thumb|253px|Buteo buteo. thumb|253px|Vista frontal de B. buteo em voo rasante. thumb|253px|Buteo buteo com coloração muito clara. thumb|253px|Bútio e águia-pesqueira (à esquerda) em voo. thumb|253px|Exemplar pousado sobre um poste. thumb|253px|Dorso de um exemplar do segundo ano. left|thumb|Grito de alarme de B. buteo. thumb|253px|Espécimes jovens enfrentando-se em voo. thumb|253px|Plumas primárias (esquerda) e secundárias (direita) de Buteo buteo (note-se a orientação assimétrica das partes inferiores). thumb|253px|Ovo de B. buteo (colecção do Museu de Wiesbaden). thumb|253px|Habitat típico nas montanhas do Jura (Suábia). thumb|253px|Juvenis num ninho construído sobre um pinheiro. thumb|253px|Buteo buteo apresenta ocasionalmente hábitos necrófagos. thumb|253px|Rato-do-campo, a presa habitual de B. buteo. A quantidade de alimento disponível influi na evolução demográfica da espécie. thumb|253px|Caçador tibetano exibindo um exemplar de Buteo buteo abatido (1938). thumb|253px|B. b. vulpinusA migratório na África do Sul. Bútio-d'asa-redonda ou águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) (Lineu, 1758), também conhecida pelos nomes comuns de bútio-comum, minhoto, ou simplesmente bútio (nos Açores e na Madeira a ssp. rothschildi é conhecida por milhafre ou queimado), é uma espécie de ave de rapina accipitriforme da família Accipitridae originária do Paleártico. É a espécie mais comum da família Accipitridae com distribuição natural numa vasta região que vai da Europa Central às regiões ocidentais da Sibéria e ao Cáucaso. De tamanho médio e aspecto compacto, a plumagem de cada indivíduo varia entre colorações de castanho escuro e tons esbranquiçados. O habitat natural da espécie são as paisagem abertas, como pradarias, campos cultivados e matagais com bosques ou zonas arborizadas confinantes nas quais possa construir o ninho.

Descrição Características A espécie é uma ave de rapina de tamanho médio e aspecto robusto, cabeça pequena e cauda curta, que apresenta tipicamente de 46 a 58 cm de comprimento e de 110 a 132 cm de envergadura alar.Cramp & Simmons 1980, pág. 177. Em dois estudos realizados na Península Ibérica obteve-se um comprimento médio da asas de 36,9 e 38,2 cm para os machos e de 39,4 e 40,0 cm para as fêmeas, respectivamente. Numa amostra da população das ilhas Canárias obtiveram-se valores ligeiramente inferiores.

As asas são relativamente estreitas e a cauda, que é relativamente curta (entre 19,3 e 23,6 cm de comprimento), é ligeiramente arredondada na parte final, em forma de leque.

A plumagem apresenta coloração diversificada, variando de indivíduo para indivíduo e conforme a estação do ano. Os adultos passam por uma fase em que apresentam a parte inferior do corpo e das asas mais clara, podendo ser quase branca. É notável uma característica banda transversal branca no peito e manchas escuras nas juntas carpais. A cauda apresenta quase sempre listras transversais.

Esta ave de rapina apresenta uma ampla variedade de plumagens, com tonalidades que variam desde os castanhos escuros até aos tons esbranquiçados. As pontas das plumas primárias são sempre escuras e a cauda apresenta finas bandas em que se alternam castanhos e brancos. A diversidade fenotípica de B. buteo reflecte-se incluso no seu nome comum em francês: buse variable.

Esta grande variabilidade fenotípica tem sido tentativamente explicada relacionando-a com a ampla distribuição geográfica da espécie, tão ampla que a faz presente na maior parte do Velho Mundo. Desde muito cedo se apontou como razão da grande diversidade morfológica a diversidade de biomas em que a espécie está presente e as grandes distâncias que separam as suas populações,Kleinschmidt, O.: Die Raubvögel der Heimat. Leipzig 1934. algo que posteriormente foi investigado com maior intensidade. Com esse objectivo, foram analisadas as distribuições de cada variante de coloração em áreas de grande tamanho,Ulfstrand, S.: «A Procedure for Analysing Plumage Variation and Its Application to a Series of South Swedish Common Buzzards Buteo buteo (L.).» Em: Ornis Scand. 1, 1970, pp. 107-113.Ulfstrand, S.: «Plumage and size variations in Swedish Common Buzzards Buteo buteo L. (Aves, Accipitriformes).» Em: Zool. Scripta. 6, 1977, pp. 69-75.Dittrich, W.: «Gefiedervariationen beim Mäusebussard (Buteo buteo) in Nordbayern.» Em: J. Orn. 126, 1985, pp. 93-97. e, para além disso, procurou-se determinar a correlação entre a coloração e o êxito reprodutivo.O. Krüger, J. Lindström: Lifetime reproductive success in common buzzard, Buteo buteo: from individual variation to population demography. Em: Oikos. 93, 2001, pág. 260-273.

Na Alemanha, para esclarecer esta relação com detalhe, foram marcados múltiplos espécimes para posterior seguimento, num projecto de ciência cidadã no qual qualquer pessoa podia ajudar aportando informação sobre os avistamentos de exemplares que fosse fazendo.

Por outro lado, um estudo de genética molecular permitiu verificar uma baixa heterozigose, dados que permitem sustentar a hipótese de ter ocorrido um fenómeno de efeito de gargalo biológico que teria desencadeado um posterior aumento da prevalência de polimorfismo na espécie.Schreiber, A., A. Stubbe, M. Stubbe: «Common Buzzard (Buteo buteo): A raptor with hyperpolymorphic plumage morphs, but low allozyme heterozygosity.» Em: J. Orn. 142, 2001, pp. 34-48.

As patas dos exemplares adultos são de cor ocre ou amarelo escuro, com as garras de coloração cinzento escuro (a tonalidade da coloração, nomeadamente a claridade, está em geral em consonância com a coloração da plumagem do indivíduo). O bico é negro no extremo mas fica progressivamente mais claro em direcção à cera, que é amarela. Nos exemplares muito jovens e nas crias, as partes desprovidas de plumas (patas e cera) são de coloração rosa claro. A íris varia entre cinzento, castanho acinzentado ou, incluso, tons amarelados, estando em geral correlacionada com o colorido do resto do corpo.Glutz et al. 1971, pág. 486.

Quando em voo, é fácil identificar as asas que aparentam ser curtas e largas, a cabeça também curta e a cauda em forma de leque. Realiza voos planados sustentados, com frequência circulares, com batidas de asas geralmente lentos, mas de vez em quando enérgicos.

Também durante o voo, no qual realizam largos trechos planados, é possível observar a parte interior das asas, nas quais se destacam grandes manchas claras nas rémiges primárias e secundárias. Desde o pescoço (garganta) até à região ventral, a coloração é irregular, ainda que seja característica uma banda branca mais ou menos definida atravessando a região peitoral de asa a asa.Glutz et al. 1971, pp. 481-482. A banda é mais raiada de cima para baixo em exemplares jovens e de um lado para o outro nos exemplares mais velhos. O obispilo pode ser tanto de coloração parda uniforme, como moteado ou raiado, e o mesmo sucede com as penas que cobrem apenas a parte superior das patas (não pode considerar-se a espécie B. buteo como um "águia calçada").

A cauda é o traço mais definitório para distinguir entre subespécies de B. buteo e também para o diferenciar melhor do bútio-patudo (Buteo lagopus).Glutz et al. 1971, pp. 481-485. A cauda é também um elemento importante para distinguir a espécie de outras morfologicamente similares, entre as quais a águia-cobreira europeia Circaetus gallicus e o bútio-vespeiro (Pernis apivorus), muito semelhante em aspecto e em vocalização.

Diferenciação etária As águas-de-asa-redonda apresentam diferentes traços morfológicos ao longo da vida, os quais permitem estimar a idade aproximada dos espécimes. Uma primeira distinção pode ser feita observando a íris, pois esta é mais clara nos animais jovens do que nos mais velhos.Forsman 1999, pág. 270. Uma diferenciação mais fácil de observar entre jovens e adultos consiste na forma e coloração da cauda, a qual nos indivíduos jovens apresenta a última franja escura não muito mais larga que o resto de franjas, enquanto que nos adultos essa banda terminal é muito maior. Para além disso, os jovens apresentam plumas mais pontiagudas na cauda e os adultos mais rombas.Glutz von Blotzheim et al. 1971, pág. 485.

A mudança de plumagem de juvenil a adulto dá-se com a primeira muda, a qual ocorre por volta do primeiro ano de idade. Durante aquela muda não há a renova da totalidade das plumas da cauda nem das penas primárias, o que permite diferenciar exemplares até ao seu terceiro ano de vida.Forsman 1999, pp. 269-271.

A primeira e a segunda plumagem das crias pode ser cinzenta ou totalmente branca. As crias com plumagem cinzenta apresentam um colar esbranquiçado na garganta e garras totalmente negras. Nas crias brancas não se consegue distinguir o colar esbranquiçado no pescoço, mas é possível observar uma diferença de coloração nas garras, pois as pontas são brancas. Após a época reprodutiva, os adultos de B. b. buteo mudam a plumagem por completo, mas as fases de muda não obedecem a padrões fixos e diferem entre as populações da Península Ibérica e da Europa Central, por exemplo. Peso Na Alemanha, onde vivem cerca de 100 000 casais,Mebs & Schmidt 2006, pp. 359-360. foram determinados os pesos de múltiplos exemplares, tendo-se obtido como valor médio 790 g para os machos adultos (com extremos de 622 a 1183 g) e uma média de 990 g para as fêmeas (com extremos de 782 e 1364 g). Os valores atrás são considerados como pesos normais, não considerando exemplares desnutridos, e são valores de média anual, tendo-se para o efeito comprovado o estado nutricional e as pesagens foram realizadas com papo e estômago vazios.

O peso varia consideravelmente ao longo do ano, pois desde a época de cria até ao inverno um macho pode acumular cerca de 130 g (de 12 a 290 g no estudo atrás referido) de gorduras e uma fêmea umas 180 g (de 47 a 370 g) que serão gastas nos meses frios, principalmente de Janeiro a Abril. Tal quantidade de gordura representa aproximadamente entre 14 e 16 % do peso corporal total. Em consequência deste ciclo anula, é por volta de Novembro e Dezembro que estes animais apresentam o peso mais elevado. Em casos excepcionais, a reserva de gordura pode chegar a alcançar um quarto do peso total.

A quantidade de alimentos ingeridos, maioritariamente encontrados no papo, ronda os 82 g em média nos machos, algo mais de 10 % do seu peso corporal (máximo medido de 156 g, 19,7 %); e 134 g em fêmeas, o que representa 13,5 % do peso corporal (máximo de 209 g, 21,1 %).Piechocki, R.: «Todesursache, Gewichte und Maße von Buteo buteo buteo (L.).» Em: Beitr. Vogelk. 16, Heft1/6, 1970, pp. 313-327.

A espécie não apresenta dimorfismo sexual acentuado, sendo que a diferença principal entre machos e fêmeas é o tamanho e o peso, ainda que por si só não seja suficiente para servir de base única para a distinção entre sexos.

Mediante controlos diurnos de quinze ninhos, realizados entre 1988 e 1996 na região holandesa de Drente, foi determinado um peso médio em crias de eclosão recente de 44,5 g (a partir de uma amostra constituída por sete machos e três fêmeas).Bijlsma, R. G.: Handleiding veldonderzoek Roofvogles. 2., korrigierte Auflage. KNNV, Utrecht 1998, pp. 134 e 150-153. Comportamento Territorialidade e voo O comportamento territorial da espécie é especialmente patente durante a época de reprodução, durante a qual defendem a área em redor da árvore onde estabeleceram o ninho. Expulsam os indivíduos estranhos que se internam no seu território mediante velozes aproximações aéreas acompanhadas de potentes batidas de asas. Enquanto ocorre o nascimento e o crescimento das crias, as disputas com outros casais nidificando nas cercanias reduzem-se, ainda que de vez em quando possam ocorrer confrontos com animais solitários.T. Mebs: «Zur Biologie und Populationsdynamik des Mäusebussards (Buteo buteo) unter besonderer Berücksichtigung der Abhängigkeit vom Massenwechsel der Feldmaus (Microtus arvalis).» En: J. Orn. 105, 1964, pp. 247-306.