Maria Teresa Madeira Ricou ou Teté, a mulher-palhaço (Praia da Granja, 12 de novembro de 1946 —) é uma artista portuguesa ligada às artes circenses.

Conhecida por Teté, a mulher-palhaço — desde que criou essa personagem, no início da década de 1980 — Teresa Ricou é a mentora do Chapitô, uma instituição particular sem fins lucrativos que promove, através das artes do espetáculo, sobretudo as artes circenses, a integração social de jovens em situação de fragilidade socialInfopedia.

Biografia

Da grande burguesia, Teresa Ricou é filha de Eduardo Ricou, médico dermatologista, e da sua mulher brasileira, Alda Madeira.

Passou a infância e parte da adolescência na antiga província ultramarina portuguesa de Angola, onde o pai liderava a luta contra a lepra.

Com o ensino básico e um curso de estenodatilografia, aos 17 anos saiu de casa dos pais, viajando para a metrópole.

Entre diversas outras ocupações professionais, foi secretária e assistente de bordo da TAP.

A partir dos 20 anos - depois de ter tido um filho e de se ter separado do marido - viveu fora de Portugal, regressando apenas depois do 25 de Abril de 1974.

Viveu em Inglaterra e depois em França.

Ao regressar a Portugal já estava ligada ao meio das artes performativas.

A partir de 1971 Teresa Ricou interessou-se pelas artes circenses.

Obteria formação nessa especialidade, entre 1971 e 1973, na Escola de Circo da Hungria, em Budapeste, e a seguir na Escola de Mímica Jean Jacques Lecocq, em Paris.

Realizou também um curso de vídeo, com Jean Rouche, no Musée de l’Homme (Paris).

Segundo contou numa entrevista ao Correio da Manhã, nas noites em Pigalle, Teresa Ricou montou "uma banquinha muito engraçada, com um guarda-chuva alentejano e fazia a minha ‘performance’, com o meu filho ao lado, a brincar. As pessoas achavam graça.".

Seria o início de uma vida ligada às artes circenses.

Entretanto, ainda em França, entrou no filme de Fernando Arrabal, J’Irai Comme un Cheval Fou (1973), no qual também colaborou na produção (guarda-roupa, adereços).

Em Portugal, em 1974, passou a apresentar-se ao lado do Palhaço Luciano, chefe dos Faz-Tudo, do Coliseu dos Recreios, e de Mariano Franco, o Mestre do Sapateado.

Participou em espetáculos por todo o país, em festivais de música, teatro e circo.

Criou em seguida a Escola de Circo Mariano Franco, num espaço dedicado à animação circense, cedido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Desde logo surge a ideia de de criar ações de dinamização cultural e de recuperação de jovens em situação de risco, ao mesmo tempo que criava espetáculos de intervenção e animação em bairros carenciados de Lisboa, em parceria com a Junta de Freguesia de Santa Catarina (Lisboa).

A criação da sua figura da mulher-palhaço Teté data do início da década de 1980.

Brevemente, também foi funcionária da Secretaria de Estado da Cultura, onde criou o Departamento de Circo (1978).

É em 1981 que inicia o projeto do Chapitô, de que foi diretora desde então.

Desde o princípio, essa Associação destina-se à promoção da educação e da formação profissional através das artes e dos ofícios do espetáculo, com intervenção a nível da integração social e comunitária, de novo, orientada para a recuperação de jovens em situação de risco social.

À frente do Chapitô, Teresa Ricou seria ainda a principal impulsionadora da criação da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo, cuja criação foi aprovada pelo governo de Aníbal Cavaco Silva, em 1991.

Em 1998 foi atribuído a Teresa Ricou o Prix de L’Initiative da Fondation du Crédit Coopératif e, em 2005, o Silver Rose Solidarity Award.

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