thumb|250px|Tao-Clarjécia no Clarjécia ou Clarjeti () era uma província da Geórgia antiga e medieval e que atualmente é parte da província de Artvim, no nordeste da Turquia. Clarjécia, a vizinha Tao e diversos outros distritos menores eram partes constituintes de uma região mais ampla que compartilha de uma mesma história e cultura conhecida como Tao-Clarjécia.
Nome
Originalmente a região era referida em fontes do Reino de Urartu como Catarza (Katarza), Catlarza (Katlarza) e Cuturza, de onde derivariam as formas gregas Colarzena (, Cholarzēnḗ) e Catarzena (, Catarzēnḗ), que ocorrem como Corzena (, Chorzēnē) e Corzoném (, Chorzonén) na versão grega de Agatângelo. Destas, o topônimo transformar-se-ia em armênio para *Culárjia (, Kułarjk’) e Clárjia (, Klarjk’) antes de ser georgianizado como Clarjécia (, Klarjeti). O nome Clarjécia, por conseguinte, também tem relação com os clárjios, que provavelmente se assentaram na região por volta do , cruzando as montanhas do curso inferior do rio Choruque.
História
Com base na Geografia de Ananias de Siracena, sabe-se que no o Ducado de Clarjécia foi incorporado ao vitaxado de Gogarena.
Clarjécia, cortada pelo rio Choruque, se estendia da cordilheira Arsiani no oeste, na direção do Mar Negro, e estava centrada na importante cidade comercial fortificada de Artanuji (moderna Ardanuç). Fazia fronteira com Xavexécia e o vale Nigali para o norte e Tao para o sul. Uma das províncias mais a sudoeste do Reino de Cártlia, Clarjécia era conhecida pelos autores greco-romanos como "Ibéria", um estado que já existia no mapa político do Cáucaso no e era governado — segundo as crônicas georgianas medievais — pela dinastia farnabázida. Do até o , Clarjécia foi, juntamente com alguns territórios vizinhos, disputada pelo Reino da Ibéria e o Reino da Armênia, trocando de mãos muitas vezesRedgate, Anne Elizabeth (2000),The Armenians, pp. 73, 79, 101. Wiley-Blackwell, ISBN 0-631-22037-2. Na divisão da Ibéria na década de 370 entre o Império Romano do Oriente e o Império Sassânida, Clarjécia passou para o primeiro, mas não se sabe se num status de província ou de vassalo. O casamento do rei cosroida com a princesa Helena parece ter dado condições aos ibéricos de reconquistarem a província por volta de 485. Daí em diante, Clarjécia permaneceu um domínio dos filhos mais jovens de Vactangue e seus descendentes de ascendência romana deram origem à dinastia guarâmida, que permaneceu em Clarjécia e Javaquécia até 786, quando as possessões guarâmidas foram tomadas pelos seus primos em renovada ascensão, a família BagrationiSuny, Ronald Grigor (1994), The Making of the Georgian Nation, pp. 25, 29. Indiana University Press, ISBN 0-253-20915-3.
Domínio bagrátida A dinastia Bagrationi governou a região durante um período de prosperidade econômica e cultural. Os impostos coletados em Artanuji foram preponderantes para o fortalecimento do poder dos Bagrationi. Depois de ter sido praticamente desertada durante uma invasão árabe, Clarjécia foi reassentada e se transformou num poderoso centro da cultura cristã, principalmente por conta de um extensivo movimento monástico iniciado pelo monge georgiano Gregório de Khandzta Rapp, Stephen H. (2003), Studies in Medieval Georgian Historiography: Early Texts And Eurasian Contexts, passim. Peeters Publishers, ISBN 90-429-1318-5.
Por volta de 870, Clarjécia tornou-se um feudo hereditário de um do três principais ramos da dinastia Bagrationi. Esta linhagem — conhecida nas fontes georgianas como "soberanos de Clarjécia" () — foi finalmente despoliada pelo primo, , o primeiro rei da Geórgia unificada em 1008. Clarjécia jamais se recuperou completamente de uma série de ataques seljúcidas no e a crise se aprofundou ainda mais depois das invasões mongóis e timúridas nos séculos XIII e XIV. Depois da desintegração do Reino da Geórgia no , Clarjécia passou para o controle dos príncipes de Misqueta, que perderam a região para o Império Otomano em 1551.
Bibliografia
Categoria:Tao-Clarjécia Categoria:Regiões históricas da Geórgia Categoria:Distritos de Gogarena