O bombardeio de Manaus ocorreu em 8 de outubro de 1910. Foi o resultado de um golpe tramado em parte no Rio de Janeiro no qual o vice-governador Antônio Gonçalves Pereira de Sá Peixoto, depôs o governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, com uma falsa ata do Congresso do Amazonas, de 7 de outubro de 1910.
O Governo Federal Em outubro de 1910, o Brasil vivia os últimos dias do governo do presidente Nilo Peçanha, que assumiu o cargo após a morte de Afonso Pena em 1909.
O Marechal Hermes da Fonseca era o presidente eleito com 403 867 votos, tendo derrotado a Rui Barbosa na eleição de 1º de março, sendo a sua posse marcada, como de costume na época, para 15 de novembro.
Seu concorrente, Rui Barbosa, senador pela Bahia apoiado pelo Partido Republicano Paulista, obteve 222 822 votos, fato inédito já que candidatos da oposição não conseguiam alcançar uma votação expressiva.
Sua campanha civilista, inspirado nas campanhas de Roosevelt (1904) e Taft (1908) a Presidente dos Estados Unidos, foi a primeira campanha presidencial moderna do Brasil, percorrendo vários estados do país fazendo discursos e comícios, e pela primeira vez na República Velha houve uma disputa real pela Presidência. Lembrando que o voto era aberto, e que a fraude era corriqueira.Na última eleição, contra Afonso Pena, lhe foram contados apenas 207 votos
Hermes da Fonseca venceu com o apoio do presidente Nilo Peçanha do Partido Republicano Fluminense, mas nos primeiros dias de outubro, antes da posse se aliou ao recém-criado Partido Republicano Conservador do vice-presidente do Senado Pinheiro Machado.
Na época o que regia a política brasileira era a política dos estados onde o candidato a Presidente da República era escolhido previamente pelos governadores, e este, uma vez eleito, não interferia nos negócios dos estados e nem os estados interferiam nos municípios, garantindo assim autonomia política a todos, desse modo as oligarquias locais se mantinham indefinidamente no poder.
A Política do Amazonas No Amazonas Silvério NériA grafia original do nome era, Silvério José Nery. era Senador da República em 1900, quando da eleição para o governo do amazonas, ele maneja para que seu irmão o Coronel do Estado Maior do Exercito Constantino NériA grafia original do nome era, Antônio Constantino Nery ocupe o seu lugar no senado e ele vai governar o Estado de 1900 - 1904 . Ao final de seu mandato, volta ao senado e Constantino passa para o Governo do Amazonas, 1904 - 1908, porém quando tentaram trocar novamente o Presidente Afonso Pena impediu o processo, ao mesmo tempo apareceu na imprensa em Manaus uma serie de escândalos administrativos de seu governo, com isso Constantino decidiu retornar a vida militar, e Silvério permaneceu no Senado.
Foram eleitos então para o Governo do Amazonas o Coronel Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt e como vice, o jovem Senador Coronel Antônio Gonçalves Pereira de Sá Peixoto.
Bittencourt tinha sido o vice de Silvério Néri durante o seu governo, eram do mesmo partido e aparentemente amigos, mas, em 1903 quando abriu uma vaga no Senado,o Cabo Afonso recusou a assumir a cadeira que lhe foi dada Bittencourt se candidatou a ela, foi ao Rio de Janeiro, e teve uma votação suficiente para ocupar o cargo, mas, seu nome foi rejeitado por Pinheiro Machado o responsável, então, pela Comissão verificadora dos poderes, o equivalente hoje ao Tribunal Superior Eleitoral ficando a cadeira com o Barão de Ladário. Como era totalmente desconhecido no Rio de Janeiro e com sua história restrita ao Amazonas, os jornais o apelidaram de Pedro Alvares Cabral, pois vinha para descobrir o Brasil. Os políticos do Amazonas envolvidos no bombardeio de Manaus eram ou foram em algum momento do Partido Republicano Federal.
Os Jornais de Manaus
Amazonas: O órgão de divulgação do Partido Republicano Federal. Seu maior acionista era Bittencourt, os outros sócios eram Silvério Néri e Cabo Afonso, depois da expulsão de Silvério e Afonso do Partido, Bittencourt "vendeu" sua parte ao Dr. Adelino Costa. O Correio do Norte: O órgão de divulgação do Partido Revisionista, que apoiou a campanha civilista de Rui Barbosa, após a extinção do partido em 3 de setembro de 1910. foi vendido em 14 de setembro ao deputado Castella Simões e o sr. Trajano Chacon, um advogado da cidade. jornal O Correio do Norte edição de 15 de setembro de 1910 Depois foi vendido em 31 de dezembro de 1910, a Germano Bentes Guerreiro, um jornalista independente, Jornal do Comercio: dito independente, se dizia ligado à Associação Comercial do Amazonas. A Noticia: dito independente, mas claramente apoiava Sá Peixoto.
No Rio de Janeiro Jorge de Moraes, Jônatas Pedrosa e Silvério Néri, eram os Senadores pelo Amazonas.
Antecedentes Comandava o 46º batalhão de Caçadores do Exército o Coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz –. O mesmo oficial da "Questão Telles"A questão Telles Um Litigio Tumultuoso do final do século 19 - Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul de Sergio da Costa Franco no Rio Grande do Sul, onde:"No dia 30 de julho de 1896 assumiu o comando geral da Força o general Salvador Aires Pinheiro Machado,irmão do Senador Pinheiro Machado após uma pequena crise em que se viu envolvido o coronel Joaquim Pantaleão Teles de Queiroz que mostrou desejos de amotinar algumas unidades da corporação sob seu comando, em ato de represália contra o governo do Estado, face a incidente pessoal com magistrado do Superior Tribunal, o Dr. Paulino Rodrigues Fernandes Chaves, não logrando seu intento."
Compunham a Flotilha do Amazonas em 1910 os navios:
As Canhoneiras:Classe Acre Amapá, Acre, Missões e Juruá.
Os Avisos: Tefé e Jutay. O Vapor de Guerra Comandante Freitas.
No Rio de Janeiro Quando da ida do Coronel Joaquim Pantaleão Teles de Queiroz para Manaus para assumir o 46º batalhão de caçadores, este recebeu ordens diretas de Nilo Peçanha para resolver a disputa entre o Governador Bittencourt e Silvério Néri.
Já, o novo capitão do porto Capitão de Corveta Francisco Costa Mendes indicado para Manaus é chamado ao Ministério da Marinha e lá ouve do Almirante Alexandrino que deve atender os pedidos do Senador Silvério Néri. E dali segue para ao Hotel dos Estrangeiros para se encontrar com Silvério Néri.
Em Manaus No dia 13 de fevereiro de 1910 Silvério Néri é removido da liderança do partido e em seu lugar é aclamado o governador Sr. Antônio Bittencourt, que, nunca disse ou desdisse se aceitava a liderança. Cabo AfonsoCoronel Raymundo Affonso de Carvalho foi comandante do Batalhão Militar de Segurança (hoje Polícia Militar) em 1893, Prefeito de Manaus em 1895 – 1896, deputado estadual, recusou a cadeira no Senado em 1903, Presidente do Congresso do Amazonas e Governador interino em 1907 – 1908, também foi removido da direção do partido.
No início de setembro o Governador se mostra propenso a concordar com o Coronel Pantaleão e se reaproximar de Silvério Néri, porém, depois convencido pelos deputados Antônio Monteiro de Souza, Antônio Guerreiro Antony e Raposo da Camara, voltou atrás.
Membros do Congresso do Amazonas sugeriram ao Coronel Pantaleão que retirasse o Governador a força, mas este declinou, dizendo que só com uma ordem vindo do Rio de Janeiro poderia fazê-lo, ("gato escaldado tem medo até de água fria", a Questão Telles) sugeriram então o problema do Jornal "Amazonas", Bittencourt era o "proprietário" do jornal, porém, este também pertencia a Silvério Néri, e o foi, durante todo o seu mandato como governador e nunca foi obstáculo para nada, era, como na maioria dos jornais da época o órgão de divulgação do Partido Republicano da vez, mas segundo a constituição do Amazonas no artigo 43, o governador não poderia.
De qualquer forma Bittencourt tinha a maioria no Congresso do Amazonas e uma proposta de impeachment jamais passaria.
Mas no dia 18 de setembro Pantaleão pede uma reunião com o Capitão do Porto, na reunião Pantaleão informa "Tenho ordem de depor o Governador Bittencourt e preciso do seu auxilio" este lhe responde que não pode ajudar pois não dispõe nem de uma "canoa de um pau só". Mas que deve pedir auxilio ao Comandante da Flotilha.
Do Comandante da Flotilha, Pantaleão ouviu uma recusa, pois a mudança de governo no Amazonas só seria benéfica ao Almirante Alexandrino, seu desafeto. Mas que estava pronto a passar o posto a quem o Ministro da Marinha indicasse.
No dia 5 de outubro houve uma grande recepção na casa do governador em comemoração do aniversário de D. Amélia, esposa de Bittencourt, todos compareceram, o inusitado da noite foi que o Dr. Castella Simões pediu a mão de Dalila, filha de Bittencourt em casamento.
Nesse dia chegou a ordem para que os dois capitães de corveta trocassem posto. O Capitão de Corveta Francisco da Costa Mendes sabendo do que estava para acontecer tentou não se "imiscuir" na luta política quando recebeu um telegrama do Ministro dizendo em cifra "NÃO TENHA PRUDENCIA" e as 6 da tarde do dia seguinte, recebe outro telegrama sem cifra dizendo "EXONERADO CAPITANIA ASSUMA IMEDIATAMENTE COMANDO VAPOR FREITAS". A data escolhida era sete de outubro de 1910.
A véspera Nesse dia, sete de outubro, às 9 horas, o Deputado Federal do Amazonas Sr. Antônio Monteiro de Souza,Biblioteca Virtual do Amazonas. Portal do Amazonas página visitada em 11 de fevereiro de 2014 chegou a Manaus e para ele se preparou uma grande recepção, que começou no Manaus Harbor & Roadway, como era chamado na época, na qual compareceram 12 dos 19, membros do Congresso do Amazonas, já que cinco deputados não se encontravam em Manaus, o Governador, o Prefeito, Os cônsules dos países amigos, toda a imprensa, a Associação Comercial, etc.
Consequentemente não houve sessão no Congresso, já que não havia quórum (mínimo de doze deputados), e o dia transcorria em paz e festividades.
Depois das três horas da tarde, tendo assumido o comando do Comandante Freitas e tendo sido informado por Oficio do Vice Governador Sá Peixoto que o Congresso do Amazonas havia deposto o Governador Bittencourt, o Capitão Francisco da Costa Mendes deixou o Vapor e voltou a terra para dar posse ao novo Capitão do Porto, o ex comandante da Flotilha, isto feito, seguiu para o Palácio para se apresentar ao Governador, como de praxe.
No caminho recebeu um segundo Ofício de Sá Peixoto, requisitando a força do seu comando para garantir a autoridade dele e do Congresso.
Chegando ao Palácio ele se depara com Bittencourt no cargo de Governador, ele se apresenta, de praxe, como o novo Comandante da Flotilha, e é recebido, depois, conversando com Bittencourt, se diz surpreso por não ser recebido por Sá Peixoto, por que de acordo com o oficio tal...
Bittencourt, surpreso, diz que vai "pensar" sobre o assunto e se despede cordialmente do novo comandante da Flotilha.
O Capitão, então, segue para o Posto do Telegrafo para comunicar ao Rio de Janeiro os ocorridos naquela tarde, mas encontra já o posto fechado e com policiamento à porta.
Bittencourt e o vice-governador eram muito próximos, mas, imediatamente mandou o comandante da Policia militar reforçar a segurança do Palácio e fechar o telegrafo.
Relata o Comandante da Flotilha, que Sá Peixoto e os membros do congresso chegados a ele tiveram ordem de prisão.
Depois informou por telegrama, o Presidente da República.
“Dr. Nilo Peçanha, Presidente Republica – Rio.Acabo de ser prevenido que forças federais pretendem depor-me hoje de madrugada.
Cumpro o dever de trazer a v.excª.
A fim de tomar as providencias que couberem no caso, declarando que procurarei cumprir meu dever, defendendo a autonomia do Estado, certo V.Excª. Não consentirá tal atentado ao regime republicano.
Saudações.