Mato Grosso do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Localiza-se no sul da Região Centro-Oeste. É dividido em 79 municípios e ocupa uma área de , com tamanho comparável à Alemanha. Com uma população de habitantes em 2022, Mato Grosso do Sul é o 21º estado mais populoso do Brasil. Sua capital e município mais populoso é Campo Grande. Outros municípios com população superior a cem mil habitantes são Dourados, Três Lagoas e Corumbá.

O desejo de desmembrar a porção sul de Mato Grosso se iniciou nas primeiras décadas do século XX, com uma revolta sob a liderança do coronel João da Silva Barbosa, que fora reprimida. O norte sempre teve resistência, por ter medo de que o estado se esvaziasse economicamente. Por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, efetivou-se a adesão do sul ao movimento, sob a condição de que se fosse vitorioso seria dividido o antigo estado. No dia 11 de outubro de 1977, finalmente concretizou-se o desmembramento de Mato Grosso do Sul, quando o presidente Ernesto Geisel sancionou a lei complementar que elevou a área à categoria de estado em 1º de janeiro de 1979, sendo Harry Amorim Costa o primeiro governador empossado, além da Assembleia Constituinte. O acontecimento das primeiras eleições deu-se apenas em 1982. Como justificativa de desmembrar o novo estado, foi argumentado pelo governo federal que a grande extensão da área do antigo estado tornava-o difícil de administrar, além da apresentação dos verdadeiros ambientes naturais diferenciados.

O município de Bonito se destaca como um polo turístico nacional, enquanto o estado tem como bebida típica o tereré, que é o seu patrimônio imaterial, sendo Mato Grosso do Sul também o estado-símbolo dessa bebida e maior produtor de erva-mate da Região Centro-Oeste do Brasil. O uso desta bebida, derivada da erva-mate (Ilex paraguariensis), nativa do Planalto Meridional do Brasil, é de origem pré-colombiana. O Aquífero Guarani compõe parte do subsolo do estado,Portal Uniágua: sendo Mato Grosso do Sul detentor da maior porcentagem do aquífero dentro do território brasileiro. A extremidade ocidental do estado é coberta pelo Pantanal; o noroeste cobre as planícies; e o leste cobre os planaltos com as serras escarpadas da Bodoquena.

Etimologia e linguística O termo "Mato Grosso do Sul" deriva do nome do vizinho "Mato Grosso", estado do qual aquele foi desmembrado quando de sua criação. Já a origem do termo "Mato Grosso" é incerta, acreditando-se que venha de um nome indígena usado para designar parte da região - a palavra guarani kaaguazú (kaa, "bosque", "mata" e guazú, "grande", "volumoso"), que significaria, aproximadamente, "Mato Grosso".

Assim como o vizinho estado de Mato Grosso, o uso oficial, localmente, rejeita sempre o artigo definido junto ao nome do estado: diz-se "governo de Mato Grosso do Sul", "governador de Mato Grosso do Sul", "constituição do estado de Mato Grosso do Sul", "em Mato Grosso do Sul".

História

Primeiros tempos Os primeiros humanos chegaram ao que é hoje o território sul-mato-grossense entre 10 mil e 15 mil anos atrás e, ao longo dos milênios, deram origem aos povos indígenas encontrados pelos europeus na região, como os guaranis, terenas, xavantes e caiapós.

Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), o atual estado pertencia à Espanha.

O primeiro europeu a alcançar o território do estado, em 1524, foi o português Aleixo Garcia, náufrago da expedição de Juan Díaz de Solis anos antes. Partindo da atual Santa Catarina, Garcia alcançou a Serra de Maracaju e chegou a Assunção, buscando as jazidas de ouro do Peru.

Nas primeiras décadas do século XVII, para a catequese e proteção dos indígenas, os jesuítas espanhóis fundaram missões jesuíticas em Itatins, como era conhecida a região. No entanto, as expedições dos bandeirantes, vindas de São Paulo, destruíram as reduções e capturaram como escravizados milhares de ameríndios. Em 1632, a expedição de Raposo Tavares destruiu a missão de Santiago de Xerez.

Com a descoberta de jazidas de ouro em Cuiabá, em 1718, formaram-se expedições fluviais conhecidas como monções, ligando a vila de Araritaguaba à atual capital mato-grossense, passando pelo atual estado de Mato Grosso do Sul. Foi devido a essas expedições que os primeiros não-indígenas se fixaram no atual território estadual, que eram paulistas.

Em 1719, os irmãos Leme da Silva, por acidente, desviam-se da rota convencional das monções e se fixam em um local no trajeto, onde criam a Fazenda Camapuã, onde surgiu o povoado embrião da atual Camapuã.

Muitas das primeiras povoações do estado surgiram como fortalezas e presídios localizadas nas rotas das monções, como Coimbra (1775), Ladário (1778) e Miranda (1797).

Em 1864, o ditador paraguaio Francisco Solano López invadiu o então sul de Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul), dando início à Guerra do Paraguai (1864-70).

Pós-Guerra do Paraguai e antes da emancipação thumb|esquerda|Palácio Maracaju, sede do Estado de Maracaju, localizado em Campo Grande thumb|esquerda|Localização do Território Federal de Ponta Porã

Nas décadas após a Guerra do Paraguai, o atual Mato Grosso do Sul recebeu ondas migratórias vindas do Sul e Sudeste do Brasil, atraídas pelas terras férteis, criação de gado e o cultivo de erva-mate, que ampliaram o povoamento do estado. Alguns imigrantes europeus, sobretudo italianos e espanhóis, também se fixaram no estado.

Novas cidades surgiram nas das antigas fortalezas da guerra, como Dourados e Coxim, além de Campo Grande, fundada por mineiros logo após o fim do conflito.

A primeira tentativa conhecida de separar o sul de Mato Grosso do restante do estado, criando assim um novo estado, é data de 1892 e foi uma iniciativa de alguns revolucionários, cuja liderança era a do Coronel João da Silva Barbosa.

No início do século XX, a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil rompeu o isolamento do sul de Mato Grosso, ligando Corumbá ao litoral de São Paulo e isso alavancou o desenvolvimento da região. Além disso, o sul mato-grossense sentia-se mais próximo a São Paulo do que a Cuiabá, favorecendo o separatismo.

Em 1932, com a Revolução Constitucionalista em São Paulo, foi criado, por rebeldes apoiadores da causa paulista, o Estado de Maracaju, cujas terras abrangiam o atual estado de Mato Grosso do Sul, e Vespasiano Martins foi nomeado governador. Com o fim da Revolução, Maracaju foi dissolvido e reincorporado a Mato Grosso.

Após o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial, em 1943, o então presidente Getúlio Vargas ordenou a criação de territórios federais em regiões estratégicas de fronteira, como o de Ponta Porã, que existiu até 1946, quando voltou a pertencer a Mato Grosso.

Emancipação política A ideia de desmembrar o antigo sul de Mato Grosso contornou definitivamente o atual estado em 1975, com a tese Divisão político-administrativa de Mato Grosso, que a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) publicou, cujos dados basearam a campanha intensificada pelo desmembramento. O presidente Ernesto Geisel comunicou que o governo federal decidiu sobre o assunto durante uma reunião com o então governador de Mato Grosso, José Garcia Neto, em 4 de maio de 1977. Conforme o primeiro projeto de lei, o novo estado seria chamado de "Campo Grande". Quando o Congresso Nacional aprovou a lei e o presidente do Brasil sancionou, em 11 de outubro do mesmo ano, o nome do estado foi mudado para "Mato Grosso do Sul" e foi decidido que a capital do novo estado seria Campo Grande.

A emancipação do sul de Mato Grosso em um novo estado se deve a dois fatores: o grande território de Mato Grosso, que o impedia de ser governado eficazmente, e fatores geográficos e sociais, com o então sul do estado com uma vegetação de campos, melhor distribuição fundiária, agricultura mais intensiva e maior densidade demográfica, e o norte mato-grossense dominado pela Amazônia, com o predomínio do latifúndio e da agricultura extensiva.

Novo estado miniaturadaimagem|Vista de Campo Grande, 1974. Arquivo Nacional

A afirmação dada pela lei que constituiu Mato Grosso do Sul nos quatro primeiros anos em que passou a existir, desde 1º de janeiro de 1979, foi a de que o presidente do Brasil nomeou um interventor que governaria o novo estado. Naquela data o presidente Ernesto Geisel investiu no cargo, em Brasília, o profissional da engenharia Harry Amorim Costa. Durante aquela ocasião, foi acentuado pelo presidente Ernesto Geisel que o fato de ser criado Mato Grosso do Sul teve como significado "o reconhecimento de uma realidade econômica e social" e foi destacado no novo estado — então a 23ª unidade da federação brasileira — a "extraordinária vocação para o desenvolvimento agropecuário e agroindustrial", devido acima de tudo dos solos férteis da região de Dourados e do grande potencial que o cerrado tem da agricultura.

Cortando o mandato do primeiro governador pelo primeiro ano, Marcelo Miranda Soares substituiu Harry Amorim. Quem demitiu Marcelo Miranda, por sua vez, já em 1980 foi o presidente do Brasil João Baptista Figueiredo e quem substituiu foi Pedro Pedrossian, "de modo a promover maior entrosamento e unidade política no estado, com vistas às eleições de 1982". Contudo, nem o fato de substituir nem as verbas que o governo liberou em 1981 foi a garantia de que o governo fosse vitorioso nas eleições de 1982. Foi eleito governador Wilson Barbosa Martins, ex-deputado federal cassado.

O governo de Wilson Martins enfatizou a industrialização, perante o fato de instituir os incentivos—um dos quais tem consistido na fixação de um prazo de três anos de carência para recolher o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICM) do estabelecimento das empresas industriais no estado até 1989. Também foi atacado pelo novo governo que o meio ambiente fosse ameaçado, quando teve o apoio em 1984 da Operação Pantanal 2, que a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema) organizou, com as forças armadas e as polícias civil e militar ajudando. O destino da operação era a repreensão dos "coureiros" que praticavam a caça ilegal no pantanal. Foi pronunciado por Martins que ele foi contrário ao fato de instalar mais seis destilarias de álcool na bacia hidrográfica do rio Paraguai: considerava o projeto como ameaçador do meio ambiente, pois foi previsto pelo então governador da época que fossem despejados de 15 milhões de litros de vinhoto diariamente nos rios.

Nos anos 1980 foi procurado pelo governo estadual que ele mesmo voltasse a discutir sobre os problemas sociais, inclusive setores infraestruturais como a educação e a saúde. O governo instalou a primeira companhia da Polícia Florestal, que tem a incumbência de promover a redução das ações da predação humana no Pantanal, área que empresas pesqueiras e caçadores depredaram. Também foi implantado o Grupo de Operações de Fronteira (GOF) para a repressão do tráfico de drogas, o fato de contrabandear e a caçar ilegalmente animais silvestres nos 400 km de fronteiras com a Bolívia e o Paraguai.

A par de desenvolver o turismo ecológico, que o Pantanal propiciou, nos anos 1990 têm crescido as perspectivas de desenvolver a economia, acima de tudo com o fato de decidir a conclusão das obras da Ferronorte, que dará permissão ao transporte ferroviário da produção agrícola em direção ao porto de Santos, no estado de São Paulo. Em 1997 o governo privatizou a Empresa Energética do Estado de Mato Grosso do Sul.

Século XXI thumb|esquerda|Campo Grande, capital e principal centro econômico do estado

Nos anos de 2005 e 2006, o fato de descobrir focos de febre aftosa no estado tem levado aproximadamente 50 países à restrição ou à proibição de comprar carne bovina no Brasil. Foi confirmado pela União Europeia (UE) que fosse restringida a carne de Mato Grosso do Sul em setembro de 2007. Essa medida foi revogada em outubro de 2008.