miniaturadaimagem|Adolf Hitler numa cerimônia de construção das Autobahn, em setembro de 1933. Nos primeiros anos do regime nazista ou nazi, a economia da Alemanha recuperou-se e cresceu de maneira extremamente rápida, o que foi considerado "um milagre" por muitos economistas, muito embora tenha se manifestado de maneira desigual. O desemprego de 1920 e do início de 1930 foi reduzido de seis milhões de desempregados em 1932 para menos de um milhão em 1936. A produção nacional cresceu 102%, de 1932 a 1937, e a renda nacional dobrou. Em 1933 a política econômica nazista ditada pelo Ministro da Economia Dr. Hjalmar Schacht queria diminuir o desemprego por meio da expansão de obras públicasAgainst the mainstream: Nazi privatization in 1930s Germany, em inglês, acesso em 13 de julho de 2014. e do estímulo a empresas privadas. O crédito governamental foi fornecido pela criação de fundos especiais de desemprego, concedeu-se isenção de impostos às empresas que aumentassem o emprego e seus gastos de capital em 1935, 1936, 1937 e 1938 o PIB alemão cresceu a uma taxa de 9% ao ano atingindo um crescimento de 11% em 1939.PART 10: Nazism and the German economic miracle O governo alemão se declarava na época um defensor da livre iniciativa e da propriedade privada.Full text of "A Collection of Speeches in German"Regierungserklärung zum Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich durch Reichskanzler Adolf Hitler Uma das principais bases da recuperação alemã foi o rearmamento, para o qual o regime nazista dirigiu sua força econômica, a indústria e o trabalho a partir de 1934. Sendo conhecido como Wehrwirtschaft (economia de defesa), que devia funcionar em tempos de paz e guerra e no período que antecede a guerra.Basic Facts for a History of German War and Armament Economy. Citado em Conspiração e Agressão dos Nazistas, I, página 350 (Documentos de Nuremberg 2353-PS)

Um plano de quatro anos foi criado em 1936 para conquistar a autossuficiência em caso de guerra, a força aérea (Luftwaffe), proibida desde 1919, foi reconstituída, teve igualmente início a reconstrução da Kriegsmarine (Marinha) alemã. Hitler reintroduziu o serviço militar obrigatório em 1935, após a devolução da bacia do Sarre (rio na França e Alemanha, sob administração da Liga das Nações desde o final da Primeira Guerra Mundial). Fritz Sauckel era o responsável pelo fornecimento de mão-de-obra estrangeira para a indústria alemã, principalmente a indústria de armamentos, o número de trabalhadores era definido por Hitler e Albert Speer, Ministro do Armamento. A operação de escravização recrutou 5 milhões de pessoas de outros países, das quais somente 200 000 foram de vontade própria. Foi a maior operação de trabalho escravo da história.Nuremberg Nazistas no banco dos Réus (no original em inglês Nuremberg - Nazis on Trial). Documentário da BBC. 1996. A economia alemã, assim como outras de nações ocidentais, sofreu grandes efeitos da Grande Depressão, como o aumento no desemprego após a Quinta-Feira Negra.Adam Tooze, The Wages of Destruction: The Making and Breaking of the Nazi Economy (2008) Quando Adolf Hitler se tornou chanceler em 1933, ele introduziu políticas destinadas a melhorar a economia. Essas mudanças incluíam privatização de indústrias nacionais, autarquia e impostos incidentes sobre bens importados. Salários tiveram um aumento líquido por volta de 10,9% durante esse período. No entanto, um comércio internacional reduzido implicou em racionamentos de bens de consumo como aves, frutas e vestimenta para muitos alemães.Evans, Richard J. "Business, Politics, and War." The Third Reich in Power. New York: Penguin, 2006. 392. Print

Os nazistas acreditavam na guerra como a principal força motriz para o progresso humano, e afirmavam que o principal propósito da economia de um país deveria ser permitir que este lute e vença guerras para se expandir. Com isso em mente, quase que imediatamente após chegar ao poder, um vasto programa de rearmamento militar foi executado, o que causou uma diminuição em investimentos civis. Durante a decáda de 30, a Alemanha Nazista aumentou seus gastos militares mais rápido do que qualquer outro estado em tempos de paz, e eventualmente o exército passou a representar a maior parte da economia alemã na década de 40.Evans, Richard J., The Third Reich at War (New York: Penguin, 2008), p. 333. Isso foi financiado principalmente por endividamentos anteriores à guerra, com os nazistas acreditando que essas dívidas seriam quitadas a partir da pilhagem de territórios conquistados durante e depois da guerra. Tais planos de pilhagem até aconteceram, mas seus resultados ficaram aquém do planejado. O governo nazista instituiu parcerias com interesses de grandes corporações alemãs, as quais apoiaram os objetivos do regime e seu esforço de guerra em troca de contratos com benefícios, subsídios, e a supressão do movimento sindical. Carteis e monopólios eram incentivados para a desvantagem de pequenos negócios, apesar dos nazistas terem recebido um considerável apoio eleitoral de pequenos comerciantes.William L. Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich: A History of Nazi Germany, New York, NY, Simon & Schuster, 1960, p. 231-232

A Alemanha Nazista utilizou de trabalho escravo, composto de prisioneiros e detentos de campos de concentração, os quais foram expandidos fortemente após o começo da segunda guerra mundial. Somente na Polônia, por volta de 5 milhões de cidadãos (incluindo judeus poloneses) foram usados como mão de obra escrava durante a guerra. Entre os trabalhadores escravizados nos territórios ocupados, centenas de milhares foram usados por grandes corporações alemãs como Thyssen, Krupp, IG Farben, Bosch, Blaupunkt, Daimler-Benz, Demag, Henschel, Junkers, Messerschmitt, Siemens, e Volkswagen, assim como a empresa holandesa Philips. Em 1944, a mão de obra escrava já equivalia a um quarto de toda a força de trabalho alemã, com a maioria das fábricas alemãs possuindo um contingente de prisioneiros.

Economia pré-guerra: 1933–1939

Recuperação e reamarmento Os nazistas chegaram ao poder durante a Grande Depressão. A taxa de desemprego naquele período chegou a alcançar 30%. Num primeiro momento, o novo governo nazista continuou as políticas econômicas introduzidas por Kurt von Schleicher em 1932 para combater os efeitos da Grande Depressão.

Hitler nomeou Hjalmar Schacht, ex-membro do Partido Democrata Alemão, como presidente do Reichsbank em 1933 e Ministro da Economia em 1934. As políticas adotadas por ele incluíam programas de grandes obras públicas - como a construção da rede de estradas Autobahn - para estimular a economia e diminuir o desemprego.Tooze, "The Wages of Destruction," 2007. Print. Esses planos, cujos créditos foram tomados pelos nazistas, foram elaborados durante a República de Weimar, na presidência do conservador Paul von Hindenburg.W. Dick; A. Lichtenberg (4 August 2012). "The myth of Hitler's role in building the German autobahn". Deutsche Welle. Retrieved 4 August 2012. Hjalmar Schacht criou um plano de déficit financeiro no qual o capital projetado era pago através da emissão de notas promissórias, as quais podiam ser usadas para efetuar negócios entre companhias. Esse mecanismo foi extremamente útil em permitir que a Alemanha prosseguisse com seu projeto de remilitarização discretamente, já que as notas promissórias emitidas não constavam no orçamento federal.William L. Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich: A History of Nazi Germany, New York, NY, Simon & Schuster, 2011, p. 260 Quando as notas eram apresentadas para pagamento, o Reichsbank imprimia o dinheiro. Isso se provou falho em 1938, quando uma grande quantidade de notas promissórias de cinco anos foram utilizadas. O governo teve que usar métodos "altamente duvidosos", nos quais "bancos foram forçados a comprar títulos do governo, o qual utilizou dinheiro de poupanças e companhias de seguro" a fim de pagar os detentores das notas promissórias, devido principalmente a escassez de reservas de moeda.Martin Kitchen, A History of Modern Germany 1800-2000, Maden, MA, Blackwell Publishing, 2006, p. 284 Enquanto isso, a administração de Schacht alcançou uma rápida diminuição na taxa de desemprego, a maior registrada durante a Grande Depressão. Em 1938 o desemprego estava praticamente extinto.

A maior prioridade econômica do governo nazista, a qual o diferencia de outros governos alemães, era reconstruir o poderio militar da Alemanha em preparação para uma eventual guerra para conquistar o Lebensraum ("espaço da vida") ao Leste. Logo, no começo do seu governo, Hitler dizia que "o futuro da Alemanha dependia exclusivamente e somente na reconstrução do Wehrmacht. Todas as outras atividades deviam ceder lugar à remilitarização" e "caso haja conflito entre demandas do Wehrmacht e demandas de outros propósitos, os interesses do Wehrmacht devem ter prioridade em todos os casos". Essa política foi implementada imediatamente, com o rápido crescimento de gastos militares, os quais eram muito maiores do que gastos relacionados a programas de criação de emprego. Em meados de Junho de 1933, predições de gastos militares para aquele ano eram três vezes maiores do que todos os gastos de medidas relacionadas à criação de emprego de 1932 e 1933 juntas. A Alemanha Nazista aumentou seus gastos militares de maneira tão intensa que estes passaram de 1% a 10% da renda nacional nos primeiros dois anos do regime. Em 1944 esse gastou chegou a um pico de 75%.

Um ambicioso planejamento financeiro destinado à remilitarização foi elaborado pelo governo nazista em Junho de 1933. Schacht destinou em torno de 35 bilhões de Reichsmarks, os quais foram gastos ao longo de oito anos, para despesas militares. Para fins de comparação, toda a renda nacional da Alemanha em 1933 equivalia a 43 bilhões de Reichsmarks. Dessa maneira, é clara a proposta do governo de tornar o setor militar o maior foco da economia. Em Abril, gastos militares receberam autorização para serem dispensados de processos padrões de supervisão orçamentária. As obrigações decorrentes de tratados internacionais não permitiam tais investimentos no setor militar em tamanha quantidade. Logo, Hitler se retirou das reuniões de Genebra e das Liga das Nações em Outubro de 1933. O governo alemão temeu que tal ato pudesse provocar uma guerra com a França a qualquer momento, mas isso não ocorreu. De qualquer maneira, o medo de que a guerra pudesse acontecer antes que a Alemanha estivesse preparada serviu para criar uma sensação de urgência, a qual reforçou os planos de remilitarizaçào. O exército e a marinha rapidamente se preparam para expandir sua capacidade e mão de obra. Planos foram feitos para construir secretamente uma base aérea (ato proibido pelo Tratado de Versalhes (1919)) e para a introdução do alistamento no exército nos dois anos seguintes, com o intuito de aumentar o contingente do exército para 300,000 soldados (também uma violação do Tratado de Versalhes). Num primeiro momento, a marinha não se viu tão beneficiada nos planos de remilitarização de Hitler, pois este desejava travar uma guerra em terra firme na Europa e até almejava uma aliança com o Império Britânico, por meio da qual este manteria o controle dos mares. Contudo, após insistências feitas pelo almirante Erich Raeder, medidas para a expansão da marinha foram aprovadas em 1934. Isto incluiu um planejamento para a construção de 8 encouraçados (Versalhes permitiam um máximo de 6), 3 porta-aviões, 8 cruzeiros (Versalhes permitia 6), 48 contratorpedeiros (Versalhes permitiram 12) e 72 submarinos (completamente proibidos pelo tratado). O tamanho sem precedentes do orçamento militar era impossível de ser escondido de fiscais internacionais. Todavia, Hitler argumentava que a Alemanha estava "comprometida apenas na manutenção de setores essenciais e em gastos com renovações".