Brainiac é um arco de história publicado entre junho e outubro de 2008 pela DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time Warner. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank, a história foi publicada entre as edições 866 e 870 da revista Action Comics, protagonizada por Superman. A trama retrata um confronto entre o herói e o vilão Brainiac, durante o qual se descobre não apenas que todas as pessoas que ele havia enfrentado nos anos anteriores utilizando esse nome eram impostores, mas também é encontrada a "verdadeira" cidade engarrafada de Kandor, oriunda de Krypton — dando continuidade a um tema anteriormente insinuado na história O Terceiro Kryptoniano, publicada no ano anterior.

A história faz parte de uma série que Johns produziria entre 2006 e 2009 ao lado de profissionais como Kurt Busiek, Richard Donner e James Robinson, na qual, ao mesmo tempo que davam continuidade à história de Superman, caracterizando-o como alguém que já atuava como super-herói há mais de uma década, incluíam referências inéditas aos primeiros anos de sua vida e também reincorporava-se ao cânone elementos da mitologia do personagem que haviam sido eliminados por outros escritores anteriormente. Brainiac se situa após a maior parte das histórias produzidas no período, sucedendo 3-2-1 Action, de Busiek, e Superman e a Legião de Super-Heróis, de Johns, publicadas entre 2007 e 2008, e foi lançada de forma simultânea com A Chegada de Atlas, de Robinson, história publicada na outra revista protagonizada por Superman. Tanto Brainiac quanto A Chegada de Atlas servem como prelúdios para a história "Novo Krypton", publicada a partir de 2008 e cujas tramas se estenderiam até meados de 2010 por todas as revistas relacionadas ao personagem.

A trama elaborada por Johns foi particularmente elogiado pela crítica especializada, que apontaria Brainiac como o ponto alto de seu trabalho como roteirista da revista. Conhecido pelas revitalizações que já havia promovido em outras publicações da editora, em especial a revista Green Lantern, Johns promoveu uma revisão em tudo o que havia sido realizado anteriormente com o vilão, estabelecendo não apenas um novo visual e um novo modus operanti, mas também uma nova origem, ligando-o mais intimamente à origem de Superman.

Antecedentes e contexto

Superman surgiu na década de 1930, mas foi a partir da metade final da década de 1950 que muitos dos elementos mais fantásticos comumente associados ao personagem foram introduzidos em sua mitologia. Naquela época, o editor responsável pelas histórias era Mort Weisinger, e ele tinha como hábito conversar com as crianças que liam as revistas do personagem para perguntá-las o que gostariam de ver nas próximas edições — é desse relacionamento que teriam surgido personagens como a Supergirl e Krypto, o Super-Cão e locais como a cidade engarrafada de Kandor e a Fortaleza da Solidão. Embora populares dentre as crianças, muitos desses conceitos eram vistos como excessivamente infantis por alguns dos leitores mais velhos.DANIELS, p. 99-108

O surgimento de Superman, com a publicação de Action Comics #1, marca o início da "Era de Ouro" das histórias em quadrinhos americanas - período que compreende o material produzido entre o final da década de 1930 e o final da década seguinte, aproximadamente. O término é motivo de debate, mas considera-se geralmente como marco inicial do período seguinte, a "Era de Prata", a publicação da revista Showcase Comics #4, lançada pela DC em 1956. Naquela edição apresentou-se uma nova versão, modernizada, do personagem The Flash — o primeiro de muitos personagens a serem repaginados pela editora nos anos seguintes sob o comando do editor Julius Schwartz.

É comumente aceito que a Era de Prata foi sucedida pela Era de Bronze. O marco de transição entre um período e o outro, entretanto, não é claro, e existem diversas possibilidades tanto para o término de uma quanto para o início da outra. O pesquisador Arnold T. Blumberg acredita que a transição entre os dois períodos foi gradual, se estendendo desde o final da década de 1960 até 1973, quando foi publicada pela Marvel Comics a história The Night Gwen Stacy Died — o ápice de um ideal que vários profissionais vinham defendendo naquele período de transição: abordar temas mais maduros, ainda que estes estivessem sendo "filtrados" pela "lente simplista dos super-heróis". Uma das diversas possibilidades para o término é a aposentadoria de Mort Weisinger, editor responsável pelas revistas de Superman durante o período. Sua saída, sendo posteriormente substituído por Julius Schwartz, seria um ponto de transição para a "Era de Bronze".

O surgimento de Brainiac e Kandor na "Era de Prata" (1956-1970) thumb|esquerda|180px|Al Plastino, em foto de 2007. Plastino foi o cocriador, com o escritor Otto Binder, do vilão Brainiac. Em 1947 teria início a disputa de Jerry Siegel e Joe Shuster com a DC Comics pelos direitos sobre Superman, o que resultaria em um julgamento desfavorável aos criadores, bem como na perda de seus empregos nas revistas do personagem. Wayne Boring, assistente de Shuster, foi promovido à desenhista principal de Superman, trabalhando em diversas edições de Action Comics. Boring permaneceria trabalhando com o personagem até o final da década de 1950 e, ao lado de Curt Swan e Al Plastino, que ficaram responsáveis pelas histórias menores, trouxe mudanças na caracterização das histórias: os artistas começariam a desenhar Superman com o porte físico comparável ao de um halterofilista; os cenários passariam a destacar os arranhas-céus de Metropólise; e robôs autômatos se tornariam comumente os oponentes enfrentados pelo personagem nas suas histórias.

O afastamento dos criadores representaria uma significativa queda na qualidade das histórias durante a primeira metade da década seguinte. O surgimento do Comics Code Authority, em 1954, impondo uma série de regras que visavam impedir que as histórias influenciassem negativamente as crianças americanas, também seria visto como um dos fatos que contribuiriam para que a década de 1950 fosse considerada uma "década perdida" para o personagem.

A necessidade de se criar histórias "mais leves" para a revista seria imperiosa na caracterização do personagem: os conceitos de "bom-mocismo" começariam a ser fortemente representados e os atos do personagem fariam com que ele fosse visto de forma pouco elogiosa como um "super-escoteiro".Charlie McCollum (26 de junho de 2006). "Times change, but Superman endures as an American cultural icon". The Mercury News, p. 4C. LifeStyle. Dentro desse contexto, tem-se a "Era de Prata", período em que o conceito de "super-vilões" começara a se tornar bastante popular. Em 1958, em Action Comics #242 havia sido publicada a primeira história com o vilão Brainiac, que viria a se tornar nos anos seguintes um dos mais importantes vilões da revista e do personagem. Conforme apontaria Johns anos mais tarde: "[Lex] Luthor representa o que há de pior na humanidade, e Brainiac, o que há de pior nos extraterrestres". Brainiac fora inspirado no personagem "Romado", que havia aparecido primeiramente nas histórias da tira de jornal de Superman. Ambos os personagens compartilhavam do mesmo hábito de encolher cidades de diferentes planeta, "arquivando" civilizações.

Evolução na "Era de Bronze" (1970-1986) e revisionismo "pós-Crise" (após 1986) Dentre as histórias publicadas durante o período inicial de Schwartz à frente das revistas destaca-se a série de confrontos entre Superman e Amazo, escritos por Cary Bates, desenhados por Curt Swan e publicados entre Action Comics 480 e 483, e as histórias "Luthor Unleashed" e "Rebirth!", ambas publicadas em Action Comics #544, edição comemorativa que celebrou o 45° aniversário da publicação, e responsáveis por reformular os vilões Lex Luthor e Brainiac, respectivamente. Luthor desenvolve uma armadura que lhe equipara a Superman e Brainiac converte toda a sua massa corporal em energia, transformando-se num ser robótico.

As histórias de Bates são vistas como a representação do personagem na "Era de Bronze": um herói experiente, mas que não age como "escoteiro". Bates era o roteirista da revista Superman, e foi o responsável por Luthor Unleashed, e Marv Wolfman, que escrevia Action Comics à época, escreveu Rebirth. A comemorativa reformulação dos vilões é considerada uma das melhores histórias da revista e Rebirth inclusive foi incluída em 2013 no livro Superman: A Celebration Of 75 Years, uma edição especial reunindo as mais importantes histórias publicadas desde a criação do personagem. O trabalho de Schwartz se encerraria em 1986, com a publicação de Whatever Happened to the Man of Tomorrow? coincidindo com a conclusão do evento "Crise nas Infinitas Terras", o que encerrou a continuidade ficcional até então estabelecida.

Entre junho e agosto de 1986 a publicação de todas as revistas de Superman foi interrompida, em favor da minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne, que fora contratado pela editora para reformular o personagem, criando inclusive uma uma nova origem após o evento. Seria a partir de The Man of Steel que seriam contadas as novas histórias do personagem, estabelecendo um novo cânone, que desconsideraria todas as histórias anteriores.MILLER, p.35-44 (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!") Uma nova versão de Brainiac seria estabelecida, e o vilão se destacaria nos anos seguintes em histórias como Panic in the Sky! e Dead Again

Histórico de produção

thumb|esquerda|160px|O cineasta Richard Donner. Em 2006 Geoff Johns, o responsável por Crise Infinita, foi anunciado como o escritor que assumiria o cargo de roteirista da revista Action Comics. Ao seu lado, inicialmente, estaria Kurt Busiek, que havia assinado um contrato de exclusividade com a editora no final de 2005, e fazer parte da nova equipe criativa responsável pelas histórias de Superman foi uma das razões que o fez aceitar a proposta. Up, Up and Away!, história publicada simultaneamente nas duas revistas protagonizadas por Superman, foi a primeira de uma série que a dupla produziria nos anos seguintes para, ao mesmo tempo que davam continuidade à história de Superman, incluir referências inéditas aos primeiros anos de sua vida.

Inicialmente Up, Up and Away! terminaria em junho de 2006 e seria sucedida por duas histórias diferentes: em Superman seria publicada uma história escrita por Busiek e desenhada por Carlos Pacheco e Jesus Merino, e em Action Comics seria publicada outra história, esta escrita por Johns em parceria com o cineasta Richard Donner e desenhada por Adam Kubert. Em julho daquele ano, entretanto, apenas a história de Busiek, A Queda de Camelot, seria publicada conforme o cronograma original. A partir de Action Comics #841 foi publicada a história Back in Action, elaborada por Busiek como uma continuação imediata à Up, Up and Away!.

A partir de O Último Filho, Johns e o cineasta Richard Donner, coautor, introduziriam novamente na mitologia do personagens diversos elementos da continuidade "pré-crise", em particular do período correspondente à "Era de Prata", que haviam sido abandonados após 1986. Um dos principais exemplos desse "retorno à Era de Prata" é a edição especial Action Comics Annual #10, que adotou um modelo bastante similar ao utilizado pela editora durante a década de 1960.http://www.comicgeekspeak.com/articles/supermanNow3.php

As primeiras história de Johns (2006-2007)