Félix Lope de Vega y Carpio (Madrid, 25 de Novembro de 1562 – Madrid, 27 de Agosto de 1635) foi um dramaturgo, novelista e poeta espanhol, conhecido como um dos maiores nomes do Século de Ouro Espanhol (1492-1659) da literatura barroca. Miguel de Cervantes disse que Lope de Vega era "O Fénix de Engenhos" (Fénix de los ingenios) e "Monstro da Natureza" (Monstruo de naturaleza).

Lope de Vega renovou a vida literária do teatro espanhol quando se tornou cultura de massa, e com os dramaturgos Calderón de la Barca e Tirso de Molina definiu as características do teatro barroco espanhol com grande visão da condição humana. A produção literária de Lope de Vega inclui 3,000 sonetos, três romances, quatro novelas, nove poemas épicos, e aproximadamente 500 peças teatrais.

Pessoalmente e profissionalmente, Lope de Vega era amigo do escritor Francisco de Quevedo e arqui-inimigo do dramaturgo Juan Ruiz de Alarcón. O volume dos trabalhos literários produzidos por Lope de Vega rendeu-lhe a inveja dos seus contemporâneos, como Cervantes e Luis de Góngora y Argote, e admiração de Johann Wolfgang von Goethe por uma obra tão vasta e colorida.Cfr. Eckermann, Conversations with Goethe: em 1828 Eckermann lembrou-se de ter uma conversa sobre a extensão dos trabalhos do autor, no qual Goethe expressou a sua admiração por Lope. Lope de Vega era também amigo próximo de Sebastian Francisco de Medrano, fundador e presidente da Academia Poética de Madrid. Ele frequentaria a Academia de Medrano de 1616 a 1626, e a sua relação com Medrano é evidente no seu "El Laurel de Apolo" (1630) em silva VII."El Laurel de Apolo" (1630) em silva VII: "Dom Sebastián Francisco de Medrano, ilustre em nascimento e em génio, com um espírito diferente, devotadamente deixa para traz escrita profana."Barrera y Leirado, Cayetano Alberto de la, Catálogo bibliográfico del teatro antiguo español, desde sus orígenes hasta mediados del siglo xviii, Madrid, Rivadeneyra, 1860. Page 243

Biografia

Juventude Lope de Vega CarpioCertificado de batismo: «En seis de Diciembre de mil quinientos y sesenta y dos años, el Muy Reverendo Señor Licenciado Muñoz bautizó a Lope, hijo de Feliz de Vega y de Francisca su mujer. Compadre mayor, Antonio Gómez; madrina su mujer». Joaquín de Entrambasaguas, Vida de Lope de Vega, Ed. Labor, 1936, p. 20. nasceu em Madrid, em Puerta de Guadalajara numa família de nativos do vale de Carriedo. O seu pai, Félix de Vega, foi um bordador. Pouco se sabe da sua mãe, Francisca Fernández Flores. Mais tarde ficou com o distinguido apelido 'Carpio' da sua avó materna, Catalina del Carpio.

Depois de uma breve estadia em Valladolid, o seu pai mudou-se para Madrid em 1561, talvez atraído pelas possibilidades da nova cidade capital. No entanto, Lope de Vega iria mais tarde afirmar que o seu pai chegou a Madrid por um caso de amor do qual a sua futura mãe o iria resgatar. Então o escritor tornou-se fruto desta reconciliação e deveu a sua existência aos mesmos ciúmes que mais tarde iria analisar tanto nos seus trabalhos dramáticos.

Era um menino prodígio: com cinco anos, segundo o seu amigo e biógrafo Pérez de Montalbán, já lia em castelhano e latim. Enquanto que ainda não sabia escrever, ele partilhava o seu pequeno-almoço com os rapazes mais velhos em troca de ajuda a escrever os seus versos. Com dez anos já fazia traduções do latim para o espanhol. Escreveu a sua primeira peça de teatro com 12 anos, alegadamente El verdadero amante, como iria mais tarde afirmar na dedicação do seu trabalho para o seu filho Lope, embora estas declarações são provavelmente exagerações.

O seu grande talento levou-o até à escola do poeta e músico Vicente Espinel em Madrid, para o qual ele mais tarde sempre se referiu com veneração. Com 14 anos, começou a estudar com os jesuítas no Colégio Imperial de Madrid, do qual ele fugiu de participar numa expedição militar em Portugal. Depois da sua escapada, ele teve a grande fortuna de se acolhido sobre a proteção do bispo D. Jerônimo Manrique, que reconheceu o talento do rapaz e viu-o entrar na Universidade de Alcalá. Depois de se formar, Lope planeou seguir os passos do seu patrono e juntar-se ao sacerdócio, mas esses planos foram quebrados por se apaixonar e perceber que o celibato não era para ele. Assim ele falhou em obter um bacharelado e fez o que podia para viver como secretário para os aristocratas ou escrevendo peças.

Em 1583 Lope enlistou-se na Armada Espanhola e viu ação na Batalha de Ponta Delgada nos Açores, sob o comando do seu futuro amigo Álvaro de Bazán, cujo filho ele iria mais tarde dedicar uma peça.

Seguido disto, ele voltou para Madrid e começou a sua carreira como dramaturgo seriamente. Ele também começou um caso amoroso com Elena Osorio (a "Filis" dos seus poemas), que estava separada do marido, o ator Cristóbal Calderón, e era filha de um diretor principal de teatro. Quando, depois de alguns cinco anos do seu caso tórrido, Elena rejeitou Lope em favor a outro pretendente, os seus ataques vitriólicos nela e na sua família colocaram-no na prisão por difamação, e ultimamente, dando-lhe o castigo de oito anos de banimento da corte e dois anos de exílio de Castela.

Exílio Depois de difamar membros da sua família na sua escrita, Lope de Vega destemidamente foi para exílio. Ele levou Isabel de Alderete y Urbina de 16 anos, conhecido nos seus poemas pelo anagrama "Belisa", a filha do pintor da corte de Filipe II, Diego de Urbina. Os dois casaram-se sobre pressão da família dela a 10 de maio de 1588.

Poucas semanas depois, a 29 de maio, Lope inscreveu-se para outra viagem de serviço com a Marinha espanhola: isto era o verão de 1588,e a Invencível Armada ia velejar contra a Inglaterra. Era muito provável que o seu alistamento militar era a condição requerida pela família de Isabel, entusiasmada para se livrar de tal genro tão mal apresentado, para o desculpar por a ter levado embora.

A sorte de Lope serve-lhe bem outra vez, o seu navio, o San Juani, era um dos navios que chegaria a casa nos portos espanhóis no rescaldo da expedição falhada. De volta a Espanha por dezembro de 1588, ele ficou na cidade de Valência. Aí viveu com Isabel de Urbina e continuou a aperfeiçoar a sua fórmula dramática, participando regularmente na tertúlia conhecida como Academia de los nocturnos, na companhia de dramaturgos realizados como o cônego Francisco Agustín Tárrega, o secretário do Duque de Gandía Gaspar de Aguilar, Guillén de Castro, Carlos Boyl, e Ricardo de Turia. Com eles, ele refinou a sua abordagem à escrita teatral violando a ação de união e tecendo dois enredos juntos numa só peça, uma técnica conhecida como imbróglio.

Em 1590, no final do seu exílio de dois anos, ele mudou-se para Toledo para servir Francisco de Ribera Barroso, que mais tarde se tornou o 2º Marquês de Malpica, e, um tempo mais tarde, Antonio Álvarez de Toledo, 5º Duque de Alba. Nesta nomeação posterior ele tornou-se cavalheiro do bedchamber da corte ducal da Casa de Alba, onde viveu de 1592 a 1595. Aqui ele leu o trabalho de Juan del Encina, do qual ele melhorou a personagem de donaire, aperfeiçoando ainda mais a sua fórmula dramática. No outuno de 1564, Isabel de Urbina morreu de complicações pós-parto. Foi durante esta época que escreveu o seu romance pastoral La Arcadia, que incluía vários poemas e era baseado na casa do Duque em Alba de Tormes.

Retorno a Castela miniaturadaimagem|Casa de Lope em Madrid (1610–1635) Em 1595, seguido da morte de Isabel, ele deixou o serviço do Duque e – tendo oito anos passado – voltou a Madrid. Houve outros casos amorosos e outros escândalos: Antonia Trillo de Armenta, que lhe deu outro processo, e Micaela de Luján, uma atriz analfabeta mas bonita, que inspirou uma rica série de sonetos, dando-lhe quatro filhos e foi a sua amante até 1608. Em 1598, casou com Juana de Guardo, a filha de um talhante rico. No entanto, os seus encontros com outras – incluindo Micaela – continuaram.

No século 17 a produção literária de Lope chegou ao seu pico. De 1607 ele também trabalhava como secretário, mas não sem vários trabalhos adicionais, pelo Duque de Sessa. Uma vez que a década tinha acabado, no entanto, a sua situação pessoal um rumo para pior. O seu filho preferido, Carlos Félix (por Juana), morreu e, em 1612, Juana morreu durante o parto. Depois da perda do filho e da mulher, Lope convocou o resto dos seus filhos ainda vivos sob o mesmo teto para se dedicar ao Cristianismo. A sua escrita no inícios de 1610s também assumiu influências religiosas mais pesadas, e em 1614, ele juntou-se ao sacerdócio. A toma de ordens santas não o impediu os seus namoricos românticos, ele fornecia ao seu empregador o duque com várias companhias femininas. A relação mais notável e longa de Lope foi com Marta de Nevares, que o conheceu em 1616 e iria ficar com ela até à morte em 1632. miniaturadaimagem|Placa na Igreja de São Sebastião, Madrid marcando o enterro de Vega. Mais tragédias se seguiram em 1635 com a perda de Lope, o seu filho por Micaela e um poeta digno, um naufrágio na costa da Venezuela, e o rapto e subsequente abandono da sua querida filha mais nova Antonia. Lope de Vega foi para a sua cama e morreu de febre escarlate, em Madrid, a 27 de agosto desse ano. Foi enterrado na Igreja de São Sebastião (Madrid).

Os ossos do escritor foram atirados para uma vala comum localizada sob o altar, onde se misturaram com os da Marta de Nevares e os do dramaturgo mexicano Juan Ruiz de Alarcón, um dos seus maiores rivais.

Sacerdócio miniaturadaimagem|Lope de Vega vestido de batina. (Madrid, 1902) O período de vida que caracteriza ordenação sacerdotal de Lope de Vega foi uma das crises existenciais profundas, talvez impulsionada pela morte de parentes próximos. A esta inspiração respondem as suas Rimas Sacras e vários trabalhos devotos que começou a compor, como também o tom meditativo e filosófico que aparece nos seus últimos versos. Na noite de 19 de dezembro de 1611, o escritor era vítima de uma tentativa de assassinato da qual mal pode escapar. Juana de Guardo sofreu doenças frequentes e em 1612 Carlos Féliz morreu de febres. A 13 de agosto do ano seguinte, Juana de Guardo morreu enquanto dava luz a Feliciana. Tantas outros infortúnios afetaram Lope emocionalmente, e a 24 de maio de 1614, ele finalmente decidiu ser ordenado padre.

A expressão literária desta crise e os seus arrependimentos são as Rimas Sacras, publicadas em 1614; lá diz: "Se o corpo quer ser terra em terra/ a alma quer ser céu em céu", dualismo não redimido que constitui toda a sua essência. As Rimas Sacras constitui um livro ao mesmo tempo introspetivo nos sonetos (ele usa a técnica dos exercícios espirituais que aprendeu nos seus estudos com os Jesuítas) como devoro para os poemas dedicados aos diversos santos ou inspirados na iconografia sagrada, então em plena implantação graças às recomendações emanadas do Concílio de Trento.

Em 1627 foi admitido como cavaleiro da Ordem de Malta. Isto foi uma grande honra para ele pois ele sempre teve interesse nas ordens de cavalaria. Em 1603 ele publicou a peça El valor de Malta sobre as batalhas marítimas da Ordem. No seu retrato por Eugenio Caxés, ele usa o hábito da Ordem de Malta.

Obras miniaturadaimagem|Página titular de El testimonio vengado Os trabalhos não dramáticos de Lope foram recolhidos e publicados em Espanha no século dezoito sob o título Obras Sueltas (Madrid, 21 vols., 1776)79

La Arcadia (1598), um romance pastoral; La Dragontea (1598), um poema épico da última expedição e morte de Sir Francis Drake El Isidro (1599), uma narrativa poética da vida de Santo Isidoro, futuro santo padroeiro de Madrid, composta em quintilhas octosilábicas; La Hermosura de Angélica (1602), um poema épico em três livros, é uma quase sequela do Orlando Furioso de Ariosto.