Duque de Caxias é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do país. Localiza-se na Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, estando situado a da capital estadual. Sua população em 2024 segundo o Censo do IBGE é de habitantes, sendo assim o município mais populoso da Baixada Fluminense, o terceiro mais populoso do estado e o 22º mais populoso do país.

Tornou-se município no ano de 1943, após emancipação da cidade de Nova Iguaçu.

O nome da cidade homenageia o patrono do Exército Brasileiro, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, também chamado de O Pacificador, nascido na região em 1803.

Ao lado de Nova Iguaçu, Duque de Caxias é um dos núcleos regionais da Baixada Fluminense, retendo grande parte da mão-de-obra dos 13 municípios dessa sub-região da metrópole do Rio de Janeiro. A cidade possui o maior PIB e o maior parque industrial da região da Baixada, sendo a segunda maior exportadora do Estado do Rio, ficando atrás somente da Capital.

História com a Baixada Fluminense

O povoamento da região data do século XVI, quando foram doadas sesmarias da capitania do Rio de Janeiro. Em 1566, começou a chegada dos primeiros colonos nas terras do município, se concentrando em sua maioria nos vales dos rios Meriti, Sarapuí, Iguaçu e Estrela e também na orla praiana próxima da Baía de Guanabara. Em 1568, Brás Cubas, provedor das capitanias de São Vicente e Santo Amaro, recebeu, em doação de sesmaria, braças de terras de testada para o mar e braças de terras de fundo para o Rio Meriti, ou, mais propriamente, Miriti, cortando o piaçabal da aldeia Jacutinga. Outro dos agraciados foi Cristóvão Monteiro, que recebeu terras às margens do Rio Iguaçu. A atividade econômica que ensejou a ocupação do local foi a de cultivo da cana-de-açúcar. O milho, o feijão e o arroz tornaram-se também importantes produtos auxiliares durante esse período.

Nos séculos XVII e XVIII, a divisão administrativa de Iguaçu (na ortografia arcaica Iguassu, hoje município de Nova Iguaçu) seguia critérios eclesiásticos, ou seja, a igreja matriz assumia a responsabilidade jurídica e religiosa, administrando as capelas secundárias: as freguesias. Sendo assim, Pilar, Meriti, Estrela e Jacutinga, áreas que atualmente ocupam parte do território de Duque de Caxias, pertenciam a Iguaçu. A região tornou-se importante ponto de passagem das riquezas vindas do interior: o ouro das Minas Gerais, descoberto no momento de crise da lavoura açucareira e o café do Vale do Paraíba Fluminense, que representou cerca de setenta por cento de toda a economia brasileira nessa época. miniaturadaimagem|esquerda|200x200px|Estrela vista do Rio Inhomirim, c. 1820 - 1825 (Rugendas). miniaturadaimagem|esquerda|200x200px|Porto da Estrela, c. 1820 - 1825 (Rugendas). Sendo os caminhos em terra firme poucos, precários e perigosos, nada mais natural que o transporte fosse feito através dos rios, onde estes existissem. Os rios não faltavam na região e, integrados com a Baía de Guanabara, faziam do local um ponto de união entre esta e os caminhos que subiam a serra em direção ao interior. O Arraial do Porto da Estrela tornou-se o mais importante entreposto comercial entre a Corte e Minas Gerais. Lá foi construída uma capela dedicada a Nossa Senhora da Estrela dos Mares. Essa capela se reportava à então poderosa freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, curato de 1677 até 1696, quando foi elevada à freguesia. Esse território era extenso e abrangia uma parte da Baía de Guanabara até o alto da Serra, incluindo uma região da futura Petrópolis. O progresso de Estrela levou o Arraial a ser elevado a Vila através da Lei Provincial Nº 397 de 20 de Maio de 1846. A ela foram anexadas as freguesias de Inhomirim (em 1859) e do Pilar – esta desmembrada de Iguassu como ponto de partida do Caminho Novo.

Apesar da decadência da mineração, a região manteve-se ainda como ponto de descanso, de abastecimento de tropeiros, de transbordo e de trânsito de mercadorias. Até o , o progresso local foi notável. Entretanto, a impiedosa devastação das matas trouxe, como resultado, a obstrução dos rios e consequente transbordamento, o que favoreceu a formação de pântanos. Das águas paradas e poluídas, surgiram mosquitos transmissores de febres. miniaturadaimagem|esquerda|160x240px|Ruínas da Capela de Nossa Senhora da Estrela. Muitos fugiram do local que, praticamente, ficou inabitável. As terras, antes salubres e férteis, cobriram-se de vegetação própria dos mangues. Em 1850, a situação era de verdadeira calamidade, pois as epidemias surgiram, obrigando senhores de engenho a fugir para locais mais seguros. As propriedades foram sendo abandonadas. A situação era de grande penúria e assim permaneceria ainda por algumas décadas.

Com a implantação do transporte ferroviário, a situação piorou consideravelmente. A Estrada de Ferro ligou a capital do império a Maxambomba (atual centro de Nova Iguaçu) e a região do atual município de Queimados, também ex-distrito de Nova Iguaçu. A produção do Vale do Paraíba passou a ser escoada por esta via, os rios e o transporte terrestre deixaram progressivamente de serem usados e os portos fluviais perderam importância. A região iguaçuana entrou em franca decadência.

Com a abolição da escravidão em 1888, aconteceram vários transformações na vida econômica e social da Baixada Fluminense. As obras de saneamento foram abandonadas, houve um atraso nas condições propícias à saúde e várias enfermidades surgiram. Entre elas, a malária e a doença de Chagas.

No governo de Nilo Peçanha, Meriti teve uma tímida melhoria na área do saneamento básico, contando, inclusive, com a chegada da água encanada, em 1916, na atual Praça do Pacificador. Mas somente no governo de Getúlio Vargas, que criou a Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense, a região avançou. Até 1945, mais de quilômetros de rios foram limpos, retirando dos seus leitos de metros cúbicos de terra. Com este trabalho, os rios deixaram de ser criadouros de mosquito, diminuindo em muito o número de doenças na região.

Quando a ferrovia atingiu o Vale do Meriti, a região começou a sofrer os efeitos da expansão urbana da cidade do Rio de Janeiro. Com a inauguração da The Rio de Janeiro Northern Railway, em 23 de abril de 1886, a região ficou definitivamente ligada ao antigo Distrito Federal. Com a inauguração de novas estações, em 1911, pela Estrada de Ferro Leopoldina, multiplicaram-se as viagens, bem como o número de passageiros em Gramacho, São Bento, Actura (Campos Elísios), Primavera e Saracuruna. miniaturadaimagem|250x250px|Antiga Fazenda São Paulo no atual bairro da Taquara, 1911. Foi o local de nascimento do Duque de Caxias. No início do século XX, as terras da baixada serviam para aliviar as pressões demográficas da cidade do Rio de Janeiro. Os dados estatísticos revelam que, em 1910, a população era de oitocentas pessoas em Meriti, passando, em 1920, para . O rápido crescimento populacional provocou o fracionamento e o loteamento das antigas propriedades rurais, naquele momento, improdutivas.

Apenas em 1924, instalou-se a primeira rede elétrica no município. Com a abertura da antiga Rodovia Rio-Petrópolis (Atual RJ-101) em 1928, Meriti voltou a prosperar. Inúmeras empresas compraram terrenos e se instalaram na região devido à proximidade com o Rio de Janeiro.

O processo de emancipação da cidade esteve relacionado à formação de um grupo que organizou a União Popular Caxiense (UPC): jornalistas, médicos e políticos locais. Em 1940, foi criada a comissão pró-emancipação: Sylvio Goulart, Rufino Gomes, Amadeu Lanzeloti, Joaquim Linhares, José Basílio, Carlos Fraga e Antônio Moreira. A reação do governo foi imediata e os manifestantes foram presos.

Na década de 1940, o governo federal promoveu a limpeza de mais de quilômetros de rios e construiu mais de duzentas pontes na Baixada Fluminense.

O grande crescimento pelo qual passava Meriti levou o deputado federal Manoel Reis a propor a criação do Distrito de Caxias. Em 14 de março de 1931, através do ato do interventor Plínio de Castro Casado, foi criado, pelo Decreto estadual nº 2.559, o Distrito de Caxias, com sede na antiga Estação de Meriti, pertencente ao então município de Nova Iguaçu. Em 31 de dezembro de 1943, através do Decreto-lei nº , elevou-se à categoria de município, recebendo o nome de Duque de Caxias. Já a comarca de Duque de Caxias foi criada pelo Decreto-lei nº , no mesmo dia, mês e ano. thumb|200x200px|esquerda|A antiga Cia. União Manufatora de Tecidos (CUMT) no bairro do Centenário, criada em 1946. thumb|200x200px|esquerda|FNM D-11.000, lançado em 1958 e produzido na FNM em Xerém. Com a emancipação, o município recebeu uma grande região e uma área histórica cedida por Nova Iguaçu como o ex- distrito Porto da Estrela e Pilar, Com isso veio incentivo em sua economia, que por sua vez, a recente cidade pegou a área de São Bento pertecente a Belford Roxo, Campos Elísios, Taquara, toda área da Baia de Guanabara e parte da Serra do Tinguá de Nova Iguaçu, deixando a cidade sem ligação com o mar. Por outro lado, o Distrito de Imbariê, que tinha vindo no pacote para Duque de Caxias, foi dividido com Magé, de modo que a maior parte territorial ficou com os mageenses .

Várias pessoas, oriundas principalmente da Região Nordeste do Brasil, chegavam ao Rio de Janeiro em busca de trabalho e estabeleciam residência em Duque de Caxias. O poder executivo foi instalado oficialmente em 1º de janeiro de 1944, quando o interventor federal Ernani do Amaral Peixoto designou, para responder pelo expediente da prefeitura, o contabilista Homero Lara. Outras nove pessoas foram designadas posteriormente para o mesmo cargo.

O primeiro prefeito eleito foi Gastão Glicério de Gouveia Reis, que administrou a cidade de setembro de 1947 a dezembro de 1950. Depois dele vieram, também pelo voto direto, respectivamente, Braulino de Matos Reis, Francisco Correa, Adolpho David, Joaquim Tenório Cavalcanti e Moacyr Rodrigues do Carmo.

As eleições em Duque de Caxias foram suspensas, em virtude da Lei nº 5.449 de 4 de junho de 1968, que decretou que o município era Área de Segurança Nacional pelo Regime Militar, tendo em 1971, tomado posse o presidente da câmara, Francisco Estácio da Silva. A partir daí foram nomeados interventores (prefeitos) pelo Governo Federal, o General Carlos Marciano de Medeiros, os Coronéis Renato Moreira da Fonseca e Américo Gomes de Barros Filho, e o então deputado federal Hydekel de Freitas Lima.

Com o retorno das eleições diretas, foram eleitos do ano de 1985 em diante os respectivos prefeitos: Juberlan de Oliveira, Hydekel de Freitas Lima, Moacyr Rodrigues do Carmo, José Camilo Zito, Washington Reis, Alexandre Cardoso e Netinho Reis.

Emancipação miniaturadaimagem|200px|Jardim 25 de Agosto na década de 60. Duque de Caxias emancipou-se de Nova Iguaçu em 31 de dezembro de 1943, levando consigo os Distritos de Caxias, Meriti, Bonfim e Estrela (Imbariê).

O novo município passou a ser composto por três Distritos: Duque de Caxias, Meriti e Imbariê. Em 1947, São João de Meriti se emancipou de Duque de Caxias, e em 1954 o Distrito de Imbariê foi desmembrado, dando origem a mais outros dois distritos, Xerém e Campos Elíseos.

A emancipação polêmica de Duque de Caxias pelo então interventor estadual Amaral Peixoto (no contexto do Estado Novo), foi acompanhada pela mobilização de forças políticas e das elites locais a partir da UPC (União Popular Caxiense). Cabe ressaltar a priorização dos investimentos da cidade de Nova Iguaçu na sede do município em detrimento de outros distritos como fator determinante para organização do movimento de emancipação.

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