Miss Penitenciária é como são geralmente denominados os concursos de beleza realizados em presídios de várias partes do Brasil, os quais têm como objetivo promover a ressocialização, o bem-estar e a autoestima das detentas durante o período de reclusão. Até meados de 2014, o concurso já era realizado em metade dos estados brasileiros pelas Secretarias de Segurança Pública regionais.
O mesmo tipo de concurso é também realizado em outros países da América Latina, Ásia e África.
Miss Penitenciária pelo Brasil Ceará Em 2012, uma cearense de vinte anos foi eleita a primeira Miss Penitenciária do sistema prisional estadual do Ceará. Desde então, o evento é realizado anualmente no Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza.
Distrito Federal De acordo com a administração do Presídio Feminino de Brasília, a vencedora desse concurso tem necessariamente o perfil médio da maioria das 560 internas, as quais têm entre 18 e 25 anos. Os crimes mais recorrentes entre as detentas são os relacionados ao tráfico de drogas.
Criterioso, o concurso conta com um corpo de júri que pode incluir políticos, Misses e produtores de moda. A fase preparatória inclui aulas de boas maneiras e passarela, acompanhamento psicológico e advogada para tratar do processo de cada participante. A premiação em dinheiro fica em depósito bancário e só é recebida após a vencedora cumprir toda a pena.
Maranhão Em 2009, ocorreu no Centro de Reeducação e Inclusão Social de Mulheres Apenadas do Maranhão (Crisma) o I Concurso Miss Crisma 2009, promovido pela Secretaria de Estado de Justiça e de Administração Penitenciária (Sejap). Anualmente, o júri do evento é formado por autoridades, empresários locais, além de representantes de grupos culturais da capital.
Antes do concurso, as apenadas recebem aulas de etiqueta, passarela e maquiagem. A primeira colocada de 2012 recebeu uma televisão de plasma, a segunda um aparelho DVD e a terceira um microssystem. Em 2012 havia 134 reeducandas no estado, treze das quais concorreram no evento.
Mato Grosso do Sul O Miss Penitenciária do estado é realizado há onze anos na unidade penal de Campo Grande e nos cinco demais presídios do estado. Como um concurso de Misse convencional, cada unidade prisional escolhe a sua representante, que vai para a disputa estadual.
A produção de beleza (cabelo e maquiagem) é feita por profissionais, enquanto a decoração do presídio para o evento também é trabalho de especialistas, com ajuda das detentas.
Minas Gerais Em 10 de dezembro de 2013 foi realizado o primeiro concurso Miss Penitenciária de Minas Gerais, o qual teve lugar no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte. O júri foi composto de personalidades da sociedade mineira, o que incluiu a Miss Minas Gerais 2013, Janaina Barcelos.
Paraná Em 22 de março de 2013, por iniciativa do Conselho da Comunidade na Execução Penal do Paraná foi eleita a Miss Centro de Reintegração Feminino (Cresf) de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A unidade, que disponibiliza curso profissionalizante (corte e costura) para as detentas, teve essa iniciativa para fomentar a valorização da mulher detenta.
Paraíba Em março de 2014, as detentas do sistema prisional de João Pessoa, Paraíba, realizaram uma etapa eliminatória do primeiro concurso Miss Reeducanda Paraíba. Ao todo, vinte e oito candidatas participaram da etapa na Penitenciária de Recuperação Feminina Maria Júlia Maranhão. O objetivo é aprimorar a interação humana como forma de desenvolvimento da ressocialização. Em março de 2014, a Paraíba contava com 670 reeducandas.
Ao final, com doze participantes classificadas em etapas regionais de vários presídios do estado, a cerimônia contou com a presença de personalidades locais, entre elas a Miss Paraíba 2013, Patrícia dos Anjos, e a primeira-dama do estado, Pâmela Bório.
Pernambuco Em 25 de março de 2011, foi realizado o primeiro Miss Penitenciária do estado, evento que foi organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (Sedsdh), por meio da Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres). Além da premiação para primeiro lugar (mil reais depositados e usufruíveis quando do término da pena), houve premiações para segundo e terceiro lugares, além de «Miss Simpatia».
O sistema penitenciário pernambucano detinha em março de 2011 uma população carcerária feminina de 1.516 mulheres, sob os regimes fechado e semiaberto. As finalistas desse concurso são selecionadas por uma comissão julgadora após a avaliação de critérios como bom comportamento, testes de conhecimento e beleza.
Rio de Janeiro No Rio de Janeiro, por vários anos desde 2004, acontece o concurso Garota Talavera Bruce («Garota TB») no Presídio Feminino Talavera Bruce. O concurso é promovido pela Secretaria de Administração Penitenciária do estado e teve por anos Jorgina de Freitas — condenada por fraudar o INSS em milhões — como uma das organizadoras.
A primeira madrinha do concurso foi a socialite carioca Vera Loyola.
Rondônia Em novembro de 2012, foi realizado pela quinta vez o Miss Penitenciária de Rondônia, o qual teve como objetivo premiar as presas pela beleza, expressão corporal, desenvoltura e simpatia. Estas desfilaram com trajes do tipo esporte (short e camiseta) e vestido de festa. As vencedoras do primeiro ao quinto lugar ganharam cursos profissionalizantes (corte e costura, cabeleireiro etc.), os quais foram ministrados por instituições, como o Senac.
São Paulo Em novembro de 2004, foi realizado na Penitenciária Feminina do Butantã o primeiro concurso de beleza de um presídio de São Paulo, que foi promovido pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e que teve como vencedora uma traficante com pena de pouco mais de quatro anos. A população carcerária feminina do estado nesse ano girava em torno de 3.660 mulheres. Destas, quatrocentas participaram do concurso, mas apenas quarenta foram finalistas das quatro categorias: beleza, simpatia, prosa e poesia.
Nas mais de seis horas de festa houve como atração musical o cantor Fábio Jr, e entre os convidados do corpo de jurados estava o apresentador Raul Gil.
Detentas estrangeiras Não é incomum em concursos de Misse em presídios a eleição de estrangeiras no primeiro lugar. No primeiro concurso do Presídio Feminino Talavera Bruce, no Rio de Janeiro, em 2004, vencedora foi a portuguesa Elizabeth Sardinha, que após a vitória passou a receber treze cartas por dia, algumas até com proposta de casamento.
Em novembro de 2005 uma angolana de 1,79 metro de altura e medidas de modelo foi eleita «Miss Presídio». O concurso, realizado na penitenciária feminina de São Paulo, contou com setecentas reclusas e trezentos convidados, entre os quais muitos jornalistas. O júri foi formado por personalidades da sociedade brasileira, e as candidatas desfilaram de vestido longo, salto-alto e maquiagem, contrastando com a roupa amarela masculinizada que usam obrigatoriamente na prisão. Enquanto o desfile decorria, cerca de vinte detentas evangélicas quase conseguiram abafar o som da música com gritos e rezas, pedindo perdão pelas companheiras «pecadoras», que, segundo elas, exibiam os seus corpos no palco «por submissão ao demônio».
Na versão de 2013 do Miss Penitenciária Ceará, a holandesa Shira Hienkens, de 23 anos, foi a vencedora em uma das categorias.
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