A seguir se apresenta a lista de histórias de Gail Simone e John Byrne em Action Comics. A passagem de Gail Simone pelos roteiros da revista foi alvo de atenção pela participação de Byrne, ainda que somente como desenhista, pois ele estava há anos afastado do personagem. Anos antes, entre 1986 e 1988, o escritor britânico naturalizado americano realizou significativas contribuições à história do Superman. Nesse curto período de tempo ele escreveu, desenhou e/ou colaborou de alguma outra forma com mais de 50 histórias diferentes envolvendo o personagem, incluindo a representativa minissérie The Man of Steel. Byrne e os profissionais que o acompanharam estabeleceram uma série de conceitos que continuariam a ser adotados nos anos seguintes, tanto nos quadrinhos quanto nas adaptações das histórias do personagem para outras mídias.

Em 2005, fora anunciado que ele voltaria a trabalhar na revista Action Comics, que ele havia escrito e desenhado previamente entre 1986 e 1987, ao lado da roteirista Gail Simone, e a parceria atraiu a atenção do público — as três primeiras edições tiveram suas tiragens esgotadas. A arte-final das histórias foi feita por Nelson deCastro, e posteriormente seria revelado que ele havia alterado significativamente o lápis original de Byrne, algo que teria incomodado o desenhista.

Antecedentes e contexto

Os trabalhos anteriores de Byrne com Superman e sua influência Entre junho e agosto de 1986 a publicação de Action Comics foi suspensa pela primeira vez em sua história: naquele período o único título protagonizado por Superman a ser publicado pela DC Comics seria a minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne. Byrne fora contratado pela editora para reformular o personagem, criando inclusive uma uma nova origem após o evento "Crise nas Infinitas Terras" e seria a partir de The Man of Steel que seriam contadas as novas histórias do personagem, estabelecendo um novo cânone, que desconsiderava todas as histórias produzidas até então. A numeração da revista, entretanto, seguiu a mesma: Quando sua publicação foi retomada em janeiro de 1987, foi a partir da edição 584, e não a partir de um novo número 1.MILLER, p.35-44

Após Action Comics atingir a histórica marca de 600 edições publicadas, Byrne deixaria o cargo de roteirista e desenhista e a DC Comics tentaria, a partir daquele ano, retomar o formato de antologia, publicando a revista numa periodicidade semanal com diferentes histórias curtas toda semana. A mudança duraria apenas até o ano seguinte, e compreenderia as edições 601 à #642, mas quanto retornou ao formato normal, Byrne já havia abandonado os roteiros das revistas do personagem, insatisfeito com uma suposta "falta de apoio" da editora às modificações que havia imposto ao personagem.COOKE, p. 45-55

Byrne foi sucedido por Roger Stern e seu trabalho continuaria influenciado as histórias do personagem mais de uma década após ele abandoná-lo. Dentre os escritores que o sucederam na década de 1990, estiveram Stuart Immonen e Joe Kelly. Kelly permaneceria em Action Comics até 2004, cumprindo com um objetivo em suas histórias: "evoluir as bases estabelecidas por John Byrne e seus seguidores para conseguir um Super-Homem mais humano — consequência de sua criação por Jonathan e Martha Kent — ao mesmo tempo em que resgatariam a magia e a grandeza perdida da Era de Prata dos super-heróis".

Clark Kent é demovido e Austen escreve Austen Comics Kelly foi sucedido por Chuck Austen, numa curta e controversa passagem pela revista em 2004. Enquanto Greg Rucka abordaria em Adventures of Superman o trabalho de Clark Kent como jornalista, após ser rebaixado no Planeta Diário e passar a trabalhar numa nova redação, cobrindo o plantão policial, Austen se dedicaria principalmente a mostrar Superman, mas de forma mais "realista", parte da nova filosofia da editora para as histórias do personagem. As histórias abordaram principalmente "dois grandes desafios: um físico e outro emocional", segundo o próprio Austen. No campo emocional, estava a presença de Lana Lang, que havia se divorciado e se reaproximava de Clark, e no campo físico, a presença de novos inimigos para o personagem.

Histórico de produção e publicação

Byrne e Gail trabalharam juntos em 8 edições — Action Comics #827-831 e 833-835 — incluindo duas histórias relacionadas aos eventos antecendo Crise Infinita. A primeira foi publicadas em julho de 2005 na edição 829, e fez de um arco de história que foi publicado nas demais revistas do personagem no mesmo mês.

A segunda trama, relacionada à minissérie Vilões Unidos, também escrita por Simone, foi publicada nas edições 830 e 831, em agosto e setembro do mesmo ano e fez parte do propósito da escritora de retratar Superman lutando contra vilões diferentes em suas histórias.

Uma terceira trama relacionada aos eventos de Crise Infinita seria publicadas em Action Comics #832, em outubro. Embora tenha sido desenhada por Byrne, esta edição contou com roteiros de Dan Abnett e Andy Lanning e apresentou um confronto com o vilão Satanus e "o Espectro"ABNETT, Dan; LANNING, Andy; BYRNE, John. Action Comics #832. Publicado originalmente nos Estados Unidos pela DC Comics em outubro de 2005 e no Brasil pela Panini Comics em dezembro de 2006 na revista Superman #49, com tradução e adaptação para o português por Edu Tanaka e Fabiano Denardin — a entidade , à época, estava sendo dominada pelo vilão Eclipso na minissérie Dia de Vingança.

As histórias produzidas por Simone e Byrne eram intencionalmente curtas, se estendendo por no máximo duas edições, e eram simples, sendo mais acessíveis aos novos leitores. Simone escrevia cada edição pensando que poderia ser a primeira história de Superman que o leitor teria acesso. A penúltima trama de Simone e Byrne, por exemplo, foi um confronto entre Superman e a Rainha de Fábulas, publicado em duas partes nas edições 833 e 834. Embora curta, a passagem foi bem-recebida pela crítica e pelo público, continuadamente tendo a tiragem de suas edições esgotada.

Sacríficio e a minissérie "Projeto OMAC" thumb|Action Comics #829 (2005): A segunda parte do arco de história Sacrifice.

A primeira trama ligada à Crise Infinita foi publicada Action Comics #829, e foi a única imposição editorial: Simone e Byrne tiveram que adequar seus planos à trama de Sacrifice, ligada a Projeto OMAC, criando uma situação que Simone definiria como "desconfortável, mas inevitável". A trama foi publicada em quatro partes, durante o mês de julho de 2005, nas revistas Superman #219, Action Comics #829, Adventures of Superman #642 e Wonder Woman #219, e é relacionada aos eventos retratados na minissérie O Projeto OMAC, escrita por Greg Rucka.

Rucka escreveu as duas últimas partes, cujos eventos se situam pouco antes da trama apresentada na quarta edição da minissérie também escrita por ele. A segunda parte, publicada em Action Comics, foi escrita por Gail Simone sob a coordenação de Rucka, e foi a terceira edição escrita por ela e ilustrada por John Byrne. Em Sacrifice, Superman é dominado por Maxwell Lord e é levado a atacar Batman e a Mulher-Maravilha, acreditando que seriam na verdade super-vilões. A trama foi um sucesso de vendas, com todas as revistas tendo recebido novas tiragens após esgotarem.

O confronto entre o dominado Superman e Mulher-Maravilha e, posteriormente, entre a Mulher-Maravilha e Maxwell Lord são comumente citados como alguns dos eventos mais significativos da história que veio a continuar nas edições do mês seguinte de Wonder Woman e Adventures of Superman e em The OMAC Project #4. A trama de Projeto OMAC fazia parte da "Contagem Regressiva para a Crise Infinita" e era dividida por Sacrifice: as três primeiras edições mostravam Batman e a Mulher-Maravilha realizando investigações diferentes: enquanto Batman acompanhava a organização Xeque-Mate e a agente infiltrada Sasha Bordeaux, a Mulher-Maravilha se juntou ao Gladiador Dourado com a intenção de descobrir o paradeiro do Besouro Azul, que havia desaparecido.

Assim como Dia de Vingança tinha o propósito de abordar o lado "místico" do Universo DC, Projeto OMAC se dedicou aos temas políticos e a estrutura de espionagem formada dentro do universo ficcional. Maxwell havia assassinado o Besouro Azul para evitar que seus planos para utilizar o satélite "Brother I" e os robôs OMAC fosse revelado. The OMAC Project #3 terminava com a revelação de que Lord havia sido bem-sucedido em dominar Superman. A minissérie fora planejada de forma que a publicação da terceira edição coincidisse com o início da publicação de Sacrifice e, da mesma forma, a publicação da conclusão de Sacrifice em Wonder Woman #219 e da quarta edição da minissérie também coincidiram intencionalmente.

As quatro capas de cada edição de Sacrifice foram produzidas de forma a retratar a relação entre si. Em Action Comics #829 Superman é retratado na mesma pose que em Superman #219 e Adventures of Superman #642, mas enfrentando um vilão diferente. Em Wonder Woman #219 a arte é invertida, e Superman é retratado sempre enfrentado pela Mulher-Maravilha. O final da revista, em que a heroína assassina Lord para impedir que ele continuasse a controlar Superman é determinante para a continuação de The OMAC Project.

O início de The OMAC Project #4 retrata a mesma cena que dos últimos quadros da quarta parte de Sacrifice: Maxwell Lord no chão, morto após ter o pescoço quebrado pela Mulher-Maravilha. A partir da morte de Maxwell, se desenvolveu a trama das edições restantes da minissérie, que levam ao início dos eventos retratados em Crise Infinita. Action Comics não teria mais histórias relacionadas aos eventos de Projeto OMAC.

Os antagonistas usados por Simone e a minissérie "Vilões Unidos" A segunda trama relacionada à Crise Infinita era ligada à minissérie Vilões Unidos, também escrita por Simone, e era algo que estava sendo planejado pela própria desde o primeiro momento em que começou a elaborar suas histórias para a revista. A intenção de Simone era escrever histórias que apresentassem vilões diferentes, incluindo introduzindo novos personagens — "Eu já sabia, mas trabalhar em 'Vilões Unidos' me confirmou isso: o Universo DC é lotado de lunáticos que precisam tentar a sorte contra o grandão [Superman]. Há todo tipo de pessoas detestáveis semi-esquecidas [dentre os vilões] esperando para serem agredidas", disse, em entrevista publicada à época.

Simone teve a ideia de incluir os vilões Adão Negro e Dr. Psycho numa trama que pudesse ser lida independentemente da minissérie, rejeitando inclusive o rótulo de "crossover" para a história — "Eu entendo que parte disso é nossa culpa, pois na indústria [de histórias de quadrinhos ] rotulamos participações especiais como 'crossovers' ou 'tie-ins', e então os leitores ficam céticos. Mas eu tento fazer algo diferente, e se tenho uma boa história, eu gostaria que ela se sustentasse sozinha. Você não precisa ler 'Vilões Unidos' para entender que o Dr. Psycho é um nojento e que Adão é um anti-herói em conflito. Eu não acho que [as duas edições envolvendo os personagens] deveriam ser rotuladas como 'crossovers'. São apenas uma história divertida com personagens que também aparecem em outras revistas", disse em entrevista realizada após ter sido anunciada sua saída da revista.

Término prematuro e sucessão thumb|Curto-Circuito na capa de Action Comics #835. Arte por Kalman Andrasofszky. Action Comics #835 foi a última edição produzida pela dupla, e apresentou a introdução da vilã Curto-Circuito nas histórias em quadrinhos. A personagem fora originalmente criada para a série Superman: The Animated Series e tem sua origem adaptada por Simone.

O anúncio da saída de Simone e Byrne foi visto como uma surpresa, pois ambos pretendiam continuar na revista, e não haviam sido avisados quando foram contratados de que ficariam na revista por menos de um ano.