Voo Malaysia Airlines 17 (MH17/MAS17) foi a identificação de uma rota aérea de passageiros regular e internacional entre Amsterdão e Kuala Lumpur, operada pela companhia aérea Malaysia Airlines. Em 17 de julho de 2014, um Boeing 777-200ER que realizava esta rota, caiu perto de Grabove, no oblast de Donetsk, no leste da Ucrânia, a 40 km da fronteira com a Rússia, transportando 283 passageiros e 15 tripulantes de vários países.A partir de 25 de julho de 2014, a identificação desta rota passou a ser Malaysia Airlines MH19. Malaysia Airlines aposenta o número do voo MH17 (em inglês) Foi o segundo incidente da companhia aérea em menos de cinco meses, após o desaparecimento do voo MH370 no início de março de 2014.
Às 15h30 UTC a Malaysia Airlines informou que tinha perdido o contato com o voo. Relatos iniciais do governo ucraniano informaram que a aeronave foi abatida a uma altitude de por um míssil terra-ar disparado utilizando o sistema de mísseis Buk.
As duas partes envolvidas na rebelião no leste da Ucrânia a princípio negaram responsabilidade pelo incidente, acusando-se mutuamente. Segundo o serviço de inteligência dos Estados Unidos, provavelmente os separatistas pró-Rússia derrubaram o avião; por outro lado, dirigentes russos disseram que as acusações norte-americanas eram precipitadasAcidente da Malaysia: Rússia contesta acusações dos EUA, acesso em 20 de julho de 2014. e acusaram a Ucrânia pela tragédia.
Este é o maior incidente da Malaysia Airlines, com 283 passageiros e 15 tripulantes vitimados, superando o voo 370, que resultou na morte de 227 passageiros e 12 tripulantes, e que não foi encontrado.
A responsabilidade pela investigação foi delegada ao Conselho de Segurança Holandês (DSB) e à equipe de investigação conjunta (JIT) liderada pelos holandeses, que em 2016 relatou que o avião havia sido abatido por um míssil terra-ar Buk lançado de território controlado pelos separatistas pró-Rússia na Ucrânia. Em novembro de 2022, dois russos e um separatista ucraniano (Igor "Strelkov" Girkin, Sergey Dubinskiy e Leonid Kharchenko), que operaram o sistema de mísseis 9K37 Buk foram considerados culpados de assassinato in absentia por abaterem o vôo MH17. A corte holandesa também decidiu que a Rússia estava no controle das forças que lutavam na Ucrânia oriental na época.
Aeronave A aeronave envolvida neste incidente era um modelo Boeing 777-200ER, matrícula 9M-MRD, número de série 28411. Teve o seu primeiro voo em 17 de julho de 1997 e foi entregue à Malaysia Airlines em 29 de julho de 1997. Este modelo de aeronave é equipado com dois motores Rolls-Royce Trent 892.
Passageiros e tripulação +Pessoas a bordo por nacionalidadeNacionalidadePassageirosTripulantesTotal Holandeses 193Incluindo um passageiro com dupla nacionalidade: holandesa e nrte-americana-193 Malaios 28Incluindo duas crianças1543 Australianos 27-27 Indonésios 12Incluindo uma criança-12 Britânicos10Incluindo um passageiro com dupla nacionalidade:britânica e sul-africana-10 Belgas 4-4 Alemães 4-4 Filipinos3-3 Neozelandeses 1-1 Canadenses 1-1Total283 15 298
A Malaysia Airlines confirmou a presença de 283 passageiros e 15 membros da tripulação a bordo do voo MH17. Não houve sobreviventes. As informações iniciais davam conta que havia a bordo cerca de 80 crianças, informação desmentida posteriormente pela Malaysia Airlines, que confirmou haver três crianças entre os passageiros (duas malaias e uma indonésia). Havia dois passageiros com dupla cidadania: um holandês, que tinha também cidadania norte-americana e um britânico, que tinha também cidadania sul-africana. Dos 298 passageiros a bordo, foram encontrados os restos mortais de 296. Apenas duas vítimas, ambos cidadãos holandeses, não foram identificados.
Entre as vítimas estavam cerca de cem membros da Sociedade Internacional da AIDS (International AIDS Society), que iriam participar de uma conferência em Melbourne na Austrália, incluindo Joep Lange, pesquisador e ex-presidente da instituição. Também estavam no voo o romancista australiano Liam Davison, a atriz malaia Shubashini Jeyaratnam, conhecida por seu nome artístico Shuba Jay e o político holandês Willem Witteveen e sua família.
Linha do tempo Eventos precedentes à queda 3 de março de 2014: As companhias aéreas Korean Air e Asiana Airlines deixam de voar sobre o espaço aéreo ucraniano, por motivo de segurança.
29 de junho 2014: A emissora russa NTV reporta que os separatistas possuem acesso ao Buk após tomar o controle de uma base da Ucrânia de defesa área (base A-1402). Nesse mesmo dia, a República Popular de Donetsk reivindica a posse desse sistema em um tweet deletado.
1° de julho de 2014: Autoridades ucranianas advertem para pilotos não voarem abaixo de no lado leste da Ucrânia.
10 de julho de 2014: O veículo de ataque de curto alcance 9K35 Strela-10, cujos mísseis alcançam até foi filmado pela mídia russa Lifenews perto de Donetsk.Filmagens da "Lifenews" exibe a posição separatistas em Donetsk; em 00:24-00:28 um veículo Buk é exibido com marcação DNR, Por outro lado, importantes oficiais ucranianos negaram que os rebeldes possuíam o sistema Buk. O ministro ucraniano de relações exteriores, Pavlo Klimkin, afirmou também que a Ucrânia não tem o sofisticado sistema de mísseis terra-ar na região.
13 de julho de 2014: Sergey Kurginyan declarou que os lançadores do Buk tomados do exército ucraniano seriam consertados em breve por especialistas da Rússia.Falando sobre o "Buk" (em 3:30): "I believe that our talented electronicians have already fixed the Buk launchers taken from Ukrainian Bandera bandits. As far as I know the genius electronicians that flew over as representatives of citizen community in Russia to support brother nation, they are already fixed or will be fixed very soon. And for that reason I do not recommend that Kiev repeats the air bombing tricks they did in Lugansk. That story is over! I also know that they have fixed a Su bomber so DPR will soon have their own aviation". Anteriormente, em 27 de junho, a Ucrânia tinha reparado um sistema Buk-M1 e divulgado no seu site do Ministério da Defesa da Ucrânia, sendo um equipamento que antes era reparado na Rússia com um componente somente produzido lá, mas dessa vez, foi reparado na Ucrânia.mil.gov.ua: На Хмельниччині триває процес здавально-приймальних випробувань першого відремонтованого в Україні зенітного ракетного комплексу Бук-М1, 27/06/2014 O Ministério da Defesa russo disse que o equipamento militar estava em funcionamento no dia da queda do avião.Rússia exige respostas da Ucrânia sobre tragédia aérea, 19/07/2014 Posteriormente, o ministro disse possuir imagens aéreas das bases ucranianas de lançamento de mísseis terra-ar que estavam instaladas no sudeste do país.Rússia diz ter detectado caça ucraniano voando próximo a MH17 antes da queda, 21/07/2014 14 de julho de 2014: Um telefonema não confirmado entre Oleh Bugrov Valeriovyc (chefe do exército e vice-mininstro da defesa da auto-proclamada República Popular de Lugansk e um oficial da Main Intelligence Directorate of the Russian Federation onde este disse "Agora nós temos o (radar guiado de terra-ar) Buk (sistema de mísseis), nós vamos "trazer (aviões) para baixo"."
14 de julho de 2014: O avião militar ucraniano An-26 foi abatido enquanto voava a , sendo confirmado que foi através do Buk."Today the self-defence destroyed An-26 airplane using SAM "9К37М1" (better known as 'Buk')", Oficiais dos Estados Unidos disseram mais tarde que havia evidências que sugeriam que o míssil foi disparado dentro de território russo.Peter Baker (18 de julho de 2014), U.S. Sees Evidence of Russian Links to Jet’s Downing The New York Times
14 de julho de 2014: Autoridades ucranianas elevam a altura recomendada para os pilotos trafegarem de para no lado leste da Ucrânia.
16 de julho de 2014: O avião militar de suporte da Ucrânia Sukhoi Su-25 foi abatido, e oficiais do governo ucraniano acusaram militares da Russia de terem derrubado o avião com um míssil ar-ar disparado por um jato MiG-29 da Russia, enquanto o porta-voz do ministério de defesa russo rejeitou essa acusação considerada absurda.
17 de julho de 2014: A Rússia fecha mais de uma dúzia de rotas aéreas de diversas altitudes.Flight was traveling on routes that were closed at lower altitudes The New York Times 18 de julho de 2014 Um jornalista anônimo da Associated Press disse ter visto um lançador do Buk na Snizhne, uma cidade em Donetsk Oblast, cerca de 16 quilômetros do local do acidente. O repórter também viu sete tanques rebeldes em um posto de gasolina perto da cidade.
17 de julho de 2014: Um telefonema não confirmado entre Sergei Nikolaevich Petrovskiy (oficial da Main Intelligence Directorate of Russian Federation, chefe adjunto da Inteligência) e um militante em que discutiram onde descarregar e colocar o sistema de mísseis Buk.
Acidente thumb|300px|left|Rota do voo Malaysia Airlines 17 A aeronave partiu do Aeroporto de Amsterdão Schiphol às 12h14 CEST (10h14 UTC). e tinha como destino o Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Com uma duração de voo de 11 horas e 45 minutos, o pouso estava previsto para as 06h00 do dia 18 de julho no horário local (22h00 de 17 de julho UTC).
De acordo com a Malaysia Airlines, o plano de voo solicitado para a aeronave previa uma altitude de enquanto estivesse sobrevoando o espaço aéreo da Ucrânia, mas ao entrar no espaço aéreo ucraniano, a tripulação foi instruída por um controlador de tráfego aéreo para descer a .
A Malaysia Airlines emitiu um comunicado, afirmando que havia recebido uma notificação do controle de tráfego aéreo ucraniano que o contato com o voo MH17 tinha sido perdido às 14h15 (GMT)o tempo indicado pela Malaysia Airlines é errôneo; o tempo correto deve ser 13:15 (UTC) nas coordenadas (), a aproximadamente 50 km da fronteira entre Rússia e Ucrânia.
O avião caiu próximo ao vilarejo Hrabove, ao norte de Torez, uma cidade ao leste da região de Donetsk Oblast, próxima da fronteira com a Rússia. O momento em que o avião caiu foi registrado em uma gravação feita por uma testemunha.
O site Flightradar24 informou que os aviões Boeing 777-200ER (Flight SQ351) da Singapore Airlines e o Boeing 787-8 da Air India (Flight AI113) desviaram suas rotas em cerca de 25 km da rota do avião da Malaysia Airlines após o desaparecimento deste dos radares.
Fotografias do local do acidente mostram peças quebradas e espalhadas da fuselagem e partes do motor, assim como corpos e passaportes. Alguns dos destroços caíram perto das casas de Hrabove. Dezenas de corpos caíram nos campos de cultivo e nas casas.
Na noite de 17 de julho, Igor "Strelkov" Girkin, líder das forças separatistas, postou na rede de mídia social VKontakte, assumindo o crédito por derrubar um An-26 ucraniano. Logo depois, o portal lifenews.ru divulgou o seguinte comunicado: "No dia 17 de julho, próximo ao vilarejo Rassypnoye, na cidade Torez da região Donetsk, um avião de transporte An-26 da Força Aérea Ucraniana foi derrubado, segundo a milícia. De acordo com eles, o avião foi derrubado em algum lugar próximo às minas "Progress", longe da área residencial. De acordo com uma das milícias, aproximadamente às 17h30 do horário local, um An-26 sobrevoava a cidade quando foi atingido por um foguete. Houve uma explosão e o avião foi derrubado, deixando uma fumaça negra e detritos caindo.". (ITAR-TASS) A agência de notícias russa RIA Novosti também reportou que um An-26 foi derrubado pelos militantes próximo a Torez em torno de 16h00 no horário local. Análises da fumaça e trajetória realizadas pelo EUA sugeriram que o míssil foi disparado a partir de uma área entre Torez e Snizhne.
Investigação thumb|Veículo lançador de mísseis Buk-M2. thumb|O avião de registro 9M-MRD