William John Banville (8 de dezembro de 1945), que assina como John Banville e às vezes com o pseudónimo Benjamin Black, é um escritor irlandês, romancista, adaptador de peças de teatro e guionista."John Banville." Dictionary of Irish Literature. Ed. Robert Hogan. Westport, CT: Greenwood Press, 1996. ISBN 0-313-29172-1. Reconhecido pelo seu estilo de prosa preciso, frio, forense, com uma inventividade Nabokoviana, e pelo humor negro dos seus geralmente maliciosos narradores, Banville é considerado "um dos romancistas literariamente mais imaginativos escrevendo na língua inglesa actual." Ele tem sido descrito como o "herdeiro de Proust, via Nabokov."

Banville recebeu inúmeros prémios na sua carreira. O seu romance The Book of Evidence foi indicado para o Prémio Man Booker e recebeu o prémio Guinness Peat Aviation em 1989. O seu décimo quarto romance, The Sea (O Mar), ganhou o Prémio Man Booker em 2005. Em 2011, Banville foi galardoado com o Prémio Franz Kafka, e em 2013 ganhou o PEN Award irlandês e o Prémio de Estado de Literatura Europeia austríaco. Em 2014, recebeu o Prémio Príncipe de Astúrias de literatura É considerado um candidato ao Prémio Nobel da Literatura. A ambição declarada de Banville é dar à sua prosa "o tipo de densidade e a espessura que tem a poesia".

De 2006 a 2014, publicou oito romances policiais como Benjamin Black, em seis dos quais aparece a personagem Quirke, um patologista irlandês que é apresentado como vivendo em Dublin.

Biografia William John Banville é filho de Agnes (de apelido Doran) e Martin Banville, um funcionário de uma garagem, em Wexford, Irlanda. É o mais novo de três irmãos; o seu irmão mais velho Vincent também é um romancista que escreve com o nome de Vincent Lawrence, além de com o próprio nome. A sua irmã Anne Veronica "Vonnie" Banville-Evans escreveu um romance infantil e um livro de memórias sobre a sua infância e juventude em Wexford.

Banville fez a escola primária na CBS de Wexford, e depois estudou no St. Peter College também de Wexford. Apesar de ter pretendido ser pintor e arquitecto, não frequentou a Universidade. Banville referiu-se a isto como "um grande erro. Eu deveria ter ido. Arrependo-me de não ter passado esses quatro anos para ficar bêbado e apaixonar-me. Mas eu queria ficar longe da minha família. Queria ser livre." Por outro lado, declarou que a faculdade teria sido pouco benéfica para ele: "Não acho que teria aprendido muito mais, e acho que não teria tido a coragem de abordar algumas das coisas que eu abordei como jovem escritor se eu tivesse estado na universidade — eu teria sido calcado até me submeter pelos meus professores." Após ter saído da escola, trabalhou na Aer Lingus, o que lhe permitiu viajar a preços com grande desconto, tendo tirado partido disso para viajar até à Grécia e Itália. Viveu nos Estados Unidos em 1968 e 1969. No seu regresso à Irlanda, foi vice-editor no The Irish Press, acabando por subir ao posto de chefe vice-editor.

Desde 1990, Banville tem sido um colaborador regular do The New York Review of Books. Após o colapso do The Irish Press em 1995, ele foi como vice-editor para o The Irish Times tendo, em 1998, sido nomeado editor literário. Este jornal também sofreu graves problemas financeiros e Banville foi forçado a sair.

Escrita Banville publicou o seu primeiro livro, uma colectânea de contos intitulada Long Lankin, em 1970. Ele renegou o seu primeiro romance publicado, Nightspawn, descrevendo-o como "excêntrico, .., absurdamente pretensioso".

Banville escreveu três trilogias: a primeira, The Revolutions Trilogy, centra-se em grandes cientistas e engloba Dr. Copernicus (1976), Kepler (1981), e The Newton Letter (1982). Ele referiu que se interessou por Kepler e outros homens da ciência, após ter lido The Sleepwalkers de Arthur Koestler. Compreendeu que, tal como ele, os cientistas estavam a tentar impor ordem no seu trabalho.

A segunda trilogia, às vezes referida coletivamente como Frames (Quadros), agrupa o The Book of Evidence (1989), em que vários dos seus personagens tinham aparecido em Ghosts (1993); Athena (1995) é a terceira em que aparece um narrador não-confiável e a explorar o poder das obras de arte.

A terceira trilogia compreende Eclipse, Shroud e Ancient Light, em todas aparecendo as personagens Alexander e Cass Cleave.

Tendo começado com Christine Falls, publicado em 2006, Banville tem escrito policiais sob o pseudónimo de Benjamin Black. Ele escreve as suas obras de ficção policial como Benjamin Black muito mais rapidamente do que compõe os seus romances literários.. Ele considera o seu trabalho como Black um ofício, e um artista como Banville. Ele considera o policial, nas suas próprias palavras, como sendo "ficção barata". Numa entrevista de julho de 2008 ao jornal argentino La Nacíón, a Banville perguntaram se os seus livros tinham sido traduzidos para o irlandês. Ele respondeu que ninguém os iria traduzir e que muitas vezes é referido pejorativamente como um West Brit (britânico ocidental).

Banville é fortemente cáustico com todo o seu trabalho, afirmando dos seus livros: "Odeio-os todos... Detesto-os. Eles são todos um embaraço permanente." Em vez de se remeter ao passado, ele está continuamente a olhar em frente, "Tu tens que te pôr a mexer todas as manhãs e pensar sobre todas as coisas horríveis que fizeste ontem, e como podes compensar isso fazendo hoje melhor." Não lê comentários sobre a sua obra pois já sabe – "melhor do que qualquer revisor" – os pontos em que residem as suas falhas.

Estilo Banville é considerado pelos críticos como um mestre estilista de inglês, e sua escrita tem sido descrita como perfeitamente trabalhada, linda, deslumbrante. David Mehegan do Boston Globe chama-lhe "um dos grandes estilistas a escrever em inglês actualmente", Don DeLillo descreve a sua escrita como "prosa perigosa e fluida", e Val Nolan no The Sunday Business Post apelida o seu estilo de "lírico, meticuloso e ocasionalmente hilariante"; The Observer descreve The Book of Evidence como "prosa fluindo na perfeição cujo lirismo, ironia patrícia e sentido doloroso de perda é uma reminiscência de Lolita." Banville afirmou que está "a tentar misturar poesia e ficção em alguma nova forma". Ele é conhecido pelo seu humor negro e por uma sagacidade afiada e fria.

Em quatro romances como Banville (e um como Benjamin Black), ele tem usado o tropo dos olhos de uma personagem dardejando para frente e para trás "como um espectador em partida de ténis".

Em 2011, prometeu doar o seu cérebro ao The Little Museum of Dublin "para que os visitantes se pudessem maravilhar com a sua pequenez".

Influências Banville disse numa entrevista à The Paris Review que gostava do estilo de Vladimir Nabokov; contudo, prosseguiu, "sempre achei que havia algo de estranho sobre o qual eu não conseguia pronunciar-me. Foi então que li uma entrevista em que ele admitiu que era surdo tonal." Ele é fortemente influenciado por Heinrich von Kleist, tendo escrito as adaptações de três de suas peças (incluindo Amphitryon) e tendo usado Amphitryon como base para o seu romance The Infinities. Banville afirmou que imitou James Joyce como um aprendiz: "Após ter lido o Dubliners, e ter ficado impressionado com o modo como Joyce escreveu sobre a vida real, imediatamente comecei a escrever imitações ruins do Dubliners." Contudo, relata o The Guardian: "O próprio Banville reconheceu que todos os escritores irlandeses são seguidores ou de Joyce ou de Beckett - colocando-se ele no campo de Beckett." Ele também reconheceu outras influências. Em 2011, numa entrevista no The Charlie Rose Show, Rose perguntou, "O modelo sempre foi Henry James?" e Banville respondeu, "Eu penso que sim; as pessoas dizem, você sabe, que tenho sido influenciado por Beckett ou Nabokov, mas sempre foi o Henry James [...] de modo que quis segui-lo, eu queria ser um Jamesiano."

Vida Privada Banville casou com a artista têxtil norteamericana Janet Dunham com quem teve dois filhos que agora são adultos, mas o casal separou-se entretanto. Conheceram-se durante a sua visita a San Francisco, em 1968, onde ela era uma estudante da Universidade da Califórnia, Berkeley. Dunham descreveu-o durante o processo de escrita como sendo "um assassino que acabou de voltar de uma matança particularmente sangrenta".

Banville vive com Patricia Quinn, ex-chefe do Conselho das Artes da Irlanda com quem tem duas filhas.

Prémios e homenagens Ano Prémio Obra Ref(s) 1973 Allied Irish Banks' Prize Birchwood . 1973 Arts Council Macaulay Fellowship Birchwood 1975 American Ireland Fund Literary Award Doctor Copernicus 1976 James Tait Black Memorial Prize Doctor Copernicus1981 Guardian Fiction Prize Kepler Allied Irish Bank Fiction Prize Kepler American-Irish Foundation Award Birchwood 1984 Eleito para o Irish Arts Association, Aosdána 1989 Guinness Peat Aviation Award The Book of Evidence Prémio Man Booker, lista final The Book of Evidence 1991 Prémio Ennio Flaiano The Book of Evidence. 1997 Lannan Literary Award for Fiction The Untouchable. 2003 Premio Nonino 2005 Prémio Man Booker O Mar 2006 Irish Book Awards - Romance do Ano The Sea 2006 British Book Awards Author of the Year, lista final The Sea2007 Royal Society of Literature Membro Prix Madeleine Zepter Membro Honorário Estrangeiro do American Academy of Arts and Sciences 2009 Patrocinio Honorário da University Philosophical Society no Trinity College Dublin 2010 Irish Book Awards, Irish Book of the Decade, lista final The Sea2011Prêmio Franz Kafka2012Irish Book Awards, categoria de romanceAncient Light2013Irish PEN Award2013Austrian State Prize for European Literature2013Irish Book Awards (Bob Hughes Lifetime Achievement Award)Roddy Doyle’s ‘The Guts’ named novel of the year Irish Times, 2013-11-27.2014Prémio Príncipe das Astúrias de Letras

Prémio Man Booker, 2005 Banville ganhou o Prémio Man Booker em 2005, depois de ter estado na lista final em 1989. O seu último trabalho teve como concorrentes as obras de Kazuo Ishiguro, Julian Barnes, Ali Smith, Sebastian Barry e Zadie Smith. O voto dos juízes dividiu-se entre Banville e Ishiguro, tendo o presidente de juízes, John Sutherland, dado o voto de qualidade a favor de Banville.

No início daquele ano, Sutherland tinha escrito elogiosamente sobre o romance de Ian McEwan Saturday, tendo Banville criticado fortemente esta obra no The New York Review of Books. Banville admitiu mais tarde que, ao ler a carta de Sutherland em resposta à sua revisão, pensou: "Bem, posso dizer adeus ao Booker. Não tenho sido a pessoa mais popular nos círculos literários de Londres no último meio ano. E acho que Sutherland foi soberbo ao dar o seu voto decisivo a meu favor."

Banville evidenciou-se por ter escrito uma carta em 1981 ao The Guardian, solicitando que o Prémio Man Booker, ao qual ele era concorrente "à lista final de candidatos", lhe fosse dado para que ele usasse o dinheiro para comprar na Irlanda todas as cópias dos livros da lista inicial do prémio e as doasse a bibliotecas, "garantindo assim que os livros não apenas seriam comprados mas também lidos — o que seria certamente um caso único."

Quando o seu The Book of Evidence ficou na lista final do Prémio Booker de 1989, contou um amigo de Banville (amigo que este descreveu como "um cavalheiro das corridas"), que o escritor lhe tinha ordenado "para apostar nos outros cinco escritores da lista final, dizendo que era uma aposta segura, pois se ganhasse o prémio teria o dinheiro do prémio, e se perdesse um dos outros iria ganhar...Mas a coisa confundiu-me e eu nunca concretizei as apostas. Agora duvido que vá visitar a casa de apostas a breve prazo".

Prémio Kafka, 2011