Vice é uma revista canadense e estadunidense voltada a estilo de vida, artes, cultura, notícias e política. Foi fundada em 1994, em Montreal, como uma revista alternativa ligada à cena punk, e seus fundadores depois lançaram a empresa de mídia Vice Media, voltada ao público jovem, que reúne a revista impressa, um site, uma unidade de jornalismo televisivo, uma produtora de cinema, uma gravadora e um selo editorial. Em setembro de 2024, Kevin Lee Kharas ocupava o cargo de editor-chefe.

Em 15 de maio de 2023, a Vice Media entrou formalmente com pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11, em meio a uma possível venda a um consórcio de credores que incluía a Fortress Investment Group. O grupo, ao lado da Soros Fund Management e da Monroe Capital, faria uma oferta de crédito de US$ 225 milhões por quase todos os ativos da empresa. Em fevereiro de 2024, o diretor-executivo Bruce Dixon anunciou novas demissões e informou que o Vice.com deixaria de publicar conteúdo. A revista impressa voltou em setembro de 2024.

História A precursora da revista Vice foi fundada em outubro de 1994, em Montreal, com o nome Voice, mais tarde Voice of Montreal, pela Interimages Communications. A publicação nasceu da seção em inglês da revista Images, uma publicação multicultural fundada no começo da década de 1990 por Dominique Ollivier e Alix Laurent, e recebeu o nome Voice of Montreal."Notons principalement la disparition du volet anglophone de notre magazine. Cette séparation (signe des temps?) n'a pour but que la création d'une publication soeur: VOICE OF MONTREAL, qui a vu le jour en octobre dernier. Ce divorce à l'amiable devenait nécessaire pour permettre plus de liberté aux deux groupes linguistiques et pour assurer une meilleure représentativité." A edição nº 1 traz Laurent e Ollivier como responsáveis pela publicação, Suroosh Y. Alvi como editor e Gavin McInnes como editor assistente. Shane Smith entrou para a equipe depois. A revista foi criada dentro de um programa do governo do Quebec destinado a oferecer experiência profissional a beneficiários da assistência social. Seu foco era a cena cultural alternativa de Montreal, com música, arte, tendências e cultura das drogas, em concorrência com o já estabelecido Montreal Mirror. Na década de 1990, os bairros de Plateau Mont-Royal e Mile End, em Montreal, abrigavam uma subcultura em expansão, com o surgimento de coletivos como Godspeed You! Black Emperor, Dummies Theatre, Bran Van 3000 e, mais tarde, Arcade Fire. Alvi, McInnes e Smith compraram a participação da editora e mudaram o nome da revista para Vice em 1996."On leaving Images Interculturelles".

Richard Szalwinski, milionário canadense do setor de software, adquiriu a revista e transferiu a operação para Nova Iorque em 1999. Depois da mudança, a revista logo ganhou fama por conteúdo provocador e politicamente incorreto. Sob a propriedade de Szalwinski, algumas lojas foram abertas em Nova Iorque, onde os clientes podiam comprar artigos de moda anunciados na revista. Com o fim da bolha das pontocom, porém, os três fundadores acabaram recuperando a propriedade da marca Vice, e as lojas foram fechadas.

A edição britânica da Vice foi lançada em 2002, com Andy Capper como primeiro editor. Pouco depois da estreia no Reino Unido, Capper explicou em uma entrevista que a proposta da publicação era cobrir "as coisas das quais deveríamos sentir vergonha". Foram publicados artigos sobre temas como bukkake e funções corporais.

No fim de 2007, eram publicadas 13 edições internacionais da Vice, a gravadora independente Vice estava em atividade e o canal de vídeo on-line VBS.com teve 184.000 espectadores únicos dos Estados Unidos em agosto. A empresa de mídia ainda tinha sede em Nova Iorque, mas a revista começou a publicar artigos sobre assuntos vistos como mais sérios do que os temas anteriores, entre eles o conflito armado no Iraque. Alvi disse ao The New York Times em novembro de 2007: "O mundo é muito maior que o Lower East Side e o East Village."

McInnes deixou a publicação em 2008 e apontou "diferenças criativas" como o motivo principal. Em um e-mail de 23 de janeiro, escreveu: "Não tenho mais nada a ver com a Vice, a VBS, DOs & DON'Ts ou nada disso. É uma longa história, mas todos concordamos em deixar por 'diferenças criativas', então, por favor, não me perguntem sobre isso."

No início de 2012, um artigo da revista Forbes chamou a empresa de "Vice Media", embora não seja público quando esse nome passou a ser usado. A Vice adquiriu a revista de moda i-D em dezembro de 2012 e, em fevereiro de 2013, publicava 24 edições da revista no mundo, com circulação global de 1.147.000 exemplares, 100.000 deles no Reino Unido. Nessa altura, Alex Miller havia substituído Capper como editor-chefe da edição britânica. A Vice tinha 800 funcionários no mundo, entre eles 100 em Londres, e cerca de 3.500 profissionais autônomos também produziam conteúdo para a empresa.

Em fevereiro de 2015, a Vice Media nomeou Ellis Jones editor-chefe da revista Vice, enquanto Alex Miller, ex-editor-chefe da edição britânica, assumiu o cargo de diretor global de conteúdo.

Em 2018, a revista passou a ser publicada trimestralmente, embora as edições ainda tratassem, em geral, de um único tema. A publicação entrou em hiato em 2019.

Em 2023, a Vice entrou com pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11. Os credores da empresa, Fortress Investment Group, Soros Fund Management e Monroe Capital, concordaram em comprá-la por US$ 225 milhões. Em fevereiro de 2024, o The New York Times escreveu que, "nos últimos cinco anos, a Vice teve demissões quase anuais e prejuízos crescentes, e entrou com pedido de falência, tornando-se o exemplo mais visível da indústria de mídia digital em crise". O jornal acrescentou que, embora "alguns observadores esperassem que seus novos proprietários [...] reinvestissem" na empresa, a Fortress Investment Group havia "decidido fazer cortes generalizados".

Em setembro de 2024, a Vice Media relançou a revista impressa, com edições trimestrais. A empresa estabeleceu a meta de chegar a 20.000 assinantes em um ano.

Equipe Shane Smith - cofundador Suroosh Alvi - cofundador Kevin Lee Kharas - editor-chefe Ben Ditto - diretor editorial global

Conteúdo Escopo A revista Vice publica trabalhos de jornalistas, colunistas, escritores de ficção, artistas gráficos, cartunistas e fotógrafos. O conteúdo da Vice, tanto na internet quanto na revista, passou de um foco sobretudo em artes independentes e cultura pop para uma cobertura maior de assuntos jornalísticos mais sérios. Como há muitos colaboradores e os autores muitas vezes publicam apenas alguns artigos na revista, o conteúdo da Vice varia bastante, e sua posição política e cultural costuma ser pouco clara ou contraditória. Os artigos do site tratam de muitos assuntos, frequentemente temas que não recebem cobertura da mídia tradicional. Os editores da revista defenderam a escola imersiva de jornalismo, abordagem adotada por outros veículos da Vice Media, como o programa documental de televisão Balls Deep, do canal Viceland. Esse estilo de jornalismo se opõe, em espírito faça-você-mesmo, aos métodos usados pelos grandes veículos de notícias, e a revista publicou uma edição inteira de artigos escritos de acordo com essa proposta. Edições inteiras também foram dedicadas a questões que afetam iraquianos, povos indígenas das Américas, russos, pessoas com transtornos mentais e pessoas com deficiências intelectuais. A Vice também publica um guia anual para estudantes no Reino Unido.

Em 2007, a Vice publicou na internet o seguinte anúncio: Depois de incontáveis anos publicando todos os meses algo que, no fim das contas, era um livro de referência, começamos a ficar entediados com isso. Além do mais, muitas outras revistas copiaram a ideia e começaram a fazer suas próprias versões capengas de edições temáticas. Então, a partir de agora, vamos publicar algumas edições com o que der vontade de colocar nelas.

Política Em uma entrevista de março de 2008 ao The Guardian, Smith foi questionado sobre a orientação política da revista e respondeu: "Não estamos tentando dizer nada politicamente dentro de um paradigma esquerda/direita... Não fazemos isso porque não acreditamos em nenhum dos lados. Minha política é democrata ou republicana? Acho os dois horríveis. E isso não importa de qualquer forma. O dinheiro manda nos Estados Unidos. O dinheiro manda em todo lugar."

Site

A Vice criou seu site em 1996 como Viceland.com, pois o domínio Vice.com já tinha proprietário. Em 2007, lançou o domínio VBS.tv, que dava prioridade ao vídeo em vez do conteúdo impresso e oferecia gratuitamente programas como The Vice Guide to Travel. Em 2011, Viceland.com e VBS.tv foram reunidos no Vice.com, que também hospedava o site Motherboard em motherboard.vice.com.

Em 2012, a Vice Media foi criada como empresa-mãe da revista Vice e de outros negócios, entre eles o Vice News na HBO e o site Vice.com. A empresa depois se expandiu e diversificou suas atividades, passando a ter uma rede de canais on-line que incluía Munchies.tv, Motherboard.tv, Noisey.com, Thu.mp e Broadly.

Em 22 de fevereiro de 2024, Bruce Dixon, diretor-executivo da Vice Media, anunciou a demissão de "várias centenas" de funcionários durante uma reestruturação da empresa, além do fim da publicação de conteúdo no Vice.com. Alguns de seus jornalistas criaram novos veículos, entre eles a 404 Media, sucessora espiritual da divisão de tecnologia Motherboard, fundada por integrantes centrais da antiga equipe.

Livro Em 2007, a Vice publicou The Vice Photo Book (), uma coletânea de fotografias de Jaimie Warren, Jerry Hsu, Michael Rababy e Patrick O'Dell. O livro é dividido em cinco partes: "Vice Photographers", "Vice's Photojournalism", "Vice Fashion", e as duas seções finais são colagens de fotografias publicadas anteriormente pela Vice. O livro também traz entrevistas com alguns dos fotógrafos. Jill Abramson: Merchants of Truth: The Business of News and the Fight for Facts. Simon & Schuster, Nova Iorque, 2019, , p. 42–61, 147–181, 346–369, capítulos 2, 6 e 11.

Reputação Desde os tempos de Voice of Montreal, a Vice tinha uma "reputação de provocação". Em 2010, o The New York Times chamou a Vice de "jornalismo gonzo para a geração do YouTube". À medida que a revista se transformou em uma marca de mídia de escopo maior, enfrentou a questão de "como se distanciar de seu passado grosseiro, mas conservar o bastante dessa reputação para firmar e ampliar sua autoridade junto ao seu público principal". A revista ainda enfrentou controvérsias. Em 2013, retirou partes de um ensaio de moda intitulado "Last Words", que mostrava "escritoras se matando". Ainda em 2013, a Vice voltou a receber atenção indesejada quando o então editor da revista acompanhou o milionário do setor de software John McAfee enquanto ele fugia das autoridades para evitar ser interrogado em um caso de homicídio.

Assédio sexual na empresa-mãe No fim de 2017, foram publicadas reportagens com acusações de má conduta sexual e de uma cultura geral de "clube dos meninos" na Vice Media, empresa-mãe da revista Vice.

Prêmios Vitórias Concurso de Melhor Capa por escolha dos leitores da American Society of Magazine Editors, categoria "Melhor viagem e aventura", pela edição de junho de 2017 Concurso de Melhor Capa por escolha dos leitores da American Society of Magazine Editors, categoria "Mais deliciosa", pela edição de março de 2016 Antologia Best American Magazine Writing, da American Society of Magazine Editors, pela entrevista "Fixing the System", 2016 Prêmio por escolha dos leitores da American Society of Magazine Editors para capa de notícias e política, 2015 Prêmio por escolha dos leitores da American Society of Magazine Editors para capa de negócios e tecnologia, 2015 9º lugar na "Magazine A-List" da Ad Age, primeira publicação gratuita a receber o reconhecimento, 2010 Indicações