Tibério Cláudio Marino Pacaciano (), conhecido como Pacaciano, foi um oficial militar e usurpador romano que se autoproclamou imperador na região do Danúbio durante o reinado do imperador Filipe, o Árabe. Pacaciano é conhecido pelas moedas que cunhou e através do relato de Zósimo e Zonaras, que afirmam que ele era um oficial em uma das legiões do Danúbio. De acordo com Zósimo, as revoltas de Pacaciano na Mésia (é provável que ele controlasse Viminácio) e de Jotapiano na Síria estimularam Filipe a oferecer ao Senado a possibilidade de abdicar, mas Décio, que havia sido enviado por Filipe para lidar com as revoltas, previu corretamente que Pacaciano seria morto por seus próprios soldados antes que ele chegasse ao Danúbio. Sua revolta é historicamente significativa por ter ocorrido no contexto do milenário de Roma e por sua tentativa de legitimação através de uma cunhagem monetária o representava como o governante capaz de assegurar ao Império romano os benefícios associados à inauguração de um novo milênio .
Biografia Embora os detalhes de sua vida antes da usurpação sejam escassos, sugere-se que Pacaciano possuía nível senatorial. Seu nome completo, Tiberius Claudius, sugere que seus antepassados obtiveram a cidadania romana ainda no século I, possivelmente durante os governos de Tibério ou Cláudio, o que indica uma linhagem de longa data integrada ao sistema romano. Registros indicam que ele serviu anteriormente como governador da província da Síria. No reinado de Filipe, o Árabe, ele recebeu um comando extraordinário sobre as províncias da Panônia e da Moésia, posição criada para coordenar a defesa da fronteira contra as crescentes ameaças bárbaras. No momento em que se rebelou, exercia o comando de unidades militares no Danúbio. Zonaras o descreve como um "comandante de unidade" (possivelmente o legado da Legio VII Claudia), sediado em Viminácio.
A Usurpação A revolta eclodiu em meados de 248, motivada pelo colapso da defesa fronteiriça no Danúbio. A decisão de Filipe, o Árabe, de suspender os subsídios anuais aos Godos provocou uma invasão em massa, e a ineficácia do governo central em lidar com os Carpos e Godos levou as tropas de Mésia Superior a aclamarem Pacaciano como imperador para garantir a proteção local.
A notícia de sua revolta chegou a Roma simultaneamente à de Jotapiano na Síria, o que gerou pânico na corte imperial. Segundo o relato de Zósimo, Filipe ficou tão perturbado que ofereceu sua renúncia perante o Senado Romano. Foi o senador Décio quem interveio, assegurando ao imperador que tais usurpações eram efêmeras e prevendo que Pacaciano seria brevemente morto por seus próprios soldados, uma vez que não possuía as qualificações necessárias para sustentar o cargo.
Governo e Economia Durante seu breve reinado, Pacaciano estabeleceu uma casa da moeda em Viminácio. Ao contrário do padrão da época, essa oficina teria produzido apenas moedas imperiais de prata para o pagamento das tropas, ignorando a cunhagem provincial de bronze comum naquela região.
Sua titulatura nas moedas — IMP TI CL MAR PACATIANVS P F INVICTVS — destaca o uso dos epítetos Pius e Felix (Piedoso e Feliz) e Invictus (Invicto), reforçando sua pretensão de sucesso militar absoluto contra os invasores bárbaros em contraste com o "fracasso" diplomático de Filipe.
O tipo monetário mais célebre de seu governo traz a legenda ROMAE AETERNAE ANNO MILL ET PRIMO ("À Roma Eterna, no seu ano mil e um"). Esta inscrição representa uma disputa direta pela legitimidade simbólica da "Nova Era" (saeculum nouum). Enquanto Filipe celebrava o ano 1000 em Roma com os Jogos Seculares, Pacaciano proclamava o início do ciclo seguinte, baseado na tradicional datação de Varrão a respeito da fundação da cidade de Roma (em 753 a.C.), apresentando-se como o verdadeiro restaurador e o líder do futuro de Roma.
Queda e Morte A profecia atribuída a Décio provou-se correta em pouco tempo. Por volta do final de 248 ou início de 249, Pacaciano foi assassinado por seus próprios soldados em Viminácio. A instabilidade gerada por sua morte e a deserção de soldados para os Godos forçaram Filipe a enviar o próprio Décio ao Danúbio para restaurar a ordem. Após cumprir a missão, Décio acabou sendo aclamado imperador pelas mesmas tropas que anteriormente haviam apoiado Pacaciano, resultando, em setembro de 249, na queda definitiva de Filipe e de sua família.
Ligações externas
Categoria:Usurpadores romanos Categoria:Romanos antigos do século III Categoria:Mésia Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Claudii Categoria:Governadores romanos da Mésia Inferior