Superman na Era de Bronze refere-se às contribuições para a história do personagem Superman realizadas pela DC Comics entre 1970 e meados de 1985 e 1986, período que compreende a "Era de Bronze" das histórias em quadrinhos americanas. Sucedendo a "Era de Ouro" (1938-1950) e a "Era de Prata" (1956-1970), esse período histórico é marcado pela maturidade temática das histórias e, Superman, igualmente, seria atingido por por essa tendência, com suas histórias abandonando o tom fantasioso do período anterior e ganhando maior dramaticidade - elementos excessivamente humorísticos como os vilões Bizarro e Mr. Mxyzptlk seriam ignorados, e temas como o racismo nos Estados Unidos e a influência social e política que um super-herói teria sobre a população passariam a ser incluídos nas histórias.
No início da década de 1970, o personagem possuía sete diferentes revistas dedicadas ao seu universo ficcional - Action Comics, Adventure Comics, Jimmy Olsen, Lois Lane, Superboy, Superman e World's Finest - e embora fosse muito popular, criativamente suas histórias estavam estagnadas. Com a aposentadoria do editor Mort Weisinger, responsável pelas histórias durante a "Era de Prata", cada uma das revistas passaria por uma reformulação, com novos profissionais participando da produção das histórias. Dentre estes, destaca-se Julius Schwartz, inicialmente o editor apenas de Superman e World's Finest em 1970, mas que eventualmente se tornaria o responsável por todas as revistas do personagem, acompanhando sua evolução até 1986, quando seria substituído por Andrew Helfer no início da fase histórica seguinte do personagem. Além Schwartz, contribuíram significativamente os editores E. Nelson Bridwell e Murray Boltinoff. Dentre os escritores e desenhistas, destacam-se as contribuições de Jack Kirby, Curt Swan, Denny O'Neil, Elliot S. Maggin e Cary Bates.
Em sua identidade secreta de "Clark Kent", o herói deixaria, a partir de Kryptonite Nevermore! (1971) de ser um repórter do Planeta Diário e passaria a trabalhar na televisão, além de ter seus super-poderes drasticamente reduzidos. Novos personagens seriam inseridos na mitologia, como o vilão Darkseid e os Novos Deuses do "Quarto Mundo", todos criados por Kirby, que, após um período bem-sucedido na Marvel Comics, passaria a trabalhar para a editora concorrente. Os novos roteiristas e editores buscavam inserir temas mais modernos e menos infantis em suas histórias, destacando-se histórias dramáticas como Must There Be a Superman? (1972), em que o personagem encara as consequências positivas e negativas de suas ações; e a bem-intencionada, mas criticada I Am Curious (Black)! (1970), em que a personagem Lois Lane se torna afro-americana por um dia. Mais próximas do final do período, na primeira metade da década de 1980, destacam-se as colaborações de Alan Moore para a história do personagem, com For the Man Who Has Everything (1985) e Whatever Happened to the Man of Tomorrow? (1986).
Antecedentes e contexto O historiador e produtor cinematográfico Michael Uslan conseguiu determinar a origem dos termos "Era de Ouro" e "Era de Prata": uma carta publicada na 42ª edição da revista Justice League of America, publicada em dezembro de 1965. Scott Taylor, um leitor de Westport, Connecticut, escreveu para a revista: "Se vocês continuarem trazendo de volta os heróis da Era de Ouro [das décadas de 1930 e 1940], as pessoas daqui vinte anos vão chamar esse período de 'Silver Sixties'!". Uslan acreditava que a hierarquia natural entre ouro, prata e bronze foi determinante para que a nova denominação se tornasse imediatamente popular, e surgisse como uma substituição à quaisquer outras denominações até então utilizadas, passando a ser adotada inclusive por lojistas, que dividiriam as revistas entre as lançadas "na Era de Ouro" e as lançadas "na Era de Prata".
É comumente aceito que a Era de Prata foi sucedida pela Era de Bronze. O marco de transição entre um período e o outro, entretanto, não é claro, e existem diversas possibilidades tanto para o término de uma quanto para o início da outra. O pesquisador Arnold T. Blumberg acredita que a transição entre os dois períodos foi gradual, se estendendo desde o final da década de 1960 até 1973, quando foi publicada pela Marvel Comics a história The Night Gwen Stacy Died - o ápice de um ideal que vários profissionais vinham defendendo naquele período de transição: abordar temas mais maduros, ainda que estes estivessem sendo "filtrados" pela "lente simplista dos super-heróis". Nessa transição, um evento da história de Superman é citado como um possível marco para o início da "Era de Bronze": a aposentadoria de Mort Weisinger. Weisinger fora o editor das revistas do personagem por anos, durante o "Era de Prata"
Histórico de transição entre "Era de Prata" e "Bronze" 1970: A aposentadoria de Mort Weisinger A década de 1970 marca o término das contribuições do editor Mort Weisinger, que em 1971 se aposentaria, sendo substituído por Julius Schwartz. Alguns historiadores entendem que a "Era de Prata" das histórias em quadrinhos americanas terminou em abril de 1970, mês em que Schwartz - o homem responsável por iniciar o período com a reformulação do herói Flash em Showcase #4 - abandonou o cargo de editor da revista Green Lantern, protagonizada por um dos heróis que ele havia ajudado a reinventar, em favor de Denny O'Neil e Neal Adams.Jacobs, p. 154 Na coluna "Scott's Classic Comics Corner", um dos jornalistas do site americano Comic Book Resources apontaria diversas possibilidades para a sucessão e, embora uma das mais aceitas fosse a publicação de Green Lantern/Green Arrow #76, a primeira história de O'Neil e Adams, houve outros eventos significativos naquele período, incluindo a aposentadoria de Weisinger, evento que poderia ser entendido como o ponto de transição entre a "Era de Prata" e a "Era de Bronze".
Em novembro de 1968 fora publicada a primeira alteração significativa na formatação das capas de Action Comics: Ao invés de exibir apenas o logo da revista, a edição 369 inclui, acima do logo, uma indicação expressa de que a revista possuía histórias de "Superman e Supergirl" na revista, bem como uma imagem dos dois ao lado do título da revista.DORFMAN, Leo; SCHAFFENBERG, Kurt; SWAN, Curt. Action Comics #369. DC Comics. Novembro de 1968. Este padrão continuaria sendo adotado por todas as edições publicadas não apenas em 1969 - após as histórias da Supergirl serem substituídas pelas da Legião dos Super-Heróis, o nome da personagem foi substituído pelo da equipe, e sua imagem suprimidaBINDER, Otto; SWAN, Curt. Action Comics #377. DC Comics. Junho de 1969. - mas também nas primeiras edições publicadas durante a década de 1970. Em outubro de 1970, a imagem de Superman na capa foi levamente alterada, e as indicação acima do logo tratava do enredo daquela edição.DORFMAN, Leo; SWAN, Curt. Action Comics #393. DC Comics. Outubro de 1970. À época, a revista ainda publicava histórias de outros personagens, mas eles recebiam pouca atenção nas capas.EURY, p. 129 A partir da edição 419, publicada em 1972, isso foi alterado: tais histórias receberam o título de "Action Plus" e passariam a ser mencionadas nas capas da publicação. O primeiro personagem a figurar nesse "novo" segmento foi Christopher Chance, o Alvo Humano.
Anualmente, Weisinger já vinha tentando se desligar do trabalho de editor das revistas de Superman, mas as negociações com Jack Liebowitz sempre levavam à reajustes no salário e sua permanência por mais um ano. Em 1967, a DC Comics foi vendida ao grupo Kinney Publishing, e no ano seguinte, o grupo também adquiriu a Warner Bros.. Um grande conglomerado de escritórios reunia as diferentes empresas, e a DC passou por algumas alterações no seu quadro de funcionários: Liebowitz designaria o desenhista Carmine Infantino, responsável por uma série de bem-sucedidas revisões no design dos personagens da DC, como "diretor editorial". Infantino, por sua vez, promoveria as próprias alterações, designando outros artistas para ocuparem funções administrativas. Eventualmente, Liebowitz decidiria se aposentar, e permitiria que Weisinger o acompanhasse. Ambos se desligariam da editora em 1970.DANIELS, p. 131-132
1970-1971: As "incríveis novas aventuras" em Superman
thumb|left|180px|Superman #233 Após a aposentadoria de Weisinger, Infantino convidaria Julius Schwartz para substituí-lo como editor da revista Superman, mas este recusaria o convite, por acreditar que não havia como contribuir significativamente para a história do personagem, que já havia se estabilizado criativamente. Infantino, então, convidou Schwartz a identificar os pontos em que o personagem havia "estagnado" e mudá-los, e ele apontou sua vontade de alterar desde o visual do personagem, fazendo com que os futuros desenhistas incluíssem roupas diferentes do paletó usualmente utilizado por Clark Kent, até caractéristicas significativas, como a própria profissão de Kent, que Schwartz acreditava deveria um ser telejornalista.DANIELS, p. 131-132
Após a editora ter autorizado as mudanças, Schwartz começou a trabalhar na reformulação que pretendia executar, reunindo aqueles que acreditava ser os melhores profissionais do mercado: o renomado escritor Denny O'Neil seria o roteirista, Neal Adams seria o artista responsável pelas capas da revista e Murphy Anderson trabalharia como arte-finalista dos desenhos de Curt Swan, que continuaria como o artista principal da revista.DANIELS, p. 133-135
Para o historiador Les Daniels, "a equipe reunida para [trabalhar com] o novo Superman era similar ao supergrupos de roqueiros virtuosos que se populares na época". A primeira edição da nova equipe seria Superman #233, e logo no início, as principais mudanças ocorreriam: a kryptonita perdeu seu efeito nocivo sobre o herói, que na sua identidade secreta deixaria de trabalhar no Planeta Diário, passando a ser um repórter numa emissora de televisão. As novas roupas utilizadas por Clark Kent nas histórias, e a elegância com que Clark Kent passou a se vestir chamaram a atenção da mídia - o visual do personagem foi alvo de reportagens na revista Gentlemen's Quarterly e no programa The Today Show. Superman #233 adotava um sobretítulo - The Amazing New Adventures of - que, somado aos garrafais dizeres em sua capa - number 1 best-selling comics magazine - pareciam indicar que aquela tratava-se de uma nova revista, The Amazing New Adventures of Superman #1. Embora não fosse uma nova versão da revista, o personagem estava, de fato, entrando numa nova fase.
As histórias na Era de Bronze 1970-1971: Julius Schwartz e os outros editores substitutos de Weisinger Com a aposentadoria de Weisinger, diferentes editores assumiriam cada uma das revistas de Superman então publicadas. Ao passo que Schwartz assumiu o comando de Superman, Murray Boltinoff se tornaria o editor de Action Comics.DANIELS, p. 135, 138-140 À época, o grupo editoral do personagem compreendia ainda outras cinco revistas em publicação: Adventure Comics, Superboy, Lois Lane, Jimmy Olsen e World's Finest. Inicialmente, Schwartz acumularia o cargo de editor de Superman com o de World's Finest, revista onde eram publicadas as histórias de Superman em parceria com Batman; Boltinoff por sua vez acumularia Superboy, com as histórias do jovem Superman, e Jimmy Olsen, com as histórias do personagem homônimo com Action Comics; Mike Sekowsky se tornaria o editor de Adventure Comics, onde eram publicadas as histórias de Supergirl; e o editor de Lois Lane a partir de 1970 seria E. Nelson Bridwell. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages! ")