Luís VII (Paris, 1120 – Saint-Pont, ), também chamado de Luís, o Jovem, foi o Rei dos Francos de 1137 até à data da sua morte. Era filho do rei Luís VI e de sua esposa Adelaide de Saboia. Ele casou-se com Leonor da Aquitânia, uma das mais poderosas e ricas mulheres da Europa. Ela trouxe consigo o vasto Ducado da Aquitânia como parte de seu dote, temporariamente estendendo as terras capetianas até aos Pirenéus. Porém, a união foi anulada em 1152 quando nenhum herdeiro foi produzido.

Leonor imediatamente casou-se com Henrique Plantageneta, Conde de Anjou, após a anulação, com quem deu a Aquitânia e teve cinco filhos. Henrique ascendeu ao trono inglês em 1154 e governou um grande império, marcando o início da longa rivalidade entre a França e a Inglaterra.

Durante o reinado de Luís foi fundada a Universidade de Paris e teve a desastrosa Segunda Cruzada. Ele e seu conselheiro Abade Suger tentaram uma maior centralização do poder e eram a favor do desenvolvimento da arquitetura gótica francesa, notavelmente na construção da Catedral de Notre-Dame. Luís morreu em 1180 e foi sucedido por seu único filho homem, Filipe II.

Subida ao trono Luís VII foi o segundo filho do rei Luís VI de França com Adelaide de Saboia, e por isso foi educado para seguir a carreira eclesiástica. Grande parte da sua juventude foi passada em Saint-Denis, onde aprendeu a confiar e a valorizar as opiniões do abade Suger, que seria um bom conselheiro durante os primeiros anos do seu reinado.

Homem educado e excepcionalmente devoto, tornou-se inesperadamente no herdeiro do trono, para a qual tinha menos talento, com a morte acidental do seu irmão Filipe em 13 de outubro de 1131, em consequência de uma queda de cavalo. A 25 de outubro foi sagrado rei e coroado em Reims pelo Papa Inocêncio II. Depois da morte do seu pai foi novamente coroado em Bourges, a 25 de dezembro de 1137 quando ele tinha apenas 17 anos de idade ainda adolescente.

Casamento com Leonor da Aquitânia thumb|left|180px|Gravura representando o contra-selo de Luís VII, o Jovem, enquanto duque da Aquitânia Antes de morrer, Luís VI tinha organizado o casamento do filho com Leonor, a herdeira do ducado da Aquitânia (1122–1204), filha de Guilherme X de Poitiers e de Leonor de Châtellerault. O casamento teve lugar em Bordéus, a 25 de Julho de 1137, com vantagens para ambos os noivos.

Na conflituosa época dos nobres salteadores que assolavam o país, aterrorizando as populações e os domínios vizinhos, Leonor obteve a protecção necessária para o seu ducado. Luís quase que triplicou os domínios da coroa, uma vez que a sua noiva era senhora da Aquitânia, Gasconha, Poitou, Auvérnia, Bordéus, Agen, Saintonge, Limusino, Angoumois e Dordonha – o equivalente a 19 departamentos franceses actuais.

O carácter do rei, devoto, ascético, ingénuo, rude e pouco vigoroso, não combinava com a sua forte, inteligente, refinada e sensual noiva, apesar de durante dez anos parecerem viver sem sérios conflitos. A união, da qual nasceram duas filhas, Maria Capeto e Alice Capeto, estava condenada ao fracasso. É atribuída uma declaração a Leonor: que pensava ter-se casado com um rei, mas descobrira que se casara com um monge.

Aumento da influência da coroa Luís VII afastou a sua mãe da corte mas manteve os conselheiros do pai, dando particular importância ao abade Suger de Saint-Denis. Seguiu a política de Luís VI, continuando a tentar aumentar os domínios da coroa. No ano da sua coroação e do seu casamento, começaram os trabalhos de construção da basílica de Saint-Denis, a partir da igreja já existente no local.

Fez múltiplas concessões às comunas rurais, encorajou a reclamação das terras e favoreceu a emancipação dos servos. Obteve o apoio das cidades ao lhes outorgar forais à burguesia (Étampes, Bourges) e desenvolvendo as dos seus domínios (Reims, Sens, Compiègne, Auxerre). Apoiou por fim a eleição de bispos dedicados ao poder real.

thumb|left|200px|São Bernardo de Claraval representado numa iluminura do século XIII A partir de Maio de 1141, o rei entrou em conflito com o conde Teobaldo II de Champanhe (que é também Teobaldo IV de Blois) e o papa Inocêncio II devido à investidura do bispado de Langres, no qual desejava impor um monge da abadia de Cluny contra o candidato Bernardo de Claraval. Permitiu que Raúl I de Vermandois, senescal de França, repudiasse a sua esposa, sobrinha de Teobaldo II, para casar com Petronilha da Aquitânia, irmã da rainha de França.

Opôs-se novamente ao papa ao tentar impor o seu candidato ao assento de Bourges em 1141 contra Pierre de la Châtre, sustentado por Inocêncio, jurando pelas santas relíquias que enquanto vivesse, Pierre não entraria em Bourges. O papa acabou por excomungar Luís VII e colocar o reino sob interdicto (o equivalente à excomunhão, aplicado a um território). O candidato papal refugiou-se no Condado de Champanhe, que o rei invadiria em dezembro de 1142. Em janeiro de 1143, as suas hostes incendiaram Vitry-en-Perthois, incluindo a sua igreja, na qual se tinham refugiado mais de mil habitantes da vila, que aí pereceram.

Com a culpa deste acto pesando na sua consciência, e humilhado pelo repúdio eclesiástico, Luís admitiu a derrota, removendo o seu exército de Champanhe, devolvendo as terras a Teobaldo, aceitando Pierre de La Châtre e afastando-se de Raúl e Petronilha. Para resolver definitivamente a questão, o Jovem assinou o tratado de Vitry com o conde Teobaldo II no Outono de 1143, aceitando a eleição do candidato papal para levantar o interdicto do reino, e a 22 de abril de 1144 participou da conferência de Saint-Denis para encerrar o conflito entre a Santa Sé e a França. Como parte do acordo, Luís VI aceitou, contra a vontade do abade Suger, participar da Segunda Cruzada, pregada por São Bernardo.

Ao mesmo tempo, o conde Godofredo V de Anjou concluía a conquista da Normandia. Em troca de ser reconhecido duque da Normandia pelo monarca francês, cedeu-lhe metade da Vexin — uma região vital para a segurança Normanda. Considerada uma jogada inteligente de Luís na época, esta acção acabaria por se tornar em mais um passo importante na construção do poder angevino.

Segunda Cruzada thumb|300px|right|Os estados cruzados em 1135

No Natal de 1145 o rei anunciou a sua decisão de partir em Cruzada para defender os estados cristãos da Palestina, ameaçados pelos turcos seljúcidas que invadiram o condado de Edessa em 1144, perpetrando o massacre dos cristãos. Na Páscoa de 1146 tomou a cruz, juntamente com vários barões, na assembleia de Vézelay. O governo do país ficou nas mãos do seu irmão Henrique, arcebispo de Reims, do inevitável abade Suger de Saint-Denis e do seu primo, o senescal Raul I de Vermandois.

thumb|left|200px|Luís VII de França a receber o clero, iluminura de um manuscrito medieval A 11 de junho de 1147, rei e rainha partiram para a Segunda Cruzada, à frente de 300 cavaleiros e de um poderoso exército, seguidos pouco a pouco por dezenas de milhares de peregrinos. Iniciaram a marcha a partir de Metz, passando pelo vale do rio Danúbio, onde se lhes juntaram as forças do imperador Conrado III da Germânia e juntos tencionavam atravessar para a Ásia Menor passando por Constantinopla, onde chegaram a 4 de Outubro.

Ao atravessar o monte Kadmos, em Janeiro do ano seguinte, o rei Luís VII de França e sua gente sofre uma emboscada que apenas foram salvos pela corajosa e experiente presença de Évrard des Barrès, grão-mestre da Ordem do Templo e que, a partir daí, foi-lhe entregue o comando dessa peregrinação armada.

Em março desse ano de 1148 os cruzados chegaram com grandes dificuldades a Antioquia, então nas mãos de Raimundo de Poitiers, tio de Leonor da Aquitânia, que os recebeu com manifestações de respeito e consideração. Este esperava que Luís VII o ajudasse a combater o inimigo que lhe tinha conquistado alguns territórios, mas o monarca só pensava em marchar sobre Jerusalém.

Leonor tentou convencer o esposo a auxiliar o seu tio contra Alepo, mas em vão. Este preferia aconselhar-se com o templário eunuco Thierry de Galeran. Mais tarde, os cronistas da época, indignados com esta mulher, sensual amante do trovadorismo, ter tão forte papel político, e por em diferentes ocasiões opôr-se a ambos os monarcas da França e da Inglaterra, acusariam a rainha de adultério: Guilherme de Tiro chegou mesmo a acusá-la de incesto com o tio.

A expedição foi marcada pela discórdia entre os franceses e os alemães, a inexperiência de o Jovem, que se mostrou indeciso e irresoluto, e os desentendimentos com os bizantinos que, com justificadas reservas contra os cruzados, não lhes deram as ajudas que pretendiam. O rei francês foi derrotado pelos turcos na Ásia menor e teve mais reveses na Síria: à saída de Laodiceia (actual cidade de Lataquia) foram emboscados. Bombardeados por flechas e pedregulhos, viram os turcos descer das montanhas em grandes números e o massacre começou. thumb|300px|Exércitos cruzados diante dos portões de Constantinopla

Luís forçou Leonor a segui-lo, sair de Antioquia e chegar a Jerusalém, onde cumpriria a peregrinação a que se propusera. Em Junho de 1148 tentou tomar Damasco mas foi repelido. Passaram ainda um ano na Terra Santa antes de voltarem separadamente a França, por mar, sob os protestos de Leonor, que ainda pretendia auxiliar Raimundo. Luís chegou a ser aprisionado pelos bizantinos antes de ser libertado pelo normando Rogério II da Sicília. A sua participação na cruzada foi gravemente prejudicial para o seu reino, terminando num completo fracasso a todos os níveis:

Financeiro: a expedição esvaziou consideravelmente o tesouro real; Político: uma vez que o rei não estava presente para governar directamente o reino durante dois anos, perdeu influência sobre os grandes senhores feudais; Militar: a cruzada fora uma sucessão de derrotas militares, nas quais pereceram uma boa parte da sua cavalaria e um grande exército; Dinástico e patrimonial: iniciou-se aqui a ruptura do rei com Leonor e o ducado da Aquitânia; Territorial: depois da separação, Leonor recuperaria os domínios que trouxera em dote; Estratégico: o posterior casamento de Leonor com o futuro rei da Inglaterra traria imensos territórios a essa coroa, permitindo assim a imponente presença no continente de um rival importante da França.

Separação de Leonor da Aquitânia A partir da viagem de retorno à França, em novembro de 1149, Luís VII pensou em separar-se de Leonor da Aquitânia, uma vez que o casal nunca se entendera política e pessoalmente. O papa Eugénio III, na ocasião de uma paragem na abadia do Monte Cassino, e depois o Abade Suger de Saint-Denis, conseguiram reconciliá-los. Em 1150 nascia Alice de França, a segunda filha do casal.

thumb|left|200px|Representação de Leonor da Aquitânia no seu túmulo, na igreja da abadia de Fontevraud, França

No entanto, depois da morte de Suger no ano seguinte, não tendo ainda um filho varão, e com Leonor a envelhecer, o rei continuava a desejar a separação, encontrada finalmente no concílio de Beaugency: Audearda de Borgonha, a bisavó de Leonor, era neta de Roberto o Pio, avô do rei, pelo que eram primos de 9.º grau civil, mas de 5.º grau canónico. Por motivo de consanguinidade a anulação do casamento foi pronunciada a 21 de Março de 1152.

A duquesa da Aquitânia retomou a posse do seu dote e, a 18 de Maio de 1152, casou-se em segundas núpcias com Henrique II Plantageneta, conde de Anjou, que se tornaria rei da Inglaterra em 1154. Ele tinha 19 anos e ela, 30. Esse erro político foi o início de uma rivalidade contínua entre os reinos da França e de Inglaterra que iria se perpetuar ao longo da história das duas nações.

O próprio Luís VII abriria as hostilidades. Por este ter-se casado sem a autorização do seu suserano, conduziu uma guerra contra Henrique, que resultaria em humilhação, com os seus exércitos desbaratados, as terras saqueadas e propriedade roubada. Entretanto, foi atacado por uma febre e voltou para a Ilha-de-França.