Walter Benson Miller (Philadelphia, 7 de fevereiro de 1920 - Massachusetts, 28 de março de 2004) foi um renomado antropólogo que pesquisou as gangues estadunidenses formadas por jovens e os crimes praticados por esses jovens. Seu longo trabalho com gangues se tornou referência nos estudos sobre criminologia e violência dentro dos Estados Unidos. Miller também era músico, tocava trompete e cantava na banda Blue Horizon Jazz Band.

Entre suas publicações mais influentes estão: Lower Class Subculture as a Generating Milieu of Gang Delinquency, de 1956; The Journal of Criminal Law and Criminology, 1973; Youth Gangs in the Urban Crisis Era, de 1976; The Growth Of Youth Gang Problems, de 1998.

Biografia Walter Benson Miller nasceu em 7 de fevereiro de 1920, na Philadelphia. Morreu em 28 de março de 2004, em sua casa, na cidade de Cambridge, Massachusetts. Em sua renomada carreira como antropólogo, estudou as gangues de jovens norte-americanas.

Seu trabalho trata sobre como as relações culturais de um grupo de indivíduos que vivem em um meio impactam as atividades diárias desses indivíduos. Miller também era música e membro da banda Blue Horizon Jazz Band.

Primeiros Estudos Miller foi membro da Phi Beta Kappa Society – a mais velha e consagrada “Honor Society” sobre artes liberais e ciências. Na universidade de Chicago, se graduou com M.A. em antropologia, e Ph.D em relações sociais.

Durante seu trabalho no Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago, viveu com a tribo Meskwaki, ou Índios Fox, grupo de nativos norte-americanos que vivem na região de Wisconsin, Iowa. O projeto, intitulado “Fox indian Applied Anthropology”, durou de 1948 a 1953.

MIT Joint Center for Urban Studies Durante a década de 60, transferiu seus estudos para Harvard, e foi membro do Harvard MIT Joint Center for Urban Studies. Lá, trabalhou com James Q. Wilson e Daniel Patrick Moynuhan.

Miller discordava de outros teóricos que afirmavam que as tradicionais gangues de jovens haviam desaparecido no fim dos anos 50. Ele afirmava que em diversos lugares, como Boston, essas gangues ainda existiam e que apenas algumas características tradicionais haviam desaparecido, como as jaquetas de couro preta estampada.

Miller definia a gangue como um "grupo de jovens que se reúne em algum tipo de localidade fora da casa". Para Miller, muitas pessoas se recusavam a chamar estes grupos de gangue, simplesmente porque não estarem formalizados. No MIT Joint Center for Urban Studies, Miller também analisou o aumento do número de gangues brancas, em relação às gangues negras de acordo com a proporção de negros para brancos da população norte-americana.

Trabalho com gangues juvenis Miller foi diretor do “Roxbury Gang Delinquency Research Project”, parte do comitê do então presidente Kennedy de Delinquência Juvenil e Crimes cometidos por jovens. Projeto integrava o¬ Departamento de Saúde, Educação e Bem Estar do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, de 1957 até 1964.

Publicou muitos trabalhos sobre as gangues de jovens norte-americanas, incluindo sua maior contribuição, um dos artigos mais citados na literatura sobre criminologia “Lower Class Subculture as a Generating Milieu of Gang Delinquency”.

De 1974 até 1980, Miller trabalhou no Projeto Diretor do “National Youth Gang Survey”, primeiro exame nacional de violência praticada pelas gangues e grupos de jovens, para o Instituto Nacional de Justiça Juvenil e Prevenção da Delinquência, localizado no Centro de Justiça Criminal da Escola de Direito de Harvard. Ele foi um dos fundados do Centro Nacional de Gangues de Jovens “National Youth Gang Center”.

Até sua morte, trabalhou como pesquisador adjunto para o Instituto de Pesquisas Intergovernamental (IIR) em Tallahasse, FL, supervisionando a pesquisa para o “National Youth Gang Center Project Of the Office of Juvenile Justice and Delinquency Prevention, do Departamento de Justiça dos EUA. Carreira como Músico Miller também era músico de jazz, blue e bluegrass. Tocava trompete e era vocalista da banda de Blues Blue Horizon Jazz Band, de Boston. Seu conhecimento e interesse pela música o ajudou a estabelecer contato com os grupos de jovens com os quais trabalhou. Usou seu trabalho como músico para se aproximar dos jovens que estudou, quebrando barreiras de renda, raça, etnia e cultural.

Obras Influentes

Lower Class Subculture as a Generating Milieu of Gang Delinquency (1958) Esta publicação é considerada a principal obra de Miller, e um dos principais estudos sobre criminologia já publicados. Nela, Miller afirma que a os americanos de classes mais baixas e com menos suporte social, desenvolveram uma subcultura com valores e tradições próprias, e diferentes da cultura predominante da classe-média. Estes valores, então, foram passados de geração em geração, e foram determinantes para encorajar esta parcela da sociedade norte-americana a cometer mais crimes.

Miller apontou algumas características que seriam próprias desta subcultura: Dureza: reafirmação da masculinidade e rejeição da fraqueza. Uma de suas formas de manifestação é através da violência Esperteza: Capacidade de enganar e de levar vantagem sobre outros; Excitação: estimulo emocional que pode ser obtido com álcool, jogos de azar e sexo.

Tais características quando manifestadas em adolescentes têm a tendência de se manifestar com mais intensidade, devido a necessidade desse grupo de procurar aceitação e agir conforme as regras estabelecidas. Segundo Miller, os adolescentes possuem maior preocupação com o status, que é conseguido através de grupos de pares.

Miller afirmava que tal subcultura possuía uma forma de viver própria. A existência dela depende diretamente da presença de grupos com baixa renda que sobrevivem com trabalhos de baixa-qualificação. A partir desta forma de trabalho, é que os indivíduos desenvolvem a capacidade de tolerar situações complicadas, grande quantidade de trabalho repetitivo e rotina, que se entrecruzam com períodos de desemprego. É então uma forma de vida marginalizada, que convive diariamente com a monotonia. Para Miller, as tradições culturais desenvolvidas por essa subcultura, então, seriam uma resposta ao tédio e ao trabalho repetitivo que atinge tal sociedade.

Disponível em: http://gangresearch.asu.edu/walter_miller_library/walter-b.-miller-book/city-gangs-book

The Journal of Criminal Law and Criminology: Ideologia e criminologia (1973) A definição de ideologia do autor se resume a " ideais preconcebidas ou presunções não examinadas que venham a servir como base de posições tomadas abertamente". Tais ideias e presunções estariam carregadas de posições emocionais, impregnando as ciências com preferências subjetivas.

Entende Walter B. Miller que a influência da ideologia sobre a criminologia é tão expressiva a ponto de constituir uma permanente pauta oculta dos criminólogos. Tal influência contaminaria três ramos da ciência : as causas ou determinações do comportamento criminoso; a natureza do crime; a responsabilidade do criminoso; as medidas adequadas para prevenir o crime e, em um âmbito mais geral, a natureza do homem e seu papel na sociedade. Com o intuito de identificar tais interferências, seguiu a divisão tradicional do espectro político entre direita e esquerda, traçando uma linha horizontal hipotética balizada por extremistas, nestes a carga de ingerência ideológica sobre o olhar científico é obviamente maior, entretanto não careceriam suas ideias de fundamentação razoável, apenas corresponderiam na totalidade às posições de cada espectro supostas pelo autor. Estas foram elencadas com o intuito de instruir o leitor a reconhecer os filiados a cada lado do espectro. Seguem resumidamente.

Os criminólogos e os profissionais ligados à repressão do crime à direita compartilhariam as seguintes concepções: Cada indivíduo é responsável pelo seu próprio comportamento, devendo portanto responder penalmente por eles; uma ordem social saudável requer a manutenção de uma estrutura moral, um crime seria acima de tudo um atentado a ela; devem ser protegidos vigorosamente da criminalidade os âmbitos de incidência dos costumes tradicionais, principalmente aqueles relacionadas à família, para tanto resguarda-se o direito dos civis de portar armas de fogo ; o melhor modo de se ordenar uma sociedade heterogênea é a manutenção das divisas espaciais e conceituais entre diferentes grupos, corroborando-se para tal fim os direitos de propriedade, facilitadores da segregação civil. Como baluarte de tais concepções e valor mais estimado dos direitistas está a manutenção de vínculos morais intra sociais. O enfraquecimento ou a deturpação destes levaria ao supremo perigo, a seus olhos, da desordem.

Os criminólogos da esquerda, por sua vez, filiariam-se às seguintes assunções: O comportamento criminoso seria um sintoma individualizado de um contexto social deficitário indutor da delinquência, a melhoria daquele abrandaria os índices desta; o sistema penal de regulamentação comportamental fundamenta-se sobre vetusta moral não correspondente às rápidas mudanças sociais da atualidade, além de servir somente os interesses de grupos específicos; a desigual distribuição de poder e recursos afeta toda a sociedade, inclusive os órgãos de repressão ao crime, logo é necessário uma maior participação social na composição e manutenção de tais órgãos, o sistema em questão é propenso a diferenciar indivíduos com base em seu grupo social, gênero ou etnia, deve-se portanto diluir as diferenças entre cidadãos comuns e "desviantes", visto que tal dualismo é enviesado a forma de agir dos agentes da repressão criminal tende a estimular comportamentos criminosos nos seus alvos, além de estigmatizá-los ou submetê-los a controles arbitrários persiste a criminalização de condutas não mais imorais perante à vigente ordem social, logo devem os legisladores cederem aos pleitos dos movimentos pró descriminalização, v.g., de algumas drogas. Sedimentam-se tais concepções sobre o supremo valor da esquerda, a justiça, por sua vez dependente da distribuição equitativa de poder, recursos, prestígio e privilégios. Em contrapartida, o maior mal social seria a injustiça. Disponível em: http://www.jstor.org/discover/10.2307/1142984?uid=2134&uid=2485159207&uid=3737664&uid=2&uid=70&uid=3&uid=2485159197&uid=60&sid=21104932136627 The Growth Of Youth Gang Problems

Miller estudou o intenso aumento do número de gangues juvenis no decorrer dos anos 70, 80 e 90 em grandes cidades. A partir de uma pesquisa empírica, foi possível perceber que os moradores das cidades pesquisadas viam o crescimento das gangues como um problema social. A pesquisa se baseou na relação entre as denúncias feitas contra as gangues pelas autoridades e o local dos problemas. Miller apontou que o não só o número de gangues aumentou, como os locais de atuação dessas gangues e a quantidade de atividades criminosas envolvendo as gangues. Os estados que mais apresentaram problemas com gangues foram a Califórnia, Illinois, Texas, Florida e Ohio. Miller aponta sete principais motivos para o aumento do número de gangues:

Drogas Imigração Alianças entre gangues Migração Polícia Aumento do número de mulheres que sustentam as casas Subcultura das gangues Mídia

Miller também discute a possível relação entre a identificação do aumento do número de problemas que envolvem as gangues, e o aumento da atenção e das informações a respeito das gangues. É possível que, em determinados momentos, a população se preocupe mais com os crimes envolvendo as gangues, e assim a tenção se volta para estes jovens fazendo com que os problemas sejam mais percebidos e mapeados.

Youth Gangs in the Urban Crisis Era (1976)

Artigo no Jornal de Delinquência, Crime e Sociedade da Universidade Estadual do Arizona

Gangues de jovens e o trabalho de Henry Mckay