A Exposição do Centenário Farroupilha foi uma feira mundial ocorrida na cidade brasileira de Porto Alegre de 20 de setembro de 1935 a 15 de janeiro de 1936, organizada para celebrar os cem anos da Revolução Farroupilha, assim como a história do povo sul-riograndense, através da demonstração do desenvolvimento econômico, social, cultural e político do estado do Rio Grande do Sul. A exposição é vista como um marco na história do estado.Ceroni, Giovani Costa. A Exposição do Centenário da Revolução Farroupilha nas Páginas dos Jornais Correio do Povo e Federação. Tese (Doutorado) - Curso de História. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2009

Esta exposição contou com a visita de cerca de um milhão de visitantes, segundo estimativas da mídia na época, e que, comparado ao tamanho de cerca de 300 mil habitantes de Porto Alegre na época, representou um grande sucesso da feira. A exposição contou com 17 pavilhões internacionais e 7 nacionais (cada qual representando um estado Brasileiro), foram ao evento um total de 3.080 expositores.Santos, Wanderson Oliveira dos. "A Exposição do Centenário da Farroupilha Através da Mídia" In: Encontro Internacional e XVIII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias. Rio de Janeiro, 2018

Organização

O material oficial de divulgação da época, assim como a imprensa, denominam a mostra de várias formas: Exposição do Centenário Farroupilha, Exposição Internacional Agrícola e Industrial de Comemoração do Centenário Farroupilha, Exposição Comemorativa do Centenário Farroupilha, Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Epopeia Farroupilha, ou simplesmente Exposição Farroupilha."Exposição Farroupilha - 1935". Porto Alegre Antigo, 12 de maio de 2010 Uma comissão geral para a feira foi aberta em 11 de Junho de 1934 e incluía José Antônio Flores da Cunha e Dário Brossard representando a FARSUL (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), Alberto Bins, como secretário e Mário de Oliveira, como Secretário-Geral. Foram emitidos em comemoração à exposição ao todo 4 selos colecionáveis.

Localização thumb|Pórtico monumental da Exposição As construções começaram um ano antes da feira no local então conhecido por Várzea da Redenção. A área havia recentemente passado por uma modernização, em 1927, quando o então arquiteto da Intendência do estado, João Moreira Maciel, elaborou um plano para o embelezamento da capital gaúcha.

Alfredo Agache havia sido encarregado pela elaboração de um projeto para o embelezamento e ajardinamento da Várzea em 1929, mas ele não foi implementado. Trabalhando sobre este plano, o arquiteto da Prefeitura Cristiano de La Paix Gelbert criou o projeto do parque expositivo, que se estendia por mais de 250.000 metros quadrados, renomeado Parque Farroupilha logo em seguida da inauguração da exposição. Gelbert também foi encarregado de projetar a maioria dos pavilhões, o cassino e outros anexos, mas não o pórtico de entrada.Festugato, Taísa. Christiano de La Paix Gelbert e a Arquitetura da divisão de obras de Porto Alegre (1925 a 1953). Editora Coralina, 2023, pp. 101-102

Pavilhões

Pavilhões Nacionais

Alguns estados brasileiros tiveram seus próprios pavilhões: Pernambuco (desenhado por Luiz Nunes"Luiz Nunes - Enciclopédia Itaú Cultural". Consultado em 12 de Fevereiro de 2017.Segawa, Hugo. Architecture of Brazil: 1900-1990. Springer, 2013, p. 56. ISBN 978-14-614-5430-4), São Paulo, Santa Catarina, Pará/Amazonas (compartilhado), Minas Gerais e o Distrito Federal (Rio de Janeiro).

As construções foram feitas de madeira e estuque e foram desmontadas em 1939, apenas o pavilhão do Pará, que era feito de alvenaria, restou, sendo destruído em um incêndio em 1970."Farroupilha or Redenção Park Picture 4 | Brazil". Consultado em 7 de Fevereiro de 2017. O estilo arquitetônico predominante era o Art Déco, o pavilhão paraense incorporava também símbolos Marajoara.Segawa, p. 57

Pavilhões Internacionais

Os pavilhões internacionais ocupavam 2.000 metros quadrados e empenhavam 177 exibidores.

Demais Pavilhões

Havia alguns pavilhões temáticos: agricultura, indústria e viação férrea, assim como construções para entretenimento: um cassino, restaurante e café. O Pavilhão Industrial do Rio Grande do Sul tinha 14 mil metros quadrados e 905 exibidores. O Pavilhão Cultural foi organizado pelo influente historiador Walter Spalding, contando com a exposição de obras de pedagogia, pintura, arquitetura, escultura, música, literatura, fotografia e imprensa.

Havia também um parque de diversões com um lago ornado e com docas para pedalinhos (os quais seguem em uso e cuja doca é ativa hoje como café), uma loteria, área para tobogãs e uma montanha-russa.

Significado

A exposição foi entendida pelos organizadores como uma oportunidade para exibir e divulgar local, nacional e internacionalmente os avanços do Rio Grande do Sul em vários campos, aproveitando a comemoração do centenário de um importante evento da história política do estado, que foi a Revolução Farroupilha. Segundo Giovani Costa Ceroni, "a partir de homenagens aos farrapos, a organização do evento utilizou-se de inúmeras formas de afirmar aos visitantes a capacidade das forças econômicas e produtoras do estado naquele período, bem como a exaltação da liderança política de Flores da Cunha como um símbolo da pujança local".Ceroni, p. 133

Realizada em um período em que as elites política, econômica e intelectual do estado buscavam afirmar a importância do Rio Grande no panorama nacional e redefinir sua identidade, a ativa participação do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul na organização foi determinante para a construção de um discurso visando valorizar o patriotismo e o heroísmo dos revolucionários e colocar a Revolução no centro do debate identitário. Deixando convenientemente de lado o caráter separatista da Revolução, o discurso procurava vinculá-la a um projeto de Brasil republicano e federativo. Para Wanderson dos Santos, "o acontecimento buscou estabelecer um verdadeiro marco, juntando passado e presente e insinuando o próprio futuro, que se acreditava ser de pujança econômica. Em suma, o Rio Grande procurava evidenciar o progresso sem se despojar de um passado que o nobilitava".

A mostra foi maciçamente divulgada na imprensa e em publicações oficiais, e sua recepção altamente positiva é atestada pela grande visitação e pelas múltiplas matérias elogiosas da imprensa. Em termos de dimensões, tanto de seu parque expositivo quanto de visitantes, foi o maior evento realizado no estado até então.Ceroni, pp. 136-137

Os pavilhões da mostra foram os primeiros exemplares de arquitetura claramente moderna levantados em Porto Alegre, através do emprego de elementos absorvidos de diversas correntes arquitetônicas progressistas da época, como a Art Déco, a Secessão austríaca, e os movimentos expressionista e futurista. Embora essas edificações tenham sido desmanteladas após o evento, elas exerceram um forte impacto na arquitetura de Porto Alegre como um indicador de caminhos possíveis para uma renovação estética e como a primeira base consistente da consagração da arquitetura modernista na década de 1940.Eskinazi, Davit. A arquitetura da exposição comemorativa do centenário da Revolução Farroupilha de 1935 e as bases do projeto moderno no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2003

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