Úbeda é um município da Espanha na província de Jaén, comunidade autónoma da Andaluzia. O município tem de área e em tinha habitantes (). O centro histórico da cidade foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, juntamente com o da cidade vizinha, Baeza, em 3 de julho 2003, seguindo os critérios (ii) e (iv). É uma das cidades espanholas mais ricas em monumentos do Renascimento, além de dotada de uma arquitetura fruto das trocas culturais entre espanhóis e árabes ao longo da Idade Média.

Úbeda é um importante centro de atração, que exerce sua influência sobre uma área comercial com mais de 150 mil habitantes. A cidade conta com órgãos e instituições como o Hospital San Juan de la Cruz, grandes centros educacionais e universidades (em destaque, UNED e SAFA), um Centro del Professorado (CEP), delegações de finanças e de segurança social. O cantor Joaquín Sabina tem um mural nas ruas da sua cidade natal, Úbeda, realizado por Miguel Ángel Belinchón.http://www.huffingtonpost.es/2016/09/07/sabina-mural-ubeda_n_11886884.html?

A economia do município é baseada principalmente no setor terciário, comércios e administração, além da agricultura, em destaque a produção azeiteira, que ocupa papel fundamental na renda da cidade: Úbeda é uma das maiores produtoras e vendedoras de azeite de Jaén. A indústria e o turismo cultural são atividades complementares.

Topografia Úbeda tem uma localização privilegiada, estando situada num grande planalto entre os rios Guadalimar e Guadalquivir, com uma altitude máxima de 1.036 metros, com acesso aos principais polos urbanos da região. A topografia e o elevado potencial de recursos, tornam o território favorável e atrativo à ocupação humana.

Clima Segundo a classificação climática de Köppen, Úbeda possui um clima mediterrâneo, os invernos são amenos e os verões quentes e secos. Durante o ano, a temperatura geralmente varia de 0°C a 35°C e raramente cai abaixo de -4°C ou sobe acima de 39°C.

Melhor época do ano para visitar O índice de turismo favorece dias claros e sem chuva, com temperaturas entre 18°C e 27°C. Dessa forma, a melhor época do ano para visitar Úbeda, para atividades turísticas ao ar livre, é entre os meses de junho e setembro.

Demografia

História

Pré História e Antiguidade Uma lenda diz que Úbeda foi fundada por Túbal, descendente de Noé. O nome da cidade deriva, segundo relatos míticos, do rei Ibiut. Constam na Pedra velha de Úbeda, a velha, atualmente no museu arqueológico, os seguintes versos, que evocam a história antiga da cidade:

Tubal me hizo primero/ Ibero el segundo fue/ Idubeda es el tercero/ Bétula soy de los tres.

[Túbal me fez primeiro/ Íbero o segundo foi/ Idúbeda é o terceiro/ Bétula sou dos três.]

Em termos arqueológicos, os primeiros assentamentos em Úbeda remontam à Idade do Cobre, e se localizam no atual Cerro do Alcázar. De fato, as últimas investigações arqueológicas encontraram seis mil anos de antiguidade; Úbeda é a ‘’cidade mais velha – cientificamente documentada – da Europa Ocidental’’, afirma a equipe dirigida pelo catedrático Fransisco Nocete, com base nos resultados que encontraram em 36 datações de Carbono-14 no depósito das Eras do Alcázar.

Existem restos calcolíticos, argáricos, oretanos, visigodos e romanos tardios no terreno onde Úbeda esta assentada. Anteriormente à ocupação romana, havia na região um importante ópido ibérico de população nativa, que os nativos chamavam de Iltiraka. Esse assentamento fortificado se localizava no rio Guadalquivir, 10km a sul da atual cidade. Posteriormente associada à colônia romana de Salária, é hoje conhecida como Úbeda la Vieja (Úbeda, a Velha). O comércio trouxe os gregos e mais tarde os cartagineses à cidade, levando a intercâmbios que permaneceram ativos até o período das guerras púnicas, conflitos que substituíram a supremacia cartaginesa pela romana.

Momento decisivo para a romanização de Úbeda foi a batalha de Ilipa (206 a.C.) – vitória das tropas romanas, comandadas por Cipião, sobre o exército púnico de Asdrúbal, irmão do célebre Aníbal Barca –, que assegurou o domínio romano na Hispânia. É nesse período que a cidade passa a ser conhecida como Bétula (em latim Baetula). Com a decadência de Roma e as invasões bárbaras de godos e vândalos, a região foi completamente arrasada. Os saques deixaram o assentamento destruído, fazendo com que os habitantes da eminência entre os vales dos rios Guadalimar e Gaudalquivir se assentassem sobre o local onde hoje se encontra Úbeda.

Idade média As invasões árabes do Século IX deram mais importância à cidade. O Emir de Córdova Abderramão II refundou a cidade sob o nome de Ubbadat Al-Araba (Úbeda dos árabes), com a intenção de controlar revoltosos moçárabes na vizinha Baeza. A desintegração do Califado de Córdova no fez da cidade objeto de conflitos entre os taifas islâmicos da Almería, Granada, Toledo e Sevilha. Nessa época, Úbeda tornar-se-ia um dos centros comerciais e artesanais islâmicos mais proeminentes do Alandalus.

No fim do Século XI, entretanto, os conflitos internos entre os mouros fizeram com que Úbeda se rendesse aos cristãos, sob Afonso VI. No século seguinte, os reis castelhanos aumentaram progressivamente a pressão sobre o Alto Guadalquivir; Úbeda é mencionada como cenário de episódios bélicos dos mais variados, tendo trocado de mãos entre os mouros e os cristãos diversas vezes. Nesses tempos conturbados, a cidade foi saqueada e devastada em inúmeras ocasiões, até ser definitivamente reconquistada  em 1233 por Fernando III – ao fim de seis meses de cerco castelhano, a cidade capitulou, ação que evitou novas matanças.

Durante o Século XIV, a guerra civil entre Pedro I de Castela e Henrique II de Trastâmara assolou a cidade. Saques por Maomé V de Granada contribuíram para um clima de decadência que reavivou rivalidades entre bandos locais. Tumultos durante esse século culminaram na demolição das fortificações e estruturas bélicas – similarmente ao que ocorreu em Baeza – em 1506, por ordem real, com o intuito de por fim ás rivalidades.

Era Moderna Desde o início do período cristão de Úbeda, a jurisdição da cidade foi consideravelmente expandida, chegando a fazer fronteira com Granada, a sul. Vale lembrar que La Loma, comarca em que a cidade se localiza, era um centro geo-estratégico importante, além de dominar diversas vias de comunicação e rotas comerciais. Todos esses fatores, somados à conquista de Granada pelos cristãos ao longo do século XV (o que encerrou um período muito conflituoso, o da chamada Reconquista), contribuíram para o surgimento de uma idade de esplendor no Século XVI. A unificação das coroas de Aragão e Castela trouxe um período de paz e desenvolvimento econômico para a região, que durou por toda a era de ouro do Estado Espanhol. Baseada principalmente na agricultura, a cidade contou no período com um relevante crescimento demográfico, alcançando 18000 habitantes (número expressivo para a época), chegando a ser uma das maiores áreas urbanas da Espanha. Nessa época, nobres de famílias de Úbeda atingiram posições de alto nível na Monarquia Espanhola. Francisco de los Cobos, por exemplo, tornou-se Secretário de Estado do Imperador Carlos V. A sofisticação da casta nobre e o consequente mecenato contribuíram para a proliferação de ideais renascentistas na cidade. Datam desse período o palácio Vazquez de Molina e a Capela do Salvador do Mundo. Além da nobreza, a prosperidade econômica também beneficiou o clero – a diocese de Xaén era possivelmente uma das mais ricas da Espanha – e os profissionais liberais, muitos dos quais dariam origem a uma burguesia. Dentre os mercadores mais ricos da cidade destacavam-se judeus e mouriscos.

A decadência do Império Espanhol nos Séculos XVII e XVIII contribuíram para um período de declive na história de Úbeda. A ausência de uma política protecionista alavancou um declínio na economia artesanal da cidade; centros comerciais como Sevilha passaram a controlar rotas de comércio antes sob domínio de Úbeda. A expulsão dos mouriscos em 1609 também foi fator importante na decadência econômica, visto que essa camada constituía uma das principais castas comerciais do local. Desastres naturais também não faltaram: um surto de peste em 1681 e os impactos sísmicos do Terremoto de Lisboa de 1755 se somaram às circunstâncias da crise. A Guerra de Sucessão Espanhola, no início do Século XVIII, também foi relevante na estagnação financeira de Úbeda; os esforços de guerra empreendidos demandaram elevação altíssima de impostos, destruindo uma economia já em ruínas.

Idade Contemporânea A decadência se arrastou até o Século XIX; as desgraças da Guerra Peninsular não pouparam Úbeda, que se via numa lenta recuperação. Novamente os prejuízos e os saques voltaram, e derrubaram mais uma vez a economia local. Um breve ressurgimento econômico só viria no fim do Século XIX, com a chegada de inovações tecnológicas no campo da agricultura. O patrimônio cultural, entretanto, permanecia sujo e mal cuidado, os palácios do que fora a ‘’Florença da Alta Andaluzia’’ estavam em estado de abandono completo.

Uma tímida recuperação, baseada na chamada retórica regeneracionista, se esboçava nas primeiras décadas do Século XX. A Guerra Civil dos anos 30, contudo, mergulhou-a mais uma vez em estado de depressão.

A recuperação viria com mais força nos anos 60 e 70 com uma política desenvolvimentista patrocinada por Francisco Franco, que contribuiu para um crescimento industrial na cidade. O reconhecimento do valor histórico de Úbeda veio com a nomeação, junto da vizinha Baeza, à Patrimônio Mundial da Humanidade, em 2003.

Gastronomia miniaturadaimagem|Ochíos |177x177px A cozinha ubetense é basicamente mediterrânea, com abundância de leguminosas, cereais, carnes de caça e, claro, azeite e azeitonas. Alguns pratos notáveis ​​são as migas, os ochíos, la perdiz en espache,  os buñuelos fritos   no em azeite extra virgem e sobremesas como o hornazo (um bolo de azeite com matalauva e um ovo cozido ao centro) e os papajotes.

Outros pratos tradicionais a se destacar são a sopa de feijão com berinjela, guisado de grão de bico com acelga, grão de bico mareaos ou morrococo, os andrajos com bacalhau ou lebre, ajilimojili, pipirrana e as empanadillas de la vigilia.miniaturadaimagem|Hornazo|176x176pxQuanto aos pastéis e doces, vale destacar, além dos ochíos e hornazos, os borrachuelos, os bolos de Candelária, os roscos de Jesus, os deliciosos papajotes e as tostadas. Também existe uma variedade muito popular de sangria com pêssego, chamada cuerva.

Outra tradição culinária é a “ligada” ou "ligá”, que consiste em comer pagando apenas a bebida devido à enorme quantidade de tapas, pratinhos de petisco. Os espanhóis tem o costume de ir de bar em bar experimentando um gostinho das melhores tapas do lugar. Além disso, Úbeda tem uma oferta própria de tapas adaptadas à gastronomia local: à base de ochíos, chouriço, picadillo, andrajos, linguiça local, tudo preparado com azeite.

Artesanato Úbeda é famosa pela sua indústria de artesanato, bem como pela fabricação de produtos como os ubedíes – tapetes de esparto tecidos à mão e bordados – e diversos objetos de olaria, ferro e cerâmica, além da tecelagem e curtimento de objetos. Ambas as indústrias têm uma grande importância na economia de Úbeda.

Dança tradicional A dança típica de Úbeda é, especificamente, o Bolero de Úbeda. Essa dança costumava ser realizada nas festas populares da cidade em que todos participavam com trajes regionais.

Festas e celebrações religiosas • Jornada Gastronômica do Renascimento - de janeiro a março - Restaurantes participantes por toda a cidade, servem menus tradicionais da cozinha renascentista, com diversas receitas originais do séculos XVI e XVII.