Montilla éum município da Espanha na província de Córdova, comunidade autónoma da Andaluzia. Tem de área e em tinha habitantes ().

História Antiguidade e Idade Média Desde o Paleolítico Inferior, já havia ocupação humana em Montilla, como atestam lascas e bifaces encontrados. Posteriormente, apareceram raspadores e buris do Paleolítico Inferior e do Paleolítico Médio, e sepulturas campaniformes. O Epipaleolítico deixou restos em Montilla, que foi um dos poucos locais da província onde foram encontrados restos desse período, como os da Fonte do Peixe, interessante jazimento de peças microlíticas. O Neolítico deixou abundantes restos desde o Calcolítico, período em que são mais numerosos os jazimentos de cerâmica, ferramentas de sílex, pontas de flechas etc.

Nas imediações do castelo de Montilla, foi constatada a existência de uma antiga povoação pré-romana.

A presença de restos arqueológicos, como uma estátua de Diana caçadora e vias romanas, faz pensar que houve um núcleo hispano-romano; no entanto, ainda não foram encontrados restos que comprovem a existência de uma cidade romana. Perto de Montilla, nos Campos de Vanda, se costuma situar a Batalha de Munda, em , na qual Júlio César enfrentou Pompeu, o Jovem, e Sexto Pompeu, filhos de Pompeu. Depois da vitória de Júlio César, este voltou a Roma para ser nomeado ditador. No entanto, os estudiosos ainda não estão seguros dessa localização, já que nunca apareceu uma prova definitiva que ligue Montilla a Munda. Sua proximidade à via que liga Corduba a Malaca e a outras vias secundárias testemunham que o lugar era habitado e que possuía uma intensa atividade agrícola. De data anterior a esses, há restos de povoamentos tartésicos e iberos no recinto do castelo.

Da época muçulmana, provém o nome Montiya, anterior à castelhanização da terminação -iya do árabe, que denomina grupos humanos, como bairros, povoados, cidades etc. Aparentemente, a região, que foi chamada de Mondelia, era pouco povoada e fazia fronteira com as cidades de Cabra e Córdova.

Pouco se conhece de Montilla durante o período inicial da idade média, incluindo sua própria origem, até sua incorporação à coroa castelhano-leonesa entre fevereiro de 1240 e março de 1241, durante a segunda estadia de Fernando III de Leão e Castela em Córdova. Nessa época, começou o repovoamento com famílias provenientes de Leão. Em 1257, passou a depender de Gonzalo Yáñez Dovinal, a quem concedeu, em senhorio, a vila e castelo de Aguilar, de que dependeria Montilla até 1343, data em que se extinguiu a linhagem da casa de Aguilar.

A titularidade dessas terras mudou várias vezes de mão até que, em 1371, a concedeu a Lope Gutiérrez, alcaide maior de Córdova, separando-a da casa de Aguilar, junto com a independência jurisdicional e o título de vila. Foi quando substituiu a Aguilar de la Frontera como sede do senhorio desse nome. Lope Gutiérrez, por sua vez, a entregou em 1375 a Gonzalo Fernández de Córdova, em troca de seus diversos bens em Guadalcázar. A partir desse momento, Montilla, sem dar nome ao senhorio, se converteu em centro, sede e núcleo do mesmo, situação que se manterá inclusive quando os Reis Católicos outorgam, aos senhores de Aguilar, o título de marqueses de Priego.

A notícia mais antiga que aparece de Montilla é em 1333, e faz referência ao castelo e a seu nome. Dez anos depois, se menciona a povoação, totalmente consolidada, mas, até 1371, não é considerada um município independente de Aguilar. Ao longo do século XV, configurou seu território através de disputas fronteiriças com os conselhos circundantes de Cabra, La Rambla, Castro del Río, Montemayor e Espejo. Sobre o Grande Capitão, sempre houve uma discussão sobre seu nascimento ter se dado em Aguilar ou Montilla, já que, embora tenha nascido em Montilla, esta pertencia na ocasião ao senhorio de Aguilar.

Neste momento, começa o século mais importante na história da cidade, e também um de seus maiores traumas: a destruição do castelo. Séculos XVI, XVII e XVIII Sob os Fernández de Córdova, Montilla se converte no centro do senhorio de Aguilar, suplantando inclusive a essa vila, e se prepara para o desenvolvimento econômico do século XVI. Durante a segunda metade do século XV, experimentou um importante crescimento demográfico, alcançado os 1 166 moradores em 1530, pelo que, depois de Priego de Córdova, a que terminou por suplantar, era a vila mais povoada do marquesado desse nome. Existem testemunhos dessa época sobre o castelo, cuja origem parece remontar a épocas anteriores à Baixa Idade Média. Dele, se conservam apenas restos, já que foi demolido por ordem de Fernando II de Aragão em 1508 como castigo exemplar imposto ao titular da casa de Aguilar (já então primeiro marquês de Priego) e aviso ao resto da nobreza andaluza. As notícias antigas nos informam sobre sua suntuosidade e fama.

No século XVI, o forte crescimento demográfico e o auge econômico influem na ampliação do perímetro urbano, na remodelação arquitetônica da paróquia de Santiago e na criação da totalidade das fundações conventuais: franciscanos em 1512, agostinianos em 1519, clarissas em 1525, jesuítas em 1558 e concepcionistas em 1594. A cidade seguiu forjando o formato que conserva até hoje, e expandiu em direção ao caminho de Córdova graças ao bairro das Tenerías, ou em direção ao sul. Praticamente todo seu atual centro histórico tem sua origem e desenvolvimento nos séculos XV e XVI.

Em 1630, Filipe IV de Espanha lhe concedeu o título de cidade. Nessa época, os direitos senhoriais rendiam grandes benefícios para estes, bem como muitos conflitos com os vassalos. Até 1711, os moradores não tinham o direito de erigir livremente fornos e moinhos. Nessa época, o conselho municipal cumpria as funções de governo e justiça da vila, para o que contava com a renda obtida do arrendamento de seus próprios fornos e moinhos.

O século XVII está ligado a uma paralisação e retrocesso da economia, epidemias, colheitas fracas e fome. Isso não freia o vigor religioso, que é, ao contrário, intensificado com a fundação do hospital de São João de Deus em 1664 e o reconhecimento público do patronato de são Francisco Solano em 1647, quase oitenta anos antes de sua canonização em 1726. Cabe destacar, nesse século, a importância que o teatro adquiriu na localidade, ligado à festa de Corpus Christi e ao amparo do marquesado de Priego. As referências históricas indicam que a importância do teatro foi tal na cidade que Montilla contou com um teatro de comédias em princípios do século XVII, antes inclusive que muitas grandes cidades andaluzas.

O século XVIII trouxe uma recuperação demográfica, sem mudanças substanciais em sua estrutura social, que era encabeçada pelos marqueses de Priego (duques de Medinaceli desde 1711), seguida por algumas famílias nobres, clero, camponeses e artesãos dos mais variados grêmios. Em 1726, foi canonizado o montillano são Francisco Solano, importante evangelizador na América do Sul. Em 1 de abril de 1767, os jesuítas foram expulsos. Em 24 de agosto de 1779, se fundou a primeira Sociedade Econômica de Amigos do País.

Séculos XIX, XX e XXI No século XIX, Montilla possuía 13 224 habitantes, sendo, portanto, considerada uma cidade de tamanho médio. Havia 1 840 casas em 84 ruas, largas, limpas e muito bem calçadas, como descrevem vários tratados, com destaque para as ruas Corredera, Sotollón, Ancha, Enfermería, Torrecilla, San Fernando, Santa Brígida e Puerta de Aguilar, e três praças: Constitución, Palácio e Sileras, assim como o campo de São Agostinho. A cidade contava nesse século com a Prefeitura, o palácio de Medinaceli, escolas, hospital, a paróquia de São Tiago, a igreja de são Francisco Solano, assim como sete ermidas na cidade e quatro nas redondezas, três conventos de frades e dois de monjas. Nesse século, a economia se baseava no setor primário: as produções mais importantes eram azeite (80 000 arrobas, com vendas que se distribuíam a Málaga, Sevilha e Madri), vinho (exportado para a cidade de Córdova, a província de Córdova e Écija, com pedidos inclusive para a Inglaterra), trigo (50 000 alqueires) e outros cereais, leguminosas, hortaliças e frutas. Quanto à indústria, se destacavam o setor agroalimentar, os teares de linho e lã, a cerâmica e as telhas.

O século XIX foi tumultuado. Ocorreram diversos enfrentamentos, seja contra os franceses na Guerra Peninsular, seja entre absolutistas e liberais. Ocorreram, também, a grave epidemia de 1855 e as revoltas contra Isabel II de Espanha.

A revolução de 1868 representou uma etapa de grande agitação política, já que, em Montilla, existiam grupos de democratas organizados. A fraude das eleições por parte da burguesia local criou um ambiente de grande tensão social que deu lugar aos graves acontecimentos de 1873, com a proclamação da Primeira República Espanhola e um motim popular, com assalto e incêndio de casas de várias autoridades municipais, e assassinato de um dos homens mais ricos da cidades ao tentar fugir. Cabe destacar as medidas desamortizadoras do ministro Juan Álvarez Mendizábal (1835), a expedição dos generais carlistas Gómez e Cabrera (1836) e a chegada do transporte ferroviário (1865).

O princípio do século XX se caracterizou pelo enraizamento de ideias republicanas e socialistas, estas por mãos das doutrinas difundidas pelo médico Francisco Palop Segovia, assim como pela multiplicação de organizações operárias e pelo anticlericalismo. Desde então, a cidade se tornou um importante centro republicano, com claro reflexo dessa tendência nas eleições municipais. Depois do triunfo da Revolução Russa de 1917, se iniciou, em Montilla, como em outros lugares da Espanha, um período de agitação social. Em maio de 1917, uma manifestação de protesto foi dissolvida a tiros pela força pública quando marchava pela rua El Santo. Naquele verão, houve várias greves e ameaças de atentados contra pessoas e propriedades, o porta-voz do partido republicano na prefeitura foi detido e a sessão municipal de 1 de agosto se celebrou com a presença da Guarda Civil na sala capitular. Os socialistas obtiveram a maioria nas eleições de 1920, em contínuo enfrentamento com o sindicato católico, que era dirigido pelo conde da Cortina. Durante a ditadura de Primo de Rivera (1923-1930), a indústria vitivinícola da cidade amadureceu e se expandiu enormemente. No âmbito sociocultural, se destaca a figura de dom Francisco de Alvear, Conde da Cortina, que fomenta a chegada das Escravas do Divino Coração e da Congregação Salesiana, ambas consagradas à docência, e o regresso da Companhia de Jesus. Além disso, o conde da Cortina adquiriu a casa de Inca Garcilaso de la Vega para doá-la ao povo de Montilla, com o fim de ali instalar uma biblioteca pública. Com a expansão do setor vitivinícola, os grêmios artesanais ficaram obscurecidos, e a cidade alcançou fama universal pela elaboração de excelentes vinhos, convertendo-se desde 1944 no núcleo mais significativo da denominação de origem Montilla-Moriles.

Nas eleições gerais de 1931-1933, os socialistas obtiveram uma maioria esmagadora. A Guerra Civil Espanhola foi especialmente sangrenta em Montilla, pois ninguém tentou freá-la como em outras localidades: a Igreja Católica participou do golpe e não deu nenhuma demonstração de piedade ou caridade. Tanto párocos como arcebispos casaram e batizaram à força pessoas que iam ser fuziladas no dia seguinte. Os militares controlavam Montilla desde 19 de julho. Foram registrados, entre 1936 e 1939, 114 fuzilamentos em um população de 20 000 habitantes. Posteriormente, se contabilizariam mais dezesseis. No entanto, os historiadores não estão de acordo com relação a esta cifra: a maioria das execuções não era inscrita no registro civil, e mais de trinta por cento dessas execuções foi registrada por testemunho oral, portanto se acredita que o número de execuções foi bem superior. Também foi instalado, em dois colégios femininos, um campo de concentração para prisioneiros republicanos que chegou a reunir mil homens.