Wang Guangyi (em chinês:王广义, Harbin, província de Heilongjiang, 1957) é um artista chinês. É conhecido por ser um dos protagonistas do novo movimento de arte chinesa que começou no final dos anos oitenta do século XX. A fase de pinturas intituladas ‘’Great Criticism’’, em particular, conferiu-lhe uma atenção mundial. O trabalho de Wang Guangyi foi erroneamente associado ao Pop político chinês. Um dos principais temas deste artista encontra-se na sua relação com o transcendente.

Biografia Wang viveu os anos da Revolução Cultural (1966-1976), filho de um ferroviário do nordeste da China. Trabalhou três anos numa aldeia rural. Wang Guangyi tornou-se ferroviário depois da jubilação do seu pai, no entanto nunca abandonou o sonho de ir para a faculdade. Depois de diversas tentativas fracassadas, foi admitido na Academia de Belas Artes de Zhejiang, onde se formou em 1984 em pintura a óleo. Actualmente vive e trabalha em Pequim, China. Apesar das duras condições de pobreza que enfrentou na infância, Wang Guangyi evita discutir assuntos que estejam relacionados com dinheiro ou riqueza. Wang Guangyi atraiu a atenção dos críticos e do mercado internacional com o seu período artístico Great Criticism, convertendo-o num ícone da arte contemporânea chinesa.

Obra O trabalho de Wang Guangyi foi equivocamente associado com o Pop Politico Chinês. Apesar desta má interpretação da sua obra, um dos principais temas que ligam as várias fases de trabalho ao longo da carreira de Wang Guangyi é a relação entre a fé e a sociedade. As primeiras obras - meados de 1980 O Pólo Norte é um tema recorrente nos primeiros trabalhos de Wang Guangyi; não é visto como relação às suas características geográficas, mas como um lugar simbólico onde nasce uma nova fé, um lugar em que o indivíduo tem que lidar principalmente consigo mesmo, mas sem se libertar do social. O grupo de jovens Artists of the North optou por confrontar-se com a filosofia ocidental, grupo do qual Wang Guangyi fazia parte e onde trabalhou na série Frozen North Pole (1984-1985). Na série Post Classical (1986-1988) Wang Guangyi trabalhou numa revisão sintética das grandes obras da arte ocidental, vinculadas a temas de religião, moral, fé e ideologia. Nestas pinturas usou vários tons cinza encapsulando a figura humana e a sua envolvente sem muitos detalhes. O objetivo de Wang Guangyi consistiu na elaboração de um estilo que o desviou da arte clássica, uma estratégia expressiva derivada da leitura de Gombrich. Demetrio Paparoni, Wang Guangyi, Words and Thoughts 1985−2012, Skira, Milan, Italy, 2013 Lu Peng, A History Of Art in 20th-Century China, Edizioni Charta, Milan, Italy, 2010, pp. 1153–1174

Great Criticism, 1990-2007 Great Criticism é o período de trabalhos mais conhecido de Wang Guangyi. Estas obras usam imagens de propaganda da Revolução Cultural e logótipos contemporâneos de publicidades ocidentais. Wang Guangyi iniciou este período em 1990 e terminou-o em 2007 quando se convenceu de que o seu sucesso internacional comprometia o sentido original das suas obras, ou seja que a política e a publicidade comercial são duas formas de lavagem cerebral. Huang Zhuan, Politics and Theology in Chinese Contemporary Art /Reflections on the work of Wang Guangyi, Skira, Milan, Italy 2013

Anos 90 Nestas séries de pinturas e instalações VISA (1995-1998), Passport (1994-1995), e Virus Carriers (1996-1998) os títulos das séries são sobrepostos como um selo em imagens de recém-nascidos, adultos e cães, acompanhados por outras palavras que indicam o nome, local, data de nascimento e sexo dos indivíduos. Para ressaltar os procedimentos burocráticos ligados aos que se deslocam de um país para outro, estas obras revelam que a organização do Estado decreta as suas próprias defesas quando avalia o potencial perigo dos indivíduos. Wang Guangyi denota um clima estabelecido de desconfiança, num vago perigo eminente, que amadureceu durante a Guerra Fria e que ainda hoje persiste, mesmo que tenha perdido a opressão nascida da doutrina forçada. A reflexão de Wang Guangyi lida com a relação que o Poder tem com o individual, no qual este mantém controle pelo incremento de medos coletivos, em vez de se propor ele próprio como um bastião contra perigos desconhecidos que poderiam surgir repentinamente contra pessoas indefesas. O artista sustenta que através destas formas de pressão psicológica existe um acordo tácito que propícia proteção contra o contágio de novos vírus, em troca desta, o individuo renúncia a parte da sua liberdade, uma relação forjada entre o Poder e o indivíduo.

Anos 2000 Durante os anos 2000 a relação entre os trabalhos de Wang Guangyi e a transcendência aumentou. De facto o título dado à série Materialist (2001-2005) não é contraditório. Esta série de esculturas realizadas a partir de imagens de doze trabalhadores, agricultores e soldados, foram apropriadas de imagens publicitárias. De acordo com Wang Guangyi estas imagens publicitárias trazem à luz a principal força do povo, a raiva expressada pelos seus movimentos deriva da fé na ideologia. Com estas esculturas o artista tenta confrontar o público com uma imagem, enquanto referenciamento a um materialismo dialéctico – Materialist é um termo que tem uma particular relevância na história chinesa, na qual se resume a ideologia socialista. Ao mesmo tempo, o artista também vê um outro nível de significado com o trabalho. Na arte, coisas que possuem certas qualidades conceptuais são chamadas de "objeto", que em chinês tem a mesma origem que a palavra "materialista". Wang Guangyi representou também a grande política (Lenin, Stalin, Mao), o espiritual (Cristo) e os líderes espirituais e políticos (João XXIII). Nas séries de pinturas a óleo intituladas New Religion (2011) representa filósofos cujos pensamentos continuam a exercer a sua influência hoje em dia (Marx e Engels).

Apesar de o artista usar nestas obras uma técnica de pintura a óleo tradicional, as imagens parecem ser retiradas de negativos fotográficos, a ambiguidade criada pela referência à fotografia rompe a familiaridade que o espectador tem com elas, abrindo-as a interpretações quanto ao seu significado. Através destas obras Wang Guangyi questionou-se sobre as semelhanças entre as grandes utopias, o fascínio que elas exercem sobre os seres humanos, e como todos os homens sentem a necessidade de encontrar algo onde depositar a sua fé. Em 2007 Wang Guangyi criou uma fase de obras através das quais pôde analisar os efeitos psicológicos da propaganda na Guerra Fria. Em Cold War Aesthetic (2007-2008), Wang Guangyi convida o espectador a enfrentar a realidade daqueles anos, com o objetivo de o confrontar e reviver o clima e a mentalidade que caracterizou o período da Guerra Fria, através da reconstrução da vida quotidiana a partir desse momento histórico. O artista deixa ao espectador a possibilidade de criar a sua própria visão sobre os acontecimentos que lidam com as influências do passado recente sobre o presente.

Exposições Individuais Wang Guangyi, Hanart TZ Gallery, Hong Kong, China, 1994 Witnessed: Wang Guangyi, Littmann Kulturprojekte, Basileia, Suiça, 1996 Wang Guangyi: Face of Faith, Soobin Art Int'l, Singapura, 2001 Wang Guangyi, Galerie Enrico Navarra, Paris, França, 2003 Wang Guangyi, Galerie Urs Meile, Lucerna, Suiça, 2004 Wang Guangyi, Arario Gallery, Seul, Coreia do Sul, 2006 Wang Guangyi, Galerie Thaddaeus Ropac, Paris, França, 2007 Visual Polity: Another Wang Guangyi, OCT Contemporary Art Terminal, He Xiangning / Art Museum, Shenzhen, China, 2008 Cold War Aesthetics: Wang Guangyi, Louise Blouin Space of the Louise Blouin Foundation, Londres, Reino Unido, 2008 Visual Archives of Chinese Contemporary Art: Wang Guangyi – The Interactive Mirror Image, Tank Loft, Chongqing Contemporary Art Center, Chongqing, China, 2011 Wang Guangyi. Saatchi Gallery. Accessed January 2014. Thing-In-Itself: Utopia, Pop and Personal Theology, Today Art Museum, Pequim, China, 2012Thing-in-itself: Utopia, Pop and Personal Theology – Wang Guangyi Retrospective Exhibition. Today Art Museum. Accessed January 2014. Wang Guangyi: Cold War Aesthetics (Shanghai Pujiang Oversea Chinese Town Public Art Project), Pujiang Oversea Chinese Town, Xangai, China. 2012 Passage to History: 20 Years of La Biennale di Venezia and Chinese Contemporary Art, 55ª Bienale de Veneza, 2013Sue Wang (2 November 2012). 2012 Public Art Project "Wang Guanyi: Cold War Aesthetic" to be exhibited at Pujiang Overseas Chinese Town. Cafa Art Info. Accessed January 2014. Publicações

Monografias Wang Guangyi, timezone 8, Hong Kong 2002. Essays by Karen Smith, Yan Shanchen, Charles Merewether, Li Xianting, Huang Zhuan and Lu Peng. ISBN 962-86388-7-4 Demetrio Paparoni, Wang Guangyi, Words and Thoughts 1985−2012, Skira, Milão, Itália 2013. ISBN 8857215679 Huang Zhuan, Politics and Theology in Chinese Contemporary Art /Reflections on the work of Wang Guangyi, Skira, Milão, Itália 2013. ISBN 978-88-572-2143-4

Catálogos Yan Shanchun, Lu Peng and others, Wang Guangyi within the Trends of Contemporary Art (Chengdu: Sichuan Fine Arts Publishing House, 1992). Wang Guangyi: Face of Faith (Singapura: Soobin Art Int'l, 2001). Wang Guangyi: The Legacy of Heroism (Hong Kong e Paris: Hanart TZ Gallery e Galerie Enrico Navarra, 2004). Wang Guangyi (Seul: Arario Gallery, 2006). Wang Guangyi: Art and People (Chengdu: Sichuan Fine Arts Publishing House, 2006). Wang Guangyi (Seul e Paris: Arario Gallery e Galerie Thaddaeus Ropac, 2007). Huang Zhuan and Fang Lihua, Visual Politics: Another Wang Guangyi (Cantão: Lingnan Fine Arts Publishing House, 2008). Wang Guangyi: Cold War Aesthetics (Londres: Louise Blouin Foudation, 2008). Thing-in-Itself: Utopia, Pop and Personal Theology, edited by Huang Zhuan (Cantão: Lingnan Art Publishing House, 2012)

Coleções Públicas Allen Memorial Art Museum, Oberlin, Ohio, USA. Carmen Thyssen-Bornemisza Collection, Madrid, Espanha. Cartier Limited, Paris, França. China Academy of Fine Arts, Hangzhou, China. China Club, Hong Kong, China. Deutsches Historisches Museum, Berlim, Alemanha. Essl Museum – Kunst der Gegenwart, Viena, Áustria. Guangdong Art Museum, Cantão, China. Guggenheim Museum, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. Guy & Myriam Ullens Foundation, Suiça. He Xiangning Art Museum, Shenzhen, China Long Museum, Shanghai, China. • Museum Ludwig, Aachen, Alemanha. Minsheng Art Museum, Xangai, China Overseas Chinese Town, Xangai, China. Pacific Asia Museum, Pasadena, Califórnia, USA. San Francisco Museum of Modern Art, São Francisco, Califórnia, USA. Shenzhen Art Museum, Shenzhen, China. Taikang Life Insurance Company Limited, Pequim, China. The Ford Foundation, Nova York, USA. The Sammlung Essl Collection of contemporary Art (Kunst der Gegenwart), Viena, Áustria. Today Art Museum, Pequim, China. Yuz Art Museum, Jacarta, Indonésia.

Documentários sobre Wang Guangyi CHIMERAS – Wang Guangyi, Mika Mattila (Finlândia), 69m17s, Mika Mattila & Navybluebird Ltd., Special show: Today Art Museum, Pequim, 2012; Toronto, 2013; São Francisco, 2013. Reasoning with Idols – Wang Guangyi, Andrew Cohen (Suiça), 26m46s, A-C Films, Swiss, 2012. Art of Wang Guangyi, Wang Junyi (China), 76m20s, Wang Guangyi Studio, Chongqing: Tank Loft-Chongqing Contemporary Art Center, 2011; Xangai: Shanghai Museum, 2011; Pequim: Today Art Museum, 2012. Arts China – Wang Guangyi, Weng Ling (China), 36m22s, The Travel Channel (Hainan), China (satellite television), 2010. Wang Guangyi, Wang Luxiang (China), 36m13s, Phoenix Television, 2006, Hong Kong, China The Orient Sun – Wang Guangyi, 48m39s, SBS Television, Coreia do Sul, 2005. 85 New Wave, Shi Xianfa (China), 20m02s, CCTV, China, 1986.

Referências Lu Peng, A History Of Art in 20th-Century China, Edizioni Charta, Milão, Itália, 2010, pp. 1153–1174 Demetrio Paparoni, Wang Guangyi, Words and Thoughts 1985−2012, Skira, Milão, Itália, 2013