Paeonia officinalis é uma espécie de planta com flor pertencente à família Paeoniaceae. A peónia (nome comum)Paeonia officinalis - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. é nativa principalmente em áreas montanhosas ou elevadas do sul da Europa, tendo sido introduzida há muito na Europa Central, Ocidental e na América do Norte. A Paeonia é o único género botânico da família Paenoniaceae, e compreende cerca de 35 espécies reconhecidas mundialmente, distribuídas pela Europa e América do Norte. As plantas deste género são geralmente herbáceas perenes, podendo algumas espécies atingir um porte arbustivo, cerca de dois metros de altura.
A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum 1: 530. 1753.Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 29 de setembro de 2014 <http://www.tropicos.org/Name/27101968> A Paeonia officinalis foi originalmente utilizada com fins medicinais, e posteriormente cultivada como planta ornamental. Muitas varietais são utilizadas na horticultura, embora a espécie típica seja invulgar hoje em dia. A Paeonia officinalis contudo, ainda se encontra em estado selvagem na Europa.
Etimologia
"Peónia" advém do latim antigo "paeonia", nome da antiga região da Grécia setentional: um reino no norte e nordeste da Macedónia habitado pelos peónios. "Officinalis" deriva do latim medieval "officina", do substantivo "opificina", que mais tarde passou a "officina": originalmente referia-se a uma livraria, depois a um depósito monástico, a uma loja de ervas medicinais (ervanária) e, finalmente, a uma farmácia. O adjetivo officinalis é utilizado no latim botânico para se referir à medicina prática.
Portugal
Trata-se duma espécie presente no território português, com incidência no sul e centro, em florestas de carvalho e sobreiro, nomeadamente os seguintes táxones infraespecíficos:Sequeira M, Espírito-Santo D, Aguiar C, Capelo J & Honrado J (Coord.) (2010). Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira). Associação Lusitana de Fitossociologia (ALFA). Paeonia officinalis subsp. microcarpa e Paeonia broteri são duas espécies presentes em Portugal Continental, exceto no Norte. Têem vários nomes, as espécies nativas deste género: peónia, erva-casta, erva-de-santa-rosa, rosa-albardeira, rosa-cuca e rosa-de-lobo.
Esta planta ocorre habitualmente em matagais perenifólios e no estrato arbustivo de carvalhais, nomeadamente em bosques de azinho, sobreiro e de carvalho-cerquinho, de preferência nas zonas mais húmidas e sem luz direta. A peónia prefere locais sombrios sob a cobertura doutras formações vegetais que lhe proporcionam proteçāo, frescura e sombra, pois não tolera locais com sol excessivo. Esta planta demonstra também um carácter ripícola, podendo ocorrer à beira de cursos de água (ribeiros, riachos, nascentes, lagos, lagoas). Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da Uniāo Europeia.
Usos medicinais
É utilizada em inumeras fórmulas da medicina tradicional chinesa sob o nome de "bai shao". É considerada uma planta com propriedades tónicas sanguíneas, utilizada para tratar desequilíbrios sanguíneos no organismo, revitalizando-o, promovendo o fornecimento de nutrientes e ativando a circulação (sudorese, má circulação e hemorragias). É-lhe também atribuida eficiência contra a ansiedade, dores de cabeça, doenças mentais, hipertensão (diminuindo a pressão arterial por dilatação das artérias), disenteria, taquicardia, tosse irritativa, gastrite, úlceras gastrointestinais, feridas, varizes e hemorróides. Alivia a dor e melhora a nutrição (eficácia não comprovada). Útil em casos de deficiência sanguínea e hepática, e no combate de suores noturnos. Tem sido utilizado em diversas perturbações ginecológicas, como emenagogo (indutor da menstruação nas mulheres) e prevençāo contra o aborto. Demonstrou-se que tem um efeito positivo no tratamento da anemia e dalguns tipos de cancro. Em homeopatia, é utilizado sob o nome de Paeon.
Farmacologia
Parte utilizada (medicamento)
Desta planta, tanto as pétalas como a raiz (em maior proporção) e as sementes são utilizadas para fins medicinais.
Composição química
Paeonol (álcool derivado da acetofenona) também encontrado na raiz e nas sementes. Paeoniflorina (glicosídeo). Autocianósidos como a peonina (pigmento), responsáveis pela cor da flor. Taninos Óleo essencial (25%) Resina Glicose (4-5%) Glutamina Sacarose (8-14%) Ácidos orgânicos (livres até 1%, salificados de 0,4 a 0,56%) Ácido benzoico Arginina O tubérculo contém também amido e ácido metarabinoide (até 2%)
Toxicidade
Observa-se a presença de princípios tóxicos, ainda não isolados. Doses elevadas de pétalas, sementes ou raízes podem causar gastroenterite com cólicas, vómitos, diarreia que podem ser fatais devido ao colapso cardiorrespiratório. Foram descritos casos de intoxicação em crianças após a ingestão de 3 a 4 pétalas.
Ações farmacológicas
O peonol atua como anti-inflamatório, analgésico, antiácido, antiulceroso e antibacteriano. A peoniflorina é sedativa, hipnótica, antitússico, ligeiramente espasmódica, analgésica e anticonvulsivante. Os antocianósidos são responsáveis pelo efeito venotónico e vasoprotetor. As flores (peoniflorina) são utilizadas como laxante (laxante-purgante) e anticonvulsivante e as sementes como emético (substância que provoca o vómito), sedativo nervoso e também utilizadas no tratamento preventivo dos pesadelos. Este último item não é recomendado como aplicação.
Utilizações miniaturadaimagem|direita|Paeonia officinalis, polinizaçāo, Jardim das Plantas, Paris Na Idade Média, era cultivada em jardins de ervas pelas crenças nas suas propriedades medicinais. Os amuletos eram feitos com peónia para tratar pessoas propensas a crises epilépticas. Estudos no que concerne a composiçāo terapêutica dos turbérculos continuam a ser conduzidos. A raiz era também muito apreciada como antiespasmódico e narcótico. As flores eram também prescritas em forma de xarope até ao século XIX. As análises bioquímicas mostraram a presença de paeniflorina, um alcalóide sedativo, analgésico e anticonvulsivante, o que poderá explicar este uso antigo como um remédio potente.
A peónia comum também contém paenol, conhecido pelas suas propriedades analgésicas, antiespasmódicas e anti-inflamatórias. Para tentar afastar os pesadelos, as pessoas usavam colares de botões ou sementes de peónia à noite para dormir melhor. No final da Idade Média, as peónias eram utilizadas apenas para fins medicinais e mágicos. As primeiras variantes cultivares, surgiram no final do século XVI e continuam a ser cultivadas.
A peónia chinesa é considerada uma das plantas mais indicadas para a saúde feminina, razão pela qual é utilizada na medicina tradicional chinesa. É prescrita para aliviar dores menstruais, distúrbios menstruais, câimbras, tonturas e migrâneas.
Bibliografia Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira Paeonia officinalis - Portal da Biodiversidade dos Açores Paeonia officinalis - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 29 de setembro de 2014). Paeonia officinalis - International Plant Names Index Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 1-8, 10-15, 17-18, 21. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.
Ligações externas
Paeonia officinalis - Flora-on Paeonia officinalis - The Euro+Med PlantBase Paeonia officinalis - Flora Vascular Paeonia officinalis - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Paeonia officinalis - JSTOR Global Plants Paeonia officinalis - Flora Europaea Paeonia officinalis - NCBI Taxonomy Database Paeonia officinalis - Global Biodiversity Information Facility Paeonia officinalis'' - Encyclopedia of Life
Categoria:Flora de Portugal officinalis