Nicandra physalodes é uma espécie de planta com flor, pertencente à família das solanáceas e ao tipo fisionómicos dos hemicriptófitos.

A autoridade científica da espécie é (L.) Gaertn., tendo sido publicada em De Fructibus et Seminibus Plantarum...2: 237. 1791.Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 29 de setembro de 2014 <http://www.tropicos.org/Name/29602519>

Embora se assemelhe a várias espécies do género Physalis, devido ao formato cálice que envolve o fruto, esta espécie não se confunde, nem pertence ao referido género botânico e os seus frutos não são comestíveis.

Descrição Esta espécie é uma erva anual, glabra e mais ou menos robusta. Pauta-se pelos caules que podem medir até 150 cm.

Do que toca às folhas estas apresentam um feitio que varia entre o ovado e o obtuso. Por sinal, são folhas pecioladas, irregularmente lobadas ou sinuadas.O limbo da folha pode medir até 175 por 130 mm, tem um feitio atenuado, e sobressai pela nervação marcada, pelo menos na página inferior, contando ainda com cílios curtos e dispersos na margem da folha. Quanto ao pecíolo, este pode medir até 110 mm.

Relativamente às inflorescências, esta espécie vê-se reduzida a uma única flor, por sinal axilar. As flores desta espécie são actinomorfas, hermafroditas, ebracteadas, pediceladas, e assumem uma posição, geralmente pendentes. Os pedicelos das flores podem medir até 32 mm, são erectos ou erecto-patentes e caracterizam-se pelo seu revestimento glanduloso-puberulento.

Quanto ao cálice, este é campanulado, com sépalas ovadas, acuminadas, sagitadas, com aurículas acuminadas, soldadas entre si pela margem interna das aurículas, conta com nervação reticulada muito marcada.

A corola da flor, por sua vez, mede entre 10,5–38 mm, tem um formato campanulado, com 5 lóbulos sinuados ou muito curtos, apresentando uma vistosa coloração azulada ou lilás, por vezes com a garganta branca, vilosa interiormente na zona de inserção dos estames.

O fruto mede cerca de 13–23 mm de diâmetro, tem um formato esférico, e uma coloração pardacenta. As sementes por seu turno medem 1,5–2,2 × 1,4–1,7 mm e têm uma coloração negriça quando maduras.

Distribuição thumb|left Trata-se de uma espécie originária da América do Sul, mais concretamente do Peru, Bolivia, Chile e Argentina. No entanto, devido às suas qualidades ornamentais, foi distribuída pelo mundo e ora encontra-se localmente naturalizada no Sul do continente europeu, na Macaronésia, no Norte da América, na Índia, na Tanzânia, Quénia, Zimbabué, África do Sul, Moçambique e na Austrália.

Portugal Apesar de exótica, este espécie ocorre em Portugal Continental, nos Açores e na Madeira, como uma espécie introduzida, que se tornou subespontânea.

Madeira Particularmente no arquipélago da Madeira, sabe-se que já se encontrava introduzida e naturalizada, desde 1872, por ventura, trazida por motivos ornamentais. Embora seja uma espécie pouco comum na Ilha da Madeira, marca presença nas zonas baixas e médias da Madeira, raramente se encontra fora da zona do Funchal, sobretudo, na áreas mais a oeste e litoral e em locais de média altitude como S. Martinho, Santo António, Bom Sucesso, Santa Maria Maior, entre outros.

Ecologia Orlas de campos cultivados, terrenos baldios, bermas de estradas e caminhos.

em incultos ou terras abandonadas e entulhos, sobretudo, na zona oeste e litoral e em locais de média altitude

Proteção

Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da União Europeia.

Cultivo Esta espécie desenvolve-se em solo de jardim comum, mas prefere solos ricos, bem drenados e em posição soalheira. As plantas são de crescimento rápido e frequentemente semeiam-se sozinhas com facilidade.

Resistem bem a condições meteorológicas desfavoráveis.

As flores individuais têm a duração de apenas um dia, mas a planta produz uma sucessão contínua de flores desde o Verão até ao início do Outono.

Usos

Culinários e alimentares Embora toda a planta seja venenosa, incluindo os frutos, os rebentos e folhas novas desta espécie são comestíveis se devidamente cozidas.

Na Tanzânia, usam-se as folhas tenras desta espécie, picadas, bem lavadas e devidamente cozinhadas para consumo, quer isoladamente, quer com outros vegetais, como o grão-de-amaranto ou feijão-frade.Também se usa, confeccionado com de leite de coco ou amendoim moído, para servir de guarnição ou acompanhamento, em pratos tradicionais como o ugali.

Etnobotânicas e medicinais A planta é diurética. No âmbito da etnobotânica esta planta, quando misturada com álcool, é eficaz no tratamento da cistite.

As sementes desta planta são utilizadas na medicina tradicional tibetana, reputando-se aos preparados com elas confeccionados propriedades analgésicas, anti-helmínticas, antibacterianas, anti-inflamatórias e febrífugas. Ainda no âmbito da medicina tradicional tibetana, as sementes desta espécie também chegaram a ser empregues na confecção de mezinhas usadas no tratamento de doenças contagiosas, dor de dentes, dores intestinais causadas por vermes e impotência.

Na etnobotânica indiana, as folhas chegaram a ser usadas no tratamento de cortes e feridas.

Na etnobotânica do Equador, chegou-se a usar água contida entre o cálice e a corola, proveniente do pedúnculo do fruto ou das folhas, como colírio para tratar problemas oculares, como conjuntivite, irritações, vermelhidão e feridas.

Agroflorestais Este espécie é, por vezes, utilizada como adubo verde, na América do Sul.

Referências

Bibliografia Nicandra physalodes - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira Nicandra physalodes - Portal da Biodiversidade dos Açores Nicandra physalodes - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 29 de setembro de 2014). Nicandra physalodes - International Plant Names Index Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 1-8, 10-15, 17-18, 21. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.

Ligações externas

Nicandra physalodes - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. Nicandra physalodes - Flora-on Nicandra physalodes - The Euro+Med PlantBase Nicandra physalodes - Flora Vascular Nicandra physalodes - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Nicandra physalodes - JSTOR Global Plants Nicandra physalodes - Flora Europaea Nicandra physalodes - NCBI Taxonomy Database Nicandra physalodes - Global Biodiversity Information Facility Nicandra physalodes - Encyclopedia of Life

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