left|upright|thumb|Torre de água da estação de Mirandela, em 2009. A estação ferroviária de Mirandela (nome anteriormente grafado como "Mirandella"),Almeida Pinheiro: “Companhia nacional de caminhos de ferro” Diario Illustrado 4670 (1886.04.27) foi uma interface da Linha do Tua, que servia a cidade de Mirandela, no Distrito de Bragança, em Portugal. Entrou ao serviço em 29 de Setembro de 1887.MARTINS et al, 1996:249 __TOC__

História left|thumb|upright|Anúncio do concurso para as obras da estação, em 1886.

Inauguração Esta estação foi inaugurada em 27 de Setembro de 1887, em conjunto com o lanço da Linha do Tua até Foz Tua, tendo sido organizado um comboio especial para a cerimónia, que foi acolhido na gare por uma grande multidão, composta por habitantes de Mirandela e da região em redor. A família real saiu do comboio e foi em cortejo até à Câmara Municipal, enquanto que a locomotiva se dirigiu à placa giratória para inverter a marcha, de forma a rebocar o comboio no sentido inverso. Quando passou pelas oficinas, o fogueiro abriu as portas para proceder à limpeza da caixa do fumo, operação que impressionou a população reunida no local. Na cerimónia, que também contou com a presença do ministro das Obras Públicas, Barjona de Freitas, foram feitos vários discursos e a recitação de versos, escritos por Joaquim Belchior de Azevedo e dedicados a D. Luís I e à Linha do Tua. Também tocou uma banda de música, e foram lançados foguetes. Foi igualmente oferecido um jantar no armazém de mercadorias da estação.JACOB et al, 2010:15 Este troço abriu à exploração dois dias depois, pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.REIS et al, 2006:35 O primeiro chefe de estação foi Jerónimo Maria Cardoso.

O edifício de passageiros situava-se do lado sudoeste da via (lado direito do sentido ascendente, a Bragança). A construção desta linha inseriu-se um período de grande desenvolvimento das linhas de via estreita em Portugal, iniciado na década de 1880, que também incluiu as linhas do Dão, do Vouga e do seu Ramal para Aveiro, do Tâmega, do Corgo, e do Sabor.

left|thumb|Postal dos finais do século XIX, mostrando a estação e as oficinas. Século XX Décadas de 1900 e 1910 Ainda em 1897, o empresário Moses Zagury propôs a construção de um caminho de ferro de via estreita desde esta cidade até Bragança, seguindo a Estrada Real.

Em finais de 1904, já decorriam as obras no lanço da via férrea até Bragança. Em 16 de Junho de 1905, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que se previa para breve a inauguração do primeiro lanço daquela linha, até Quintela. A estação foi construída no interior da localidade, a curta distância do centro histórico.

Com efeito, em 28 de Julho desse ano o governo autorizou a Companhia Nacional a abrir de forma provisória o primeiro tramo da linha além desta estação, mas que ia apenas até Romeu. Este troço entrou ao serviço em 2 de Agosto de 1905. Em 17 de Outubro de 1905, entrou ao serviço o lanço seguinte, até Macedo de Cavaleiros, tendo o primeiro comboio saído desta estação por volta das 8 horas da manhã, no sentido descendente. A linha férrea chegou a Sendas em 18 de Dezembro do mesmo ano, a Rossas a 14 de Agosto de 1906, e finalmente a Bragança em 1 de Dezembro de 1906, completando a Linha do Tua.JACOB et al, 2010:23

Nos princípios do século XX, esta foi uma das estações que foram servidas por novo comboio rápido entre Bragança e Tua, que tinha como finalidade dar ligação ao Comboio Porto - Medina, que percorria a Linha do Douro no seu percurso entre São Bento e a cidade espanhola de Medina del Campo.

left|thumb|Vista da estação, nos primeiros anos. Em 1913, existiam serviços de diligências ligando esta interface a Torre de Dona Chama, Valpaços, Vilarandelo, Chaves e Boticas.

Décadas de 1930 e 1940 O Plano Geral da Rede Ferroviária, introduzido pelo Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930, aludiu à necessidade de construir uma rede de vias que ligassem as várias linhas de via estreita a Norte do Rio Douro entre si e a Leixões, de forma a expandir a zona de influência daquela importante instalação portuária, e melhorar as condições de funcionamento das vias férreas em si. Esta rede, que deveria ligar Mirandela a Caniços, era conhecida como Transversal de Trás-os-Montes, e um dos seus troços seria a Transversal de Valpaços, com cerca de 67 km de extensão, que ligaria Mirandela à Linha do Corgo, em Vila Pouca de Aguiar ou Pedras Salgadas, de acordo com estudos posteriores.PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.

left|thumb|Fotografia da estação de Mirandela, publicada na Gazeta dos Caminhos de Ferro em 1937. Em 1933, esta estação foi alvo de várias obras por parte da Companhia Nacional, incluindo a cobertura e o calcetamento do cais descoberto, a construção de um muro de vedação, o ajardinamento do recinto, a construção de um hangar para o serviço de revisão do material circulante, a modificação de parte do segundo piso do edifício para instalar os Serviços de Exploração, e a ampliação da casa do guarda da passagem de nível, para servir de habitação ao capataz geral da 1.ª Secção de Via e Obras. No ano seguinte, foi assente uma via de acesso ao cais do carvão, e em 1935 realizaram-se obras de conservação no edifício da estação.

Em 1939, o edifício voltou a ser alvo de obras, tendo sido modificada a residência do director de exploração, feitas várias reparações nas dependências públicas e nos escritórios da exploração; também foram feitos trabalhos de reparação na casa do guarda da passagem de nível e no dormitório do pessoal de trem, ampliada a habitação do chauffeur, e construído um alpendre para servir como depósito de lenhas e de serração mecânica.

Em 1938, foi montada nas oficinas desta estação a primeira locomotiva diesel em Portugal, baptizada de Lydya.REIS et al, 2006:92

Em 1 de Janeiro de 1947, a Companhia Nacional foi integrada na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Década de 1990 Em 1990, a locomotiva 9006 estava adjudicada ao depósito desta estação. Em 15 de Dezembro de 1991, a estação foi encerrada, em conjunto com o lanço da Linha do Tua até Bragança, pela operadora Caminhos de Ferro Portugueses, e em 13 de Outubro do ano seguinte o material circulante foi retirado de BRagança e colocado nesta estação, numa operação que atraiu considerável polémica.

Na década de 1990, iniciou-se o programa do Metro de Mirandela, que pretendia aproveitar parte do traçado da Linha do Tua para um sistema ferroviário ligeiro, tendo o primeiro troço, desde esta estação até Carvalhais, sido inaugurado em 28 de Julho de 1995. Mais tarde o edifício de passageiros original foi afeto a outros usos e o seu papel tomado por um edifício anexo, a cerca de 100 m a sudeste, no sentido ascendente;“Sinalização da Estação de Mirandela” («Diagrama do Anexo n.º 101 à I.T. n.º 28») ambos situados do lado sulsudeste da via (lado direito do sentido ascendente, para Bragança) e franquando o mesmo arruamento (Rua D. Afonso III =EN213).: 565 m: desnível acumulado de +15−19 m

left|thumb|Plataformas da segunda estação de Mirandela.

Século XXI Os serviços do Metro de Mirandela foram prolongados até à estação ferroviária do Tua em 21 de Outubro de 2001. No entanto, em 22 de Agosto de 2008 foi suspensa a circulação dos comboios no lanço entre as estações de Cachão e Tua, devido à ocorrência de um grave acidente.

Em 26 de Março de 2010, um grupo de cidadãos enviou um pedido ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, onde foi proposta a classificação do troço da linha entre e Mirandela como Património de Interesse Nacional, alegando a sua importância como uma componente única do património ferroviário português, e que estava em risco de ser alagada com a futura construção da Barragem do Tua. No entanto, este processo não teve seguimento, tendo sido arquivado pelo IGESPAR no dia 4 de Novembro desse ano, deixando assim a Linha do Tua de ter protecção legal.PORTUGAL. Anúncio n.º 10853/2010, de 4 de Novembro de 2010. Ministério da Cultura - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, I. P. , Publicado no Diário da República n.º 219/2010, Série II, de 11 de Novembro de 2010

right|thumb|Dresina estacionada na estação de Mirandela. A 14 de dezembro de 2018 os serviços feroviários do Metro de Mirandela foram suspensos.Metropolitano Ligeiro de Mirandela C.M.M. (cons. 2022.04.27). No ano seguinte, a 12 de Setembro, foi anunciada a transferência, por 50 anos, do edifício da estação original e terrenos anexos (incluindo a segunda estação), para a Câmara Municipal local — que previa a renovação da estação rodoviária contígua e a criação de um centro artístico.

Ver também Comboios de Portugal Infraestruturas de Portugal Transporte ferroviário em Portugal História do transporte ferroviário em Portugal

Bibliografia

Leitura recomendada

Ligações externas

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