Córdova é um município da província homónima, na comunidade autónoma da Andaluzia, na Espanha. O município tem de área e em tinha habitantes ().

História O povoado que viria a dar origem à cidade de Córdova ganhou importância no ano de , quando foi conquistado pelos romanos. A cidade se tornou, então, a capital da província da Hispânia Ulterior (posteriormente, Hispânia Bética). Moradores famosos da cidade nessa época foram Marco Aneu Sêneca, Séneca e Lucano. Dessa época, subsiste a Ponte Romana, com 16 arcos, que liga a parte central da cidade ao Campo da Verdade, no outro lado do Rio Guadalquivir.

Em 411, durante as invasões bárbaras da península Ibérica, a cidade foi saqueada e ocupada temporariamente pelos vândalos. Durante o domínio visigótico, a cidade procurou manter suas instituições romanas, apelando para o imperador bizantino Justiniano, que ocupou a cidade em 550. Em 572, contudo, o rei visigodo Leovigildo a reconquistou.

Em 716, após a invasão muçulmana da península Ibérica, Córdova se tornou sede de província muçulmana, subordinada ao Califado Omíada. Em 756, Abderramão I a tornou sede do Emirado de Córdova. Em 785, começou a ser construída a Mesquita de Córdova no lugar da antiga basílica cristã de São Vicente Mártir, que havia sido construída no período visigodo. Em 929, tornou, a cidade, sede do Califado de Córdova. Por volta do ano 1000, era uma das cidades mais povoadas do mundo, com 450 000 habitantes, tendo sido uma das primeiras a ter iluminação pública.

Durante o domínio muçulmano, foram construídos vários palácios, entre os quais a Cidade-Palácio de Medina Al-Azhara (Madinat al-Zahr), no ano de 936, que foi destruída e saqueada no , mas que viria a ser restaurada posteriormente. Foi construída, também, a cidade-palácio de Madinat al-Zahira ("Cidade Brilhante", também conhecida como "Cidade de Almançor"), bem como várias mesquitas e outros edifícios públicos, no intuito de tornar Córdova uma cidade semelhante a Constantinopla, Damasco, Cairo e Bagdade. Durante o califado de , a biblioteca da cidade era a maior do mundo, com mais de livros. No viveram na cidade os famosos sábios Maimônides e Averróis. Nesse século, porém, com a subida ao poder dos almóadas, a cidade perdeu sua condição de capital de Al-Andalus para a cidade de Sevilha. Isso significou o início de sua decadência.

Em 1236, a cidade foi conquistada pelas tropas de . Logo em seguida, a Mesquita de Córdova foi transformada em catedral cristã, sofrendo, a partir de então, várias modificações arquitetônicas. Em 1315, foi construída a sinagoga de Córdova. No século XIV, os governantes cristãos reformaram várias antigas estruturas defensivas da cidade, como a Torre Fortaleza da Calahorra e o Alcácer dos Reis Cristãos. Em 1478, o alcácer se tornou o centro de comando para a conquista de Granada. Após a conquista, em 1492, o alcácer passou a servir como edifício do Tribunal da Santa Inquisição.

Córdova - Importante posto comercial na antiguidade e o soco Os primeiros registros antigos que citam a cidade de Córdova fazem referência ao surgimento de um posto comercial nas imediações da cidade, ou seja, o comércio de mercadorias se mistura com o surgimento de Córdova, inclusive, tendo mais destaque que a própria cidade durante sua fundação em  

O apogeu de Córdova como um importante posto comercial só se dá durante o Califado de Córdova, proclamado por em 929 após o fim do Emirado independente instaurado em 765 por Abderramão I, que perdurou oficialmente até 1031.

Durante o Califado de Córdova, a cidade tornou-se a mais povoada, culta e opulenta de toda Europa, sendo esse um momento de máximo esplendor político, cultural e, principalmente, comercial. Devido a seu grande contingente habitacional e a oferta variada de produtos que eram comercializados na cidade, Córdova, durante esse período e no decorrer da Idade Média, se destacou como um importante posto comercial, sobretudo com forte influência arábica devido ao controle árabe da região, tendo o aflorecimento da cultura do soco na cidade, que aliás perdura até os dias atuais.  

O soco (do árabe سوق sūq) é o nome dado em castelhano a todos os tipos de mercados tradicionais dos países árabes, especialmente aqueles realizados ao ar livre e que muitas vezes acontecem em um determinado dia da semana ou em uma certa época do ano. Embora a palavra possa ser estendida a todos os tipos de mercados tradicionais, nos socos o comércio de manufaturados (peças artesanais) e especiarias típicas possuem papel principal.

Patrimônio mundial da UNESCO A Mesquita-Catedral é Monumento Nacional desde 1882 e foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1984. Alguns anos mais tarde, em 2014, elevou a sua qualificação para Bem de Valor Universal Excepcional. Em 17 de dezembro de 1994, a UNESCO estendeu a todo o centro histórico a declaração de Patrimônio da Humanidade que a Mesquita de Córdova já possuía. Pedro Roso foi diretor de Cultura e Educação da Câmara Municipal de Córdova, instituição então presidida por Hermínio Trigo. Para convencer a UNESCO dos benefícios da cidade velha, foi necessário fazer um arquivo e, para isso, a máquina municipal teve que ligar mais rápido que o normal. Foi no dia 9 de setembro de 1993 quando, após aprovação pelo plenário municipal, Roso foi incumbido pelo prefeito de constituir uma comissão especial de informação para divulgar o expediente que pretendia ampliar a declaração que a mesquita já usava. “Era um assunto polêmico”, lembra Pedro Roso, já que aquela declaração trazia e traz “muito mais obrigações do que direitos”.

Na cidade, as paredes conservam-se pintadas de branco, as ruas são estreitas e os pátios são coloridos, mantendo-se uma morfologia tipicamente mourisca. Como tal, o centro histórico de Córdova é um dos contemplados pelo estatuto de Património Mundial atribuído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), tendo sido pela primeira vez inscrito em 1984, e tendo, dez anos mais tarde, englobado a extensão da Mesquita-Catedral.

Arquitetura Considerada como uma cidade milenar, Córdova dispõe do segundo maior centro histórico da Europa, a maior área urbana do mundo declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Nesse espaço, aglomeram-se numerosos edifícios históricos, com destaque para a Mesquita de Córdova - reconhecida como o símbolo mais importante da cidade -, e para a Ponte Romana, que juntas criam a faceta mais conhecida. Proveniente do período de posse romana, podem-se encontrar, além da ponte, o Templo Romano situado na rua Claudio Marcelo e destinado ao culto imperial, o teatro romano localizado aos fundos do Museu Arqueológico e Etnológico de Córdova, o mausoléu romano dedicado a uma rica família da época, o fórum colonial, o fórum adiectum, e os restos históricos do palácio do imperador Maximiano Hercúleo, no sítio arqueológico de Cercadilla.

Próximo da mesquita-catedral encontra-se o antigo bairro judeu formado por diversas ruas irregulares, onde é possível visitar a sinagoga e a casa de Sefarad. Na região Sul da cidade velha e a leste da mesquita, situada na Plaza del Potro, está a Posada del Potro, que foi citada em importantes obras literárias como Don Quijote e La Feria de los Discretos. A praça e a pousada recebem o mesmo nome da fonte localizada no centro da praça, que representa um potro. Ademais, na parte sudoeste da cidade velha encontra-se o Alcázar de los  Reyes Cristianos, a antiga residência dos reis e quartel-general da Inquisição, e próximo a ele estão os Estábulos Reais, um local utilizado para a reprodução de cavalos andaluzes.

No decorrer do Rio Guadalquivir existem moinhos que eram utilizados para moer farinha através da força da corrente. Estes moinhos de Gualdaquivir representam cerca de onze fábricas edificadas na época muçulmana da cidade.

Envolvendo o grande centro histórico está a antiga muralha romana, a qual apresentava treze portas. Delas, restaram apenas três: a Puerta de Almodóvar, a Puerta de Sevilla e a Puerta del Puente. Dentre as estruturas que foram conservadas estão algumas torres, como a Torre de Malmuerta , a Torre de Belém e o Portão de Esquina da Torre; e os pontos fortes da Torre Calahorra e da Torre de Donceles.

Também existem alguns edifícios palacianos distribuídos pela cidade velha, como o Palácio de Viana, o Palácio de la Merced, o Palácio de Orive, o Palácio dos Aguayos, o palácio da lua, o palácio do Duque de Medina Sidonia, o palácio do Marquês de El Carpio, o palácio do Marquês de Benamejí, entre outros.

Nas redondezas da cidade encontra-se o sítio arqueológico da cidade de Medina Azahara (Madinat Al-Zahra), que, juntamente à Alhambra de Granada, constituem o ápice da arquitetura hispano-muçulmana.

Outros monumentos são a Cuesta del Bailío e o minarete de San Juan, proveniente de uma antiga mesquita.

Igrejas Fernandinas Em Córdova existem doze igrejas fernandinas, templos religiosos cristãos que foram erguidos após a conquista da cidade em 1236 por Fernando III, El Santo. Algumas se ergueram a partir da transformação de algumas mesquitas já existentes, que haviam sido igrejas no período visigótico. Esses templos estão distribuídos por sete bairros de Córdova, incluindo o território da Axerquía. Essas, desempenhavam dois importantes papéis, sendo centros espirituais da cidade e funcionando como igrejas, e também centros administrativos, já que eram o órgão governamental dos locais em que estavam localizadas desde a Idade Média até o século XX. Algumas delas ainda se conservam até os dias atuais, como: Igreja de São Nicolau da Vila, que se localiza na rua Concepción. Igreja de São Nicolau da Axerquía, que se encontra desaparecida e se situava no Paseo de la Ribera. A maioria de seu mobiliário e outros itens Igreja de São Francisco. Igreja de São Miguel, situada na praça de San Miguel. Igreja de São Juan e Todos os Santos, situada na rua Lope de Hoces.   Igreja Santa Marina de Águas Santas, situada na praça de Santa Marina. Igreja de Santo Agostinho, situada na praça de San Agostín.   Igreja de Santo André, situada na rua Realejo. Igreja de São Lourenço, situada na praça San Lorenzo.   Igreja de São Tiago, situada na rua Agustín Moreno.   Basílica de São Pedro, situada na praça de San Pedro. Lá se encontra a urna de prata com as relíquias dos Santos Mártires de Córdova, fonte de grande devoção na cidade e líderes da Irmandade da Misericórdia. Foi declarada Basílica menor pelo Papa Bento XVI no ano de 2006.   Igreja da Madalena, situada na avenida Ronda de Andújar. Atualmente, a Igreja não é objeto do culto católico, mas é utilizada enquanto equipamento cultural, sobretudo pela fundação CajaSur.   Igreja de São Paulo, sendo sua entrada principal em Capitulares e entrada lateral na rua San Pablo. Faz parte da Manzana de San Pablo, que é um grande jardim, hoje convertido em parque, de onde se podia contemplar palácios e casas senhoriais, entre elas o Palácio de Orive (também chamado de palácio dos Villalones), motivo pelo qual o jardim é também conhecido por “Jardines de Orive”. Nesse pomar, foram descobertas as ruínas de um antigo circo romano na década de 1990.

Pontes