miniaturadaimagem|408x408px|O Campus Darcy Ribeiro O Campus Darcy Ribeiro é o campus mais antigo da Universidade de Brasília, abrigando a maioria dos cursos além dos órgãos administrativos e de apoio da instituição como Reitoria, e a Biblioteca Central. O nome do campus se deve ao fundador e primeiro reitor da universidade, o antropólogo e parlamentar Darcy Ribeiro, e lhe foi conferido em 1995. Teve seu primeiro vestibular em 1962.

Localizado na Asa Norte, é o maior e mais tradicional da UnB.

Com cerca de 400 hectares e mais de 500 mil m² de área construída, abriga edifícios símbolos do ensino superior brasileiro, como o Instituto Central de Ciências, a Biblioteca Central da Universidade de Brasília e a Faculdade de Educação (FE), que ocupa os primeiros prédios da Universidade e o histórico Auditório Dois Candangos.

Mais de 50 mil pessoas circulam diariamente no “Darcy”. O campus, que abriga dezenas de institutos e faculdades, conta com quase 700 laboratórios, hospitais e Restaurante Universitário. Também é lá que estão a Casa do Estudante Universitário, os apartamentos funcionais da Colina e o complexo esportivo do Centro Olímpico.

É nessa imensidão entre a avenida L2 Norte e as margens do Lago Paranoá que estudantes, professores e técnicos integram uma das mais ativas comunidades acadêmicas do Brasil.

História

Antes da abertura alt=|miniaturadaimagem|211x211px|Anísio Teixeira foi um dos criadores da UnB. A história do Campus Darcy Ribeiro se confunde com a história da própria UnB em boa parte dos seus 60 anos. A primeira menção a criação de uma universidade em Brasília, por mais que este fosse um equipamento essencial a uma capital de país, veio no Relatório Justificativo do Projeto de Lúcio Costa para o Plano Piloto. No item 9, o mesmo que descreve a Esplanada dos Ministérios, ele cita que a "Cidade Universitária" deveria ficar contigua ao Setor Cultural e ao Ministério da Educação, que por sua vez seria o último dos blocos. Essa é a única menção, sendo bastante vaga, no projeto da cidade. Quando Brasília começa a ser construída, a área para um campus universitário é reservada na Asa Norte, as margens do Paranoá, sendo paralela a área reservada para embaixadas na Asa Sul.Lúcio Costa, Relatório para o Plano Piloto, Doc Brazilia, 26 de junho de 2020

Como boa parte das novas instituições da capital, a Universidade de Brasília foi fundada com a promessa de reinventar a educação superior, entrelaçar as diversas formas de saber e formar profissionais engajados na transformação do país. A concepção da universidade veio das ideias do antropólogo Darcy Ribeiro e do educador Anísio Teixeira, que desejavam criar uma experiência educadora que unisse o que havia de mais moderno em pesquisas tecnológicas com uma produção acadêmica capaz de melhorar a realidade brasileira. As regras, a estrutura e concepção da Universidade foram definidas pelo Plano Orientador, uma espécie de Carta Magna, datada de 1962, e ainda hoje em vigor. Entretanto, mesmo com uma cidade universitária prevista no projeto original de Brasília, a proximidade com a Esplanada dos Ministérios atrapalhou a instalação.

Apenas em 15 de dezembro de 1961, o presidente da República João Goulart sancionou a Lei 3.998, que autorizou a criação da universidade. Darcy e Anísio convidaram cientistas, artistas e professores das mais tradicionais faculdades brasileiras para assumir o comando das salas de aula da jovem UnB. A estrutura administrativa e financeira era amparada por um conceito que era novo nos anos 1960 e hoje é, senão regra, o objetivo de todas as universidades: a autonomia universitária. Organizada como uma fundação, a UnB ficaria menos burocrática e atenderia melhor as necessidades. Entretanto, faltava o projeto dos prédios. O Centro de Estudos e Planejamento Arquitetônico e Urbanístico da UnB (CEPLAN) é criado em 1962 para conduzir as obras.alt=|miniaturadaimagem|166x166px|Oscar Niemeyer dirigiu o CEPLAN, tendo sido responsável pela criação do ICC. Os projetos de campus Para criar o campus, Lúcio Costa foi chamado em 1962 para fazer o que foi chamado de Plano Piloto da Universidade de Brasília. Esse plano previa um campus-parque, com as edificações dispersas num grande gramado, com as posições definidas num arruamento. Os prédios de serviços gerais ficariam no oeste do campus, assim como o centro esportivo. Entre o centro esportivo e o grande gramado seriam colocadas as residenciais universitárias para professores e alunos. Também haveria uma área destinada as casas da cultura e da língua, numa área a parte. Haveria ainda uma praça maior, no leste, entre a via L3 norte e o grande gramado, onde ficariam os prédios administrativos que seriam de uso comum entre a universidade e o resto da cidade.

Essa proposta é parcialmente realizada, com uma alteração importante feita por Oscar Niemeyer, que tinha passado a dirigir o CEPLAN em 1963: a junção de vários prédios de institutos, que estariam dispersos na proposta de Costa, num único e enorme prédio. Foi ai que os prédios de Química, Física, Matemática e Biologia se tornaram o Instituto Central de Ciências (ICC), com setecentos metros de comprimento. Esse prédio modificaria os fluxos do campus: ao mesmo tempo que integrava os alunos, concentrava eles num único ponto do campus.miniaturadaimagem|Darcy Ribeiro discursa na inauguração da UnB Abertura A inauguração da UnB, em 1962, foi, tal qual a própria cidade dois anos antes, feita em meio a obras ainda sendo feitas. O Auditório Dois Candangos, onde ocorreu a cerimônia de inauguração, foi finalizado 20 minutos antes do evento, marcado para às 10h.

Em 1963, começam as obras do Instituto Central de Ciências. Em 1964, Niemeyer modifica mais uma vez o plano de Lúcio Costa, colocando a praça maior perto do Instituto Central de Ciências e reduzindo os prédios nela a apenas quatro: Biblioteca Central, Aula Magna, Reitoria e Museu da Civilização Brasileira. Algumas unidades que ainda estavam dispersas no campus são unidas em quatro grupos: Ciências Médicas, Artes e Arquitetura, Ciências Humanas e Tecnologia. Enquanto algumas delas tem seus blocos concluídos, outras são alocadas no ICC mais tarde. Em 1964 também é incorporado pelo campus a área do Centro Olímpico da Juventude.miniaturadaimagem|Vista aérea do Instituto Central de Ciências da UnB em 1972. Regime Militar O golpe militar em 1964 traria anos difíceis para a Universidade de Brasília. O campus Darcy Ribeiro foi invadido e cercado várias vezes por policiais militares e do Exército. No dia 18 de outubro de 1965, de uma vez só, 79% do corpo docente foi perdido após a demissão de 15 docentes, 209 professores e instrutores que se desligaram da universidade, em protesto contra a repressão sofrida. O Centro de Estudos e Planejamento Arquitetônico e Urbanístico da UnB foi desativado, reabrindo apenas em 1969.

As aulas no campus foram várias vezes interrompidas pelas invasões. Em 1968, ano marcado por passeatas e protestos contra o regime militar, os alunos pretendiam mostrar o que acontecia na UnB. Em agosto, o então reitor Caio Benjamin Dias, alegando que não conseguia controlar os estudantes, pediu intervenção da polícia que invadiu o campus.

A segunda invasão do campus foi mais violenta, tendo sido desencadeada pela morte do estudante secundarista Edson Luis de Lima Souto no Rio de Janeiro, quando a Polícia Militar invadiu o restaurante Calabouço. Na ocasião, cerca de três mil alunos se reuniram no campus para protestar e dar o nome de Edson à praça localizada entre a Faculdade de Educação e a quadra de basquete. Esse foi o estopim para o decreto da prisão de sete universitários, incluindo Honestino Guimarães. A UnB foi invadida por agentes das Polícias Militar, Civil, Exército e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), que detiveram mais de 500 pessoas na quadra de basquete. Ao todo, 60 delas acabaram presas, e o estudante Waldemar Alves foi baleado na cabeça, tendo passado meses em estado grave no hospital.

Novas invasões ao campus aconteceram em 1977, quando tropas militares invadiram a universidade, prendendo estudantes e intimando professores e funcionários.

Paralelamente, em 1969 novas mudanças físicas acontecem no campus, com a transferência do setor residencial estudantil para próximo do centro esportivo, deixando a região conhecida como Colina para as residências dos professores. Na década de 1970, foram criados 14 novos cursos de graduação, o que representou aumento de 82% em relação a 1962. Em 1971, a administração da UnB resolve mudar a praça maior de posição, colocando a leste do ICC, contrariando a ideia original de fazer da praça a chegada pra quem vinha da cidade pela via L3. Em 1972, foi concluído um plano de expansão do campus. Em 1974, em mais mudanças arbitrarias, o plano envolvendo a praça maior original e o ICC como centros estruturadores do campus é abandonado em prol de um eixo norte-sul formado, além do ICC, por alguns prédios como os das Faculdades de Ciências da Saúde e Tecnologia.

Redemocratização O início da década de 1980 foi marcado pela tentativa de redemocratização da Universidade. Em maio de 1984, o professor Cristovam Buarque foi o primeiro reitor a ser eleito pela comunidade universitária, assumindo a Reitoria em 26 de julho de 1985. O fim da ditadura também dá novo fôlego ao planejamento do campus, que retoma o ICC como elemento central de estruturação do desenho urbano.

Em março de 1989, foi criado o primeiro curso noturno na UnB, o de Administração. A partir daí, durante a década de 1990, foram criados mais 13 cursos noturnos. Área miniaturadaimagem|335x335px|Jardins entre o ICC e a Reitoria. Possui uma área total de 3.950.569,07 m². Área gramada 1.650.000 m² Área de laboratório 32.138 m² Área total construída 513.767, 16 m²

Cursos Presenciais São ofertados pela Universidade de Brasília nesse campus os seguintes cursos de graduação presenciais:

Setores alt=|miniaturadaimagem|212x212px|Interior da Reitoria. O Campus Darcy Ribeiro é dividido em vários setores.

Setor Centro

Reitoria O prédio da reitoria da UnB foi projetado por Paulo de Melo Zimbres com colaboração de Érico Paulo Siegmar Weidle, Josué de Carvalho Macedo e Vera Lúcia Braun Galvão e construído entre 1972 a 1975. alt=|miniaturadaimagem|212x212px|A Faculdade de Educação.

Faculdade de Educação Formada por três blocos, FE1, FE3 e FE5. Todos os blocos foram projetados em 1961 por Alcides da Rocha Miranda, José Manuel Kluft Lopes da Silva e Luís Humberto Martins Pereira com colaboração de Alex Peirano Chacon. Abertos em 1962, estão entre os primeiros prédios concluídos da UnB. O FE1 tem apenas um pavimento, enquanto o FE3 tem três, e foi usado pela reitoria como sede provisória até 1975. Já o FE5, também com um pavimento, sedia o primeiro auditório da universidade, o Dois Candangos, cujo nome homenageia os pedreiros Expedito Xavier Gomes e Gedelmar Marques, que morreram soterrados em um acidente durante as obras. Nesse auditório aconteceu a abertura da universidade, em 1962.

O local também é sede da revista Linhas Críticas, periódico científico fundado em 1995 pela direção da Faculdade de Educação. A revista atualmente funciona exclusivamente online e publica artigos, ensaios, entrevistas e resenhas de livro em português, espanhol e inglês em acesso aberto e sem cobrança de quaisquer taxas dos autores.miniaturadaimagem|246x246px|Restaurante Universitário.

Restaurante Universitário da UnB