A Congada Terno de Sainha Irmãos Paiva http://www.projetoguarara.com.br/Texto%20grupos%20terno%20de%20congo.pdf(popularmente conhecidos como Terno de Sainha Irmãos Paiva) é um grupo folclórico que retrata a Festa de Congo na cidade de Santo Antônio da Alegria. A tradição de família é repassada entre as gerações, que exercem o importante trabalho de levar o nome do terno adiante.

Tradição Perpetuada por Gerações

thumb|Dona Geralda Paiva em meio ao Terno dos Irmãos Paiva, com filhos, netos, bisnetos e amigos. O Terno de Sainha Irmãos Paiva foi fundado pelas famílias Paiva e Custódio, pelo Senhor José Paiva, mais conhecido por Zequinha Paiva, e o Senhor Pedro Custódio Filho; ambos foram capitães de terno de Congo. Os filhos deles, Geralda Rita da Cruz, filha do Sr. Pedro Custódio e João Paiva (ou João Paivinha), filho do Sr. Zequinha Paiva, apaixonaram-se, casaram-se e constituíram família. Entretanto, continuaram com a tradição dos pais de levar o Terno de Congo João Paivinha adiante, até a Dona Geralda assumir o comando depois da morte de seu marido. Os filhos de Dona Geralda e do Sr. João Paivinha assumiram o posto juntamente com a mãe e mudaram o nome do terno para Terno dos Irmãos Paiva. Desde então, todos os anos, os irmãos Paiva se apresentam lado a lado nas festas de congo da cidade ou nas várias apresentações pelo estado de São Paulo. A confecção das roupas e coroas, dos enfeites, dos instrumentos e reparos nas peças do terno ficava por conta de Dona Geralda Paiva, além de ensaiar e organizar todo o grupo nos ensaios e nas apresentações. Dona Geralda Paiva era uma mulher guerreira, batalhadora e muito especial, pois acolhia sempre os mais necessitados em sua casa o que fez com que a educação dos seus filhos fosse baseada na humildade e na simplicidade. As marcas que a matriarca da família Paiva deixou de herança são valiosas para toda a família. Dona Geralda Paiva faleceu no dia 27 de fevereiro de 2010 deixando filhos, netos, bisnetos e um enorme legado de cultura e tradição na festa do congo.http://www.ape.es.gov.br/espiritosanto_negro/historia_congo.htm

Congada Terno de Sainha Irmãos Paiva thumb|esquerda|Apresentação do Terno de Sainha Irmãos Paiva. thumb|Congada Terno de Sainha Irmãos Paiva thumb|Foto tirada da Corte do Congo na festa de 2007. É uma festa folclórico-religiosa de origem afro-brasileira, o grupo já possui mais de cem anos de tradição e já esta na quinta geração. Um dos fatores fundamentais na história do Terno do Congo de Sainha Irmãos Paiva é o interesse das famílias e, principalmente, das crianças, que não deixam a tradição morrer, participando sempre com orgulho.

Segundo historiadores, a congada trata-se de um ato popular brasileiro de influência africana, sendo criação de negros escravos no Brasil. Desde 1674, era comum a coroação de Reis do Congo no Brasil, realizada em uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, conhecida também como Padroeira dos escravos do Brasil colonial. Nesta ocasião, eram escolhidos um casal como Rei e Rainha do CongoFERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 453. que prosseguiam em procissão até a igreja, onde eram coroados pelo vigário.

Os Ternos são grupos de pessoas, formados por homens, mulheres e crianças, caracterizados por figurinos e instrumentos. Estes, saem as ruas onde fazem alusivas aos Santos Padroeiros ou ao povo; nesta ocasião, pessoas que alcançaram graças e milagres, através dos santos, acompanham os ternos, cumprem suas promessas, recolhem ofertas, muitas vezes descalças, vestidas de anjos ou acorrentadas.

Segundo os relatos populares, a Congada em Santo Antonio da Alegria já existe há mais de setenta anos e vem sendo passada de pais para filhos, sendo na maioria, da Família Paiva.

Inicialmente a festa era de seis dias, já tendo sido realizada em Fevereiro, Outubro e atualmente ocorre na primeira semana de Setembro. Pelo menos quinze dias antes da festa, são levantados os Mastros com as bandeiras dos Santos Padroeiros: Nossa Senhora do Rosário, São Domingos, Santa Catarina, São Roque, Santa Ifigênia e São Benedito.

Tanto o Rei Congo, quanto a Rainha, são negros, pois a festa tem como origem uma diversão para os escravos negros. Porém os brancos também podem participar. O Rei Congo é uma autoridade durante o ato, onde nenhum terno sai para dançar sem o consentimento dele. Ele também fica a disposição das pessoas e do ternos.

José Lúcio, Pedro Custódio, José Candido, Vitor Lopes Ferreira e João Ribeiro da Silva (João Pequeno), já foram Reis Congo. Benedito Miguelino, é o Atual Rei Congo, tendo substituído o Senhor João Tomáz que este no cargo por muitos anos. A Rainha Congo atualmente é Maria de Lourdes da Silva, ela assumiu o cargo no ano de 2006, com o falecimento da Rita Maria de Paiva, que era a Rainha desde 1966.

Atualmente o Vice Rei é o Senhor Izoldino José Tomáz e a Vice Rainha é a Senhora Maria José da Silva. O Príncipe é o Senhor José Cosme Delfino e a Princesa Senhora Francisca Pio.

Além do Terno dos Irmão Paiva, já existiram outros Ternos em Santo Antônio da Alegria, entre eles, Terno do José Fidélis, Terno do João Anjinho, Terno do Maximino (Moçambique), Terno do Sr. Belmiro, Terno do Sr. José Luis (Moçambique), Sr. Venerando e do Sr. João "Figa", Mineiro e Sr. Jeremias Mamede Garcia.

Hoje em dia, existem três ternos na cidade, o Terno do José Aberdal da Silva (ICO), o Terno do Sr. Hélio (Moçambique) e o Terno da Família Paiva, sendo o mais antigo e tradicional da cidade.

O grupo fez parte do calendário da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, sendo a capa dele em 1981.Também foi capa da revista de Olímpia.

Crença Religiosa ou Manifestação Cultural? thumb|180px|Bandeireiro Tota Paiva com a bandeira de São Benedito do Terno dos Irmãos Paiva thumb|esquerda|180px|Bandeira de São Benedito - Terno dos Irmãos Paiva thumb|180px|Procissão com o andor dos Santos padroeiros da Festa de Congo - Igreja Matriz de Santo Antônio da Alegria/SP

A Congada, também conhecida como Congo ou Congado, é uma manifestação cultural e religiosa de origem Africana, uma festa de rua que reúne tradições mouras e cristãs. O Terno dos Irmãos Paiva se apresentam na cidade de origem, Santo Antônio da Alegria.

Por tradição, 15 dias antes da Festa de Congo do município é feito o hasteamento das três bandeiras no centro da praça da igreja Nossa Senhora do Rosário.

Os mastros com as bandeiras, representam os santos padroeiros da festa. Os santos homenageados são: São Domingos, Santa Catarina, São Roque, Santa Ifigênia, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que segundo a tradição antiga do terno são os seis santos que estão no rosário de Maria e em cada Bandeira tem a imagem de dois santos.

O Terno dos Irmãos Paiva tem por padroeiro São Benedito, que é homenageado na bandeira do Terno.

Uma semana após o hasteamento, inicia-se a festa de congo com apresentações de todos os grupos, inclusive o Terno. A tradição da festa é seguir pelas ruas da cidade, entoando os cantos próprios do congado e ir se apresentando em cortejo até a praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Chegando lá, saúdam-se a corte do congado e dentro da igreja agradecem em fila os seis santos patronos da festa e saem em procissão, cada um carregando consigo o andor de um santo.

Além disso, tradição da festa de congo na cidade, é marcada pela devoção e fé dos munícipes. As promessas feitas durante a festa para os seis santos patronos da congada, como é dito popularmente são "pagas" no ano seguinte da promessa.

Assim, no próximo ano a pessoa que fez a promessa se torna festeira (festeiro: pessoa que oferece o almoço um dia específico da festa para o Terno ou algum grupo que participa da Congada. O almoço é para além dos integrantes do Terno, todos aqueles que comparecerem na casa do festeiro, ficando aberto ao povo).

A maioria das promessas é em honra a São Benedito, que é o padroeiro do Terno dos Irmãos Paiva. Antes e após as refeições os integrantes do Terno fazem agradecimentos aos donos da casa e a São Benedito. Também recebem doações em dinheiro para ajudar na manutenção das vestimentas e instrumentos do terno.

Além dos festeiros, há também os "guardadores da bandeira". Essa responsabilidade é familiar, passada de pai para filho. Um homem que fez a promessa de guardar a bandeira quando termina a festa até começar a próxima do ano seguinte, as suas futuras gerações recebem como herança essa promessa e assim é cumprido todos os anos.

A Festa em Santo Antônio da Alegria acontece sempre em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário e o arriamento das bandeiras marca o final das festividades, geralmente na segunda-feira.

Vestuário, Cada Detalhe uma História

thumb|150px|vestimenta utilizada no terno dos irmaos paiva thumb|150px|vestimenta utilizada mais antigamente thumb|150px|criança com a vestimenta completa

A história do Terno de Sainha Irmãos Paiva nos chamou a atenção pelo fato de ser o único no Brasil, pois é o último terno que utiliza nas apresentações o mesmo traje que usavam há cem anos, devido ao significado importante que este carrega consigo.

Não existe outro Terno no Brasil que use a mesma vestimenta. Os ornamentos que acompanham a roupa foram sendo modificados com o tempo, mas toda a composição há o seu significado.

Por exemplo, a coroa que significa A Santíssima Trindade: "Pai, Filho e Espírito Santo" e também faz uma homenagem a Princesa Isabel, pois ela utilizou as músicas de congo na libertação dos escravos, as mesmas que os referidos ouviam nas senzalas para aliviar o sofrimento.

O vestido foi inventado na época do império, fazendo referência ao que as mulheres usavam, eram vestidos longos com a vestimenta intima chegando a altura do joelho.

Foi encurtado pelos irmãos, para que esta vestimenta íntima pudesse aparecer.

O vestido é rosa, por significar a cor da felicidade e da alegria, as fitas coloridas cruzadas em X na vestimenta simbolizam a felicidade dos escravos pela libertação e a paz.

O afinco da família Paiva de manter a tradição da vestimenta, se confirma na preocupação e dedicação que cada integrante tem com a sua roupa.

O Terno não possui roupas individuais, pois com a escassez de recursos, não é possível fazer uma peça com as medidas exatas de cada pessoa. O que seria o modo correto até porque ninguém tem o tipo físico semelhante.

Em agosto de 2014 a Prefeitura de Santo Antônio da Alegria auxiliou o terno com uma doação de tecido e mão de obra para a confecção de novas fardas.

Infelizmente pela doação ter sido próximo ao mês da festa, as vestimentas tiveram que ser em tamanhos padronizados, não tendo tempo suficiente para cada integrante ter a sua roupa e poder cuidar com todo o zelo que o Terno recomenda.

Sendo assim, a apresentação na Festa de Congo da cidade de Santo Antônio da Alegria em 2014 teve a sua frota de vestimentas renovadas após 8 anos consecutivos, usando a mesma roupa.

Ainda era necessário alguns ajustes, pois algumas peças ficaram em tamanhos menores, mesmo assim o coordenador não desistiu das roupas e usaram a criatividade na hora de se vestirem.

Porém a ideia é que até o ano de 2015, o Terno consiga doações para a aquisição dos tecidos e assim poder confeccionar as roupas para cada integrante d Terno.

O principal aspecto a ser destacado na questão, vestuário, é a dedicação por parte de todos os integrantes em relação a cada detalhe ser preservado.

Cada membro fica responsável por adornar o próprio capacete, do jeito que mais achar conveniente respeitando sempre a hierarquia, Pai, Filho e Espírito Santo. Muitos utilizam, lantejoulas, mini terços, glitter, pedrarias, entre outras adereços.

Além do capacete, há também a preocupação com a roupa que lhe é entregue, pois todos ficam responsáveis por ela, em dias de apresentação. Recomendá-se cuidado para não manchar, rasgar ou danificar qualquer parte da peça.