Podemos é um partido político espanhol fundado em 2014. Tem como secretária-geral a ministra dos Direitos Sociais Ione Belarra.
O partido participou nas eleições europeias de 2014, quatro meses depois da sua formação e obteve cinco cadeiras (de um total de 54), com 7,98% dos votos, sendo a quarta candidatura mais votada em Espanha.
Em menos de uma semana tornou-se o partido político espanhol mais seguido nas redes sociais, superando os partidos tradicionais, notadamente o PP (de direita) e o PSOE (de centro-esquerda), surpreendendo o establishment político espanhol.
História
Criação A origem de Podemos encontra-se no manifesto Mover ficha: convertir la indignación en cambio político, apresentado no fim de semana de 12-13 de janeiro de 2014 e difundido pela publicação digital Público, que firmavam uma trintena de intelectuais, personalidades da cultura, do jornalismo e do activismo social e político, entre os que se encontravam Juan Carlos Monedero, professor de Ciência Política na Universidad Complutense de Madrid (UCM); o actor Alberto San Juan; Jaime Pastor, professor de Ciências Políticas na UNED; o escritor e filósofo Santiago Alba Rico; o sindicalista da Corriente Sindical de Izquierda Cándido González Carnero; ou Bibiana Medialdea, professora de Economia Aplicada na UCM. Neste manifesto expressava-se a necessidade de criar una candidatura que concorresse às eleições europeias de maio de esse ano, com o objectivo de opor-se, com uma posição de esquerda, às políticas da União Europeia para a crise económica. Ainda que não fosse um dos signatários do manifesto, em 14 de janeiro, anunciou-se que o professor de Ciência Política da UCM e analista político televisivo Pablo Iglesias encabeçaria o movimento.Até onde Podemos? . Por Fabio Mascaro Querido. Carta Maior, 5 de dezembro de 2014. O incipiente movimento estava articulado pelo partido Izquierda Anticapitalista, o qual havia esboçado na sua documentação interna o manifesto Mover ficha, desenhado as fases para o lançamento do novo movimento e adiantado como factor determinante para o êxito da iniciativa «a presença de uma serie de personalidades com projecção mediática como cara pública do projeto». Entre os pontos programáticos ressaltados por Iglesias encontravam-se a derrogação do artigo 135 da Constituição (que havia sido reformado em setembro de 2011 por iniciativa do presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero e com o apoio do PSOE e do PP); aplicação plena do artigo 128 da Constituição ("Toda a riqueza do país nas suas distintas formas e seja qual for a sua titularidade está subordinada ao interesse geral"), já que, segundo Iglesias, não se estava a cumprir; manter o carácter público da educação e da saúde; subida de salários e reindustrialização; criação de um parque de habitação social e aplicação retroactiva da dação em cumprimento; e oposição a uma reforma restritiva da lei do aborto. Também reclamavam a derrogação das leis sobre estrangeiros, a saída de Espanha da OTAN e pronunciavam-se a favor de que a Catalunha decida sobre a sua independência. Mas, no mês de março de 2015 Podemos renúncia reconhecer a independência do Kosovo no parlamento europeu. El Parlament Europeu torna a exigir que Espanya reconegui Kossove. Vilaweb, 11 de março de 2015.
O movimento Podemos apresentou-se oficialmente em 16 de janeiro de 2014 no Teatro de Barrio, no bairro de Lavapiés de Madrid. Deu-se uma conferência de imprensa à qual compareceram centenas de pessoas e em que intervieram, entre outros, Pablo Iglesias, Juan Carlos Monedero, a sindicalista da USTEA, ativista da Marea Verde e militante da Izquierda Anticapitalista, Teresa Rodríguez, a psiquiatra e membro da Marea Blanca, Ana Castaño, o analista e pesquisador Íñigo Errejón e o ativista social Miguel Urbán, militante e cabeça de lista de Izquierda Anticapitalista por Madrid, nas eleições gerais de 2011. O seu objetivo fundamental era opor-se aos cortes nos gastos sociais que estavam sendo levados a cabo como consequência da crise económica que atravessava o país.
Para seguir adiante com o projeto e apresentar-se às eleições europeias de maio de esse ano, os impulsionadores impuseram três condições: que recebessem o apoio de pelo menos 50 000 pessoas na web da formação; que tanto as candidaturas como o programa político do projecto se realizassem mediante participação aberta; e que se buscasse a unidade com outros partidos e movimentos de esquerda, como Izquierda Unida, a CUP, Partido X, o Sindicato Andaluz de Trabajadores (SAT), Anova ou as mareas ciudadanas. Os promotores do projeto declararam ter obtido as assinaturas em menos de 24 horas.
Eleições para o Parlamento Europeu de 2014 thumb|Resultados do Podemos por Comunidades Autónomas Podemos converteu-se na quarta força política por número de votos (7,98 %) ao obter cinco cadeiras nas eleições para o parlamento europeu. Podemos foi para vários meios de comunicação social «a surpresa» das eleições.
Obteve os seus melhores resultados, acima de 10%, em Astúrias, Madrid, Canárias e Baleares e foi a terceira força mais votada em cinco comunidades autónomas, entre elas Madrid. Obteve um número significativo de sufrágios em toda Espanha, com os piores resultados em Catalunha (ainda que tivesse superado os 5% de votos em Barcelona) e em Extremadura. Obteve mais sufrágios que Compromís na Comunidade Valenciana e que o BNG na Galiza).
Auge subsequente Após passar a ser a quarta força política mais votada nas eleições europeias, começaram a publicar-se notícias relacionadas com o seu crescimento.
O hashtag Pablo Iglesias foi trending topic número 1 na rede social Twitter no dia depois das eleições e o porta-voz da formação apareceu nas capas de alguns dos principais periódicos espanhóis. Desde antes das eleições, já era a primeira força política nas redes sociais, mas passou de 100 000 a 600 000 apoios no Facebook entre maio e julho de 2014.
A sondagem trimestral do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) realizado sobre julho de 2014 (2 meses depois das eleições) indicava o Podemos como a segunda força política em intenção directa de devoto, superando o PSOE, mas ficando a 0,9 pontos do PP. Nos finais de julho, Podemos, começou a permitir a inscrição de indivíduos como membros do partido, com 32 000 pessoas registrando-se como membros nas primeiras 48 horas, através do sítio do Podemos na web, de forma gratuita e sem pagar qualquer quota periódica. Passados 20 dias, Podemos já contava com quase 100 000 inscritos, convertendo-o no terceiro partido espanhol em número de membros, à frente de IU, UPyD, CiU e o PNV.
Em agosto de 2014, Podemos já reunia 442 000 apoios mais, no Facebook, que a soma de todos os "gosto" do resto dos partidos, alcançando os 708 763, com mais de 2,6 milhões de visualizações de vídeos no seu canal de YouTube. A sondagem de Metroscopia correspondente a esse mês deu 10,7% de intenção de voto ao Podemos.
Em setembro de 2014, a entrevista de Pablo Iglesias em Viajando con Chester teve quase 3 milhões de espectadores sendo o programa mais visto na sua franja de emissão com 14,5% de quota de mercado. thumb|495x495px|Gráfico de sondagens sobre a intenção de voto. A linha morada representa o Podemos, a azul o PP e a vermelha o PSOE.
Em outubro de 2014, o barómetro de Metroscopia deu 13,8% de intenção directa de voto, superando o Partido Popular. A aparição de Pablo Iglesias em La Sexta Noche (na que foi entrevistado) elevou a audiência do programa aos 16,2%, sendo o seu máximo histórico. Nos últimos dias de outubro, Podemos já contava com mais de 200 000 membros.
Em novembro de 2014 publicaram-se duas sondagens correspondentes ao mês anterior que situaram o Podemos como a primeira força política de Espanha em intenção directa de voto. A de Metroscopia de 2 de novembro deu ao Podemos 22% da intenção directa de voto, comparando com os 13,1% do PSOE e os 10,4% do PP, enquanto que três dias depois o barómetro do CIS deu ao Podemos 17,6% ao PSOE 14,3% e ao PP 11,7%. Ambas sondagens diferiram, sem embargo, na sua estimação do voto: Na de Metroscopia Podemos apareceu como vencedor no caso de umas eleições gerais em Espanha com 27,7% dos votos em comparação aos 26,2% do PSOE e 20,7% do PP, enquanto que a do CIS quedava na terceira posição com 22,5%, atrás do PP com 27,5% e o PSOE com 23,9%.
Primeira Assembleia Cidadã (outubro de 2014)
Os princípios políticos e a estrutura organizativa do partido ficaram fixados na assembleia constituinte "Sí se puede" aberta em Madrid nos dias 18 e 19 de outubro de 2014. Da sua preparação encarregou-se uma equipa de 25 pessoas, eleita em votação telemática nos dias 12 e 13 de junho. Às eleições concorreram duas listas, uma encabeçada por Pablo Iglesias e outra promovida pelo círculo de Enfermaria. O procedimento e os prazos foram, sem embargo, objeto de discussão dentro da organização. Em um encontro de círculos Podemos celebrado em Madrid em 8 de junho expressaram-se críticas tanto pelo facto de que as candidaturas fossem fechadas como pelo prazo proposto, que impediria a elaboração de listas alternativas. O processo eleitoral, no qual votaram, segundo os organizadores, umas 55 000 pessoas, deu como vencedora à lista encabeçada por Pablo Iglesias, com uns 86,8% dos votos.
Os documentos ético, político e organizativo propostos pelo círculo «Claro que Podemos», que incluía a Luis Alegre, Carolina Bescansa, Íñigo Errejón, Pablo Iglesias e Juan Carlos Monedero obteve, após uma recontagem, a maioria de votos (uns 80,71%) na assembleia, celebrada nos dias 18 e 19 de outubro de 2014, superando assim a questão organizativa do documento do círculo «Sumando Podemos» (12,37% dos votos) que incluía a membros como Pablo Echenique, Teresa Rodríguez e Lola Sánchez.
A Segunda Assembleia Cidadã, informalmente denominada Vistalegre II realizou-se em fevereiro de 2017. De 4 a 11 de fevereiro, os membros do partido votaram nas propostas estratégicas do partido, bem como na nova composição da liderança. Embora a candidatura à reeleição de Pablo Iglesias como Secretário-Geral não tenha sido contestada, houve um grande interesse dos media na assembleia por causa de um forte debate interno entre Iglesias e seu Secretário Político, Íñigo Errejón, sobre a estratégia do partido e as principais linhas de ação para os anos seguintes.
A Terceira Assembleia Cidadã, denominada Vistalegre III, irá ocorrer em março de 2020, em Madrid.
Rumo às eleições gerais Após a decisão da Assembleia Cidadã de não se apresentarem com o nome Podemos nas eleições municipais de maio de 2015 — senão mediante a inclusão dos seus círculos locais em plataformas cidadãs e agrupações de eleitores — o partido concentrou-se sobretudo em tentar ganhar as eleições gerais nos finais de 2015.
Também reduziram a presença nos meios de comunicação dos seus líderes mais reconhecidos, como Errejón ou Iglesias, até então habituais de programas televisivos, para evitar a sua sobreexposição. Têm chamado a atenção, sem embargo, com a apresentação, em 27 de novembro, do seu programa económico e a convocatória no dia 1 de dezembro de uma mobilização em Madrid para princípios de 2015.
Posição no espectro político e rasgos ideológicos O Podemos situa-se no espectro político da esquerda. No seu sítio na rede social Facebook, define-se como
«uma ferramenta a serviço da cidadania, que tem o objetivo do protagonismo popular e de recuperar o deficit democrático que estamos vivendo. E assim o temos demonstrado, criando uma estrutura aberta, viva e cambiante, isto é, DEMOCRÁTICA e CIDADÃ onde todo o mundo possa participar.
Una nova forma de fazer política é possível, ¡PODEMOS!»