Aracaju é um município brasileiro, capital do estado de Sergipe. Localiza-se no leste do estado, sendo cortada por rios como o Sergipe e o Poxim. De acordo com o último censo de 2022, sua população é de habitantes, a menos populosa das capitais nordestinas. Somando-se as populações dos municípios que formam a Grande Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, o número passa para habitantes.

É apontada como 3.º capital com menor desigualdade do Nordeste Brasileiro e é considerada a segunda capital do país com menor índice de fumantes. Está entre as capitais com os custos de vida mais reduzidos do país, tendo focado mais recentemente suas ações turísticas na criação de alojamentos coletivos, tais como os albergues. Com um produto interno bruto (PIB) de 18 bilhões de reais, possui o quinto menor PIB dentre as capitais brasileiras.

As terras onde hoje se encontra Aracaju originaram-se de sesmarias doadas a Pero Gonçalves por volta do ano de 1602. No ano de 1699, tem-se notícia de um povoado surgido às margens do Rio Sergipe, próximo à região onde este deságua no mar, com o nome de Santo Antônio de Aracaju. Em 1757, Santo Antônio de Aracaju vivia sem maiores crescimentos e já era incluída como sítio da freguesia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar do Cotinguiba. No dia 2 de março de 1855, a Assembleia Legislativa da Província abriu sessão em uma das poucas casas existentes na Praia de Atalaia. Nesta sessão, tendo previamente analisado a situação em que se encontrava a província, Inácio Joaquim Barbosa, presidente da Província de Sergipe Del Rey, decidiu transferir a capital de Sergipe, que era São Cristóvão, para a cidade portuária que seria erguida ali. A decisão foi recebida com grande surpresa pelos presentes.

Topônimo

thumb|esquerda|Possível origem no tupi ará, gênero de aves, e akaîu, cajueiro. Ambos os termos estão em relação genitiva, o que dá a ideia de origem, pertencimento, e enseja a inversão dos termos (conforme indicam as setas). Segundo Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), o topônimo "Aracaju" pode ter origem no termo tupi arákaîu, que significa "cajueiro dos arás" (ará, gênero de aves + akaîu, cajueiro, formando uma relação genitiva) traduzido diretamente do tupi é cajueiro (ou cajueiros, no plural) dos arás.NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 543.FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 152. Theodoro Sampaio, em seu Tupi na Geografia Nacional, dá uma etimologia semelhante: cajueiro dos papagaios.

Conta-se que antigamente, onde hoje chamamos de Avenida Ivo do Prado, era a Rua da Aurora, rua que serviu de base para que se projetassem todas as outras do centro da cidade, formando um tabuleiro de xadrez, tendo como centro a região onde hoje é a praça Olímpio Campos, ou praça da Catedral. Nessa rua, havia vários cajueiros em toda a sua extensão e alguns papagaios e araras pousavam nos galhos para comer e descansar. Desse fato, temos a visão de onde surgiu o nome Aracaju (ara= arara ; caju= cajueiro).

História A história da cidade de Aracaju está relacionada à da cidade de São Cristóvão, a antiga capital da Capitania de Sergipe (atual estado de Sergipe). Foi a partir da decisão de mudança da cidade que abrigaria a capital provincial que Aracaju nasceu. Fundada em 1855, foi a segunda capital planejada de um estado brasileiro (a primeira foi Teresina, em 1852). Todas as suas ruas foram projetadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, para desembocarem no rio Sergipe. Até então, as cidades adaptavam-se às respectivas condições topográficas naturais, estabelecendo uma irregularidade no panorama urbano, exceto as cidades reais fundadas no século XVI por exemplo (geralmente vilas sedes de protetorados privados a exemplo de Olinda), que eram planejadas de modo linear tendo como base uma cruz de acordo com mapas da época. O engenheiro Sebastião José Basílio Pirro contrapôs essa irregularidade e Aracaju foi, no Brasil, um dos primeiros exemplos de tal tendência geométrica.

Período pré-cabralino Por volta do ano 1000, os índios tapuias que habitavam a região da atual cidade de Aracaju foram expulsos para o interior do continente por povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma era ocupada por um desses povos tupis: o dos tupinambás.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.

São Cristóvão No início da colonização portuguesa da região onde hoje se encontram Aracaju e cidades vizinhas, ela estava sob a jurisdição da Capitania da Baía de Todos os Santos, que hoje é o estado da Bahia. A princípio, essa região era território do líder indígena Serigi, que dominava desde as margens do Rio Sergipe até a do Rio Vaza-Barris.

Em 1590, o militar português Cristóvão de Barros atacou as tribos do cacique Serigy e de seu irmão Siriri, derrotando-os. Assim, no dia 1 de janeiro de 1590, Cristóvão de Barros fundou a cidade de São Cristóvão junto à foz do Rio Sergipe e definiu a Capitania de Sergipe, ainda subordinada à Capitania da Baía de Todos os Santos. Mais tarde, a cidade foi transferida para as margens do Rio Poxim e, enfim, para o Rio Paramopama, afluente do Vaza-Barris.

Assim, São Cristóvão tornou-se a capital da província. Diferente do que aconteceu nos outros estados da Região Nordeste, a capital de Sergipe ficava a mais de vinte quilômetros de distância do mar (caso similar ao de João Pessoa, mas esta não perdeu o status de sede com o pretexto da transferência do porto para um município vizinho, apenas houve um decaimento no bairro do porto fluvial; vale lembrar que tanto Filipeia quanto São Cristóvão eram as duas maiores e mais antigas cidades reais de uma vasta área costeira a norte da então capital Salvador). Desta forma, seus portos, por onde passavam navios, ficavam nos rios.

De povoado a capital thumb|upright|esquerda|Mapa da Barra e do Porto de Aracaju (c. 1894)

As terras onde hoje se encontra Aracaju originaram-se de sesmarias doadas a Pero Gonçalves por volta do ano de 1602. Eram compostas de 160 km de costa, mas, em todas as margens, não existia nenhuma vila, apenas povoados de pescadores.

No ano de 1699, tem-se notícia de um povoado surgido às margens do Rio Sergipe, próximo à região onde este deságua no mar, com o nome de Santo Antônio de Aracaju. Seu capitão era o indígena João Mulato. Em meados do século seguinte, em 1757, Santo Antônio de Aracaju vivia sem maiores crescimentos e já era incluída como sítio da freguesia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar do Cotinguiba.

Na então capital de Sergipe, São Cristóvão, haviam dificuldades com relação aos portos. Como a capital ficava no interior do estado, a navegação até os portos era somente fluvial, o que era um inconveniente, uma vez que os maiores navios não tinham passagem por conta da tonelagem, fazendo os portos sergipanos servirem apenas para pequenas embarcações.

A partir de 1854, a praia que hoje se situa no território de Aracaju, perto da foz do Rio Sergipe, despertou grande interesse do governo da província de Sergipe, que transferiu a alfândega e a Mesa de Rendas Provinciais para aquele local e construiu uma Agência do Correio e uma Sub-Delegacia Policial. Além disso, um porto foi construído na praia, denominada "Atalaia".

A província necessitava de um porto de porte maior para seu progresso. No dia 2 de março de 1855, a Assembleia Legislativa da Província abriu sessão em uma das poucas casas existentes na Praia de Atalaia. Nesta sessão, tendo previamente analisado a situação em que se encontrava a província, Inácio Joaquim Barbosa, presidente da Província de Sergipe Del Rey, decidiu transferir a capital de Sergipe, que era São Cristóvão, para a cidade portuária que seria erguida ali. A decisão foi recebida com grande surpresa pelos presentes.

Assim, no dia 17 de março de 1855, Inácio Joaquim Barbosa apresentou o projeto de elevação do povoado de Santo Antônio de Aracaju à categoria de cidade e a transferência da capital da província para esta nova cidade, que foi chamada simplesmente de Aracaju. Foi um dos momentos mais importantes e de maior repercussão da história de Sergipe. A nova localização da capital iria beneficiar o escoamento da produção principalmente açucareira da época, além de representar um local mais adequado para a sede do governo para o desenvolvimento futuro. A cidade de São Cristóvão não se revoltou de forma violenta contra a decisão, tendo apenas feito manifestações de protesto. Dessa forma, Aracaju passou à frente de várias cidades já estruturadas, com melhores condições enquanto desenvolvimento urbano. Cidades como Laranjeiras, Maruim e Itaporanga se apresentavam em condição superior à de Aracaju. Desde então, Inácio Joaquim Barbosa vem sendo considerado o "fundador de Aracaju", tendo atualmente um monumento em sua homenagem na Orla de Atalaia. Por não se ter tido êxito em encontrar nenhum retrato do presidente de Sergipe, o monumento não é uma estátua, mas uma estrutura de aço de 5,5 metros de altura e 2 200 quilogramas.

thumb|Vista da cidade de Aracaju (c. 1903) thumb|Delegacia da Receita Federal em Aracaju (c. 1920)

Somente em 1865 a capital se firmou. A partir dessa data ocorre um novo ciclo de desenvolvimento, que dura até os primeiros e agitados anos da proclamação da República. Em 1884, surge a primeira fabrica de tecidos, marcando o início do desenvolvimento industrial. Em junho de 1886, Aracaju tinha 1 484 habitantes e já havia a imprensa oficial e algumas linhas de barco para o interior. Em 1900, inicia-se a pavimentação com pedras regulares e são executadas obras de embelezamento e saneamento. Centro do poder político-administrativo, a Praça do Palácio (atual Praça Fausto Cardoso) foi o ponto de partida para o crescimento da cidade, pois todas as ruas foram ordenadas geometricamente para terminar no Rio Sergipe.

Segunda Guerra Mundial Em 15 de agosto de 1942, o submarino nazista U-507, liderado pela Kriegsmarine, afundou três navios brasileiros, Baependy, Araraquara e Aníbal Benévolo, a menos de 10 km da costa de Aracaju, deixando cerca de 600 mortos. A ação militar foi repudiada por diversos países do continente e serviu de estopim para que o presidente Getúlio Vargas declarasse guerra contra o Eixo. Vários corpos chegaram boiando a costa e o combustível dos navios manchou o mar. A população de Aracaju exigiu vingança ao Poder Público. A coleta dos corpos foi improvisada e precária, e vários dos mortos foram enterrados no cemitério dos Náufragos. Os sobreviventes foram espalhados em diversos alojamentos da cidade.

A população da cidade entrou em pânico, tanto pelos conhecidos mortos quanto pelo desconhecimento de muitos sobre o que era um submarino. Em 1943,130 pessoas passaram por um treinamento de defesa a ataques aéreos feito pela recém-criada Diretoria de Defesa Passiva, onde aviões brasileiros jogavam sacos de areia para simular bombas. A cidade também passou a investigar simpatizantes do nazismo, apelidados de Quinta Coluna. Vários estrangeiros alemães e italianos foram presos e tiveram seus bens destruídos. Nicola Mandarino foi notoriamente preso por ser acusado de ter um rádio capaz de transmitir informações a navios do Eixo, mas foi solto por falta de provas. Um grupo foi desmantelado pelo Poder Público. Ele era composto por integralistas brasileiros e estrangeiros. Nicola Mandarino, italiano, foi preso portando 456 cartuchos de guerra ogivais, 1.402 balas de rifles, 75 cartuchos de guerra pontiagudos, além de 19 bananas de dinamite. Além disso, ouve grande participação sergipana na FEB. Oficialmente, 277 sergipanos contribuíram para a força expedicionária. Os jornais da época demoraram para notificar os acontecimentos por causa da censura do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda.

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