é um filme japonês de animação, drama e fantasia lançado em 2013. O seu roteiro foi escrito por Isao Takahata e Riko Sakaguchi, baseado a partir da clássica fábula japonesa o Cortador de Bambu do século X. A obra contou com a produção de Yoshiaki Nishimura, enquanto a trilha sonora foi composta por Joe Hisaishi. O enredo do longa-metragem começa quando a personagem principal, Kaguya (Aki Asakura), é encontrada ainda bebê dentro de um tronco de bambu. E ao passar dos anos, ela se torna uma bela jovem e passa a ser cobiçada por cinco nobres, dentre eles o imperador do Japão, mas nenhum dos pretendentes agrada a jovem e a mesma pede presentes quase impossíveis para evitar um matrimônio com um estranho. Ao final, Kaguya enfrentará as consequências por suas escolhas.

Sendo o filme mais caro a ser produzido pelo Studio Ghibli, O Conto da Princesa Kaguya teve um orçamento estimado em 5 bilhões de ienes e demorou oito anos para ser produzido. O desenho da obra foi inteiramente desenhada à mão, favorecendo a um estilo impressionista que recorda as pinturas orientais do Japão antigo. E diferenciando-se do estilo artístico das muitas outras produções do estúdio. Para Edu Fernandes do CineClick, a maior qualidade do filme está no visual e que os "Cenários são delicados como se fossem pinturas de aquarela. Entretanto, os personagens são apresentados em traços que se assemelham a giz de cera". A trilha sonora desempenha uma função importante na trama, mesclando melodias ocidentalizadas e músicas tradicionais para iterar o ambiente enigmático e imaginário da película.

Lançado nos cinemas em 23 de novembro de 2013, O Conto da Princesa Kaguya foi o longa-metragem de maior bilheteria entre os dois primeiros dias de sua estreia. Posteriormente, tornou-se um fracasso comercial internacional, arrecadando 24 milhões de dólares estadunidenses — sendo grande parte do lucro vindo do Japão, com 22 milhões. Porém, foi avaliado positivamente pela crítica e pelo público, que elogiaram a simplicidade da sua história e principalmente o desenho do filme feito inteiramente em 2D. Recebeu 25 indicações e 7 vitórias a diversos prêmios incluindo ao Oscar de melhor filme de animação na 87.ª edição da premiação, foi o primeiro trabalho de Takahata a ser indicado. Também recebeu diversas nomeações ao prêmio de "melhor filme de animação" em várias cerimônias e festivais, como nos prêmios Annie, Empire, Online Film Critics Society e Asia Pacific Screen, vencendo esta última. O portal britânico BroadbandChoices, fez uma análise dos filmes mais pesquisados do Studio Ghibli ao redor do mundo e classificou O Conto da Princesa Kaguya em 24.º lugar com 0,24%.

Enredo Em mais um dia de trabalho como todos os outros, um simples camponês encontra em um talo de bambu uma pequena menina. Encantado com que viu, decide a levar para sua casa e criá-la junto a sua esposa, a quem colocam o nome de Kaguya. E ao passar dos anos, ela se torna uma bela jovem e passa a ser o interesse amoroso de vários homens, incluindo de cinco nobres a quem recusa vários pedidos de casamento e pede inúmeros presentes quase impossíveis. Além disso, Kaguya chama a atenção do próprio imperador e ao se dar conta de seu interesse foge angustiada.

Elenco Apresenta-se a seguir o elenco de O Conto da Princesa Kaguya.

Produção Quando criança, Isao Takahata disse que leu o Conto do Cortador de Bambu e recordou que se esforçava para simpatizar com a protagonista; pois para ele, a "transformação da personagem foi enigmática", mas que "não evocava nenhuma empatia da parte [dele]". Ainda quando trabalhava na Toei Animation, em 1960, Takahata tentou adaptar o conto, no entanto, o projeto acabou sendo abandonado. E após reler o conto, percebeu o potencial da história para uma adaptação animada. Em 2008, o Studio Ghibli revelou que Takahata estava trabalhando em seu próximo longa-metragem. No Festival Internacional de Cinema de Locarno de 2009, o diretor afirmou que o projeto seria baseado no Conto do Cortador de Bambu.

O Conto da Princesa Kaguya foi financiado pela Nippon TV, cujo falecido presidente, Seiichiro Ujiie deu ao projeto cinco bilhões de ienes. Ujiie adorava o trabalho de Takahata e suplicou ao produtor Toshio Suzuki, do Studio Ghibli, que deixasse Takahata fazer mais um filme. Para garantir a ligação emocional do público ao filme, era importante para Takahata que os espectadores pudessem ver a "realidade na obra", em vez de serem distraídos por um estilo artístico realista. Além de querer que as pessoas "recordassem as realidades da vida". Para ajudar com esta perspectiva, Osamu Tanabe ficou encarregado dos desenhos dos personagens e Kazuo Oga do cenário da animação. Em 13 de dezembro de 2012, o lançamento de O Conto da Princesa Kaguya foi confirmado pelo Studio Ghibli e a distribuidora Toho.

Seleção do elenco A dublagem de O Conto da Princesa Kaguya foi composta por famosos dubladores do Japão, entre eles o ator Takeo Chii que faleceu perto da conclusão da obra. Chii gravou a maioria de suas falas no filme, mas devido à sua morte seis cenas foram regravadas por Yuji Miyake. E para a protagonista, Aki Asakura foi escolhida entre cerca de 300 candidatas.

Música Em 2012, foi anunciado que Shin'ichirō Ikebe seria o responsável pela trilha sonora do filme, mas foi substituído por Joe Hisaishi no ano seguinte. Foi a primeira vez que Hisaishi trabalhou num filme de Takahata. O álbum contendo todas as faixas da trilha sonora de O Conto da Princesa Kaguya foi lançado em 20 de novembro de 2013, pela Tokuma Japan Communication.

Lista de faixas

Lançamento Distribuição miniaturadaimagem|178px|O Conto da Princesa Kaguya concorreu na seleção oficial da seção "Quinzena dos Diretores" no 67.º Festival de Cannes Inicialmente, O Conto da Princesa Kaguya foi planejado para ser lançando no verão de 2013 simultaneamente com Kaze Tachinu de Hayao Miyazaki. Entretanto, em janeiro de 2013, a distribuidora do filme anunciou que o seu lançamento seria adiado até o fim do ano devido a atrasos e mudanças nos storyboards da obra. O Conto da Princesa Kaguya estreou oficialmente nos cinemas japoneses em 23 de novembro de 2013, sendo posteriormente lançado em outras nações. Em Portugal, foi exibido no Monstra Festival em 17 de março de 2015 e nos cinemas portugueses no dia 9 de abril do mesmo ano, com a Outsider Films sendo responsável da distribuição do filme. A obra foi lançada no Brasil em 16 de julho de 2015 pela California Filmes.

A primeira exibição pública do filme em um festival internacional aconteceu em abril de 2014 no Festival de Cannes na cidade de Cannes, França, na seção "Quinzena dos Realizadores". Também teve uma exibição no 38.º Festival de Cinema de Animação de Annecy no mês de junho. Em setembro, foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, e no de San Sebastián.

Classificação indicativa Em seu país de origem, O Conto da Princesa Kaguya foi classificado para todos os públicos pela Eirin. Nos Estados Unidos, recebeu da Motion Picture Association of America (MPAA) uma classificação PG (Parental Guidance Suggested) por conter "nudez parcial e alguns elementos de violência". Desta forma, o filme foi recomendado pela associação apenas para maiores de 9 anos. O portal Common Sense Media também manteve a idade prevista pela MPAA. Por outro lado, pais usuários do site o recomendaram para maiores de 6 anos, e crianças colocaram 9 anos. No Brasil, em seu lançamento para os cinemas, o filme foi classificado como "livre para todos os públicos", conforme o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (DEJUS). Em Portugal, a organização de Inspecção-Geral das Actividades Culturais atribuiu uma classificação M/6. Assim, foi recomendado para crianças de 6 anos e acima.

Home video O Conto da Princesa Kaguya foi lançado nos formatos de DVD e blu-ray no dia 3 de dezembro de 2014 no Japão. No Brasil, foi comercializado em ambos os formatos a partir de 30 de setembro de 2015. Nos Estados Unidos a edição em blu-ray vendeu de unidades, alcançando a 16.ª classificação e arrecadando de dólares. Em sua edição estadunidense — tanto em DVD como em blu-ray — o disco apresenta os bônus: anúncio de conclusão do filme, trailers, faixas de áudio em inglês e japonês, entre outros.

Recepção Bilheteria O Conto da Princesa Kaguya teve um sucesso moderado em sua estreia no Japão, ficando na primeira posição dos filmes mais assistidos entre os dias 23 e 24 de novembro de 2013, recebendo um total de ienes arrecadados em 456 cinemas, e com um público de pessoas. Em sua nona semana de lançamento, o filme arrecadou de ienes e com um total de espectadores. Ao todo a obra arrecadou 2,47 bilhões em território japonês, ficando como o 11.º filme de maior arrecadação do ano de 2014 no país.

Internacionalmente, O Conto da Princesa Kaguya apresentou um baixo lucro nas bilheterias. Arrecadando ao todo US$ mundialmente. Na América do Norte o filme ficou em exibição nos cinemas por 161 dias, entre 17 de outubro de 2014 a 26 de março de 2015, lucrando ao todo US$ . Na França estreou como o décimo segundo filme mais assistido do país, gerando uma receita de US$ entre os dias 25 a 29 de junho de 2014. Em Hong Kong arrecadou US$ em 61 cinemas entre 10 a 13 de julho, ficando no quinto lugar dos mais assistidos. E ao todo gerou US$ . No Brasil estreou em seis salas de cinema, e obteve uma renda acumulada de R$ e um público de pessoas. Outras nações que apresentaram uma forte bilheteria em dólares foram Austrália, com ; Noruega, ; Bélgica, ; e Espanha, com .

Resposta da crítica O Conto da Princesa Kaguya obteve uma recepção crítica muito favorável por parte da mídia japonesa e internacional. No agregador de resenhas Rotten Tomatoes, o filme recebeu um "Certificado Fresco" e marca uma pontuação de 100% com base em comentários de 96 críticos, e registra uma nota 8,20 de 10. De acordo com o site, o consenso crítico do filme diz: "Com uma narrativa profunda, honesta, franca e bela, O Conto da Princesa Kaguya é uma animação moderna com apelo atemporal". No Metacritic, que atribui uma média aritmética ponderada com base em 100 comentários de críticos mainstream, o filme recebe uma pontuação média de 89 pontos com base em 28 resenhas, indicando "aclamação universal". No website, foi classificado como o sétimo melhor do ano.

A crítica de cinema Maggie Lee da Variety, aclamou-o dando a classificação máxima de cinco estrelas e escreveu: "Interpretação animada de um conto japonês do século X sobre uma donzela que veio da Lua para à Terra, O Conto da Princesa Kaguya transita de um simples conto a uma sofisticada representação sobre a loucura do materialismo e a evanescência da beleza". A classificação de quatro estrelas em cinco foi dada pelos próximos dois críticos. "A técnica de animação delicadamente trabalhado é belo e emocionante, porém teve uma recepção mista no Japão e teve dificuldade ao se adaptar a um público internacional", escreveu Leslie Felperin ao The Hollywood Reporter. Em sua avaliação para o jornal The Washington Post, Michael O'Sullivan descreveu-o como "Uma obra melancólica, linda, e mágica sobre a alegria e a dor da existência humana. Se há um erro, é o filme ser muito longo". O Conto da Princesa Kaguya é verdadeiramente uma obra-prima, sendo em simultâneo, muito simples e fazendo a cabeça do espectador girar", disse Glenn Kenny do RogerEbert.com. Em sua resenha ao The Guardian, Mike McCahill afirmou: "As imagens exuberantes e pintadas à mão oferecem abundante consolação". De maneira similar, Nicolas Rapold, do New York Times, aclamou o filme, e descreveu-o como "Elegantemente desenhado com tanto delicadeza da aquarela e como um traço de significado vívido".