Cleber Machado (Porto Alegre, 25 de junho de 1937) é um artista brasileiro. Escultor e pintor, hoje mora e trabalha em São Paulo. Expõe individualmente desde 1971 e em grupo desde 1968. A literatura do artista inclui textos de importantes críticos. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais e sua obra integra importantes acervos públicos e particulares.
Filho de Marina Machado Neto e João Pedro Pereira Neto, em 1960, Cleber muda-se com a família para o Rio de Janeiro, onde começa a participar do movimento estudantil, ao lado dos amigos e também artistas da Escola de Belas Artes do Rio, Artur Barrio e Rubens Gerchman. Em 1968, em meio a passeatas e o Salão Nacional de Arte Moderna, é preso e solto em 24 horas - por influência de um amigo do pai. O susto o afastou das manifestações de rua, mas não lhe tirou o interesse e engajamento político. Antes de definir-se como escultor, quando morava no bairro de Santa Tereza, Cleber começou a desenhar e produzir joias em prata e em acrílico. Incursão que lhe rendeu o Prêmio de Pesquisa em Joia, na 11ª Bienal de São Paulo. Anos mais tarde, ele retoma a produção de joias, dessa vez ainda mais fortemente influenciado pela escultura, com a criação da Linha Sculpture to Wear, composta de verdadeiras esculturas para serem usadas nos dedos como anéis.
Entre 1970 e 1974, manteve um estúdio no bairro de Botafogo onde ministrou diversos cursos e, à convite da Bienal de São Paulo, participou da Sala Brasília, tendo um trabalho adquirido pelo Presidente Juscelino Kubitschek para compor o acervo do futuro Museu de Arte Brasileira, construído na capital federal.Depois de uma passagem por Guaratiba, praia a 40 quilômetros do Rio, onde retomou uma antiga paixão pela caça submarina, muda-se para São Paulo e realiza com o MAM-SP uma exposição às margens do Lago do Ibirapuera. De São Paulo embarca para um período em Nova Iorque e, na sequência, se estabelece por três anos na Cidade do México onde mostra sua instalação "Arqueologia do ano 4000" (segundo ele, uma grande responsabilidade, já que seu trabalho foi exposto logo após o encerramento da exposição de Henry Moore.
De volta ao Brasil e ao Rio de Janeiro, Cleber constrói um estúdio no bairro de São Cristóvão onde segue trabalhando por dois anos. Sua participação na 20ª Bienal Internacional de São Paulo é marcada pela performance “Terra, Água e Ar”, de um helicóptero que simula a presença e aterrissagem de um disco voador no Lago do Parque Ibirapuera.No início dos anos 90, volta a morar em São Paulo e, recuperado de um período de depressão, retoma com ainda mais vigor sua linguagem original, como ele mesmo gostar de chamar, a ”geometria onírica”. A volta ao trabalho é marcada por uma exposição no jardim da Casa das Rosas (atual Espaço Haroldo de Campos de Poesia).
Exposições Individuais 1971 - Museu de Arte do Rio de Janeiro - MAM Rio 1980 - Museu de Arte Moderna de São Paulo - MASP 1983 - Museo de Arte Moderno - México 1984 - Museu de Arte do Rio de Janeiro - MAM Rio 1997/98 - Casa das Rosas - São Paulo 1999 - Ricardo Camargo Galeria - São Paulo 2000 - A Estufa - São Paulo
Cleber Machado por O teórico e crítico de arte argentino Fermín Fèvre (1939-2005) coloca Cleber como um dos escultores mais prestigiados do Brasil, que, apesar das diferentes fases e suas respectivas diversas ênfases, mantêm um trabalho de extraordinária continuidade.
Referindo-se a obra “Cubo-Esfera-Cubo”, o autor e escritor suíço Peter Karl Wehrli qualifica como uma tarefa histórica a façanha de Cleber de cubificação da esfera e esferação do cubo.
O professor doutor e matemático Luiz Barco visita o ateliê de Cleber Machado, lança a questão se o Universo é ou não infinito e narra seu encontro com o Cubo-Esfera-Cubo.
Aracy Amaral percebe o desafio da escultura na trajetória de Cleber. Sejam as questões de equilíbrio exploradas nos projetos de móbiles da metade dos anos 1960, ou a força rara de combinações não convencionais de materiais, como o vidro e a madeira. Em seguida, destaca a fixação em formas geométricas, que se mantém até hoje.
Exposições Coletivas 1968 a 1971 - Salão Nacional de Arte Moderna - Brasil 1970 - BankBoston - Arte Contemporânea Brasileira - Rio de Janeiro - Brasil 1970 - Pré Bienal de São Paulo - Brasil 1971 - XI Bienal Internacional de São Paulo - Brasil 1971 - Festival Panamericano de Cultura - Cali - Colômbia 1972 - Brasil Plástica 72 - Bienal de São Paulo - Brasil 1972 - 1991 - Panorama da Escultura Brasileira - MAM - São Paulo - Brasil 1975 - XIII Bienal Internacional de São Paulo - Brasil 1979 - XV Bienal Internacional de São Paulo - Brasil 1979 - Espaço Alternativo "Galpão"- São Paulo - Brasil 1982 - 12a. International Sculpture Conference - San Francisco - EUA 1982 - 100 Anos de Escultura Brasileira - MASP - São Paulo - Brasil 1987 - Arte Contemporânea Brasileira - Tendências - Rio de Janeiro - Brasil 1989 - XX Bienal Internacional de São Paulo - Eventos Especiais, São Paulo - Brasil 1991 - Gallerie Montesanti, International Art Fair, Bogotá - Colômbia 1991 - Bienal Internacional de Makurazaki - Japão 1996 - Museu Brasileiro da Escultura- São Paulo - Brasil 1998 - Museu de Arte Contemporânea de Campinas Toque de Mestre - São Paulo - Brasil
Projeto Nova Iorque Como disse o crítico de arte e amigo pessoal de Cleber, Pierre Restany, em texto escrito por ele em 1982, “...Machado é, efetivamente, um portador de mensagens. Ele concebeu todo um programa de intervenções, do qual “Octopus” é o ponto de partida, para dar à sua arte a envergadura existencial de um fenômeno vital.Olhe no céu de Nova Iorque a evolução de um polvo gigante. Quais serão as reações das pessoas numa esquina? A imaginação toma o poder entre os arranha-céus de Wall Street, acaricia a Estátua da Liberdade. Mais do que arte em liberdade, Machado tenta interessar-nos em nossa essencial liberdade de ser. Seu sonho, se compartilharmos, é uma chamada à ordem, à ordem existencial, à lei da grande natureza.”
Projeto São Paulo Um ovni em São PauloPara ser apresentada nos Eventos Especiais da 20ª Bienal Internacional de São Paulo (1989), Cleber Machado prepara uma interferência urbana para lá de especial. Do Aeroporto de Congonhas (SP), um helicóptero disfarçado de disco voador decola, equipado com 20 fachos de luz verdes e azuis. O “disco” voa sobre a cidade por volta de 40 minutos, descrevendo rotas simétricas e desce em espiral sobre o lago do Parque Ibirapuera.
Segundo Cleber, o objetivo dessa interferência é possibilitar um mergulho da fantasia na realidade, provocando os indivíduos, estimulando-os a novas sensações ou nova percepção da realidade.
Coleções Selecionadas
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM Rio Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM SP Museu de Arte Moderno - México Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado - MAB FAAP - SP Museo Rayo-Roldenibe Del Vale - Colombia Museu de Arte Brasileira - Brasília - Brasil Centro de Arte Latino Americano - México - DF Museo de Arte Americano - Manágua - Nicarágua Arquivo do Estado de São Paulo- Brasil Museo de Arte Moderna - La Tertulia - Cali - Colômbia Museo Casa Del Lago - México - DF Nanmeikan Art Modern - Makurazaki - Japão Museo El Chopo - México - DF Museu de Arte de Londrina - Paraná - Brasil
Prêmios 1970 - Arte Contemporânea Brasileira - BankBoston 1971 - Pesquisa Joia - XI Bienal Internacional de São Paulo, Brasil 1972 - Pesquisa - I Bienal Nacional São Paulo, Brasil 1991 - Especial Escultura - II Bienal Internacional Makurazaki, Japão
Ligações externas Art Bonobo Bolsa de Arte Galeria Espaço Arte MAM - Jardins das Esculturas Ricardo Camargo Galeria Itaú Cultural D'Ambrosio MAM-SP
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