De Londres a Ladysmith via Pretória (London to Ladysmith via Pretoria) é um livro escrito por Winston Churchill publicado pela primeira vez em 1900. É um registo de impressões pessoais de Churchill durante os primeiros cinco meses da Segunda Guerra dos Bôeres. Inclui um relato da libertação do cerco a Ladysmith (cidade da África do Sul) e também a história da captura de Churchill pelos Boers e a sua fuga dramática.

O livro é dedicado ao Pessoal dos Caminhos de Ferro da Província do Natal na África do Sul.

Enquadramento Embora tivesse deixado o seu Regimento, o 4º de Hussardos, no ano anterior, em 1899 Winston Churchill estava ansioso como nunca por voltar a sentir o estampido das armas e não perdeu tempo a obter credenciação pelo The Morning Post como correspondente de guerra. Partiu de Southampton a bordo do Dumottar Castle em 14 de outubro e chegou à Cidade do Cabo no dia 31.

Churchill foi capturado enquanto repórter militar, mas escapou da prisão e viajou quase 300 milhas (cerca de 480 km) ate à portuguesa Lourenço Marques, atual Maputo, com a assistência de um gerente mineiro inglês.Jenkins, pp. 55–62. A fuga fez dele um pequeno herói nacional durante algum tempo na Grã-Bretanha, mas em vez de regressar a casa, ele voltou a juntar-se ao exército do General Redvers H. Buller na sua marcha para ajudar os britânicos no cerco de Ladysmith e tomar Pretória.Jenkins, pp. 61–62. Desta vez, embora continuando como correspondente de guerra, Churchill foi incorporado no Regimento de Cavalaria Ligeira da África do Sul. Churchill foi um dos primeiros militares britânicos a atingir Ladysmith e Pretória. Na verdade, ele e o seu primo, Charles Spencer-Churchill, 9.° Duque de Marlborough, conseguiram chegar à frente do resto das tropas a Pretória, onde exigiram e obtiveram a rendição de cinquenta e dois guardas Boer do campo de prisioneiros.Jenkins, pp. 62–64.

Mais tarde Churchill relatou de novo os eventos descritos em artigos no The Strand Magazine em 1923-24 e na sua autobiografia A Minha Juventude. Escreveu depois um segundo livro, Ian Hamilton's March, com as suas experiências, continuando o relato a partir do ponto em que este acabou.

Alguns acontecimentos e situações descritos Churchill descreve o que sentiu quando o comboioblindado em que tinha viajado foi emboscado pelos Boers."London to Ladysmith", cap. VII.

E descreve as suas impressões sobre o exército Boer quando o pôde observar pela primeira vez pouco depois de ter sido aprisionado."London to Ladysmith", cap. VIII.

Sobre o sentimento de ser um prisioneiro: Não sei quantos homens vi, mas só durante esta marcha certamente não menos de 5.000. Deste grande número apenas dois insultaram o grupo dos prisioneiros...Mas por pequeno e insignificante que fosse, o insulto caía horrivelmente. Os soldados sentiam-se picados e respondiam, mas os oficiais restringiam-nos com o olhar. Contudo, foi uma dura lição. Apenas alguns dias antes tinha eu lido nos jornais como os Kaffirs tinham vaiado os prisioneiros Boer quando eles marcharam em Pietermaritzburg, perguntando-lhes: “Onde estão os vossos passes?” Então parecia uma piada muito inofensiva, mas agora eu entendo como um prisioneiro se sente com essas coisas."London to Ladysmith", cap. IX.

O que ele levou com ele na sua fuga bem sucedida, e o que ele queria ter levado."London to Ladysmith", cap. XI

Sobre o que um Boer disse a Churchill sobre o cerne da sua disputa com os britânicos.

Os seus sentimentos ao ver o seu irmão mais novo John Spencer-Churchill ferido.''"London to Ladysmith", cap. XXI.

Quando estava preso Churchill tentou obter a sua libertação argumentando que era um civil (ele estava muito desagradado com a ideia de permanecer na prisão enquanto a guerra prosseguia), dado que os Boers tinham libertado alguns prisioneiros civis."London to Ladysmith", cap. X.

O que o livro não descreve foi que ele tinha se tinha comprometido, para se libertado, a não voltar a participar na campanha, nem dar qualquer informação que pudesse prejudicar a causa dos Boer. Só para garantir a libertação, também tentou ser classificado como prisioneiro militar, quando constou uma possível troca de prisioneiros militares. Os Boers consideravam-no um prisioneiro importante, por causa da sua reputação como correspondente de guerra, e porque ele era um membro da baixa aristocracia cujo pai tinha sido membro do governo britânico. No entanto, constou que os Boers estavam a considerar seriamente a possibilidade de aceitar a sua oferta de se retirar da guerra, o que mais tarde deu origem à acusação de que ele tinha quebrado o acordo quando retomou as reportagens após a sua fuga.Jenkins pp. 54-55 right|thumb|Diagrama por Churchill do prédio onde ele foi mantido como prisioneiro

Com outros dois, o Capitão Haldane e o Sargento Brockie, Churchill concebeu um plano. O prédio onde estavam detidos, a State Model School, era rodeado por um pátio patrulhado e depois por um muro. As sentinelas deslocavam-se, e os conspiradores determinaram que a certa altura as sentinelas ficariam momentaneamente incapazes de ver parte do muro, e um homem preparado seria capaz de o escalar. Na primeira noite que eles resolveram tentar a fuga, os sentinelas mudaram o padrão de patrulha e a fuga tornou-se impossível. Mas num dado momento surgiu a oportunidade, quando dois sentinelas pararam para falar um com o outro, e Churchill escalou o muro.

Brockie foi morto em Ypres, em 1915, mas entre Churchill e Haldane adveio uma controvérsia que se manteve latente até à morte do último em 1950 sobre os exatos acontecimentos daquela noite. Haldane alegou que o grupo tinha concordado em adiar a fuga novamente, e que Churchill tinha decidido saltar o muro por si mesmo. O relato de Churchill descreve que esperou atrás do muro mais de uma hora para que os outros se lhe juntassem e depois uma discussão entre eles através do muro, na qual os outros lhe disseram que o sentinela estava desconfiado e eles não podiam fugir. Haldane concordava que a conversa teve lugar, mas não sobre o modo como Churchill tinha passado para o outro lado do muro, enquanto eles não o tinham feito.Jenkins pp. 56-59

Referências

Fontes

Ligações Externas London to Ladysmith via Pretoria at Google Books London to Ladysmith via Pretoria at Project Gutenberg

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