desde abril de 2011, durante a Guerra Civil da Líbia) anunciou a suspensão do seu trabalho nos centros de detenção da cidade, uma vez que os prisioneiros eram torturados e lhes eram negados a assistência médica de urgência. O diretor geral da MSF Christopher Stokes declarou: "Os pacientes eram trazidos para nós no meio de interrogatórios para cuidados médicos, a fim de torná-los aptos para outro interrogatório. Isto é inaceitável. Nosso papel é prestar assistência médica às vítimas de guerra e prisioneiros enfermos, não tratar repetidamente os mesmos pacientes entre sessões de tortura." A Anistia Internacional havia descrito dois dias antes a "tortura generalizada e maus tratos infligidos a suspeitos de serem combatentes e partidários pró-Gadafi", com vários prisioneiros a morrer em toda a Líbia nas semanas precedentes.

Revolta de Bani Ualide

Uma revolta começou em Bani Ualide em 23 de janeiro de 2012, devido a um incidente nessa cidade, em que a milícia "Brigada 28 de Maio" quis prender homens do local em circunstâncias pouco claras. A Brigada 28 de Maio e seus compostos foram atacados por combatentes locais, que, em seguida, assumiram o controle da cidade.

Fevereiro e Julho de 2012: Confrontos em Cufra

Durante os meses de fevereiro a julho, vários combatentes da etnia africana dos tubus entraram em confronto com tribos árabes pelo controle de Cufra, forçando o exército a intervir na área. Mais de 100 pessoas morreram nos combates.UN says south Libya tense after tribal warfare - CTV News

Março de 2012