O Wisconsin (/wɪsˈkɒnsɨn/; ou raramente VisconsimMachado, José Pedro (1993) . Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. I 2.ª ed. Lisboa: Horizonte / Confluência. ISBN 972-24-0842-9) é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na região norte do país. O Wisconsin possui um dos maiores rebanhos de gado bovino do país. O estado é o maior produtor nacional de queijo e manteiga, e o segundo maior produtor de leite do país. A indústria agropecuária já foi a fonte de renda mais importante do estado. Porém, atualmente, as principais fontes de renda são, em ordem decrescente de importância, a prestação de serviços financeiros e imobiliários, a indústria de manufatura e o turismo.
Historicamente, o Wisconsin tem-se destacado por ter sido o local de nascimento do progressivismo político na história dos Estados Unidos, durante as décadas de 1890 e 1900. O Wisconsin é pioneiro na adoção de direitos laborais, reformas econômicas, sociais e educacionais, e foi o primeiro estado a abolir a pena de morte no país. O Wisconsin também se destaca por ser um grande centro educacional, área onde o Estado também é pioneiro. A primeira universidade norte-americana a aceitar cursos onde o ensino era realizado a distância, via correspondências, e o primeiro jardim de infância norte-americano foram fundados no Wisconsin.
Os primeiros exploradores europeus no Wisconsin foram os franceses. O Wisconsin fizera parte da colônia francesa de Nova França até 1763, quando passou a ser controlada pelo Reino da Grã-Bretanha. Em 1783, após a independência dos Estados Unidos, a região que atualmente constitui o Wisconsin passou a ser administrada pelo último. Esta região fez parte de numerosos territórios norte-americanos até 20 de abril de 1836, quando o Território de Wisconsin foi fundado. Em 29 de maio de 1848, o Wisconsin tornou-se o 30º estado norte-americano.
Wisconsin é uma palavra de origem nativa norte-americana. Porém, não se sabe ao certo o significado desta palavra, que pode significar agrupamento de águas, campos selvagens de arroz, terra natal ou grande rocha.
História Até 1848 À época da chegada dos primeiros exploradores europeus à região que atualmente constitui o estado do Wisconsin, durante o século XVII, três tribos nativos americanas viviam na região: os dakota, os menominee e os winnebago. Durante o século XVIII, numerosas outras tribos e povos nativos americanos, vindos do leste, instalariam-se no Wisconsin, como os chippewa, os Illinois, os Ottawa e os Sauk.
O primeiro explorador europeu a pisar no atual Wisconsin foi o francês Jean Nicolet, em 1634. Ele navegara ao longo dos Grandes Lagos, em direção ao oeste, acreditando na existência de uma rota para as Índias via os Grandes Lagos. Ao invés disto, Nicolet desembarcou em Wisconsin, onde atualmente está localizada a cidade de Green Bay. O primeiro assentamento fundado por europeus no Wisconsin foi fundado em 1660, por um missionário francês, René Ménard. Ménard posteriormente fundaria, durante a década de 1660, diversos outros assentamentos missionários ao longo do atual Wisconsin. René-Robert Cavelier, em 1682, reivindicaria toda a região à coroa francesa. O Wisconsin passou a fazer parte da Nova França, subdivisão administrativa de Luisiana.
O povoamento por parte de colonos de ascendência européia na região foi realizado primariamente através da fundação de diversos pequenos postos comerciais na região do atual Wisconsin. A economia da região estava baseada primariamente na caça e na obtenção de peles de animais com os indígenas. De início, a relação entre os franceses e as tribos nativos americanas na região era amistosa. Porém, estas relações deterioraram-se após o início do maior controle das terras da região por parte dos franceses. Em 1712, guerra iniciou-se entre os franceses e os nativos americanos da tribo Fox. Esta guerra teve início por causa de disputas territoriais, quanto ao controle da região do Rio Fox. A guerra teria fim somente em 1740, resultando em vitória francesa. Os franceses obtiveram o firme controle da região do Rio Fox, mas pagaram um alto preço por isto: a guerra não somente havia enfraquecido drasticamente as forças militares francesas no Wisconsin como também causou o deterioramento das relações entre franceses e nativos americanos.
A Guerra Franco-Indígena teve início em 1754, entre os franceses e os britânicos. A guerra teve fim em 1763. Sob os termos do Tratado de Paris de 1763, os franceses cederam toda a região da Nova França a leste do Rio Mississípi aos britânicos. Assim sendo, o Wisconsin passou a ser colônia britânica. Em 1774, sob os termos do Ato de Quebec, a região de Winsconsin passou a fazer parte da colônia britânica de Quebec. Este ato foi um dos motivos que causaram a Guerra da Independência dos Estados Unidos.
Após a das Treze Colônias, em 1783, sob os termos do Tratado de Paris de 1783, os territórios controlados pelos britânicos ao sul dos Grandes Lagos e a oeste dos Apalaches passaram a serem controlados pelos americanos, incluindo o atual Wisconsin. Entre 1800 e 1809, o Wisconsin fez parte do Território de Indiana, entre 1809 e 1818, do Território de Illinois, e entre 1818 e 1836, do Território de Michigan.
O atual Wisconsin começou a receber milhares de assentadores por ano durante a década de 1820, graças à descoberta de ferro e chumbo na região. Em 1832, a Guerra Black ocorreu entre nativos americanos liderados pelo chefe indígena Black Hawk, chefe indígena dos saux, e os colonos de ascendência européia na região. A guerra iniciou-se quando, em abril, Black Hawk, comandando cerca de mil índios, partiu da região do atual Iowa rumo ao Illinois. Ao final da guerra, que terminou no mesmo ano, haviam sobrevivido apenas 150 indígenas.
O crescimento populacional da região fez com que, em 20 de abril de 1836, o Território de Wisconsin fosse criado. Este território incluía muito dos atuais estados de Dakota do Norte, Dakota do Sul, Iowa e Minnesota. Nos anos seguintes, secções do estado foram cedidas para outros territórios americanos. Em 29 de maio de 1848, o Wisconsin foi elevado à categoria de estado, tornando-se o 30° estado americano. Ao mesmo tempo, o Wisconsin adquiriu seus atuais limites territoriais. A indústria da mineração entraria então em declínio, para ser substituída como principal fonte de renda do Wisconsin pela agropecuária.
1848 - Tempos atuais Em fevereiro de 1854, um grupo de políticos do Wisconsin reuniu-se na cidade de Ripon, Wisconsin, para discutir sobre o Ato de Kansas-Nebraska, recentemente aprovado pelo congresso americano. Este ato permitia que os territórios de Kansas e Nebraska utilizassem, caso quisessem, o trabalho escravo, fato que revoltou políticos do Norte abolicionista. Decisões tomadas neste encontro posteriormente ajudariam na fundação do Partido Republicano, ainda em 1854. Em apenas dois anos após sua criação, os republicanos dominaram politicamente o estado. Por mais de um século, os republicanos controlariam, a nível estadual e nacional, as políticas do Wisconsin.
Durante a década de 1890, uma ala do Partido Republicano no Wisconsin dividiu-se do restante do partido. Esta ala, composta por republicanos liderados por Robert M. La Follette. Esta ala republicana era contra a liderança do Partido Republicano - tanto no estado quanto no país - liderado primariamente por políticos que defendiam os interesses da indústria ferroviária. No Wisconsin, pesadamente dependente da indústria agropecuária, esta, por sua vez, dependente da indústria ferroviária, a maioria dos republicanos apoiou a ala contra os líderes dos republicanos no Wisconsin.
Apesar de não ter o apoio dos líderes do partido, Robert foi escolhido pela maioria do partido no estado a candidato nas eleições estaduais para governador de 1900. La Follette venceu as eleições. Ele governou o estado até 1906, tendo sido reeleito em 1902 e 1904. Neste meio-termo, Robert adotou diversos atos e leis, que davam prioridade à população rural do estado, e não aos ricos proprietários de ferrovias. Estes atos e leis incluem impostos aplicados à herança, a regulação dos preços - até então abusivos - cobrados para o transporte de carga de e para o estado, o melhoramento do sistema público de ensino e de novos impostos para a indústria ferroviária. Robert indicou diversos universitários para atuarem no governo, parte da ideia que o próprio chamou de "ideia do Wisconsin", ideia baseada no pensamento que o estado deveria ser governado por pessoas experientes com um dado assunto - com ou sem influência político-econômica - e não somente por pessoas meramente influenciais. Tais programas de governo ficaram conhecidos como programas progressistas.
Em 1911, o Legislativo do Wisconsin aprovou leis trabalhistas, que protegiam trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho, por causa da negligência dos proprietários. Foi o primeiro estado americano a adotar uma lei do gênero. O estado prosperaria com a Primeira Guerra Mundial, graças aos altos preços de produtos agrários em geral e da alta demanda destes produtos. Porém, após a guerra, os preços de produtos agrários em geral caíram no mercado, causando uma grande recessão econômica no estado, então dependente do cultivo de trigo e milho.
A recessão agravaria-se drasticamente com a Grande Depressão da década de 1930. Durante muito desta década, o estado seria governado por Philip F. La Follette, filho de Robert M. La Follette, eleito em 1930, reeleito em 1934 e em 1936. Philip propôs a criação de um programa de assistência sócio-econômica estadual em 1930. O programa foi aprovado pelo Legislativo, e o Wisconsin foi o primeiro estado americano a adotar um programa deste gênero no país. Posteriormente, Philip criaria diversos organizações governamentais e programas visando minimizar os efeitos da recessão no estado. A maior parte destas organizações e programas foram paralisados após a saída de Philip do governo do estado, em 1938.
Os efeitos da Grande Depressão teriam fim somente com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. A indústria agropecuária do Wisconsin recuperou-se. Além disso, o estado passou a industrializar-se rapidamente. Após a o fim da guerra, com a queda dos produtos agropecuários no mercado, a importância da indústria agropecuária passou a cair gradualmente. A indústria de manufatura já era a principal fonte de renda do estado no início da década de 1950. A partir da década de 1960, o turismo passou a ser outra fonte de crescente importância para a economia do estado.
O Wisconsin passou a tornar-se um grande centro de fornecimento de educação superior durante a década de 1950. Diversas universidades e faculdades públicas foram construídas pelo governo do estado, e outras, construídas por empresas privadas, graças a incentivos fiscais fornecidos pelo estado. Somente entre 1950 e 1970, a Universidade de Wisconsin fundou 15 campi em diferentes cidades do estado. Em 1971, a Universidade de Wisconsin seria fundida com a Universidade Estadual de Wisconsin, criando assim o atual Sistema de Universidades de Wisconsin. Atualmente, o fornecimento de serviços de educação superior a estudantes vindos de outros estados do país ou do exterior é uma das principais fontes de renda do Wisconsin.
Geografia 250px|direita|thumb|Mapa do Wisconsin e de seus 72 condados. O Wisconsin limita-se ao norte com o lago Superior e com o estado de Michigan, a leste com o lago Michigan, ao sul com o Illinois, e a oeste com o Iowa e o Minnesota. Com quase 170 mil km2, é o 23º maior estado americano em área do país.