Conhecido pela sigla IPRAM, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos é uma associação civil sem fins lucrativos brasileira, de natureza privada, dedicada ao atendimento veterinário de animais marinhos resgatados em estado de debilidade no Estado do Espírito Santo, especialmente no caso de pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus). Recebeu o título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), além de ser classificada como Entidade de Utilidade Pública pelo Governo do Estado do Espírito Santo (Lei 11.284 de 10/05/2021) e pelo município de Vitória (Lei 8.677 de 20/05/2014).
Desde o ano de 2021 o IPRAM faz parte do Nota Premiada Capixaba, um programa de cidadania fiscal do Governo do Estado do Espírito Santo, executado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), que premia consumidores em dinheiro e ajuda instituições sociais. miniaturadaimagem|Sede do IPRAM em Vila Velha/ES
O que o IPRAM faz
O instituto dispõe de uma extensa lista de artigos científicos, livros, capítulos de livros ou resumos científicos publicados em eventos, além de contribuir com trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado.
Desde 2023 recebe aves carnívoras (rapinantes e necrófagas) e piscívoras (aves aquáticas em geral) para quarentena e eventual notificação ao Ministério da Agricultura, atuando na vigilância da Gripe Aviária em conjunto com o poder público.
No âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras nas bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), realiza o monitoramento de praias nos municípios de Conceição da Barra, Aracruz, Fundão e Serra; registrando a atividade reprodutiva de tartarugas marinhas e resgatando animais marinhos encalhados vivos ou mortos, que são encaminhados para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Norte-Capixaba (CRD-NC), localizado em Guriri, São Mateus/ES, ou para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Centro-Capixaba (CRD-CC), localizado em Praia dos Recifes, Vila Velha/ES.
Para plataformas de petróleo, usinas siderúrgicas e portos capixabas, o IPRAM é responsável por implementar ações de resposta a fauna em emergências ambientais como derramamentos de óleo, além de realizar o resgate de fauna silvestre em casos pontuais de interação com as atividades industriais.
O IPRAM também realiza palestras, treinamentos para capacitação e exposições didáticas de sensibilização ambiental.
Desde 2012 o IPRAM atuava dentro do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) atendendo além de animais marinhos, um amplo espectro de animais silvestres resgatados pelo poder público, tais como felídeos, canídeos, capivaras, cervídeos, aves de rapina e aves sob a posse ilegal de cidadãos, por exemplo. Entretanto, essa atividade foi descontinuada no primeiro semestre de 2024.
Atuação do IPRAM
No ano de 2010 quase 200 pinguins encalharam na costa do Espírito Santo. Um grupo de estudantes de ciências biológicas e medicina veterinária, já habituados a atuarem como voluntários desde 2008 no atendimento emergencial e improvisado a essas aves se organizou para fundar o IPRAM no dia 26 de outubro com o objetivo de profissionalizar e otimizar a resposta emergencial àquele evento e aos próximos. Logo após sua fundação, conseguiu-se articular a soltura daqueles pinguins de 2010 no Estado de São Paulo e arrecadar recursos para a temporada seguinte. Além disso, o IPRAM começou a prestar apoio ao órgãos governamentais no cuidado a outras espécies de aves marinhas.
Em 2011 pela primeira vez no Espírito Santo se anteciparam os preparativos logísticos para atender à temporada dos pinguins, que registrou indivíduos contaminados por óleo. O IPRAM recebeu 45 pinguins, sendo alguns originários do Rio de Janeiro. Entretanto, dessa vez já havia uma estrutura à espera dos animais, e pela primeira vez, as solturas foram realizadas no estado do Espírito Santo. Logo após a soltura dos pinguins, surgiu a preocupação de que o vazamento de óleo do Campo de Frade estivesse na rota dos animais. Ao fim da temporada, a Diretora Executiva do IPRAM, Renata Bhering, solicitou à sociedade apoio ao trabalho do IPRAM, que necessitava de um local permanente para a reabilitação dos pinguins.
No primeiro semestre de 2012 um processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) exigiu que uma empresa reforçasse a estrutura de reabilitação e soltura dos pinguins-de-magalhães. Para isso, o IPRAM recuperou e utilizou um edifício abandonado dentro do IEMA. Após o registro recorde de pinguins atendidos em terras capixabas, foi possível reabilitar e soltar mais de 150 pinguins originários de encalhes no Espírito Santo, Rio de Janeiro e da Bahia, tornando o IPRAM uma referência regional neste tipo de atividade. O International Fund for Animal Welfare (IFAW) enviou representantes para ajudar no atendimento dos pinguins durante uma semana do mês de setembro. Graças à marcação dos animais com anilha metálica, um dos pinguins soltos pôde ser identificado no Uruguai menos de dois meses após a soltura, fornecendo uma informação valiosa para os pesquisadores.
Em 2013 o edifício do IEMA utilizado pelo IPRAM recebeu nova reforma e foi apresentado à sociedade como o primeiro Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do Espírito Santo. O IPRAM reabilitou e soltou pinguins provenientes de encalhes no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Alagoas e também recebeu outras aves marinhas voadoras. No fim do ano o IPRAM descobriu casualmente a atividade reprodutiva de uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) no litoral urbano de Vila Velha, acionando o Projeto TAMAR para que proporcionasse medidas de proteção ao animal. Nesse ano o IPRAM começou a receber também outras espécies de aves oriundas dos PMAVEs (Projeto de Monitoramento de Impactos de Plataformas e Embarcações sobre a Avifauna) de empreendimentos diversos relacionados a prospecção sísmica e exploração e produção de petróleo. O IPRAM participou, ainda, do 1º Seminário Internacional de Proteção à Fauna em caso de vazamento de óleo, no Rio de Janeiro, e das oficinas técnicas de Reabilitação de Fauna Oleada que ocorreram em seguida, voltadas à Proteção de Aves Costeiras e Marinhas em caso de vazamento de óleo.
No ano de 2014 o instituto iniciou a prestação de serviço a instalações portuárias do Espírito Santo visando cumprir a Resolução CONAMA Nº 398/2008 quanto ao atendimento a fauna em caso de vazamentos de hidrocarbonetos. Desde então, o IPRAM vem mantendo-se de prontidão para as empresas portuárias locais para realizar o atendimento a fauna em emergências ambientais com derramamento de substâncias oleosas. Participou, ainda, da oficina técnica para elaboração do Plano de Emergência para pinguins-de-Magalhães impactados por óleo, no Rio de Janeiro. Nesse ano, não foram registrados pinguins encalhando no litoral do Espírito Santo, mas o IPRAM realizou o atendimento de vários outros animais selvagens provenientes de demandas governamentais ou privadas. Nos meses de julho e setembro foi realizado o monitoramento de um elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) no município de Vila Velha.
Em 2015 contribuiu para a investigação da causa da morte em massa de arraias-ticonha (Rhinoptera sp.) na praia de Camburi, em Vitória (ES). No final do ano, o IPRAM foi acionado para atender a emergência ambiental proveniente do desastre na barragem de Fundão e a consequente contaminação do Rio Doce por rejeitos de mineração. O IPRAM coordenou e executou as atividades de resgate de fauna na porção capixaba do Rio Doce (aproximadamente 144 km de curso d’água em 72 pontos de busca ativa diária) entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016, chegando a 30 pessoas envolvidas diretamente no resgate de fauna. Além disso, o IPRAM administrou a relocação da ictiofauna local para tanques de piscicultura. Em dezembro, na praia de Itaparica, em Vila Velha, o IPRAM auxiliou no salvamento de filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) que emergiram de um ninho e se deslocaram em direção à pista, desorientados pela iluminação artificial.
A partir de 2016 o IPRAM foi integrado ao PMP-BC/ES como estrutura terceirizada para atendimento veterinário e realização de necropsias, recebendo centenas de tartarugas-marinhas vivas e mortas, centenas de aves marinhas e prestando atendimento veterinário a cetáceos encalhados vivos, por um breve período. Em agosto o IPRAM realizou uma palestra sobre o atendimento veterinário de tartarugas marinhas na 5ª reunião da Rede de Conservação de Tartarugas Marinhas do Nordeste (Retamane).
No início do ano de 2017 o elefante-marinho apelidado de “Fred” pela população (que visitava o litoral capixaba desde o ano de 2012) foi encontrado em condição crítica de saúde. Atuando em colaboração com autoridades governamentais e outras organizações locais, o IPRAM participou da captura, tratamento médico veterinário, reabilitação e devolução à natureza deste animal, sob intensa cobertura pela mídia, dada a visibilidade e popularidade deste animal. Todo o trabalho foi coordenado por Luciano Wagner Dórea Reis, diretor do Instituto Mamíferos Aquáticos (BA), que viria a se tornar associado do IPRAM nos anos seguintes. O elefante-marinho “Fred” foi reabilitado e solto com um transmissor para acompanhamento via satélite, um acontecimento inédito para esse táxon no Brasil. Além disso, o IPRAM contribuiu com a consulta pública do Manual de Boas Práticas do Plano Nacional de Ação de Emergência para Fauna Impactada por Óleo (PAE-Fauna) ao enviar sugestões para o Ibama que constam no Parecer Técnico nº 9/2018-COPROD/CGMAC/DILIC.
Em 2018 o IPRAM manteve o recebimento de animais marinhos resgatados pelo PMP-BC/ES, observando também o aumento da demanda relacionada à fauna sinantrópica/silvestre continental. O número de animais atendidos neste ano apresentou uma ascensão drástica, cinco vezes maior em relação aos anos anteriores. Este aumento abrupto no número de animais atendidos demandou uma profunda reestruturação do IPRAM, com a ampliação da equipe e a otimização dos procedimentos e processos administrativos e de gestão. Uma materia destacou o impacto dos resíduos sólidos à saúde das tartarugas marinhas atendidas pelo IPRAM, sendo detectados em 25% dos animais necropsiados. No segundo semestre o IPRAM capacitou dezenas de colaboradores da Transpetro lotados em várias unidades nas ações iniciais de resposta a fauna em caso de vazamento de óleo.
No ano de 2019 o IPRAM participou de exercícios simulados em derramamento de óleo e contribuiu com o poder público na resposta à emergência com o óleo de origem desconhecida que contaminou o litoral do Nordeste, que atingiu também de forma mais branda o Espírito Santo. Além da participação na gestão da resposta a nível regional, o IPRAM foi responsável pelo atendimento de aves oleadas resgatadas no sul da Bahia (Arquipélago de Abrolhos) e no Espírito Santo. Em Alagoas, juntamente com representantes do Projeto Cetáceos da Costa Branca e do CEMAM, o médico veterinário do IPRAM Leandro Egert ajudou a instalar uma infraestrutura de despetrolização de animais fornecida pela Petrobras na sede do Instituto Biota de Conservação. Nesse cenário, o IPRAM contribuiu com a orientação técnica do IBAMA sobre o transporte de fauna afetada por óleo. e elabou um próprio documento com orientações para primeiros socorros a animais contaminados por óleo. Ainda nesse ano, o IPRAM realizou uma apresentação na Frente Parlamentar de Fiscalização de Obras de Coleta e Tratamento de Esgoto na Grande Vitória sobre os impactos que os resíduos sólidos causam na vida dos animais e da sociedade e participou dos workshops de elaboração da Lista da fauna e flora ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo.