As eleições legislativas portuguesas de 2015, também designadas por eleições para a Assembleia da República, realizaram-se no dia 4 de outubro de 2015. A data foi definida pelo presidente da República Aníbal Cavaco Silva a 22 de julho de 2015. A campanha eleitoral decorreu entre os dias 20 de setembro e 2 de outubro de 2015.Cavaco Silva marca eleições legislativas para dia 4 de outubro

A legislatura que terminava ficou marcada por um período difícil devido à aplicação de várias medidas de austeridade no âmbito do programa de resgate pedido ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco Central Europeu (BCE) e à União Europeia (UE) (a chamada troika). O governo de coligação entre o Partido Social Democrata (PPD/PSD) e o CDS – Partido Popular (CDS–PP), liderado por Pedro Passos Coelho, sofreu forte contestação, em especial em 2012 com as medidas anunciadas pelo então ministro das Finanças Vítor Gaspar. No verão de 2013, Paulo Portas (presidente do CDS–PP) havia ameaçado romper com a coligação de governo. Contudo, após um novo acordo entre os dois partidos e uma remodelação governativa, o governo PPD/PSD.CDS–PP manteve-se no poder. Apesar da dureza do resgate, Portugal concluiu o programa em 2014 sem qualquer extensão adicional, e havia começado a dar sinais de retoma económica a partir de então.

Numas eleições em que o recorde de abstenção foi novamente batido (cerca de 44%), a coligação pré-eleitoral Portugal à Frente (entre PPD/PSD e CDS–PP) conseguiu impor-se e vencer as eleições com cerca de 39% dos votos. Esta vitória foi considerada surpreendente, tendo em conta o contexto duro de governação da legislatura 2011–2015. Apesar da vitória, o centro-direita perdeu a maioria que detinha até então, e ficou dependente de um hipotético acordo com o Partido Socialista para governar.

Quanto ao PS, liderado por António Costa desde 2014 (após derrotar internamente António José Seguro nas primárias socialistas), obteve um resultado inferior às suas intenções, tendo conseguido apenas 32,3% dos votos. Os socialistas não conseguiram, como pretendiam, capitalizar o descontentamento de parte do eleitorado em relação ao governo, devido a uma campanha considerada pouco entusiasmante e a vários erros cometidos durante a mesma.

O Bloco de Esquerda (B.E.) foi a grande surpresa destas eleições, ao conseguir o seu melhor resultado de sempre, obtendo mais de 10% dos votos e dezanove deputados, mais do dobro do resultado que tinha obtido em 2011. O Bloco, cuja porta-voz era Catarina Martins, conseguiu mobilizar o eleitorado descontente com as medidas de austeridade aplicadas nos anos anteriores e, graças a estes resultados, afirmou-se como o terceiro maior partido nacional.

A CDU – Coligação Democrática Unitária, entre o Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), voltou novamente a crescer eleitoralmente num percurso começado em 2005, obtendo o seu melhor resultado eleitoral desde 1999, ao conseguir 8,3% dos votos e dezassete deputados. Apesar desta subida, comunistas e verdes viram-se ultrapassados pelo Bloco.

Por fim, destacou-se a eleição inaudita de um deputado, no círculo eleitoral de Lisboa, pelo Pessoas–Animais–Natureza (PAN), que se tornou no primeiro novo partido a eleger um deputado desde a entrada do Bloco de Esquerda na Assembleia da República dezasseis anos antes, em 1999. miniaturadaimagem|186x186px|Logótipo oficial das eleições. Após as eleições, iniciou-se um longo impasse para a formação de um novo governo, que só veio a terminar em finais de novembro, quando António Costa tomou posse como Primeiro-Ministro de um governo minoritário do PS com o apoio parlamentar do B.E., do PCP e do PEV, não sem antes o presidente da República Cavaco Silva ter nomeado um XX Governo Constitucional de Portugal governo efémero, minoritário e sem apoio parlamentar da coligação Portugal à Frente. Foi a primeira vez, desde o 25 de Abril, que o partido ou coligação vencedora das eleições não liderou o governo, e também a primeira vez em que o PS formou governo graças ao apoio dos partidos à sua esquerda (já tinha governado anteriormente com o CDS em 1978, e com o PPD/PSD em 1983).

Listas concorrentes (por ordem alfabética da designação oficial do partido/coligação)a) +CandidaturaLíderIdeologiaEspectroCírculos eleitoraisNotasAgir Partido Trabalhista Português Movimento Alternativa SocialistaPTP–MASJoana Amaral DiasSocialismo democrático TrabalhismoCentro-esquerda a EsquerdaTodos, exceto Madeirab)c)Partido Trabalhista PortuguêsPTPAmândio MadalenoMadeiraBloco de EsquerdaB.E.Catarina MartinsSocialismo democrático ProgressismoEsquerdaTodosCDU – Coligação Democrática Unitária Partido Comunista Português Partido Ecologista "Os Verdes"PCP–PEVJerónimo de SousaMarxismo-leninismo EcossocialismoEsquerda a Extrema-esquerdaTodosd)Juntos pelo PovoJPPÉlvio SousaPartido pega-tudo Liberalismo socialCentro-esquerda a CentroTodos, exceto Castelo Branco, Évora, Faro, Portalegre, Santarém, Vila Real, Viseu e AçoresLivre/Tempo de AvançarL/TDARui TavaresEcossocialismo EuropeísmoCentro-esquerda a EsquerdaTodose)Nós, Cidadãos!NCMendo Castro HenriquesLiberalismo social EuropeísmoCentroTodosPartido Cidadania e Democracia CristãPPV/CDCTânia AvillezDoutrina social da Igreja ConservadorismoDireitaAveiro, Braga, Santarém e Viana do CasteloPartido Comunista dos Trabalhadores PortuguesesPCTP/MRPPAntónio Garcia PereiraComunismo MaoísmoExtrema-esquerdaTodosPartido da TerraMPTJosé Inácio FariaAmbientalismo Liberalismo socialCentro-direitaTodosPartido Democrático RepublicanoPDRAntónio Marinho e PintoLiberalismo social EuroceticismoCentroTodosPartido Nacional RenovadorP.N.R.José Pinto CoelhoNacionalismo português Anti-imigraçãoExtrema-direitaTodosPartido SocialistaPSAntónio CostaSocial-democracia KeynesianismoCentro-esquerdaTodosPartido Unido dos Reformados e PensionistasPURPAntónio Mateus DiasDireitos dos pensionistas Sincretismo políticoSincréticoTodos, exceto Bragança e MadeiraPessoas–Animais–NaturezaPANAndré SilvaDireitos dos animais AmbientalismoCentro-esquerdaTodosPortugal à Frente Partido Social Democrata (Portugal) CDS – Partido PopularPPD/PSD.CDS–PPPedro Passos CoelhoConservadorismo social Liberalismo económico

Democracia cristãCentro-direita a DireitaTodos, exceto Açores e Madeiraf)g)h)i)Aliança Açores CDS – Partido Popular Partido Popular MonárquicoCDS–PP.PPMFélix RodriguesAçoresPartido Social DemocrataPPD/PSDPedro Passos CoelhoAçores e MadeiraCDS – Partido PopularCDS–PPPaulo PortasMadeiraPartido Popular MonárquicoPPMPaulo EstêvãoTodos, exceto Açores O Partido Democrático do Atlântico (PDA) começou por anunciar que integraria a coligação Agir, o que não se verificou; apresentou candidatura a um único círculo eleitoral (Açores), que foi aceite, mas acabou por ser extinto a 1 de setembro; apesar de constar do boletim de voto, todos os votos no PDA foram considerados nulos.

a) A Nova Democracia (PND), o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS) e o Partido Liberal Democrata (PLD) optaram por não concorrer. O segundo apoiou oficialmente o Livre/Tempo de Avançar, enquanto os dois restantes se encontravam em processo de extinção. b) Coligação entre o Partido Trabalhista Português (PTP) e o Movimento Alternativa Socialista (MAS), incluindo membros do movimento político Agir. c) O PTP concorreu separadamente do MAS no círculo eleitoral da Madeira, e em representação da coligação Agir (já que o MAS não concorre na Madeira). d) Coligação permanente entre o Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) e integrando membros da associação política Intervenção Democrática (ID). e) Apoiado pelo Partido Operário de Unidade Socialista (POUS). f) Coligação ad hoc entre o Partido Social Democrata (PPD/PSD) e o CDS – Partido Popular (CDS–PP). g) O PPD/PSD concorreu separadamente do CDS–PP nos círculos eleitorais da Madeira e dos Açores. h) O CDS–PP concorreu separadamente do PPD/PSD no círculo eleitoral da Madeira. i) O CDS–PP concorreu em coligação com o Partido Popular Monárquico (PPM) na Aliança Açores, no círculo eleitoral dos Açores.

Distribuição de deputados por círculos eleitorais thumb|right|Cartaz da campanha eleitoral da CDU. A seguinte tabela contém o número de deputados que cada círculo eleitoral pôde eleger. Relativamente ao último ato eleitoral, Santarém perdeu um deputado passando de dez para nove e Setúbal elegeu mais um passando de dezassete para dezoito. Assim, acentuou-se a relevância eleitoral de cinco distritos (Aveiro, Braga, Lisboa, Porto e Setúbal), que representam 23 % dos círculos eleitorais e elegem 60 % dos deputados, um exemplo claro da litoralização demográfica do país.

Círculo eleitoral Total dedeputados Eleitores Aveiro 16 653 541 Beja 3 128 971 Braga 19 787 706 Bragança 3 147 485 Castelo Branco 4 181 459 Coimbra 9 391 029 Évora 3 141 443 Faro 9 370 882 Guarda 4 163 508 Leiria 10 423 865 Lisboa 47 1 901 335 Portalegre 2 101 246 Porto 39 1 591 762 Santarém 9 (-1) 393 387 Setúbal 18 (+1) 725 783 Viana do Castelo 6 253 271 Vila Real 5 228 399 Viseu 9 371 991 Açores 5 227 486 Madeira 6 255 748 Europa 2 78 253 Fora da Europa 2 164 273 Total 230 9 682 823

Cabeças de lista por círculo eleitoral