O MATOPIBA é uma região de expansão agrícola localizada no Brasil, que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O nome é um acrônimo formado pelas iniciais desses quatro estados e foi criado para designar a principal fronteira agrícola brasileira do século XXI, situada predominantemente no bioma cerrado. Reconhecida pela sua elevada produtividade e pela adoção de tecnologias agrícolas avançadas, a região destaca-se na produção de soja, milho, algodão e outras commodities de exportação. Desde 2024, a cidade de Palmas abriga a sede administrativa do MATOPIBA, sendo oficialmente reconhecida como a sua capital política e institucional, conforme anúncio do governo federal que destinou investimentos de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para o fortalecimento da infraestrutura, logística e governança regional.
O termo MATOPIBA foi oficialmente reconhecido em 2015, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, por meio da criação da Agência de Desenvolvimento do MATOPIBA, com o objetivo de articular políticas públicas voltadas à produção agropecuária, infraestrutura, pesquisa e sustentabilidade ambiental nos quatro estados envolvidos. O conceito foi inicialmente desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e consolidado a partir de estudos técnicos sobre o potencial agrícola da região, envolvendo a Conab, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e instituições estaduais de agricultura. Após um período de inatividade institucional, o projeto foi reativado pelo governo federal em 2024 sob o programa “MATOPIBA Sustentável”, com sede em Palmas, voltado ao desenvolvimento econômico e ambientalmente responsável da fronteira agrícola e à coordenação integrada entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
MATOPIBA é um acrônimo que denomina a região que se estende por territórios de quatro estados do Brasil, formado com as primeiras sílabas dos nomes dessas unidades federativas: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Na década de 2010 diversas transformações socioeconômicas ocorreram nessa área como a infraestrutura viária, logística e energética, tendo, entre outras consequências, o surgimento de polos de expansão da fronteira agrícola baseados na adoção de tecnologias agropecuárias de alta produtividade. Segundo o IBGE, nesse território existem 324 326 estabelecimentos agrícolas que ocupam uma área de 73.173.485 hectares.
O oeste da Bahia foi confirmado recentemente pelo avanço da fronteira agrícola nacional, respondendo por grande parte da abertura de novas frentes de cultivo de grãos, fibras e areia. Essa vasta área agrícola recobre parcialmente os territórios dos quatro estados que dão origem ao acrônimo que, inicialmente conhecido por região do MAPITO, passou a englobar a região oeste da Bahia, tornando-se, assim, a região do MATOPIBA.
A delimitação geográfica proposta pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE, coordenado pelo pesquisador Evaristo de Miranda) e utilizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária para o MATOPIBA abrange 10 mesorregiões (4 parcialmente) e 31 microrregiões homogêneas do IBGE. Ela reúne 337 municípios e uma área total de 73.173.485 ha.
A repartição territorial aproximada do MATOPIBA entre os quatro Estados é a seguinte: 33% no Maranhão (15 microrregiões, 135 municípios, 23.982.346 ha); 38% no Tocantins (8 microrregiões, 139 municípios e 27.772.052 ha); 11% no Piauí (4 microrregiões, 13 municípios e 8.204.588 ha) e 18% na Bahia (4 microrregiões, 30 municípios e 13.214.499 ha).
Com base nos dados do IBGE (Censo 2010,) a população total do MATOPIBA era de 5 901 789, dos quais 3 854 561 viviam em áreas urbanas (65,31%) e 2 047 228 na área rural (34,69%). Em seis microrregiões homogêneas (Lençóis Maranhenses, Baixo Parnaíba Maranhense, Cotegipe (Bahia), Alto Mearim e Grajaú (Maranhão), Bom Jesus da Lapa (Bahia) e Santa Maria da Vitória (Bahia), a população rural ainda é maior que a população urbana em termos relativos (50% ou mais). O produto interno bruto (PIB) da região do MATOPIBA foi estimado, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 53 406 473 507,00 reais, o que define um PIB per capita de 9 049,00 reais.
Além de Palmas, a região do MATOPIBA conta com outros importantes centros urbanos, comerciais e tecnológicos, entre os quais se destacam Imperatriz (no Maranhão), Barreiras (na Bahia) e Araguaína (no Tocantins), todas classificadas pelo IBGE como capitais regionais de nível C. Essas cidades exercem papel estratégico no fornecimento de produtos, serviços e infraestrutura de apoio às zonas produtoras do Cerrado nordestino e do norte do Centro-Oeste.
Em 2024, o governo federal anunciou oficialmente a instalação da sede administrativa do MATOPIBA em Palmas, consolidando a cidade como a capital institucional da região. O plano contempla investimentos estimados em R$ 2,5 bilhões para infraestrutura, logística e modernização do agronegócio regional.
Além disso, prefeitos e autoridades de Palmas têm pleiteado oficialmente o título de capital do MATOPIBA, defendendo que a cidade possui as condições necessárias para exercer esse papel político e econômico central, reforçadas em reuniões com o governo federal.
Projeções indicam que essa região, nova fronteira agrícola do país, deverá produzir 22,6 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2023/2024 e uma área plantada de grãos entre 8,4 e 10,9 milhões de hectares ao final do período das projeções. Na safra 2013/2014, MATOPIBA produziu 18,6 milhões de toneladas.
Divisões territoriais São 10 as mesorregiões homogêneas do IBGE (4 parcialmente) que circunscrevem a região do MATOPIBA, com segue na Tabela 1.
São 31 as microrregiões homogêneas do IBGE que circunscrevem a região do MATOPIBA e estão listadas na Tabela 2.
São 337 os municípios do IBGE que circunscrevem a região do MATOPIBA.
UF Mesorregião Microrregião Área* da Microrregião (ha) MunicípiosMA Norte Maranhense Lençóis Maranhenses 1 084 292,89 6 Itapecuru Mirim 705 858,57 8Oeste Maranhense Imperatriz 2 924 460,79 16Centro Maranhense Médio Mearim 1 100 535,57 20 Alto Mearim e Grajaú 3 707 008,31 11 Presidente Dutra 655 721,35 11Leste Maranhense Baixo Parnaíba Maranhense 651.554,13 6 Chapadinha 1 022 595,79 9 Codó 991 026,18 6 Coelho Neto 360 692,18 4 Caxias 1 532 989,58 6 Chapadas do Alto Itapecuru 2.494.633,29 13Sul Maranhense Porto Franco 1 422 693,18 6 Gerais de Balsas 3 650 331,67 5 Chapadas das Mangabeiras 1 677 952,39 8TO Ocidental do Tocantins Bico do Papagaio 1 576 795,88 25 Araguaína 2 643 960,41 17 Miracema do Tocantins 3.477.610,79 24 Rio Formoso 5 140 571,73 13 Gurupi 2 744 542,70 14Oriental do Tocantins Porto Nacional 2 119 810,57 11 Jalapão 5 350 660,51 15 Dianópolis 4 718 099,49 20PI Sudoeste Piauiense Alto Parnaíba Piauiense 2 548 521,38 4 Bertolínia 1 109 816,78 9 Alto Médio Gurguéia 2 760 895,75 11 Chapadas do Extremo Sul Piauiense 1 785 354,25 9BA Extremo Oeste Baiano Barreiras 5 291 931,20 7 Cotegipe 2 300 238,33 8 Santa Maria da Vitória 4 069 286,99 9Vale São-Franciscano da Bahia Bom Jesus da Lapa 1 553 041,98 6
Valores calculados utilizando a projeção cônica de Albers – SIRGAS 2000.
Quadro natural miniaturadaimagem|280x280px|Monocultura em São Desidério, na região MATOPIBA.
Geologia O MATOPIBA está inserido em um contexto geológico onde predomina a ocorrência de rochas das bacias intracratônicas fanerozoicas do Parnaíba, Sanfranciscana e Bananal (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, 2003), além da Bacia de Barreirinhas, desenvolvida durante a abertura do Atlântico Equatorial (Macambira e Corrêa, 2007.). Estas ocupam 80% do território do MATOPIBA. De forma subordinada, com 20% de exposição, ocorrem registros geológicos mais antigos abrangendo rochas dos núcleos cratônicos arqueanos bem como de rochas resultantes da tectônica proterozoica, incluídas na Província Tocantins e São Francisco (CPRM, 2003).
Hidrografia A rede hidrográfica do MATOPIBA, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, está distribuída em três bacias hidrográficas: Bacia do Tocantins/Araguaia, Bacia do Rio São Francisco e Bacia do Atlântico - trecho Norte/Nordeste. A organização das bacias hidrográficas (e sub-bacias) de acordo com suas características naturais, sociais e econômicas permitiu a compartimentação do território nacional em 12 Regiões Hidrográficas com o objetivo de auxiliar a gestão dos seus recursos hídricos (CNRH, 2003). O MATOPIBA se estende sobre quatro Regiões Hidrográficas: Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, com 42% de abrangência, seguido pelas Regiões Hidrográficas do Parnaíba, Atlântico Nordeste Ocidental e São Francisco, cada uma, ocupando aproximadamente 20% do seu território.
Relevo O relevo do MATOPIBA, segundo os trabalhos de mapeamento e sínteses desenvolvidos pela CPRM (2006 e 2008), pode ser dividido em 19 macrocompartimentos reunidos em cinco domínios: i) Domínio das unidades agradacionais (~9,5%), ii) Domínio das unidades denudacionais em rochas sedimentares pouco litificadas (~7%), iii) Domínio das unidades denudacionais em rochas sedimentares litificadas (~19%), iv) Domínio dos relevos de aplainamento (~18%) e v) Domínio das unidades denudacionais em rochas cristalinas ou sedimentares (~46,5%). Inserido neste último e mais vasto domínio estão as formas de relevo de colinas amplas e suaves, com declividade variando de 3 a 10º e amplitude topográfica de 20 a 50 metros, com ocupação de 20% do território da região. Em segundo lugar, em termos de abrangência territorial, ocorrem as áreas de chapadas e platôs (~15%) com variação de declividade e amplitude topográfica inferiores às das formas já mencionadas, ou seja, 0 a 5º de declividade e 0 a 20 metros de amplitude topográfica.
Clima O clima, de acordo com o IBGE, pode ser dividido em duas zonas principais, Tropical Brasil Central e Tropical Zona Equatorial, que juntas representam aproximadamente 97% da região. Estas duas zonas englobam duas unidades climáticas de maior representatividade territorial (78%) que são similares quanto a temperatura (quente – média > 18°C em todos os meses) e umidade (semiúmido – 4 a 5 meses secos), porém diferentes no tocante ao fotoperiodismo, amplitudes térmicas diurnas, índices pluviométricos etc. A leste do MATOPIBA predomina a influência das unidades climáticas do semiárido, com seis a 8 meses secos.
Vegetação O bioma Cerrado predomina na região do MATOPIBA (91% da área), marcado pela ocorrência de pequenas áreas do bioma Amazônia e Caatinga a nordeste e a leste, respectivamente. Cerca de 60% do bioma Cerrado encontra-se nos limites definidos para a Amazônia Legal, ficando de fora os cerrados da Bahia, Piauí e de parte do Maranhão. A inserção do bioma Cerrado nos limites da Amazônia Legal traz implicações sobre as reservas legais previstas no Novo Código Florestal (Lei n° 12651 de 25 de maio de 2012).
Solos Os solos predominantes na região do MATOPIBA, segundo o 2º nível hierárquico da classificação brasileira de solos (Embrapa, 2011), são os latossolos amarelos, com cerca de 31% de exposição.
Transporte
Algumas das principais rodovias que cortam a região são: BR-235, BR-135, BR-010, BR-153, BR-242 e a BR-020. Quanto à ferrovias, pela região passa a Ferrovia Norte-Sul e está sendo construída também a Ferrovia de Integração Oeste-Leste. Como a região só começou a se desenvolver recentemente, tem uma malha de transportes ainda precária.A MACROLOGÍSTICA DO MATOPIBAModal ferroviário e transporte de soja no MATOPIBA
Quadro agrário Entende-se por caracterização do quadro agrário a identificação dos territórios cuja apropriação foi legalmente definida, na maioria dos casos, por atos do Governo Federal. Nesse escopo, encontram-se, no MATOPIBA: unidades de conservação, terras indígenas, áreas quilombolas e assentamentos da reforma agrária.
Unidades de conservação