Negacionismo do Holocausto consiste em afirmações de que o genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto,Donald L Niewyk, The Columbia Guide to the Holocaust, Columbia University Press, 2000, p.45: "O holocausto é comumente definido como o assassinato de mais de 5.000.000 de judeus pelos alemães na Segunda Guerra Mundial." não aconteceu ou não aconteceu da maneira ou nas proporções historicamente reconhecidas.
O elemento chave em tais afirmações é a rejeição aos seguintes tópicos: de que o governo nazista alemão colocou em prática uma política de perseguição deliberada aos judeus com a finalidade de sua exterminação enquanto povo; que mais de cinco milhões de judeus foram sistematicamente mortos pelos nazistas e seus aliados; e que o genocídio foi realizado em campos de extermínio a partir da utilização de ferramentas de assassinato em massa a nível industrial, tais como câmaras de gás.Elementos-chave do negacionismo do Holocausto:
"Os negacionistas, ou 'revisionistas', como se autodenominam, questionam os três pontos principais da definição de Holocausto nazista. Em primeiro lugar, eles afirmam que, enquanto o assassínio em massa de judeus realmente ocorreu (embora eles disputem tanto a intenção quanto o suposto merecimento de tais mortes), não havia uma política oficial de matar judeus. Em segundo, e talvez mais proeminentemente, eles sustentam que não existiram câmaras de gás, particularmente em Auschwitz-Birkenau, onde a historiografia predominante documenta que 1 milhão de judeus foram mortos, primariamente em câmaras de gás. E terceiro, negacionistas do Holocausto afirmam que o número de mortos entre judeus europeus durante a Segunda Guerra estava muito abaixo de 6 milhões. Eles divulgam números entre 300,000 e 1.5 milhão, como uma regra geral". - Holocaust Denial, a Definition - Mathis, Andrew E - The Holocaust History Project, 2 de julho de 2004. "Em parte lidamos com as três fundações principais do negacionismo do Holocausto (…) a afirmação de que câmaras de gás e crematórios eram utilizados não para extermínio em massa, mas para descontaminação de roupas e descarte de corpos de pessoas que morreram de doença e exaustão; (…) a afirmação de que o número de seis milhões é um exagero por uma questão de magnitude — que seiscentos mil, e não seis milhões, morreram nas mãos dos nazistas; (…) a afirmação de que não havia intenção da parte dos nazistas de exterminar a população judaica e que o Holocausto nada mais é do que a infeliz consequência das vicissitudes da guerra". - Denying History: : who Says the Holocaust Never Happened and why Do They Say It? - Michael Shermer & Alex Grobman - University of California Press, 2000, ISBN 0-520-23469-3, p. 3. "Negacionismo do Holocausto: Afirmações de que o extermínio em massa de judeus pelos nazistas nunca aconteceu; que o número de mortes de judeus foi amplamente exagerado; que o Holocausto não foi sistemático ou resultado de uma política oficial; ou simplesmente que o Holocausto nunca aconteceu". - What is Holocaust Denial - Yad Vashem (2004) "Entre as inverdades rotineiramente divulgadas estão as afirmações de que não existiram câmaras de gás em Auschwitz, que apenas 600,000 judeus foram mortos ao invés de 6 milhões, e que Hitler não possuía intenções assassinas contra judeus ou outros grupos perseguidos por seu governo". - "Holocaust Denial" - Anti-Defamation League (2001)Entre os tipos de afirmações presentes em material negacionista estão:
A de que milhares, ao invés de milhões, de judeus morreram durante a guerra; Evidência científica prova que as câmaras de gás não poderiam ser utilizadas para matar grandes grupos de pessoas; O comando nazista implementou uma política de deportação, e não de eliminação, de judeus; Assassinatos deliberados de judeus aconteceram, mas foram realizados por povos da Europa oriental, e não por nazistas; Judeus morreram em vários tipos de campos, mas tal ocorreu como consequência de fome e doenças. O Holocausto é um mito criado pelos Aliados por razões propagandísticas, e subsequentemente alimentado pelos judeus para servir a seus propósitos; Erros e inconsistências em depoimentos de sobreviventes apontam que são essencialmente não-confiáveis; Suposta evidência documental do Holocausto, de fotografias de vítimas de campos de extermínio ao diário de Anne Frank, é obra de falsificação; As confissões de crimes de guerra feitas por ex-nazistas foram obtidas através de tortura. — "The nature of Holocaust denial: What is Holocaust denial?" - JPR report n.° 3 (2000)
Os negacionistas do Holocausto geralmente não aceitam o termo "negacionismo" como uma descrição apropriada de seu ponto de vista, utilizando, em vez disso, o termo "revisionismo". Seus críticos usam o termo "negacionismo" para diferenciar negacionistas do Holocausto de revisionistas históricos em geral, pois consideram que os negacionistas não se baseiam em evidências históricas.Os autodenominados revisionistas:
"Descrevem-se como revisionistas como indicativo de sua estratégia básica de fraude e distorção e de uma tentativa de retratarem-se como historiadores legítimos envolvidos na prática tradicional de esclarecer aspectos do passado". - Denying the Holocaust—The Growing Assault on Truth and Memory, p. 25 - Deborah Lipstadt - Penguin - ISBN 0-452-27274-2.(1993) "Vestidos com ornamentos pseudo-acadêmicos, eles adotaram o termo 'revisionismo' como tentativa de mascarar e legitimar seu empreendimento". - "Introduction: Denial as Anti-Semitism" - "Holocaust Denial: An Online Guide to Exposing and Combating Anti-Semitic Propaganda" - Anti-Defamation League (2001) "Negacionistas do Holocausto frequentemente referem-se a si mesmos como 'revisionistas' numa tentativa de trazer legitimidade a suas atividades. Existem, obviamente, muitos estudiosos envolvidos em debates históricos sobre o Holocausto e cujo trabalho não deve ser confundido com os esforços negacionistas. Os debates envolvem assuntos como, por exemplo, a extensão e natureza do envolvimento e conhecimento de alemães ordinários a respeito da política de genocídio, e o momento em que a ordem para exterminação de judeus foi publicada. A prática válida de revisionismo histórico, que envolve a reinterpretação de conhecimentos históricos à luz de evidências recém-surgidas, é bem diferente, no entanto, do ato de afirmar que fatos essenciais do Holocausto, e a evidência de tais fatos, foram inventados". - "The nature of Holocaust denial: What is Holocaust denial?" - JPR report n° 3 (2000)
Muitos dos chamados negacionistas do Holocausto sugerem ou afirmam abertamente que o Holocausto é uma farsa montada para fins de propaganda e que os números do genocídio foram inflados, visando, a princípio, favorecer a criação do Estado de Israel e obter as vultosas indenizações pagas pela Alemanha a organizações sionistas e, mais recentemente, para criar uma certa leniência da opinião pública diante dos avanços de Israel sobre os Territórios Palestinos. Nesse aspecto, observam-se pontos de convergência com outros estudiosos e críticos da historiografia oficial acerca do genocídio dos judeus na Segunda Guerra.FINKELSTEIN, Norman G. A Indústria do Holocausto. Capítulo 3 - A dupla extorsão. Record, 2001 (versão em pdf).The Holocaust In Space, por Fredrick Töben. Newsletters. Adelaide Institute.
A negação do Holocausto é considerada, pela Anti-Defamation League e outras importantes organizações judaicas, como uma teoria da conspiração antissemita.Antissemitismo: "Exemplos contemporâneos de antissemitismo em público, na mídia, escolas, locais de trabalho e na esfera religiosa, levando em conta o contexto geral, incluem: (…) negar o fato, escopo, mecanismos (i.e., câmaras de gás) ou a intenção de genocídio do povo judeu pelas mãos da Alemanha Nacional-Socialista e seus aliados e cúmplices durante a Segunda Guerra Mundial (o Holocausto)". Working Definition of Antisemitism , European Fundamental Rights Agency "Negacionistas do Holocausto contemporâneos não são revisionistas — nem mesmo neo-revisionistas. São negacionistas. Suas motivações derivam de suas ambições políticas neo-nazistas e de um antissemitismo desenfreado". Austin, Ben S. "Deniers in Revisionists Clothing" , The Holocaust\Shoah Page, Middle Tennessee State University. "Desde sua formação (…) o Institute for Historical Review (IHR), uma organização de negação do Holocausto fundada na Califórnia por Willis Carto da Liberty Lobby, tem promovido a teoria conspiratória antissemita de que os judeus fabricaram histórias sobre seu próprio genocídio para manipular a simpatia do mundo não-judaico". - "Antisemitism and Racism Country Reports: United States" - Stephen Roth Institute. Tel Aviv University (2000)Teoria conspiratória: "Apesar da aparente superfície de pseudo-estudo arcaico em desafio aos bem documentados registros de genocídio nazista durante a Segunda Guerra Mundial, o negacionismo do Holocausto serve como uma poderosa teoria conspiratória unindo grupos de outra forma díspares". - "Introduction: Denial as Anti-Semitism" - "Holocaust Denial: An Online Guide to Exposing and Combating Anti-Semitic Propaganda" - Anti-Defamation League (2001) "Antes de discutir como a negação do Holocausto constitui uma teoria conspiratória, e como a teoria é distintivamente americana, é importante compreender o que significa o termo 'negação do Holocausto'". - Holocaust Denial, a Definition - Mathis, Andrew E. - The Holocaust History Project, 2 de julho de 2004 "Desde sua formação (…) o Institute for Historical Review (IHR), uma organização de negação do Holocausto fundada na Califórnia por Willis Carto da Liberty Lobby, tem promovido a teoria conspiratória antissemita de que os judeus fabricaram histórias sobre seu próprio genocídio para manipular a simpatia do mundo não-judaico". - "Antisemitism and Racism Country Reports: United States" - The Stephen Roth Institute for the Study of Contemporary Antisemitism and Racism. Tel Aviv University (2000)
Terminologia e etimologia
O termo "negacionismo" é um neologismo que começou a se estabelecer na França a partir de 1987, como substituto de "revisionismo", para se referir especificamente ao questionamento acerca do genocídio de judeus (mas não de outros grupos étnicos, como rom e sinti, religiosos, como as testemunhas de Jeová, e demais vítimas do regime nazista) durante a Segunda Guerra Mundial.ROUSSO, Henry. Le dossier Lyon III: Le rapport sur le racisme et le negacionisme à l'université Jean-Moulin. Paris: Fayard, 2004: 95, apud MORAES, Luis Edmundo de Souza. In "O negacionismo e o problema da legitimidade da escrita sobre o passado". Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho de 2011.
Aqueles envolvidos na negação do Holocausto preferem referir-se a seu trabalho como um revisionismo histórico, sendo contrários ao rótulo de "negacionistas". Seus críticos consideram a utilização do termo revisionismo neste caso um equívoco, uma vez que os métodos da negação do Holocausto diferem daqueles empregados por uma revisão histórica "legítima", conforme foi explicado em uma declaração divulgada pela Universidade Duke em resposta a um anúncio produzido pelo Committee for Open Debate on the Holocaust fundado por Bradley R. Smith:
Na obra The Holocaust: Problems and Perspectives of Interpretation, Donald L. Niewyk fornece algumas explicações sobre como o revisionismo histórico legítimo — o reexame da história consolidada e sua atualização com informações recém-descobertas, mais precisas ou imparciais — pode ser aplicado ao estudo do Holocausto enquanto novos fatos surgirem para modificar a compreensão histórica do acontecimento: