Domingão do Faustão foi um programa brasileiro de auditório, produzido e exibido pela TV Globo de 26 de março de 1989 a 13 de junho de 2021. Foi apresentado por Fausto Silva, exceto no último programa, que teve apresentação de Tiago Leifert.

Teve inicialmente direção de criação e artística de Augusto César Vanucci e direção geral de Detto Costa; já passaram pela direção de produção Marcelo Paranhos, Carlos Henrique de Cerqueira Leite, Aluísio Augusto e Jayme Praça. Até o último programa, contou com a direção geral de Beto Silva, direção artística de Jayme Praça e gerência de produção de Roberto Ribeiro Costa.

História O início (1989-1995) O Domingão do Faustão estreou na TV Globo no dia 26 de março de 1989, precisamente às 14h55min, logo depois do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 e num domingo de Páscoa, comandado por Fausto Silva, recém-saído da Rede Bandeirantes. O programa foi criado para frear a audiência do Programa Silvio Santos (SBT), até então líder de audiência nas tardes de domingo, cumprindo o objetivo em pouco tempo.

Desde seu início, o programa contava com uma banda musical que toca ao vivo, e a turma do charme nos primeiros anos, que depois viria ser substituída por um grupo de dançarinas, na Academia do Faustão. Há também entrevistas com atores da emissora e cantores, assim como atrações populares em vários quadros. Ao fim, ia ao ar as tradicionais videocassetadas.

Por questões contratuais, a geração do programa se dividia entre a Rio de Janeiro e a São Paulo, assim facilitando o recebimento de convidados ilustres que residiam em ambas as cidades. Mas a partir de janeiro de 2015 o Domingão passou a ser gerado somente de São Paulo a pedido de Faustão.

Até 1993 o programa terminava às 19h e, a partir de então, passou a ter uma hora a mais de duração devido à extinção do Festival Os Trapalhões.

Em 1995 foi criado o quadro Melhores do Ano, que premiava os artistas que fizeram mais sucesso na teledramaturgia, jornalismo, comédia, música e esportes na TV Globo. Até 2002, os vencedores eram escolhidos por funcionários da própria emissora, mas a partir da edição daquele ano, estes indicavam três finalistas, os quais eram submetidos à votação do público, que escolhia o vencedor de cada categoria.

Guerra pela audiência e reação (1996-2001)

Em 1997 a audiência do programa passou a ser ameaçada pelo Domingo Legal (SBT), apresentado por Gugu Liberato, chegando inclusive a perder a liderança em outubro. Nos anos seguintes, a disputa passou a empatar e monopolizar a audiência entre ambos os programas, com até 60% contra as outras redes.

No início dos anos 2000, Gugu tomou a liderança absoluta do programa, rareando cada vez mais as lideranças da Globo, fazendo com que a emissora começasse a intervir no programa que não apresentava mudanças desde sua estreia: tentaram programa gravado, mas tanto a imprensa como a opinião pública criticaram duramente o programa. Em 2000, a direção do Domingão do Faustão comunicou o mercado fonográfico de que não mais levaria ao programa cantores e bandas que tivessem participado do Domingo Legal do SBT. A medida chocou as gravadoras, mas nenhuma se atreveu a se pronunciar publicamente sobre o assunto.

Em 2001, uma produtora do "Domingão" foi demitida. A TV Globo teria gravações de conversas telefônicas em que a profissional passaria informações, nos intervalos, sobre o que iria ao ar no bloco seguinte do "Domingão" para Roberto Manzoni, diretor do Domingo Legal.

Depois da queda de audiência durante o fim dos anos 90 e início dos anos 2000, o programa começou a reagir aos poucos com suas mudanças. Porém, outras emissoras começam a dificultar a audiência da dupla Faustão-Gugu, exibindo filmes e esportes. Mas o Domingo Legal se envolveu em um escândalo em 2003 quando levou ao ar uma entrevista forjada com a facção PCC, e o programa da Globo e o recém-criado Pânico na TV, da RedeTV!, foram favorecidos.

De volta à liderança (2002-2009)

thumb|120px|Faustão, em 2005

thumb|120px|O músico Caçulinha, diretor musical do programa

A partir de 2004, o Domingão do Faustão demonstrou várias vitórias seguidas contra o Domingo Legal, que chegou a ser ameaçado apenas pela RedeTV! (com o Pânico na TV) e a Band (com o futebol).

Em 2008, um especial marcando as mil exibições do programa foi levado ao ar e mereceu destaque na Revista Veja. Em 2009, o programa completou 20 anos com a realização da premiação dos Melhores do Ano 2008 (propositalmente adiada). Além da premiação, foram anunciadas novidades na programação da emissora. Em dezembro, Adriana Colin (responsável pelo merchandising), Caçulinha (diretor musical da banda) e Lucimara Parisi (diretora do programa) deixaram o programa por conta da rescisão de seus contratos.

Perda de audiência (2010-2020) Em 2010, os programas Domingo Espetacular (Record) e Programa do Gugu (Record) representaram uma nova ameaça para o Domingão do Faustão, que chegou a ser derrotado em várias regiões brasileiras, em destaque na Grande SP (a medição do IBOPE na Grande SP é a principal referência no mercado publicitário). Gugu voltava a ameaçar Faustão.

Em 2011, o Domingão marcou média de apenas dez pontos no IBOPE Media Information na Grande SP. Em alguns momentos do dia, Faustão chega a perder para Record e SBT.

No dia 17 de abril de 2016, pelo primeiro domingo desde a estreia, o programa não foi exibido, em função da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em 19 de maio de 2019, Faustão sugeriu que o Domingão poderia estar perto do fim. Durante a exibição do quadro Arquivo Confidencial, o apresentador comentou que "O dia que o programa acabar, e esse dia não está longe, eu revelo os verdadeiros bastidores do 'Arquivo Confidencial''.

Em 15 de março de 2020, a atração não teve a presença da plateia pela primeira vez em 31 anos por conta das medidas impostas pelas emissoras brasileiras de prevenção ao COVID-19. Logo depois, passaram a ser exibidas reprises dos melhores momentos do programa, além do uso de chroma key pelo apresentador para os merchandising.

Após cinco meses exibindo apenas reprises, o Domingão volta a ter episódios inéditos a partir de 23 de agosto de 2020. Porém, se adequando as medidas de segurança tais como o distanciamento social entre o apresentador e os convidados, plateia virtual e a redução no número de bailarinas que passam a ser revezadas em 15 integrantes por programa, além do uso obrigatório de máscara.

Saída de Fausto Silva e o fim do programa (2021)

Em 25 de janeiro de 2021, o colunista Lauro Jardim anunciou que o programa sairia do ar em dezembro. A direção da Globo propôs criar uma atração com Fausto Silva às quintas-feiras, mas o apresentador preferiu não aceitar. Essa decisão encerra um ciclo de 32 anos na emissora.

Em 13 de junho de 2021 o programa não foi apresentado pelo seu titular, pela primeira vez na história, devido a um tratamento de uma infecção urinária. Excepcionalmente, a edição foi apresentada por Tiago Leifert. No dia 17, é comunicada a saída antecipada de Fausto Silva, fazendo com que Leifert ficasse a frente do programa até o mês de dezembro.Tiago Leifert substitui Faustão nas tardes de domingo da Globo até estreia de Luciano Huck O nome Domingão do Faustão deixou de ser utilizado a partir de então, marcando assim o fim da atração, sendo apresentado apenas o quadro Dança dos Famosos como um programa independente.

Um novo programa estrearia em 5 de setembro, apresentado por Luciano Huck, com o título de Domingão com Huck, tendo sido mantido inicialmente o quadro Show dos Famosos do antigo programa. A estreia foi marcada por algumas gafes do apresentador e falhas de edição. Logo depois, o quadro Dança dos Famosos e a premiação Melhores do Ano passaram a fazer parte do novo dominical.

O destino do apresentador após o fim do programa foi a Band, onde estreou em 17 de Janeiro de 2022, ás 20h30 um novo show similar com o Domingão do Faustão com quadros variados e participações musicais, marcando o retorno do apresentador a emissora paulista.

Em 13 de dezembro de 2021, a Globo decidiu retirar as íntegras do programa no GloboPlay, restando apenas alguns trechos do programa.

Quadros

Créditos Elenco NomeAnoStella Freitas1989-1992Pedro Cardoso1989-1992Bailarinas do Faustão1994-2021

Direção geral AnoNome1989Augusto César Vannucci1989-1998Detto Costa1998-1999Roberto Talma1999-2000Alberto Luchetti Neto2000Maurício Tavares2000Boninho2000-2001Luiz Gleiser2001-2002Luiz Nascimento2002-2003Maurício Sherman2003-2006Ângela Sander2006-2017Jayme Praça2017-2021Henrique Matias

Empresas de produção Teatro Fênix (1989-1999)Estúdios Globo (2000-2015) TV Globo São Paulo (2000-2021)

Melhores do ano

Audiência Na época da estreia do programa, o Programa Silvio Santos, apresentado pelo proprietário do SBT, ultrapassava os 60 pontos em algumas afiliadas do SBT nas tarde e noite de domingo. Em poucos meses, Faustão consegue frear Silvio Santos e lhe toma a liderança.

Oito anos na liderança absoluta se passaram e o Domingo Legal, em formato semelhante, começou a incomodar Faustão e em pouco tempo fez a Globo devolver a liderança das tarde e noite de domingo ao SBT. Ao mesmo tempo que a Globo era vice, Record e Band mudam a programação e diminuem a audiência da dupla Faustão-Gugu em menos de 50 pontos.

No início dos anos 2000, Faustão e Gugu dividem a audiência mas não a mesma que tinham nos últimos anos. Porém, na segunda metade dos anos 2000, com o declínio do Domingo Legal e a ascensão da RedeTV!, o programa conquistou novamente a até então impossível liderança dos domingos. O SBT não pôde mais reivindicar a liderança das tardes e noites de domingo, mas Gugu sim: trocou o SBT pela Record e, junto ao Domingo Espetacular, voltou a incomodar Faustão.

Controvérsias No dia 8 de setembro de 1996, o programa exibiu por 37 minutos o caso do órfão Rafael Pereira dos Santos, portador da síndrome de Seckel — que causa uma forma aguda de nanismo primordial. Exibido como uma aberração, seria ridicularizado pelo apresentador e por integrantes do grupo humorístico Café com Bobagem, por conta de sua aparência física (possuía apenas 87 centímetros de altura, 8 quilos e idade mental de uma criança de 3 anos, embora tivesse 15 anos de idade), tendo inclusive sido obrigado a imitar o cantor Latino, presente no referido programa (recebendo a alcunha de Latininho, dada pelo apresentador Fausto Silva). O caso levantou o IBOPE do programa, chegando a alcançar 30 pontos de audiência (enquanto que o seu principal concorrente, o Domingo Legal, possuía apenas 16 pontos). O programa causou muita polêmica e protestos por parte da mídia e do Juizado de Menores do Rio de Janeiro, a ponto do então vice-presidente de operações da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, emitir um memorando interno (escrito a mão momentos após ter assistido em sua casa a exibição do programa) proibindo exibições de quadros ou programas que apresentassem atos de baixaria, sensacionalismo ou que ferissem o chamado Padrão Globo de Qualidade. Em 2001, a emissora seria condenada pela justiça a indenizar Rafael em R$ 1 milhão.

Em 26 de outubro de 1997, para tentar desbancar o Domingo Legal, o programa estreou o polêmico "Sushi Erótico" — comida japonesa servida sobre o corpo de uma modelo japonesa nua — e acabou provocando inúmeros protestos dos telespectadores e até do Governo Federal. Após isso, outras emissoras aproveitaram o fato e passaram a exibir outras atrações para ganhar audiência no horário nobre.