A Igreja de Santa Engrácia localiza-se na atual freguesia de São Vicente (subdivisão de São Vicente de Fora), em Lisboa, Portugal. Ainda incompleto, passa a ter o estatuto de monumento nacional em 1910 e depois a função de Panteão Nacional com a Lei n.º 520, de 29 de abril de 1916.Lei n.º 520, de 29 de abril de 1916.
Foi aberto ao público com esse estatuto depois de concluídas as suas obras a 1 de dezembro de 1966 com missa inaugural presidida pelo Cardeal Cerejeira e na presença do Presidente da República Américo Tomás e do Presidente do Conselho Oliveira Salazar.
Estilisticamente é considerado o primeiro monumento barroco no país, é coroado por um zimbório gigante (construção moderna segundo projeto de Luís Amoroso Lopes) e o seu interior está pavimentado com vários tipos de mármore colorido.
História O actual templo situa-se no local de uma igreja erguida em 1568, por determinação da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, para receber o relicário da virgem mártir Engrácia de Saragoça e por ocasião da criação da freguesia de Santa Engrácia. Essa antiga igreja fora construída no local de um templo de meados do mas foi severamente danificada por um temporal no ano de 1681. A primeira pedra do actual edifício é lançada no ano seguinte, em 1682. As obras perduraram tanto tempo que deram azo à expressão popular "obras de Santa Engrácia" para designar algo que nunca mais acaba. A igreja só foi concluída em 1966, 284 anos após o seu início, por determinação expressa do governo da época, após avanços e recuos na sua construção e até ter servido de armazém de armamento do Arsenal do Exército e de fábrica de sapatos nos séculos XIX e XX.
thumb|292px|Portal de entrada da igreja com representação de Santa Engrácia
Aliada à dita expressão popular, também está ligada uma outra história. Nos registos da paróquia local, há referências ao desacato de Santa Engrácia, ocorrido a 15 de janeiro de 1630, envolvendo o jovem Simão Pires Solis. Conta-se que era cristão-novo e foi acusado de roubar o relicário de Santa Engrácia. Simão fora denunciado ao Tribunal do Santo Ofício pelos vizinhos das redondezas, uma vez que era frequentemente visto à noite perto daquela zona. Não querendo revelar os verdadeiros motivos que o faziam estar tantas vezes à noite ali por perto, e apesar de se declarar inocente, fora condenado à fogueira no Campo de Santa Clara, a 31 de janeiro de 1631.https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4747389 Antes de morrer, e ao passar pela Igreja de Santa Engrácia, lança-lhe uma maldição, dizendo "É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!". Só mais tarde é que o verdadeiro assaltante é identificado e percebido o motivo pelo qual Simão nada dissera de concreto em sua defesa: estava enamorado de uma jovem fidalga, Violante, freira no Convento de Santa Clara, próximo a Santa Engrácia, e tinham pretendido fugir juntos naquela noite uma vez que o seu relacionamento era proibido pelo pai da moça.
Breve cronologia thumb|upright|A igreja em 1863 ainda sem a sua célebre cúpula
1568: A Infanta D. Maria manda erguer uma igreja dedicada a Santa Engrácia de Saragoça por ocasião da formação da freguesia lisboeta com o mesmo nome; 1630: Referência nos arquivos paroquiais do chamado 'desacato de Santa Engrácia', de 15 de janeiro, de onde provém a lenda de maldição do monumento; 1681: Um grande temporal deixa o monumento gravemente danificado; 1682: Início das obras de reconstrução; 1755: O terramoto do 1.º de novembro não causa grandes danos no edifício; 1836: Decreto de Passos Manuel de 26 de setembro, que visa a edificação de um Panteão Nacional mas não escolhe um local concreto; Finais do e inícios do : Torna-se depósito de armamento do Arsenal do Exército e fábrica de sapatos; 1910: Atribuído o estatuto de monumento nacional; 1916: Atribuída a função de Panteão Nacional à ainda incompleta Igreja de Santa Engrácia, pela Lei n.º 520, de 29 de abril; 1965: Criada uma comissão para definir o conceito e o programa do panteão; 1966: Finalizadas as obras de reconstrução. Missa inaugural celebrada pelo Cardeal Cerejeira. Trasladados solenemente os corpos de Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, João de Deus, Óscar Carmona, Sidónio Pais e Teófilo Braga em cerimónia entre os dias 1 e 5 de dezembro do mesmo ano; 1990: Trasladação do corpo do Marechal Humberto Delgado a 5 de outubro; 2000: Publicação da Lei n.º 28/2000, de 29 de novembro, que define e regula as honras do Panteão Nacional. São definidas as atuais honras de panteão: «homenagear e perpetuar a memória dos cidadãos que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.»;Lei n.º 28/2000, de 29 de novembro. 2001: Trasladação do corpo de Amália Rodrigues, a 8 de julho; 2003: Publicação da Lei n.º 35/2003, de 22 de agosto, que atribui o estatuto de panteão nacional à Igreja de Santa Cruz, em Coimbra;Lei n.º 35/2003, de 22 de agosto. 2004: Trasladação do corpo de Manuel de Arriaga, a 16 de setembro; 2007: Trasladação do corpo de Aquilino Ribeiro, a 19 de setembro;http://expresso.sapo.pt/aquilinianos-querem-escritor-de-volta-a-escola=f120798 2014: Trasladação do corpo de Sophia de Mello Breyner a 2 de julho; 2015: Trasladação do corpo de Eusébio da Silva Ferreira, a 3 de julho. 2016: A deposição no panteão nacional dos restos mortais dos cidadãos distinguidos passa a só poder ocorrer 20 anos após a sua morte, enquanto a afixação de lápide alusiva à sua vida e à sua obra pode realizar-se cinco anos após a morte. É concedido o estatuto de Panteão Nacional ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e ao Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha.Cf. Lei n.º 28/2000, de 29 de novembro, na redação dada pela Lei n.º 14/2016, de 9 de junho, com republicação. 2021: Afixação, a 19 de outubro, de uma lápide alusiva à vida e obra de Aristides de Sousa Mendes, nos termos da alteração, em 2016, à lei que regula a concessão de honras de panteão, mantendo-se os restos mortais do homenageado no cemitério de Cabanas de Viriato. 2023: cerimónia de trasladação de Eça de Queiroz prevista para 27 de setembro, mas suspensa, devido a uma providência cautelar interposta por alguns descendentes de Eça de Queiroz junto do Supremo Tribunal Administrativo, que referiu que os descendentes que interpuseram a providência cautelar representam uma minoria dos descendentes de Eça de Queiroz e reconheceu tanto a inexistência de disposições de última vontade de Eça de Queiroz sobre o seu sepultamento como a legitimidade da Assembleia da República para tomar a decisão de conceder honras de panteão, tendo solicitado à Assembleia da República a emissão de resolução fundamentada sobre as honras de panteão. Em janeiro de 2024, o Supremo Tribunal Administrativo não concedeu provimento ao recurso apresentado por alguns descendentes de Eça de Queiroz, pelo que a trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz é possível. 2025: Trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz, a 8 de janeiro.
Visitas thumb|Exposição temporária alusiva ao centenário da República
Entre 2008 e 2014, o número de visitantes foi sempre acima dos 50 mil, tendo ultrapassado os 100.000 a partir de 2015: 2008 - 50.930 visitantes 2009 - 60.100 2010 - 55.384 2011 - 56.065 2012 - 65.068 2013 - 72.226 2014 - 89.629 2015 - 100.714(In: http://www.panteaonacional.gov.pt/2018/01/11/150-000-visitantes-em-2017-panteao-nacional-com-aumento-de-24-de-publico-em-relacao-a-2016/) 2016 - 120.731(idem) 2017 - 150.004 (ibidem)
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