A História da Colômbia remete a antes da chegada dos espanhóis às Américas, quando a região onde hoje está a Colômbia era habitada por diferentes tribos indígenas.
Em 1810, as jurisdições de Nova Granada expulsaram as autoridades espanholas, exceto em Santa Marta, Riohacha e os atuais Panamá e Equador. O levante de Bogotá, de 20 de julho desse ano, é comemorado como a data de independência da Colômbia. A capital colombiana, a essa época, contava com cerca de 50 mil moradores. Havia uma rivalidade entre os grupos que propugnavam uma federação e aqueles que tentavam centralizar a autoridade.
Culturas pré-colombianas Os achados arqueológicos mais antigos foram encontrados nos abrigos na rocha de Chiribiquete. Nesse local, foram datadas pinturas rupestres de até 19 510 anos Antes do Presente.Castaño Uribe, Carlos (2008) Tradición Cultural Chiribiquete. Rupestreweb. Acessada em 2 de agosto de 2016. Em Pubenza (em Tocaima, em Cundinamarca), se encontraram oito ferramentas em um nível estratigráfico datado em 16 400 anos AP.Van der Hammen, Thomas y Correal, Gonzalo (2001) “Mastodontes en un humedal pleistocénico en el valle del Magdalena (Colombia) con evidencias de la presencia del hombre en el pleniglacial”; Boletín de Arqueología. 16 (1): 4-36. Bogotá: Fundación de Investigaciones Arqueológicas Nacionales, Banco de la República. No sítio El Jordán, em Roncesvalles (Tolima), a presença humana tem sido calculada em 12 900 anos AP.Salgado López, Héctor (1998) "Exploraciones arqueológicas en la Cordillera Central Roncesvalles-Tolima". Bogotá: Fundación de Investigaciones Arqueológicas Nacionales, Banco de la República. Nos abrigos na rocha de El Abra, no leste de Zipaquirá, na Savana de Bogotá, se encontraram instrumentos líticos em 1967, datados do ano 10460 a. C. ± 160.Correal, Gonzalo; Thomas van der Hammen y J. C. Lerman (1970): "Artefactos líticos de abrigos en El Abra, Colombia"; Revista Colombiana de Antropología. 14. 9-46. Outros achados paleoíndios se realizaram em Tibitó, Tequendama (Cundinamrca), Puerto Nare (Antioquia), San Isidro (Popayán) La Palestina (Yondó) e La Morena (Medellín).Aceituno, Francisco J.; Nicolás Loaiza; Miguel Eduardo Delgado-Burbano & Gustavo Barrientos (2012) "The initial human settlement of Northwest South America during the Pleistocene/Holocene transition: Synthesis and perspectives"; Quaternary International. 301. 23-33 (26).
Os primeiros rastros de culturas de cabaças e do tubérculo ariá, na região, remontam a 10 mil anos a.C. Desde 7 000 antes do presente, se desenvolveram as primeiras sociedades sedentárias agrícolas, segundo achados em Porto Formiga, perto da atual Cartagena das Índias. Diversos povos ameríndios, com níveis de desenvolvimento diferentes, ocupavam o território colombiano, sendo que o mais avançado deles na época da conquista espanhola eram os índios muíscas (chibchas). No ano em que a América foi descoberta por Colombo, 1492, estima-se que a população indígena somava 850 mil pessoas, distribuídas em diversos grupos, muitos deles hábeis artesãos que deixaram a marca de sua existência moldada em ouro, como se pode ver no Museu Nacional da Colômbia em Bogotá. Nenhum deles, entretanto, deixou registros escritos, o que não permite reconstruir sua evolução com a mesma precisão que se alcançou no estudo das grandes civilizações históricas do Novo Mundo. Em San Agustín, próximo à nascente do rio Magdalena, encontraram-se vestígios de uma das mais fascinantes e menos estudadas civilizações do hemisfério Ocidental, extinta muitos séculos antes da chegada dos europeus. Conhece-se muito pouco sobre essas tribos; estima-se que a cultura de San Agustín começou a desenvolver-se no século V. Os taironas, quimbayas e calimas dominaram as artes da cerâmica e até montaram formas de governo, estabelecendo pactos políticos entre si.
Os povos das regiões planas e litorâneas organizavam-se socialmente como confederações de tribos, levavam vida muito simples e foram extintos pelos colonizadores espanhóis. Já em terras andinas, havia culturas mais desenvolvidas, entre as quais se destaca a dos chibchas, que ocupavam os pontos mais altos da parte central da cordilheira Oriental, na parte alta do rio Magdalena. De cultura similar à inca, eram exímios agricultores, cultivando milho, batata e algodão. Não chegaram a formar um império unitário, mas apresentavam muitos traços culturais comuns. Atingiram grande densidade populacional na savana de Bogotá. Seu centro mais importante era Bacatá, próximo à posterior capital colombiana.
Exploração e conquista da Espanha A primeira expedição europeia a avistar terras da futura Colômbia foi a do espanhol Alonso de Ojeda, que em 1499 dobrou o cabo de La Vela, na península de La Guajira. Em 1502, durante sua última viagem ao Novo Mundo, Cristóvão Colombo explorou uma parte da costa do Caribe pertencente ao território dos chibchas. As primeiras colonizações europeias permanentes foram na costa caribenha, sendo Darién, o primeiro assentamento europeu permanente em território americano, fundado em 1510 por conquistadores espanhóis. Em 1509, o reconhecimento de toda a costa sul-americana do Caribe foi feito por Rodrigo de Bastidas, que em 1525 fundou Santa Marta. Em 1533, Pedro de Heredia fundou Cartagena, que se tornaria uma das principais bases marítimas do império espanhol nas Américas. Entre 1536 e 1539, a colonização do interior foi comandada por Gonzalo Jiménez de Ojeda (ou Gonzalo Jiménez de Quesada), que derrotou os chibchas, fundou a cidade de Santa Fé de Bogotá em 1538 e deu o nome de Nova Granada ao país, que, por suas riquezas minerais, sofreu muitos ataques de corsários e mais tarde de ingleses e franceses. Até 1539 já haviam sido fundadas todas as cidades importantes do interior colombiano.
180px|thumb|Castelo de São Filipe em Cartagena, na Colômbia.
A região foi inicialmente parte do vice-reinado do Peru. Bogotá, que antes da conquista era o principal núcleo dos reinos chibchas, transformou-se, em 1550, na audiência de Santa Fé de Bogotá, dependente do vice-reino do Peru e centro administrativo de uma região que abrangia Nova Granada, Popayán, Antioquia, Cartagena, Santa Marta, Riohacha, os llanos de Casanare e San Martín.
A partir de 1564, os presidentes da audiência de Santa Fe gozaram de poderes semelhantes aos dos vice-reis. As populações autóctones diminuíram enormemente, exterminadas pelos novos senhores das terras e por doenças por eles transmitidas, como a epidemia de varíola de 1587-1589.
As culturas indígenas se transformaram rapidamente em contato com a civilização. O catolicismo foi imposto e predominou sobre as religiões autóctones. No século XVII, o chibcha, língua indígena que tivera o maior número de falantes, havia caído em desuso nas zonas mais povoadas do país, e a miscigenação ganhou forte impulso. Nas planícies do Chocó e na costa do Caribe, foram instalados escravos negros, destinados à extração do ouro e ao trabalho nas plantações de cana-de-açúcar.
A Igreja Católica, com a atuação de missionários franciscanos, dominicanos e jesuítas, desempenhou importante papel na catequese e na administração. Em 1620, a Inquisição instalou-se em Cartagena, cidade que logo se tornaria um baluarte do império espanhol.
Vice-reino de Nova Granada
A dependência administrativa de Lima encerrou-se com a criação do vice-reino de Nova Granada, vigente primeiro durante um breve período, de 1717 a 1723, e depois, definitivamente, a partir de 1740. O vice-rei, estabelecido em Bogotá, tinha autoridade sobre a Venezuela, o Equador e o Panamá, assim como a Colômbia. A superveniência do novo status político representou o início de uma nova era. Nas décadas seguintes, a coroa espanhola procurou fortalecer o império mediante maior centralização da administração e desenvolvimento do comércio. A população aumentou e começou a consolidar-se uma nova classe social com crescente poder: a dos criollos, descendentes de espanhóis nascidos na colônia.
De 1785 a 1810, os criollos de Nova Granada não ofereceram resistência às reformas políticas e econômicas. Assim, no levante dos Comuneros (1781), os socorrenses opuseram-se às reformas, mas em 1809 propuseram medidas favoráveis ao sistema de livre comércio e à abolição da escravatura. As reformas educacionais desempenharam papel de relevo nessa modificação de perspectiva dos granadinos. Como vice-rei, o arcebispo Caballero y Góngora (1782-1788) concentrou-se principalmente na educação, modernizando os currículos e criando uma escola de minas. Nova Granada permaneceu como vice-reinado da Espanha até a batalha de Bocayá (1819), durante as guerras de independência da América do Sul espanhola, quando, junto com a Venezuela, recebeu de Simón Bolívar o nome de Estados Unidos da Colômbia.
Independência
Os excessos fiscais do governo espanhol provocaram, a partir de 1780, movimentos insurrecionais, que, devido às incertezas quanto ao destino do império após a invasão da Espanha pela França em 1808, se transformaram em verdadeiras rebeliões armadas em 1810.
Inspirada na Revolução Francesa e no movimento de independência das colônias norte-americanas, a população de Nova Granada se uniu à corrente revolucionária para obter a independência. O movimento de maior importância foi a Revolução dos Comuneros (1781).
thumb|180px|esquerda|Simón Bolívar em Carabobo.
Em 1810, as jurisdições de Nova Granada expulsaram as autoridades espanholas, exceto em Santa Marta, Riohacha e os atuais Panamá e Equador. O levante de Bogotá, de 20 de julho desse ano, é comemorado como a data de independência da Colômbia. A capital colombiana, a essa época, contava com cerca de 50 mil moradores. A rivalidade entre os grupos que propugnavam uma federação e aqueles que tentavam centralizar a autoridade nos novos governos provocou uma série de guerras civis, que facilitou a reconquista, pela Espanha, das Províncias Unidas de Nova Granada, entre 1814 e 1816.
As execuções e castigos praticados pelos espanhóis favoreceram a unidade dos setores libertários. Um grupo de patriotas refugiado em Casanare, chefiado por Francisco de Paula Santander, iniciou a luta armada, com apoio de Simón Bolívar. Em 1819, realizou-se o Congresso de Angostura (hoje Ciudad Bolívar, na Venezuela), com delegados de Casanare e algumas províncias venezuelanas, no qual foi proclamada a criação da República da Grã-Colômbia, formada pelo que anteriormente fora o vice-reinado de Nova Granada. No mesmo ano Bolívar invadiu Nova Granada e derrotou os espanhóis na Batalha de Boyacá, em 7 de agosto. Seguiram-se a Batalha de Carabobo (Venezuela), em 1821, e a Batalha de Pichincha (Equador), em 1822, também vencidas por Bolívar.
thumb|180px|Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander no Congresso de Cúcuta, no qual foi aprovada a Constituição da Grã-Colombia.