Sociedade é um grupo de indivíduos envolvido em interação social persistente ou um grande grupo social que compartilha o mesmo território espacial ou social, tipicamente sujeito à mesma autoridade política e expectativas culturais dominantes. As sociedades são caracterizadas por padrões de relacionamentos (relações sociais) entre indivíduos que compartilham uma cultura e instituições distintas; uma determinada sociedade pode ser descrita como a soma total de tais relacionamentos entre seus membros constituintes.

As estruturas sociais humanas são complexas e altamente cooperativas, caracterizadas pela especialização do trabalho por meio de papéis sociais. As sociedades constroem papéis e outros padrões de comportamento ao considerar certas ações ou conceitos aceitáveis ou inaceitáveis — essas expectativas em relação ao comportamento dentro de uma determinada sociedade são conhecidas como normas sociais. Na medida em que é colaborativa, uma sociedade pode permitir que seus membros se beneficiem de maneiras que seriam difíceis de alcançar individualmente.

As sociedades variam de acordo com o nível de tecnologia e o tipo de atividade econômica. Sociedades maiores, com maiores excedentes alimentares, frequentemente exibem padrões de estratificação ou dominância. As sociedades podem ter diferentes formas de governo, diversas maneiras de compreender o parentesco e diferentes papéis de gênero. O comportamento humano varia imensamente entre as diferentes sociedades; os humanos moldam a sociedade, mas a sociedade, por sua vez, molda os seres humanos.

Etimologia e uso O termo "sociedade" refere-se frequentemente a um grande grupo de pessoas numa comunidade organizada, num país ou em vários países semelhantes, ou ao "estado de convívio com outras pessoas", como em "viviam na sociedade medieval". O termo derivou da palavra latina ('companhia, aliança, associação'), que por sua vez derivava do substantivo ('camarada, amigo, aliado').

A palavra "social" deriva da palavra latina ('aliados'). Deriva particularmente dos Estados itálicos , aliados históricos da República Romana, embora tenham se rebelado contra Roma na Guerra Social de 91–87 a.C.

Concepções

Em biologia

alt=Multiple black ants surrounding and crawling on a dead mantis|direita|miniaturadaimagem|Etologia social das formigas: as formigas são insetos eussociais. O grupo social permite que seus membros se beneficiem de maneiras que não seriam possíveis individualmente. Os humanos, juntamente com seus parentes mais próximos os bonobos e os chimpanzés, são animais altamente sociais. Esse contexto biológico sugere que a sociabilidade subjacente necessária para a formação de sociedades está intrinsecamente ligada à natureza humana. A sociedade humana apresenta altos graus de cooperação e difere de maneiras importantes dos grupos de chimpanzés e bonobos, incluindo o papel parental dos machos, o uso da linguagem para se comunicar, a especialização do trabalho e a tendência de construir "ninhos" (acampamentos multigeneracionais, vilas ou cidades).

Alguns biólogos, como o entomologista E. O. Wilson, classificam os humanos como eussociais, colocando-os com as formigas no nível mais alto de sociabilidade no espectro da etologia animal, embora outros discordem. A vida em grupo social pode ter evoluído nos humanos devido à seleção de grupo em ambientes físicos que dificultavam a sobrevivência.

Em sociologia Na sociologia ocidental, existem três paradigmas dominantes para a compreensão da sociedade: funcionalismo (também conhecido como funcionalismo estrutural), teoria do conflito e interacionismo simbólico.

Na visão de Karl Marx, os seres humanos são intrinsecamente, necessariamente e por definição seres sociais que, além de serem “criaturas gregárias”, não podem sobreviver e satisfazer suas necessidades senão por meio da cooperação e associação social. Suas características sociais são, portanto, em grande medida, um fato objetivamente dado, impresso neles desde o nascimento e afirmado pelos processos de socialização; e, segundo Marx, na produção e reprodução de sua vida material, as pessoas devem necessariamente entrar em relações de produção que são “independentes de sua vontade”.

Em contraste, o sociólogo Max Weber por exemplo define a ação humana como "social" se, em virtude dos significados subjetivos atribuídos à ação pelos indivíduos, ela "leva em conta o comportamento dos outros e é assim orientada no seu curso".

Funcionalismo De acordo com a escola de pensamento funcionalista, os indivíduos na sociedade trabalham juntos como órgãos no corpo para criar um comportamento emergente, às vezes referido como consciência coletiva. Os sociólogos do século XIX Auguste Comte e Émile Durkheim, por exemplo, acreditavam que a sociedade constitui um "nível" separado da realidade, distinto da matéria biológica e inorgânica. As explicações dos fenômenos sociais tinham, portanto, de ser construídas dentro desse nível, sendo os indivíduos meramente ocupantes transitórios de papéis sociais comparativamente estáveis.

Teoria do conflito Os teóricos do conflito adotam a visão oposta e postulam que os indivíduos e os grupos sociais ou classes sociais dentro da sociedade interagem com base no conflito e não no acordo. Um teórico proeminente dessa vertente é Karl Marx, que concebia a sociedade como operando em uma "base" econômica com uma "superestrutura" de governo, família, religião e cultura. Marx argumenta que a base econômica determina a superestrutura e que, ao longo da história, a mudança social tem sido impulsionada pelo conflito entre trabalhadores e aqueles que detêm os meios de produção.

Interacionismo simbólico O interacionismo simbólico é uma teoria microssociológica que se concentra nos indivíduos e em como o indivíduo se relaciona com a sociedade. Os interacionistas simbólicos estudam o uso da linguagem compartilhada pelos humanos para criar símbolos e significados comuns e usam essa estrutura de referência para entender como os indivíduos interagem para criar mundos simbólicos e, por sua vez, como esses mundos moldam os comportamentos individuais.

Na segunda metade do século XX, os teóricos começaram a encarar a sociedade como socialmente construída. Nesse sentido, o sociólogo Peter L. Berger descreve a sociedade como "dialética": a sociedade é criada pelos humanos, mas essa criação, por sua vez, cria ou molda os humanos.

Visões não ocidentais alt=Black and white portrait of José Rizal|miniaturadaimagem|José Rizal, um teórico das sociedades coloniais A ênfase sociológica dada ao funcionalismo, à teoria do conflito e ao interacionismo simbólico tem sido criticada como eurocêntrica. O sociólogo malaio Syed Farid al-Attas, por exemplo, argumenta que os pensadores ocidentais estão particularmente interessados nas implicações da modernidade e que, portanto, sua análise das culturas não ocidentais é limitada em escopo. Como exemplos de pensadores não ocidentais que adotaram uma abordagem sistemática para a compreensão da sociedade, al-Attas menciona Ibne Caldune (1332–1406) e José Rizal (1861–1896).

Caldune, um árabe que viveu no século XIV, compreendia a sociedade, assim como o resto do universo, como tendo uma "configuração significativa", com sua aparente aleatoriedade atribuível a causas ocultas. Ele concebia as estruturas sociais como tendo duas formas fundamentais: nômade e sedentária. A vida nômade possui alta coesão social (asabijja), que Caldune argumentava surgir do parentesco, dos costumes compartilhados e da necessidade comum de defesa. A vida sedentária, na visão de Caldune, era marcada pela secularização, diminuição da coesão social e aumento do interesse pelo luxo.

Rizal foi um nacionalista filipino que viveu no final do período colonial espanhol e teorizou sobre as sociedades coloniais. Rizal argumentava que a indolência, que os espanhóis usavam para justificar sua ocupação colonial, era, na verdade, causada pela própria ocupação colonial. Rizal comparou a era pré-colonial, quando os filipinos controlavam as rotas comerciais e tinham maior atividade econômica, ao período do domínio colonial, e argumentou que a exploração, a desordem econômica e as políticas coloniais que desencorajavam a agricultura levaram a um menor interesse pelo trabalho.

Tipos Os sociólogos tendem a classificar as sociedades com base no seu nível de tecnologia e a colocá-las em três grandes categorias: pré-industrial, industrial e pós-industrial.

As subdivisões dessas categorias variam e as classificações são frequentemente baseadas no nível de tecnologia, comunicação e economia. Um exemplo de tal classificação vem do sociólogo Gerhard Lenski, que lista: (1) caça e coleta; (2) horticultura; (3) agricultura; e (4) indústria; bem como sociedades especializadas (por exemplo, pesca ou pastoreio).

Algumas culturas evoluíram ao longo do tempo para formas mais complexas de organização e controle. Essa evolução cultural tem um profundo efeito nos padrões de comunidade. Tribos de caçadores-coletores, por vezes, se estabeleceram em torno de estoques sazonais de alimentos, tornando-se aldeias agrícolas. Aldeias cresceram e se tornaram vilas e cidades. Cidades se transformaram em cidades-estado e Estados-nação. No entanto, esses processos não são unidirecionais.

Pré-industrial Numa sociedade pré-industrial, a produção de alimentos, realizada através do trabalho humano e animal, é a principal atividade econômica. Essas sociedades podem ser subdivididas de acordo com seu nível de tecnologia e seu método de produção de alimentos. Essas subdivisões são: caçadoras-coletoras, pastoris, horticultoras e agrárias.

Caça e coleta alt=refer to caption|miniaturadaimagem|Membros do povo sã, em Botswana, acendem o fogo manualmente. A principal forma de produção de alimentos em sociedades de caçadores-coletores é a coleta diária de plantas silvestres e a caça de animais selvagens. Os caçadores-coletores se deslocam constantemente em busca de alimento. Como resultado, eles não constroem aldeias permanentes nem criam uma grande variedade de artefatos. A necessidade de mobilidade também limita o tamanho dessas sociedades, e elas geralmente formam apenas pequenos grupos, como bandos e tribos, geralmente com menos de 50 pessoas por comunidade. Bandos e tribos são relativamente igualitários e as decisões são tomadas por consenso. Não existem cargos políticos formais que detenham poder real em sociedades de bandos; em vez disso, um chefe é meramente uma pessoa influente e a liderança é baseada em qualidades pessoais. A família constitui a principal unidade social, com a maioria dos membros sendo parentes por nascimento ou casamento.

O antropólogo Marshall Sahlins descreveu os caçadores-coletores como a "sociedade afluente original" devido ao seu extenso tempo livre: Sahlins estimou que os adultos em sociedades de caçadores-coletores trabalhavam de três a cinco horas por dia. Essa perspectiva foi contestada por outros pesquisadores, que apontaram altas taxas de mortalidade e guerras perenes em sociedades de caçadores-coletores. Os defensores da visão de Sahlins argumentam que o bem-estar geral dos humanos em sociedades de caçadores-coletores desafia a suposta relação entre avanço tecnológico e progresso humano.

Pastoral alt=refer to caption|miniaturadaimagem|Homens Maasai executam o adumu, a dança tradicional com saltos.